A Última Rosa

1 Capítulo Único ─ A Última Rosa


Notas iniciais
Delírios de uma mente cansada e, neste dia em específico, muito entristecida com ilusões criadas pela própria imaginação.
Queria detalhar mais e talvez até colocar mais sentimentos, contudo o limite do desafio era de 1000 palavras, então tive de encurtar... Muito.
Aproveitem.

O sol brilhava intensamente no centro do céu azulado. O calor não era insuportável, era agradável na verdade. As muitas pessoas dentro daquele ônibus usavam regatas e outras roupas com pouco tecido, mas não sendo vulgares.

Uma pessoa em especial naquele transporte público tinha seus batimentos acelerados e suava mais do que o normal. Tinha uma mochila em suas costas e em sua mão direita carregava um buquê de rosas brancas e margaridas, eram as flores favoritas dela.

Com sua mão esquerda mexia incansavelmente em suas madeixas castanhas. Era inevitável ficar nervoso. Sempre ficou assim e ficou ainda mais desde o dia em queelafoi diagnosticada.

Aquele dia ficou marcado em sua memória e sempre vai lembrá-lo tanto com carinho quanto com amor.

Recordava-se muito bem dos olhos esmeraldas dela cheios de lágrimas, os cabelos negros bagunçados caindo sobre sua face e os pulsos com marcas à mostra mostrando sua árdua batalha. Nunca a abraçou tão forte como naquele dia. Nunca ficou tão determinado em curar alguém como naquele dia.

Depressão profunda, este era seu inimigo.

Nunca imaginou ter de viver isso e nunca sequer sonhou que entenderia a frase “cada dia é uma batalha”. Não eram só os remédios tarja preta que ajudavam nisto, nem mesmo seu amor pela garota, mas era ela mesma. Lynn era a garota mais forte e persistente que Collin conhecia. Mesmo abalada com depressão, ainda tentava ser positiva e sorria na presença do rapaz.

Mas quanto maior a altura, maior o tombo.

Nas poucas vezes que Lynn tinha suas recaídas, estas eram profundas a ponto da pobre garota se automutilar e tentar suicídio. Nunca sucedeu, mas chegou perto. E devido a estas poucas e duras baixas, Collin sempre achou não ser o suficiente.

Não era o suficiente para tirá-la de uma depressão. Não era o suficiente para evitar cortes na pele alva da menina. Não era o suficiente para que a garota não tentasse se matar. Não era o suficiente para ser chamado de namorado. Não era o suficiente para Lynn.

Isto sempre lhe pegava. Queria, sim, ser o suficiente, afinal, ele a amava mais do que tudo e nunca quis tanto que ela sorrisse todo dia como ele sorria por tê-la ao seu lado.

Sem perceber, havia chego ao seu ponto. Desceu do ônibus e fitou o céu limpo e claro. Nenhuma nuvem obstruía o sol e nem sequer haviam sinais delas. Talvez levasse Lynn para passear, o dia estava lindo afinal.

Seguiu para a casa da moça pensativo.

Não era bom em instrumentos musicais e nem se destacava como Lynn, era apenas comum e por isto mesmo não era o suficiente para tirar a pessoa mais importante para si do fundo do poço.

Após vários longos minutos pensando no quão inútil era para com a doença da garota, chegou à casa de sua namorada e não esperava presenciar o que presenciou.

Uma ambulância e uma maca com um lençol branco sendo levada para dentro.

Os pais de Lynn choravam perto da entrada da residência. A empregada se segurava, contudo algumas lágrimas ainda rolavam pela face rosada da moça.

Collin deixou o buquê de flores brancas─as favoritas de Lynn─caírem ao chão ficando amassadas. Lágrimas já desciam pela face do rapaz. Todos estavam ali, em prantos, menos uma... Sua amada.

As luzes vermelhas da ambulância foram desligadas e apenas podia-se ouvir o som da maca sendo colocada no interior do veículo.

A senhora Campbell se debulhava em lágrimas sendo consolada pelo marido. Estes foram se retiraram para dentro da casa, contudo a empregada ficou ali, esperando que o rapaz se aproximasse para dar-lhe os últimos pedidos de Lynn.

Mesmo com passos vagarosas e sem ânimo, Collin foi até a governanta vendo que esta tinha uma carta em mãos.

─ Acharam isto no quarto dela. Está endereçada a você. ─ ela entregou o envelope. ─ Ah, e também havia isto junto. ─ a mulher pegou uma rosa branca que guardava em suas costas e entregou para o rapaz.

Era a flor favorita da garota falecida.

─ Obrigado. ─ agradeceu e fez seu caminho de volta para casa deixando o buquê recém comprado no chão. Não precisava mais das flores pois elas não animariam mais a pobre Lynn.

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Trancou a porta de seu quarto, sentou-se na cama e pôs-se a ler o recado de sua namorada.

“Antes de mais nada, desculpe-me por ter de fazê-lo passar por isso. Sou uma idiota, eu sei.

Não se culpe pelo que aconteceu pois isto não é e nunca foi sua culpa. Pelo contrário, você fez o máximo que pôde para me salvar, o problema apenas era que eu não podia ser salva.

Tive uma recaída forte após ser agredida no colégio por mais outros me tachando de doente e inútil. Foi isso que me levou a tomar esta decisão. Não consegui aguentar desta vez e espero que entenda.

Eu não estou mais do seu lado para ver teu sorriso, mas espero que outra possa fazê-lo sorrir no meu lugar.

Eu te amei, muito mesmo, mais do que tudo e todos, mas a dor que eu sentia era maior.

Desculpe-me.

Da sua sempre,

Lynn.”

A rosa branca─peça do último buquê que a moça recebeu do rapaz─ficou em um vaso da cabeceira do moreno. O envelope com a caligrafia perfeita da garota estava ao lado da flor e carta manchada pelas lágrimas de dor de Collin, estava em suas mãos.

─ Lynn... ─ sussurrava o garoto entre soluços. ─ Desculpe-me, Lynn... Lynn! ─ clamava aos céus, contudo eles não iriam realizar seu desejo impossível porque a morte é o limite. ─ Desculpe-me por não ser o suficiente... Desculpe-me por não te salvar... Desculpe-me por não estar lá, Lynn... Eu te amo, sua idiota, impulsiva... Eu te amo, Lynn... ─ clamou pela última vez antes de se enterrar nas suas próprias lástimas.

E ali ficaram suas juras de amor eterno para serem ouvidas pela remetente do bilhete de despedida.

E a última rosa, já murcha, continuou junto do rapaz.

Notas finais
Eu queria fazer vocês chorarem, mas né.
O FUCKIN DESAFIO TINHA O LIMITE DE 1000 PALAVRAS.
Passei um pouco do limite, masok.
Até mais. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!