A última escolha de Rose Hathaway
4 Capítulo 4 - Eu sou Dimitri Belikov
Notas iniciais

Eu também amo você, Rose. Quis gritar, mas não pude por que, de repente, seu corpo foi jogado contra a parede do escritório. A câmera ainda estava ligada e tive que presenciar enquanto um antigo Strigoi a agarrava pelo pescoço e a levantava no ar. Meu sangue ferveu de ira. Minha respiração estava pesada e minha garganta queimava. Cerrei os punhos quando um grito escapou de seus lábios. Rose foi arremessada contra a mesa e a imagem falhou levemente. Meu coração parou por um segundo. O Strigoi estava caminhando em sua direção quando ela nos encarou novamente e, com olhar de desculpas, quebrou a Webcam. A imagem desapareceu e não pude conter toda a raiva que vinha guardando, sem me dar conta da ação, peguei o notebook de Lissa e o lancei contra a parede.
Rapidamente Eddie se aproximou colocando uma mão no meu ombro, mas cada toque me inflamava e me afastei brutalmente. Apoiei uma mão na parede e apertei os olhos com a outra. Eu deveria ter ido com ela. Minha respiração estava acelerada e não conseguia parar de rever seu rosto machucado. Aquele rosto que tem sido o motivo da minha dor e alegria a tanto tempo.
– Temos que encontra-la. – Lissa falou e precisei encara-la para compreender o que ela estava pedindo. – Temos que encontra-la! – Ela gritou quando ninguém fez menção de se mover.
Christian, que estivera o tempo inteiro calado, estava-a abraçando enquanto Lissa encarava o chão de forma vazia. Desde que as conheci eu sempre soube que, destruindo uma, você destruiria a outra. Rose foi treinada para lidar com a perda, mas apenas Lissa havia provado o pior que a morte poderia oferecer.
– Liss... – Christian começou, mas ela o cortou.
– Não me venha com essa! – Agora ela estava me encarando. – Nós vamos buscá-la. – Lissa fechou os olhos por um segundo antes de prosseguir. – E trazê-la para casa...
– Eu vou. – Disse firmemente precisamente me impedir de socar a parede.
– Eu também vou. – Eddie me olhou cuidadosamente. – Eu devo minha vida a ela e, mesmo que ela... Bom, ela merece... – Ele não conseguiu prosseguir, mas eu entendi. Mesmo que Rose não estivesse mais viva, ela merecia uma despedida honrosa, um funeral de Guardião.
– Eu também irei. – Todos paramos quando a voz trêmula de Lissa surgiu.
– Lissa, isso é muito perigoso! – Christian falou enquanto acariciava seu cabelo.
– O Lorde Ozera tem razão. Não sabemos o que iremos encontrar lá. – Eddie começou.
– Eu não me importo. – Ela levantou a mão quando comecei a protestar, me calando. – Você é o responsável por essa operação, Dimitri. Monte um grupo seleto, sem alarde, iremos partir ao entardecer.
– Vossa Alteza, preciso insistir que é muito arriscado te levar conosco. Sua segurança é prioridade. – Falei duramente.
Lissa se levantou e andou até o centro da sala — olhando cada um nos olhos — antes de falar.
– Eu irei junto. Agora... Mecham-se. – Ela respirou fundo quando, mais uma vez, ninguém fez menção de se mover. – Isso é uma ordem! – Ela gritou e foi como se uma onda elétrica atingisse a todos, nos colocando em movimento.
– Ok, faremos da seguinte forma. – Comecei enquanto Eddie, Lissa e Christian se aproximavam. – Iremos dividir o plano em três etapas. Primeiro eu irei descobrir a localização dela enquanto Eddie investiga tudo o que puder sobre o motivo dela ter ido lá. — Olhei ao redor, para me certificar de que todos estavam atentos.
– Segunda parte: Tirar a Rainha com segurança e sigilo. Ninguém pode saber que você estará desprotegida. – Me dirigi a Lissa.
– Posso usar a compulsão... – Ela começou, mas a cortei.
– Não será o suficiente, você vai precisar mudar a cor do cabelo e de algumas roupas mais discretas. Acha que consegue cuidar dessa parte em... – Olhei para o relógio. – No máximo duas horas?
– Claro. – Lissa disse, sem muita emoção.
– E a última parte será encontra-la e trazê-la de volta. – Concluí já me sentindo mentalmente exausto.
– Você faz parecer tão fácil... – Christian disse.
– Mas não vai ser. – Falei já me dirigindo para a saída. – Eddie, você entregou a ela o que eu te pedi? – Ele acenou positivamente. – Ótimo. Então, começa a investigar o apartamento da Rose, chego lá em 10 minutos. Preciso recrutar mais um Guardião. – Eddie fez que sim com a cabeça e, sem excitar, se atirou porta afora. – E vocês se preparem, não sabemos quanto tempo ficaremos fora.
Não fiquei para vê-los afirmando a ordem e também não me permiti surtar por me dirigir com tanta veemência com uma Rainha, eu precisava me movimentar. Precisava começar a agir. Corri para a saída do prédio real, sem me importar com os olhares curiosos. O prédio dos guardiões ficava quase do outro lado da Corte, então tive que me apressar. Eu vou te achar, Roza, eu sempre vou te achar. Pensei.
Quase me senti aliviado quando vi Mikhail saindo da estação dos guardiões e precisei desacelerar para não esbarrar nele.
– Está tudo bem, Belikov? – Mikhail perguntou, preocupado.
– Tenho uma missão para você. – Peguei em seu ombro o conduzindo para longe das pessoas. – É secreta e não posso te dar muitas informações antes de você aceitar.
– Aceito, claro. – Vi sua postura mudar de descontraída para a de um guardião.
– Ótimo. – Nos dirigimos de volta para o prédio real enquanto eu lhe explicava, vagamente, o que estava ocorrendo. Como era de se esperar ele protestou contra a ida da Rainha na missão, mas não recusou.
– Então essa não é uma missão de resgate... – Mikhail disse, por fim.
– Provavelmente não. – Afirmei, sem vida. — Preciso que você rastreie esse número. – Passei um cartão para ele onde constavam os dados necessários do aparelho que havia pedido para Eddie entregar a Rose.
– Claro, claro! – Ele respondeu prontamente.
Automaticamente nos dirigimos para o centro de controle da Corte que ficava no subsolo do prédio. O centro de controle possuía todos os equipamentos e toda a tecnologia que precisássemos. Foi fácil entrar no recinto, pois tínhamos acesso livre a toda Corte. Cumprimentamos os guardas presentes e nos apressamos a encontrar um computador disponível.
Mikhail começou a digitar excessivamente e várias telas e números foram surgindo no monitor.
– Você consegue fazer isso, certo? – Perguntei ansioso.
– Se o aparelho estiver ligado, sim. Senão, só posso dar uma localização aproximada. – Ele murmurou.
O processo todo foi demorado e, após meia hora, estava perdendo as esperanças.
– Aqui, aparentemente o celular está desligado, mas eu tenho um endereço... Palace Square, 2, St Petersburg, Rússia. – Mikhail falou me encarando.
– É onde fica um Museu. – Pensei. – Eu costumava ir lá quando criança.
– Bom, é onde o aparelho estava no momento que foi desligado. Você acha possível que seja onde eles a mantiveram presa?
– Para eles, tudo é possível. Só fico pensando em quantos inocentes foram massacrados para que eles “limpassem” o local. – Fechei os olhos tentando me acalmar.
Após mais algumas considerações o deixei responsável por pesquisar sobre Avery enquanto corria para o hall dos elevadores.
O elevador demorou mais tempo do que eu gostaria e, quanto mais o tempo passava, mais sentia o peso do que estávamos fazendo. Nós poderíamos nunca a encontrar. Ou, pior, poderíamos encontrar seu corpo. Tremi com a visão de uma Rose pálida, quieta e sem vida. Não, não vou pensar nisso até chegar o momento. Quando finalmente consegui entrar no elevador e chegar ao sexto andar precisei me segurar para não correr novamente.
Sua porta estava entre aberta e me senti aliviado quando percebi que Eddie já havia feito um grande progresso em analisar os cômodos.
– Encontrou algo? – Perguntei.
– Até agora... – Eddie me encarou com os olhos vermelhos. – Só isso. – Ele me entregou um papel dobrado ao meio.
Li o bilhete e precisei me impedir de ter outro surto de raiva. Ela sabia onde estava se metendo. Ela sabia! Quase gritei.
– Está tudo bem? – Eddie me perguntou preocupado e notei que estava apertando o papel mais do que o necessário. Respirei.
– Ela sabia, Eddie. – Minha voz soava dura e urgente. Comecei a abrir as gavetas de sua escrivaninha as jogando no chão. – Ela sabia o que ia acontecer! – Explodi.
– Ei, eu sei que ela tinha uma boa razão. – Eddie tentou me acalmar, mas era inútil. Meu controle estava definitivamente abalado.
– Eu... – Fechei os olhos, de repente me sentindo muito fraco. – Eu... Sabia que tinha algo de errado. Eu tentei falar com ela, mas ela parecia tão segura. Eu confiei nela. – Minha voz não era mais alta que um sussurro.
– Olha, a Rose amadureceu muito. – Senti sua mão no meu ombro e eu não me afastei dessa vez. – Eu tenho certeza que, o que quer que tenha acontecido, se ela foi por vontade ou não, ela sabia o que estava fazendo. E se ela nos deixou de fora, talvez fosse por que ela queria assim.
Ficamos alguns minutos em silencio enquanto eu tentava lutar a batalha dentro de mim. Quando a conheci ela era apenas a garota insolente que usava o sarcasmo como uma arma de defesa. Nunca a confessei que, sozinho no quarto, eu sorria ao lembrar de suas piadas e que, várias vezes, cai no sono enquanto a imaginava deitada comigo. Quanto tempo eu perdi tentando a afastar de mim? Como só agora eu pude ver que eu não conseguiria existir sem ela?
– Ahn, eu estava prestes a investigar o quarto. – Eddie falou me tirando do transe.
– Eu vou. Fique aqui e revire cada centímetro desse lugar. Sei que ela está na Sibéria, mas precisamos saber o porquê. – Eddie assentiu e eu me dirigi para o pequeno corredor que levaria ao seu quarto.
Ao entrar no quarto precisei de um minuto para me acalmar. O quarto era enorme e sofisticado, com detalhes entalhados nas molduras das janelas e rodapés. Tudo ali fazia menção a ela. Algumas roupas estavam espalhadas em frente ao enorme espelho e sua cama estava desarrumada. Andei em volta do cômodo e parei quando vi um pequeno porta-retratos em cima do criado mudo. A criança na imagem deveria ter um pouco mais do que 10 anos e os cabelos castanhos corriam soltos envolta de um rosto alegre e sorridente. Sorri. Rose sempre fora energia pura.
Respirando profundamente me desliguei da imagem e segui para o seu closet. Estranhamente o closet estava mais organizado do que o quarto em si. Percorri entre vários cabides com roupas que eu nunca a vira usando. Parei quando avistei o antigo uniforme da Academia São Vladimir, passei os dedos sob os tecidos. Tantas lembranças. E acreditar que pensávamos que nossas vidas eram complicadas naquela época. Sinto-me um tolo só de lembrar em quantas oportunidades tivemos e eu a barrei – mesmo que, sozinho no quarto, eu desejasse nunca tê-la impedido.
Uma caixa mal fechada me chamou a atenção e, com relutância, me distanciei do uniforme. Precisei dar alguns passos para me aproximar da caixa por conta do tamanho do closet. Peguei a caixa e choque me percorreu.
– Encontrou algo? – Eddie entrou no closet.
– Sim. – Entreguei a ele as fotos com o bilhete. – Eles ameaçaram a Lissa.
– Bom, está explicado o porquê de ela ter ido sozinha. – Sua expressão ficou sombria enquanto ele analisava o conteúdo. – Isso é perturbador.
– Acho que temos o suficiente para prosseguirmos. – Falei sem muita emoção, saindo do closet. – Reúna todos daqui uma hora no escritório de Lissa.
– Sim, senhor.
Dirigimo-nos para fora do apartamento de Rose até tomarmos direções opostas, desci para o quinto andar onde ficava o meu apartamento que, por insistência minha, consistia em um quarto, banheiro e cozinha. Não precisava causar mais problemas a ninguém e, realmente, não havia necessidade para mais espaço.
Minha cama permanecia arrumada e notei que já haviam se passado mais de 12 horas desde que eu havia dormido. Cada célula do meu corpo estava energizada e minha nuca formigava, eu não iria conseguir descansar tão cedo, então resolvi me preparar para a viagem. Desenterrei a pequena mala que havia guardado no meu pequeno closet e separei as roupas de inverno na cama.
Infelizmente meu pragmatismo se mostrou extremamente eficiente por que, após 15 minutos, minha mala já estava pronta. Sentei na cama encarando meu reflexo no espelho à minha frente. Você precisa ser paciente, precisa ser equilibrado, precisa ficar bem para o que está por vir. Respirei fundo várias vezes para acalmar minhas emoções. Poucas coisas poderiam me balançar e eu conseguia sentir cada vez mais palpável a linha tênue que me separava do monstro que eu poderia ser. Desde o dia em que agredi meu pai biológico precisei canalizar minha ira para me tornar um guardião melhor. E o que antes me tornava um guardião melhor, hoje só me torna um homem mais fraco. Calma, Dimitri, ainda não é hora de perder o controle.
***
Estávamos em um jato particular da Corte voando em direção a uma academia que se encontrava próxima à São Petersburgo aonde iriamos pousar. Lissa, com seus privilégios reais, conseguiu que tudo fosse arranjado para que, quando chegássemos, os veículos já estivessem a nossa espera. Tirar a Rainha da Corte foi um pouco mais complicado, foram necessários feitiços de compulsão e, mesmo assim, Lissa ainda usou uma peruca de um cabelo que, estranhamente, lembrou-me de Rose.
Todos estavam apreensivos enquanto as horas se passavam. Permiti-me dormir um pouco na esperança de que, se fosse necessário o uso de força, o descanso ajudaria. Adormeci com a imagem de seus lábios nos meus e me deixando esquecer, por um momento, que nunca mais os sentiria novamente.
Acordei horas depois com o movimento do avião e me senti alerta e revigorado. Todos já estavam se preparando e recolhendo seus pertences, quando o jato começou a pousar.
– Dimitri? – A voz suave de Lissa me chamou, ela estava na fileira do lado, não muito longe. – Não consigo parar de imaginar em como foi ruim para ela fazer tudo isso... Sozinha. – Ela gesticulou para nossa volta.
– Rose sempre foi muito forte. – Eu disse gentilmente. Lissa tinha olheiras em baixo dos olhos e seu rosto estava vazio. Sem expressão.
– Eu ainda não sei se estou preparada... Você sabe, para vê-la. – Ela encarou suas mãos.
– Eu também não. – Confessei. – Eu gostaria de ter feito algumas coisas diferentes.
– Isso é tudo culpa minha. – A ouvi sussurrar, mas não tive tempo para acalma-la por que o avião já havia pousado e a aeromoça já estava nos aguardando para sair.
Chegamos ao amanhecer e, como esperado, o diretor responsável pela academia já estava nos aguardando e ficou surpreso quando negamos sua oferta de acomodações e refeições. Não queríamos perder mais tempo. Já haviam se passado um pouco mais do que dois dias desde que Rose havia saído da Corte.
Fomos em dois carros e achei melhor separar os Moroi afim de diminuir o risco. Lissa e Christian não gostaram da ideia, mas depois de convencê-los de que, em caso de um ataque, um poderia fugir, eles aceitaram. Por fim, acabamos eu, Eddie e Lissa em um carro, enquanto Mikhail iria com Christian no outro. Iriamos dirigir por, pelo menos, três horas.
– Isso não é culpa sua. – Me dirigi a Lissa, pegando-a de surpresa. – Ela foi treinada para te proteger.
Ela não respondeu.
– E ela iria ficar muito brava se soubesse que você se arriscou dessa forma. – Eddie comentou.
Ela apoiou a testa contra o vidro do carro. – hmm.
– Eu sei por que você está aqui, Lissa. – Olhei pelo retrovisor para encara-la. – Você espera ser capaz de trazê-la de volta. Espera que ela esteja à beira da morte e que o espírito a cure. Você espera que, talvez, o Strigoi não a tenha matado. Que talvez ele a tenha transformado, assim você poderia restaura-la. Eu entendo isso. – Disse firmemente. – Mas, você precisa estar preparada para o pior. Você precisa ser forte por ela. – Ela deu um leve sorriso e limpou as lágrimas que escaparam.
– Eu vou. – Ela disse seriamente.
Passamos o resto da viagem em silêncio e só quando, finalmente, estacionamos o carro, a um quarteirão de distancia do museu, voltamos a nos falar. Reunimo-nos em uma cafeteria que nos dava ampla visão do palácio enquanto acertávamos os últimos detalhes. O sol brilhava firme no céu, porém tínhamos apenas três horas até o pôr-do-sol.
– Vocês irão ficar aqui. – Disse seriamente para Christian e Lissa. – Não posso ficar me preocupando com vocês quando entrar lá. Christian... – O olhei firmemente, entregando-lhe a chave de um carro. – Se não voltarmos até as 18h, vocês precisam ir para a academia e avisar os outros na Corte. Permaneçam no sol, escolham sempre locais muito movimentados e não se dirijam pelo nome verdadeiro. Entendido?
Com relutância, Christian concordou. Vi com o canto dos olhos enquanto ele abraçava Lissa, protetoramente. Eddie e Mikhail me seguiram enquanto me aproximava do palácio, para uma melhor analise.
– Não sabemos quantos deles estão lá. – Mikhail disse.
– Ou se ainda estão lá. – Eddie comentou.
– Bom, sendo para encontra-la ou não, precisamos saber o que está acontecendo aqui. Rose comentou algo sobre um exército então, de qualquer forma, teríamos que investigar isso. – Respirei fundo enquanto analisava as entradas e saídas.
– Vocês vieram atrás da vampira bonita que esteve aqui? – Uma voz jovem perguntou, atrás de nós, nos fazendo virar em uníssono para encara-la. O garoto era magro e fraco e se assustou quando viu nossas expressões duras.
– O que você disse? – Me aproximei rapidamente, o que não foi uma boa ideia por que o garoto se encolheu e deu alguns passos para trás.
– Ela apareceu aqui a duas noites atrás. Estava com a cara parecida com a de vocês... – Ele continuou.
– Você sabe onde ela está? – Eddie perguntou, com uma mão na estaca.
– Ela entrou lá... – Ele apontou para o museu. – E algumas hora depois, outros vampiros chegaram e não saíram mais. – Ele encarou os sapatos.
– Quantos? – Perguntei.
– Bom... acho que três. Geralmente eles chegam quando está amanhecendo e saem quando escurece.
– Bom, se três Strigois vieram depois que a Rose chegou, significa que mais algum estava lá com ela. Precisamos nos preparar para um ataque de, pelo menos, cinco Strigois. – Me direcionei para Eddie e Mikhail, que já estavam alertas.
– Já enfrentamos coisas piores. – Eddie disse.
– Ela está bem? – O menino perguntou. – Eu tentei impedi-la de entrar lá...
– Olha, você foi muito corajoso. Mas agora precisa se afastar desse lugar.
– Mas eu quero ajudar! – Ele começou.
– Você já ajudou. – Mikhail disse seriamente.
Afastamo-nos do garoto e, após os últimos acertos, nos dirigimos para o museu, decidindo entrar por uma das portas laterais.
O plano principal era de defesa. Ou seja, iriamos adentrar o local e nos dirigir para o subsolo, atacando quando fossemos atacados. Ficaríamos juntos e avançaríamos cômodo por cômodo até os andares superiores. O palácio possuía muitas janelas, o que fazia com que tivéssemos mais proteção do sol.
A porta pela qual passamos nos levou para um corredor bem iluminado que acabava no início de uma escada. Eddie ficou responsável por memorizar o máximo do local, para que nossa saída fosse rápida, então, dessa forma, ele estava atrás enquanto Mikhail e eu avançávamos protegendo a frente. Aparentemente teríamos que subir um andar para podermos descer para o subsolo, cada passo era friamente calculado, já que a audição de um Strigoi era superior a nossa, então avançamos lentamente.
Quando chegamos ao final da escada, nos deparamos com um salão grande onde corpos de Moroi pairavam no chão. Por um segundo meu coração congelou quando me dei conta de que um deles poderia ser o dela. Um fraco movimento nos chamou a atenção quando um Strigoi se levantou do chão, surpreso por nos ver, e veio em nossa direção. Precisei de apenas um segundo para compreender que ele estava no chão por que estava se alimentando de uma mulher. Ele atacou Mikhail primeiro – que estava alguns passos à frente — ambos rolaram no chão.
Lancei-me contra o oponente – já com a estaca em mãos – e não precisei de incentivo para canalizar toda dor e ódio que estava guardando a dias para atacar aquele Strigoi. O peguei de surpresa e consegui enfiar a estaca em seu ombro, o fazendo gritar de dor, quando ele tentou me dar um soco. Seus movimentos imprecisos me mostraram que ele era novo. Foi fácil desviar de seu golpe e, antes que eu pudesse reagir, ele arfou em dor e caiu sem vida.
Acenei para Eddie – que havia estacado o Strigoi – enquanto ajudava Mikhail se levantar.
– Tudo bem? – Perguntei para ele que acenou positivamente como resposta.
Quando constatamos que nenhum corpo ali era o de Rose, prosseguimos a caminhada atravessando o enorme salão. Quando estávamos prestes a atravessar um arco que dava para outro corredor, fomos atacados por dois Strigois.
Fui o primeiro a ser atingido, sendo lançado contra a parede, lembrei-me de canalizar minha força em minha mão que empunhava a estaca – para que ela não caísse. O importante em um ataque não era em quanto você conseguiria machucar o oponente, mas sim em causar os ferimentos certos. Soquei a garganta do Strigoi e, quando ele se afastou com o impacto, usei a estaca para rasgar seu peito. Ele gritou em dor o que me deu tempo suficiente para empurra-lo e fincar a estaca em seu coração. Ainda estávamos no chão então seu corpo caiu mole em cima do meu. O joguei para o lado, pronto para enfrentar o próximo, mas só pude presenciar o ataque final de Mikhail enquanto Eddie prendia o Strigoi contra o chão.
Levamos alguns minutos para nos recuperarmos, nossas respirações estavam fortes e aceleradas.
– Bom, estamos indo bem. – Mikhail falou.
– Se estivermos corretos, então só restam mais dois, precisamos nos manter focados. – Falei já continuando a andar. Pela ordem do ataque, até agora, estávamos indo pelo caminho certo. Encontramos a escada principal e iniciamos a descida. Foram seis lances de escada até chegarmos ao subsolo. A surpresa foi que não havíamos sido atacados novamente, o que poderia significar que haviam menos Strigois do que estávamos esperando. Ou que eles já haviam fugido quando ouviram nossa luta. De qualquer forma, me virei para Eddie e Mikhail antes de entrar no último corredor.
– Eu prossigo sozinho daqui. – Informei, duramente, com os olhos semicerrados. – Preciso que vocês certifiquem que nada passe por aqui. – Apontei para a escada.
– Esse não foi o combinado! – Mikhail protestou.
– Isso é uma ordem, Guardião. – Encarei ambos, com a voz impassível.
Eles não tiveram como argumentar contra isso, então continuei o percurso, que consistia em várias portas. Quando estava prestes a abrir a primeira porta, reparei que, no final do corredor, uma fresta de luz saia por debaixo da última e, sem pensar duas vezes, corri em sua direção. Quando escancarei a porta – pronto para atacar – meu coração parou. Travei. Anos de treinamento e preparo físico e mental. Anos de ensinamento e autocontrole. Nada havia me preparado para isso. Não, eu jamais estaria preparado para isso.
Ela estava deitada no chão, de costas para mim, suas pernas estavam jogadas para o lado oposto do seu peito. Vários cortes se espalhavam pelo seu corpo. Seus braços estavam largados e muito sangue cobria boa parte de sua pele. Sangue estava por toda parte e, por um momento, eu desejei não estar aqui.
Seus cabelos, que antes faziam meu corpo ferver, estavam emaranhados e cobriam sua face. Meus pés pareciam estar fincados no chão e eu não consegui me mover.
– Roza? – Chamei inutilmente. Uma lágrima caiu do meu rosto enquanto eu avançava, lentamente, ao seu encontro. – Roza?! – Sussurrei.
Aproximei-me de seu corpo, sem me importar com as manchas de sangue, seu rosto estava inchado em algumas partes e, em outras, hematomas começavam a aparecer. Sua pele estava pálida e seus olhos fechados. Não, Deus, eu não estou preparado para isso. Peguei-a no colo e me permiti sofrer por esse momento.
– Não, não, não. – Não consegui me impedir, a dor era forte demais para mim, nesse momento eu desejei não ter alma. Desejei não ter vida. Acariciei seu rosto. – Roza, volta pra mim. – Beijei o topo de sua testa. – Volta, volta, volta. – Sussurrei.
– Di-Dimitri? – Uma voz extremamente fraca saiu de seus lábios. Abri os olhos em choque. Um de seus olhos me encarou de volta – o único que ela conseguia abrir. E o meu mundo parou.
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