A última escolha de Rose Hathaway

1 Capítulo 1 - O início do fim


Notas iniciais
Por ser o primeiro capítulo muito coisa será esclarecida e, por essa razão, vai ter pouca ação. Mas, prometo que a história vale a pena ser lida se você, assim como eu, não consegue superar o fim da saga. Vai ter muita Rose Hathaway e muito Dimitri Belikov, eu prometo! Espero que gostem e que acompanhem a história.

Ouvi uma leve batida na porta seguida por um “Rose?” quase inaudível. Estava terminando de calçar a bota mais quente que possuía e corri para abrir a porta – me arrependendo imediatamente assim que vi quem era — com um sorriso impertinente deixei-o entrar.

– Á que devo a honra? – Eu sei que não era a hora para ser irritante, mas, simplesmente, não conseguia evitar. Voltei minha atenção para a mala em cima da cama me concentrando no maior número de roupas quentes que poderiam caber alí.

– Lissa me contou da sua solicitação de férias adiantadas. — Dimitri disse olhando atentamente cada peça de roupa que eu socava na mala.

– Uhum... – Tentei soar desinteressada mesmo sabendo aonde ele queria chegar. Dimitri podia me ignorar em cada jantar ao qual Lissa tinha que participar. Ele podia desviar de mim quando nos cruzávamos no corredor. Ele podia até – e fazia com bastante frequência – me incentivar a curtir a vida adulta, mas ele era esperto. Ele sabia que eu jamais deixaria Lissa sozinha, ainda mais para tirar uma simples férias. E era por isso que ele estava aqui, a armadilha estava montada e ele só estava esperando eu cair.

Dimitri sentou em uma poltrona próxima da cama — mas não o suficiente para que eu pudesse olha-lo – e continuou em silencio absoluto como se a visita dele fosse estritamente normal. Começando a me irritar com essa enrolação, mas decidida a não cair em sua armadilha, parti para o banheiro atrás de tudo que fosse estritamente necessário – escova de dente, escova de cabelo e desodorante – quando voltei para o centro do quarto Dimitri ainda me olhava com uma intensidade estranhamente irritante.

Respirando fundo – me sentindo derrotada – encarei aqueles olhos profundos e ombros maravilhosamente largos:

– Existe algum motivo para essa visita? Ou só quer se despedir da minha beleza extraordinária? – Disse começando a soar inquieta. Nada. Dimitri não dizia nada. Olhei para o relógio: meia noite. Eu tinha algumas horas até o voo, mas definitivamente não queria passar o tempo aqui. – Olha, estou com um pouco de pressa aqui.

– Eu vi que você vai para a Rússia. – A voz dele soava baixa e natural, como se estivéssemos na academia e ele estivesse dizendo que precisava me concentrar mais. – É um lugar muito peculiar para se passar as férias.

Esperei que ele continuasse a falar até chegar a algum ponto, mas ele simplesmente continuava ali sentado e me olhando como se ele não fosse um “deus grego mortal”.

– Não estava no topo da minha lista de “Os cem lugares mais bonitos do mundo”, mas até que pode ser interessante. – Pude ver a sombra de um sorriso à menção daquela lembrança e meu coração bateu mais rápido. Xinguei-me internamente por essa reação. Eu sabia que estava ficando encurralada então tentei outra tática. – Vou me encontrar com Abe, ele meio que quer hmm, compensar o tempo perdido. Acho que ele está ficando sentimental.

– Eu sabia que você diria isso... – Ele ainda possuía o fantasma de um sorriso, me olhando com malícia – Então liguei para o Abe, só para verificar. – Me esforcei para não deixar meu rosto transparecer o choque que estava sentindo.

Dimitri poderia me investigar e desconfiar, mas dificilmente ele iria atrás de mim a não ser que tivesse um real motivo ou, o que era mais provável, uma ordem formal de Lissa. Mas Abe – meu pai – ah, sim, ele poderia colocar guardiões por toda Rússia se desconfiasse que eu estivesse com problemas – o que, de fato, eu estava – e isso poderia me matar. Ou melhor, me matar mais cedo. Mas se Dimitri deixou Abe desconfiado então todos nós já estávamos mortos. Meu coração parou por um segundo.

– E ele disse que está em Paris e que, provavelmente, vai ficar por lá durante uns meses. – Tentei soar como se essa informação fosse nova e confusa.

– Bom, certamente o velho se esqueceu de nossa viagem. Você sabe, ele é novo nessa coisa paternal. Eu deveria ligar para ele.. E.. Hmm.. Trocar as passagens para Paris. – Joguei os cabelos sobre os ombros e comecei a passar hidratante nos braços e ombros, de costas para ele. Eu estava seriamente começando a entrar em pânico.

– Então... – Dimitri começou, pude ouvir um leve ranger de madeira, mas não me virei para verificar – Comecei a me questionar no que te faria mentir para Lissa e correr para o lugar que você possui mais inimigos Strigoi que qualquer outro guardião do país.

Ele sabia. Claro que ele sabia. Dimitri não era chamado de deus à toa. Droga, agora eu precisava de uma boa desculpa ou ele, com certeza, alertaria Lissa para que revogasse minha licença. Claro, eu poderia fugir, não seria assim tão difícil. Mas queria evitar ter que correr de cada guarda real que Lissa mandasse atrás de mim. “Quanto menos alarde, melhor, Rose.” As palavras estavam gravadas em minha mente. Não tive muito tempo para pensar em uma resposta por que, sem prévio aviso, senti a mão de Dimitri no meu ombro.

– Rose... – Soava como um sussurro e, imediatamente, comecei a lembrar de como ele dizia meu nome naquela noite na cabana. Soava quase igual, tinha o mesmo tom, mas a intensidade era tão fraca e gelada que me trouxe para a realidade. Dimitri não me amava, ele já havia deixado isso bem claro, e eu precisava salva-lo. – Você está com problemas?

– Do que você está falando? – Sorri, decidindo passar mais uma camada de hidratante nos braços afim de não ter que encara-lo. – Já te disse, Abe deve ter se esquecido de me avisar que houve mudanças no itinerário. Vamos arrumar isso enquanto vou para o aeroporto. – Suspirei, sabendo exatamente o que dizer para fazer Dimitri desistir dessa conversa. Relutantemente me virei para encara-lo. – Por que você se importa tanto? Pensei que tinha me pedido para te deixar em paz. – Dei um sorriso genuíno. – Um mês longe de Rose Hathaway, você deveria estar comemorando. – Dei de ombros e comecei a me afastar, mas Dimitri me segurou no lugar.

– Eu posso ver que tem algo de errado. Tenho minhas teorias, mas sei que você não seria tão inconsequente para fazer alguma besteira. Então, o que quer seja, é sério. E, se for tão sério assim, me deixe te ajudar. – O olhar que ele me dava era puro fogo, não no sentido romântico, mas no sentido de urgência. – Me deixe te ajudar, Rose.

Por um breve momento pensei sobre isso. Sobre falar para Dimitri tudo o que estava acontecendo no ultimo mês. Pensei em contar sobre as cartas e sobre as fotos. Pensei em como o seu rosto ficaria sério e preocupado. Pensei em como ele iria arrumar um jeito de irmos para a Rússia sem que Lissa se preocupasse. Pensei na viagem de avião ao lado dele e, se eu tivesse muita sorte, em como ele sorriria ao me explicar à história das construções Russas. Então pensei em seu corpo glorioso enquanto lutava com uma horda de Strigois e... Morrendo. Quase pude visualizar a vida se esvaindo daquele olhar tão ardente e quente. E, na mesma velocidade que imaginei a graciosidade que seria ter ele por perto, me lembrei de como era não ter ele por perto. Dor, meu coração sentia dor só de lembrar.

– Dimitri, mesmo que eu estivesse com problemas, você seria a última pessoa a quem eu pediria ajuda. – Tirei sua mão do meu ombro, me permitindo me deliciar com a eletricidade que aquele toque me proporcionava. – Eu fui sua sombra por tempo suficiente. – Soltei sua mão e dei dois passos para trás. – Agora eu só quero seguir em frente.

– Se você quer me punir, tudo bem, eu mereço. Mas, por favor, não a puna. – Pude ver o vislumbre de um brilho em seu olhar. Droga, não importava quantas vezes eu me dissesse que Dimitri era passado, cada célula do meu corpo ansiava por ele. Suspirei. – Você vai voltar certo?

– Certo. – Minhas palavras eram vazias. A verdade era que, mesmo que por um milagre eu sobrevivesse e que, por um milagre maior ainda, eu conseguisse aniquilar todos meus inimigos, eu não voltaria. E as palavras de Dimitri ecoavam na minha mente. “Mas, por favor, não a puna”. Lissa seria a que mais sofreria com a minha partida. Eu só queria que, de alguma forma, ela pudesse saber que eu fiz isso por ela.

Incerto Dimitri começou a se dirigir para a porta abrindo-a, mas antes de sair me olhou — por um milésimo de segundo – e perdi o folego. Seu olhar era intenso, muito, muito intenso. O tipo de olhar que te faz perder a razão ou esquecer-se de onde está. Por um momento mergulhei naquele sentimento e senti calor. Então o choque da realidade bateu, essa pode ser a última vez que eu o veria. Isso doeu muito mais do que qualquer estrago que um Strigoi pudesse fazer. Seus cabelos preso naquele rabo-de-cavalo mau feito, seus ombros largos escondidos no sobretudo de couro. Seus lábios, nossa, seus lábios. Eu queria poder toca-lo e beija-lo e me perder nele. Dimitri era intoxicante. Foi uma surpresa quando meu lado lógico ganhou a batalha e eu pude simplesmente sussurrar um “Até logo, Dimitri” com um sorriso fraco nos lábios. Dimitri sabia, eu sei que ele sabia que essa poderia ser uma despedida. Mas ele confiava em mim. Contra todas as chances Dimitri Belikov confiava em Rose Hathaway, quem diria. Mal ele sabe que esteve certo o tempo todo. Eu gostaria de poder ver como ele reagiria ao saber que suas suspeitas se concretizaram.

Com um breve aceno ele fechou a porta e eu me vi sozinha, com a mala abarrotada, no quarto. Senti um vazio agonizante. – Droga. – Suspirei. A visita de Dimitri fez com que eu entendesse o peso do que estava prestes a fazer. Morrer não seria apenas sobre deixar de existir. Seria sobre deixar as pessoas que eu amava sozinhas. Eu jamais irei proteger Lissa novamente. – Droga. – Suspirei novamente deixando uma lágrima escapar.

– Tudo bem, Rose, ainda não é hora de entrar em pânico. – Murmurei para mim mesma completamente ciente do meu coração batendo dolorosamente rápido. Fechei a mala rapidamente jogando a alça sobre o ombro. Já estava prestes a abrir a porta quando um reflexo de luz me chamou a atenção, era uma caneta em cima da mesa central do quarto. Decidi deixar uma breve carta a Lissa, não uma de despedida, mas uma em que ela pudesse carregar consigo quando soubesse do que eu tinha ido fazer.

“Vossa Majestade Real,

Espero que esteja curtindo a realeza na sua forma mais pura e espero, por favor, que não esteja sendo muito mandona. Lembre-se que sou eu que faço as pessoas revirarem os olhos e não você. Tente não se meter em encrencas por que estarei muito longe para poder voltar e chutar os traseiros reais que estiverem te sacaneando. Ah, tente fazer com que o Lorde das Trevas (Lê-se: Christian) sorria mais, estou seriamente preocupada com aquela cara de psicopata dele. Cuida do Dimitri, ok?

PS: Estarei de volta antes do que você possa imagina.

Dê sua eterna guardiã,

Rosemarie Hathaway”

Confiante de que o bilhete não parecia uma carta de despedida, mas que tivesse “duplo sentido” suficiente para Lisssa e até mesmo para Dimitri, deixei-o em cima da escrivaninha e – finalmente – sai do meu quarto. Estava quase chegando ao portão principal de entrada e saída de veículos quando vi Eddie encostado no meu carro. Certo, eu deveria ter suspeitado que tudo estava calmo demais.

– Hey! – Sorri para Eddie. – Cuidado para não arranhar essa lataria, foi presente do meu velho.

– Fiquei sabendo que você vai passar um tempo fora. – Eddie me abraçou e examinou minhas roupas.

– Não é um tempo. – Fiz uma careta – São apenas 30 dias e não é como se isso fosse algo tão anormal.

– Talvez você tenha razão. – Eddie sorria de forma educada. – Bom, até mais então.

Já estava prestes a ligar o carro quando Eddie volta apressado e me entrega uma pequena caixa. – Estava esquecendo de te entregar isso. É, hmm, um presente eu acho. – Ele soava incerto.

– Um presente de quem? – Perguntei enquanto abria a caixa, mas Eddie já havia ido. A caixa em si não tinha nada de especial, mas o conteúdo sim era interessante. Um celular, quem me daria um celular? Bom, eu tinha um celular, mas de fato havia deixado para trás com medo de que me rastreassem. Um barulho vindo atrás de mim me chamou a atenção, eu estava bloqueando o trânsito — esquecendo momentaneamente o celular e seu objetivo — segui meu caminho. Eu tinha algumas boas horas até chegar ao aeroporto então liguei o rádio para me distrair. Mas tudo que conseguia fazer era pensar nos acontecimentos recentes.

Desde o acidente minha vida tem sido como uma bomba relógio na qual eu não era responsável. Primeiro a Lissa – minha melhor amiga – tinha corrido muito perigo com seu dom raro e especial de curar – também chamado de espírito – e, depois, fui refém de um grupo de Strigoi onde meu melhor amigo Mason – que, por acaso, também havia sido meu namorado — havia morrido para me salvar. Meses depois a Academia São Vladimir sofreu um ataque de Strigoi e foi quando minha vida, realmente, começou a desandar. O ataque resultou em muitas perdas e uma delas foi Dimitri sendo transformado em Strigoi. Fugi para mata-lo a fim de livra-lo de uma vida de assassinato, mas para encontra-lo precisei caçar torturar e matar muitos Strigoi pelo caminho. Nesse meio tempo descobri como restaurá-lo em Dampiro, não foi nada fácil, precisei invadir uma prisão e libertar um criminoso real. Meu plano original era entrega-lo as autoridades, mas eu acabei o deixando escapar, mas enfim, funcionou e Dimitri foi restaurado, então valeu a pena, certo? Quando tudo estava começando a se acalmar, fui acusada de assassinar a Rainha e, por essa razão, tive que fugir novamente para evitar uma execução real, dessa vez com Dimitri como meu parceiro – ou babá, como preferir. Encontrei outro Dragomir, ajudei minha amiga a se tornar a Rainha dos Moroi e Dampiros, limpei meu nome e, finalmente, pude encontrar paz. Mas, a pouco mais de um mês, comecei a receber ligações suspeitas aonde eu só ouvia um “Rosemarie Hathaway” abafado antes de a ligação cair.

Inicialmente, pensei que eram rebeldes, mas foi quando recebi um envelope na sala de recreação da Lissa que pude perceber a magnitude do que estava acontecendo. Lissa estava sentada em volta de uma pilha de livros grossos — por que ela estava decidida a ser a melhor aluna da faculdade. Christian estava jogando videogame largado numa poltrona enquanto eu o convencia de que a melhor defesa era o ataque e, do outro lado do pequeno aposento eu podia ver Dimitri lendo um de seus livros de faroeste.

– Você vai perder de novo! – Exclamei, quase desejando poder jogar o controle em sua testa. – Eu já disse, não deixa ele te encurralar desse jeito. – Eu ainda não entendia a estratégia desse jogo, mas era matar ou morrer então, oque tinha de muito complicado nisso?

– Rose, fica quieta! Não é você que está jogando. – Christian tinha uma carranca na cara e estava claramente irritado, se era comigo ou com sua derrota, eu não sabia.

Soltei um grunhido.

– Mas por que você só... – Ouvimos uma leve batida na porta e, por puro reflexo, me levantei rapidamente, ficando protetoramente entre a Lissa e a porta. Dimitri também havia ficado em alerta. Nós sabíamos que as chances de ser algum ataque eram remotas, visto que quem quer atacar não bate na porta antes, mas ainda assim ficávamos preparados.

– Pode entrar. – Lissa disse sem nunca tirar os olhos dos livros.

– Com licença, vossa majestade. – Um dos empregados entrou e fez uma leve reverência. – Chegou esse envelope para a Guardiã Hathaway, está escrito abra com urgência. – O empregado, Joshuah, olhava de mim para Lissa com olhar de desculpas.

– Tudo bem. – Lissa respondeu levemente, dando-lhe um sorriso simpático. Me apressei para pegar o envelope, que parecia bem normal para mim, e deixei Joshuah sair. De início fiquei apenas girando o envelope atrás de um remetente. Nada. Quem quer que tenha me enviado isso não queria ser identificado. Por fim o abri, tive que ter muito autocontrole para não deixar o choque e desespero me denunciar, eram fotos. Várias fotos. Mas não quaisquer fotos. Eram meus amigos, em momentos íntimos, em momentos públicos, em momentos que nem eu mesma havia presenciado.

A primeira era uma foto de Christian em uma de suas aulas de culinária, ele estava com um olhar sério enquanto encarava um pequeno livro com uma colher na mão. A foto em si estava mal iluminada e sem muito ângulo, como se o fotógrafo tivesse tirado a foto enquanto andava.

A segunda foto era de Dimitri em seu pequeno apartamento, ele estava com uma toalha enrolada na cintura e os cabelos pingavam em seus ombros. Ele estava numa posição estranha, como se estivesse prestes a se mover quando a foto foi tirada. Pelo ângulo dessa foto dava para perceber que foi tirada de fora de uma das janelas do apartamento e que foi usado zoom para capturar a cena.

A essa altura meu coração estava acelerado.

A terceira era a mais assustadora de todas. Lissa dormindo tranquilamente em seu quarto, com seu pijama de seda e os cabelos amarrados preguiçosamente em um coque. A foto era a mais assustadora por que não estava desfocada ou com um ângulo ruim. Essa foto parecia ter sido muito bem ajustada antes de ser tirada. Quem quer que estivesse fazendo isso conseguiu entrar no quarto de Lissa – que era muito bem guardado – e tirado uma foto dela.

Estava tão em pânico que não havia notado o silêncio dos meus amigos, que me olhavam com curiosidade nos olhos. Tentei sorrir.

– Acho que foi engano, hmm, preciso falar com Joshuah para devolver isso para o dono. – Disse já me dirigindo para a porta. Quando virei a esquina de um corredor eu corri, corri o mais rápido que pude, desci as escadas com os punhos cerrados e cheguei bem a tempo de ver joshuah saindo de um dos grandes cômodos do prédio. Ele não me esperava então, quando eu me joguei contra ele o empurrando com força contra a parede, ele soltou um grito que provavelmente alertaria outros guardiões. Tive que me lembrar constantemente que ele não era um Strigoi.

– Quem te deu isso? – Quase gritei. – Quem te deu isso?

– E-eu não sei! – Ele dizia com pavor na voz.

Forcei um pouco mais o braço contra seu corpo. – Como assim não sabe? Me diga quem te deu isso, ou eu juro que farei você se arrepender.

– E-ele s-simplesmente apareceu e me pediu para te entregar, dizia que era importante e que não era para eu falar com mais ninguém até te entregar o e-envelope. – Joshuah gaguejava, se era por medo ou por que meu braço estava perigosamente próximo a sua garganta, eu não sabia.

– Como ele parecia? – Abaixei o tom de voz e afrouxei o aperto. Algo no olhar dele já me adiantava sua resposta.

– E-eu não lembro, eu juro que não lembro! – Ele parecia prestes a chorar

– Então tente! – Rosnei.

– Acho que ele era alto e... – Ele fechava os olhos enquanto se esforçava muito para lembrar-se de algo – Loiro, talvez ruivo, e-eu não consigo lembrar, parece muito desfocado.

Compulsão, Joshuah havia sido compelido para me entregar o envelope e para não se lembrar de nada. Merda, merda, merda. Era a única coisa que eu pensava enquanto corria em direção ao meu quarto. Quando estava chegando vi a silhueta de Dimitri encosta na parede em frente a minha porta. Tentei soar calma.

– Aconteceu alguma coisa, camarada? – Sorri, ainda não havia desistido de Dimitri e ele sabia disso.

– Estranho... – Ele sorriu fracamente – Era o que eu ia te perguntar.

– Ah, não encontrei Joshuah – Disse enquanto abria a porta – Então vou guardar para entregar a ele mais tarde. – Dimitri não era o tipo de cara que se deixava enganar, mas ele não tinha por que suspeitar de mim.

– Você pareceu um pouco espantada com o conteúdo do envelope.

– Isso por que eu não faço menor ideia do que se trata. – Disse entre o batente da porta. – Hm, você quer entrar? – Diz que sim, diz que sim.

– Não, só quis verificar se estava tudo bem. – Dimitri soava completamente cavalheiro.

– Bom, tudo bem, vou guardar isso e já volto lá para baixo. – Fechei a porta assim que a silhueta de Dimitri desapareceu entre os corredores. Corri para a cama abrindo o envelope novamente, um pequeno papel caiu no chão e me apressei para pega-lo. Era um bilhete escrito em uma letra assustadoramente impecável.

“A Rússia sente sua falta e nós estamos ávidos à sua espera. Quando poderá nos fazer uma visita? Tenho certeza que não vai nos querer tão próximos de seus amados protegidos novamente.” Virei o bilhete onde se encontrava escrito “Para Rosemarie Hathaway. PS: Viu só? Nós nos lembramos de seu nome.” Arfei. Não eram rebeldes. Eram Strigoi que eu havia torturado na minha breve passagem pela Sibéria. E eles queriam vingança. Mas não havia como eles entrarem na corte, certo? Não havia como eles machucarem Lissa ou Christian, não enquanto eles estiverem sob a proteção das Wards. Mas, ainda assim, as fotos provaram que mesmo que eles não viessem pessoalmente, eles poderiam se aproximar deles. E então a lembrança de Joshuah me veio à mente, mesmo que os Strigoi não pudessem entrar na corte, qualquer Moroi ou Dampiro poderia e, sob a compulsão qualquer pessoa poderia ser o próximo assassino da Rainha. Merda!

Peguei as fotos e o bilhete e os escondi nos fundos do meu closet. O bilhete em si não deixava nada esclarecido, não era de fato uma ameaça, mas deixava claro que não iria terminar alí. A Foto de Lissa me vinha à mente. Próximo, tão, tão próximo.

Aquele foi o primeiro envelope que recebi e demorou várias semanas para receber àquele que de fato me fez sair da corte e correr para a Sibéria. E é por essa razão que me encontrava aqui, num carro popular que havia sido presente de 19 anos do meu pai, ouvindo uma música desconhecida e com lágrimas escorrendo pelas bochechas. Eu nunca quis nada disso. Nada disso. Só queria ser a guardiã da Lissa. Mas nada poderia ser tão fácil quando o assunto era Rose Hathaway!

Notas finais
Se você gostou (ou não) deixe um comentário, favorite a fic e aguarde o próximo capítulo que será postado semanalmente. Caso queira deixar alguma sugestão entre em contato (nataliabgs@hotmail.com), adorarei me aproximar mais de você.. Um beijo e um abraço e até semana que vem!