A Última Rainha Persa ⚜ !camren

3 chapter two: نار (fogo) 2/2


Notas iniciais
Segunda parte do segundo capítulo. Enjoy! ❤

( . . . )

Talvez pela expectativa que não a deixou a noite toda, Lauren acordou cedo naquele dia. Checou seu celular e ainda era seis e meia da manhã. Nem mesmo se quisesse conseguiria pregar os olhos novamente, então levantou-se, tomou um banho rápido e foi decidir-se no que vestir. Além de sua janela o horizonte indicava um dia quente, o sol já brilhava através da fina neblina da manhã, então acabou por vestir uma calça de estampa militar, e colocou uma camisa segunda pele preta de manga longa, o mais fechada possível – já havia descartado a possibilidade de usar roupas muito abertas ali, então ficaria feliz em visitar o shopping assim que possível e substituir algumas peças em suas malas. Nos pés calçou uma uma peep toe lace preta.

Não demorou muito para Taylor romper para dentro de seu quarto, toda animada naquela manhã já tagarelando. Elas estavam rindo do fato de Taylor ter mandado aquelas fotos suas para Chris também, e mostrando os áudios que ele mandou tirando um sarro dela, quando uma música começou a tocar e elas se calaram, desviando o olhar para os alto falantes que até então tinham passado despercebidos, acima da porta.

— Ok, agora eu estou com medo. – Taylor murmurou depois de alguns segundos. – Tem uma guerra vindo?

Lauren franziu as sobrancelhas. Ia falar, mas deteve-se ao responder porque o cântico árabe transformou-se em um beat que fez as duas abrirem bem os olhos.

Caralho!

Lauren a beliscou pelo palavrão, mas elas acabaram rindo, sem acreditar naquilo.

— Será que a princesa curte essas músicas? Se sim, eu quero me casar com ela!

Lauren riu, balançando a cabeça.

— É possível, já que está tocando dentro do palácio dela.

— Eu consigo imaginar a princesa desfilando pelas ruas de Cairo em um Rolls Royce preto, segurando uma AK pro alto e aterrorizando a população egípcia ao som dessa música. Fácil.

Lauren não pode evitar rir novamente da imaginação fértil da irmã.

Meu Deus, Taylor. Você não bate bem.

Mas até que era possível imaginar algo assim.

Só que, na verdade, a princesa não pretendia desfilar com uma AK para o alto nem aterrorizar ninguém.

Em seu quarto, Karla Camil’ah Eztrariyabhaw apenas se preparava para entrar em sua banheira após prender o cabelo em um coque alto e deixar deslizar por seu corpo nu o roupão de seda preto.

Música era uma terapia para ela, a ajudava a canalizar seus sentimentos – sempre havia música tocando ali no palácio depois das sete da manhã, quando acordava; até às oito da noite, após o jantar. Na banheira, permitiu-se relaxar e deixou os sais naturais purificarem seu corpo. Aquele seria um dia longo. Depois de vários minutos imersa na água que agora já estava quase fria, Dynah então se aproximou e ofereceu a toalha para que ela se secasse.

Sem importar-se com a nudez, ficou de pé e pegou a toalha. Secou-se deliberadamente, e depois vestiu outro de seus roupões de seda que lhe foi oferecido, um vermelho desta vez. Dynah estava sempre com ela. Em sua intimidade, era a única para a qual Karla mostrava o rosto e sentia-se inteiramente segura de ser quem era por trás da fachada de princesa do caos. Sim; Princesa do Caos. Era como eles a chamavam ali. A mídia lhe fez o favor de espalhar sobre o atentado que matou sua família, mas o que a mídia não mostrou foi seu revide.

A vingança. Uma vingança incompleta, aliás, ter ordenado um ataque repentino à sete bases de soldados ligados aos Ashbah Iiran não foi o suficiente. Eles eram como uma praga que nascia nas entranhas do Irã; eram como hidras— uma vez que você cortava uma cabeça, outras duas nasciam no lugar desta. Sua cruzada pessoal estava longe de terminar.

Noite passada recebera um de seus informantes que sondava os arredores do Deserto de Lut, onde havia relatos de bases de soldados do exército Ashbah. Por este motivo ela não pôde se deslocar para receber seus hóspedes. Estaria acomodando-os no palácio por fins de segurança, passara à frente do governo e tinha permitido a entrada deles no Egito, e agora tinha toda a responsabilidade em suas mãos – foi o que fez questão de vociferar o presidente, uma vez que descobriu que ela havia passado por cima do não do governo egípcio.

Sempre houvera aquele conflito. Karla não sabia porquê, mas o governo sempre fora contra o reinado de sua família, assim como tinha certeza de que outros governos como por exemplo o do próprio Irã, da Líbia e Babilônia também não a queriam ali. Para eles, a “era dos reis” já havia se extinguido há muito tempo, e agora os governos atuais que deveriam comandar os países. Karla discordava. Mas, para a grande felicidade deles, haviam conseguido destruir qualquer chance de o legado dos Eztrariyabhaw continuar. Assassinaram sua mãe, seu pai e sua irmã mais nova. E junto com eles, toda a bondade e ingenuidade que ela poderia ter.

Ela não saira ilesa, também estava lá naquela noite, quando eles detonaram a bomba em um dos restaurantes mais chiques e movimentados do centro de Cairo. Toda vez que fechava os olhos, mesmo até o presente momento três anos após o atentado, ainda podia ouvir a explosão, o grito dos inocentes aterrorizava seu sono à noite. E por mais que tentasse esquecer, toda vez que se olhava no espelho sua cicatriz a fazia lembrar dos horrores daquela noite.

Depois de viver seu período de luto, jurara que vingaria a morte de sua família e extinguiria da face da terra qualquer evidência daquela milícia.

E jurara também nunca deitar-se com um homem pelo resto de seus dias; nunca nenhum deles a tocaria, sentiria a textura de sua pele ou o gosto de seus lábios, nunca daria a um homem a chance de ter um filho com ela. Os governos teriam o que tanto queriam – mas para isso, teriam que levá-la para o túmulo. E Karla não estava disposta a dar esse gostinho aos seus inimigos, fossem os declarados ou os que falavam por suas costas.

Eles a chamavam de Princesa do Caos porque sua personalidade forte deixava rastros inflamáveis por onde quer que passasse. Se apenas por se opor às leis dos homens ela já era considerada a responsável por tamanho incômodo, então mal podia esperar para trazer-lhes o espetáculo completo. Eles ainda estão por ver o que é o verdadeiro caos.

Em silêncio, apenas ao som da música e de suas respirações, Dynah a ajudou a vestir a calça e a blusa segunda pele escura. Naquela manhã ela usava seu habitual “uniforme”, que era composto por peças pretas: uma calça justa, blusa de gola alta e hijab; completando com o casaco social vinho de abotoadura frontal. Enquanto pegava o hijab, a princesa vestiu seu trench coat escuro de botões dourados que moldava perfeitamente sua cintura. Junto ao hijab preto, sobre uma bandeja de prata estavam também suas jóias, as quais Dynah pacientemente ajeitou sobre o véu assim que ela o colocou. Ofereceu-lhe o par de luvas de veludo, o qual ela vestiu calmamente, para então colocar seu anel de pedra de ametista. Nos pés calçou uma confortável ankle boot igualmente preta e Dynah borrifou seu perfume enquanto ela ajeitava firmemente seu casaco.

Tinha plena consciência de que havia criadas que podiam fazer aquilo por ela, mas Dynah não se importava, gostava do fato de Karla sentir-se segura com ela e não fazia aquilo por obrigação, mas sim porque sentia que devia.

— Pronta? – Certificou-se.

A princesa lançou um olhar ao relógio; 8h00. Assentiu.

— Eles estão me esperando para o almoço? – Perguntou.

— Sim, alteza.

— Passou o recado?

— Passei. Pedi a Samir que os guiasse ao salão de refeições e esperassem um pouco, que eu ia falar com eles. Eles não esperam pela senhorita agora.

— Ótimo. Vamos ver como se comportam se eu chegar sem avisar.

— Eles me parecem bastante dóceis, devo dizer. – Comentou Dynah, enquanto abria a porta para elas deixarem o aposento. Prontamente quatro seguranças as seguiram de perto. – Pareciam surpresos com o fato de acomodá-los no palácio.

— Vou conversar com eles a respeito. Não tive tempo de tratar com o líder deles sobre nenhum tipo de assunto, mas tenho certeza de que serão compreensivos então, se forem tão dóceis quanto aparentam.

No salão de refeições, Taylor fazia caretas resmungando que estava com fome e queria comer logo. Michael a repreendeu e a mandou não tocar na comida até que a segurança da princesa lhes falasse como havia sido dito que faria.

— Você anda bem pirralha ultimamente, garota. – Lauren retrucou com a irmã.

Ela lhe mostrou a língua.

— Você sabe que eu fico de mal humor quando estou com fome. E como é que eu vou comer com esse negócio tapando minha boca, afinal?!

Lauren ia retrucar, mas todo o ambiente caiu no silêncio quando a porta do salão foi aberta com um estrondo e todos desviaram o olhar. Quatro dos brutamontes de preto entraram primeiro, parando de ambos os lados formando um corredor. Subitamente, ela estava ali. Lauren imediatamente ficou de pé, movimento que todos os demais imitaram. A princesa. Não era preciso anunciar – suas roupas e jóias delatavam claramente quem ela era. Dynah vinha logo atrás, desta vez vestida bem mais como uma segurança, sem deixar de ser extremamente elegante.

Princesa Karla atravessou o salão até eles em passos firmes, mas sem qualquer pressa. Seu corpo parecia ondular, movendo-se de forma hipnotizante como uma serpente, o salto batendo no porcelanato preto de adornos dourados como uma marcha fúnebre. Lauren nem respirava enquanto a via se aproximar. Que mulher é essa? Sua presença causava extasia, deixava a morena de olhos verdes extremamente ansiosa e tensa.

— Vossa Alteza: princesa Karla Eztrariyabhaw I do Egito. – Dynah anunciou sem erguer demais a voz.

O silêncio ali era absurdo, ninguém sabia como se portar diante daquela mulher.

Mulher. Ou seria garota? Lauren não conseguia imaginar sua idade apenas por seus olhos. Achava que não podia ser tão velha, ao menos ela não tinha nenhuma ruga de expressão que denunciasse isso. Seu corpo era firme e bem definido, mas tampouco dava as respostas que a morena procurava. Seus orbes castanhos pareciam brilhar, intensos e cortantes quando parou à outra extremidade da mesa. Por sorte, Lauren estava mais ao meio, tinha três pessoas da equipe sentadas ao seu lado. Sorte porque os olhos dela não chegaram a parar diretamente em si, e isso foi um alívio porque não saberia como reagir.

Como todos pareciam embasbacados e completamente atordoados com sua repentina chegada, Michael foi o primeiro a sair de seu transe, pigarreou e adiantou-se. Fazendo uma leve reverência, saudou-a em árabe e disse que era uma honra poder finalmente conhecê-la.

Ela assentiu de forma polida.

— Fala um ótimo árabe, senhor Jauregui. Mas não pretendo deixá-los desconfortáveis, podemos falar em seu idioma. – A princesa anunciou. Sua voz rouca, lenta e melodiosa fez Lauren engolir em seco, contendo-se para não estremecer.

— Posso dizer o mesmo de seu inglês, alteza. – Michael disse com um sorriso, elogiando-a.

— Agradeço. E a honra é toda minha em poder acomodá-los em minha residência. – Ela dizia enquanto ajeitavam uma cadeira à ponta da mesa, onde se sentou em seguida e fez um gesto para que eles se sentassem novamente. – Como foi de viagem?

— Tudo ótimo, fizemos uma viagem tranquila.

— Perfeito.

— Ah, sim. Me permita apresentar os demais, alteza. – Michael adiantou-se. – Esta é minha esposa, Clara. Aquelas são minhas filhas Taylor, a mais nova, e Lauren. Ela estará trabalhando conosco na expedição.

Lauren sentiu aquele nervosismo tomar conta de seu corpo quando finalmente os ferozes olhos castanhos fixaram-se aos seus. Foi como uma silenciosa explosão magnética. Forte demais para ser ignorada. Limitou-se a um aceno de cabeça porque foi tudo que seu corpo foi capaz de fazer diante daquele olhar. A princesa não pôde evitar seu imediato fascínio por aqueles extraordinários olhos verdes.

Sentiu-se sendo sugada de volta à sua infância, quando pela primeira vez precisou usar seu hijab. Sua mãe lhe dissera: “Usar o hijab não é motivo para envergonhar-se, meu amor. Nós ainda podemos nos olhar nos olhos. Olhe para mim. Os olhos são o espelho da alma, eles refletem tudo aquilo que tentamos até mesmo esconder; raiva, tristeza, ódio, amor, luxúria. Os olhos vão lhe dizer tudo o que precisa saber sobre uma pessoa. És jovem demais, mas ainda irá entender o que quero dizer.”

Entendia, agora. Nunca fora capaz de realmente ver alguém como via aquela mulher à sua frente; nunca fora capaz de enxergar além dos olhos de alguém como era capaz de enxergar naqueles olhos. Dynah foi rápida o suficiente para captar a mudança em sua postura, como já sabia que aconteceria. Sua princesa poderia ser óbvia demais quando o assunto envolvia mulheres. O que não era nenhum segredo para ela – uma vez que fizera um juramento de nunca deitar-se com homem algum, desenvolver aquele fascínio pelo sexo feminino foi só uma questão de tempo. Por mais que fosse contra todos os princípios de sua religião e inicialmente tivesse lutado ferreamente contra aquelas sensações, por fim rendeu-se àquele inexplorado universo.

Entretanto, nunca havia deitado-se com uma mulher. Rendera-se às sensações dos toques e carícias, da sensação única dos lábios femininos nos seus, mas nunca cruzara nenhuma de suas barreiras. Mesmo até o presente momento, com seus vinte e seis anos, mantinha sua virgindade intacta e podia-se dizer orgulhosa disso. Se assim tivesse de ser, a levaria para o túmulo consigo. Aquele era um juramento que homem ou mulher alguma a faria quebrar.

Obrigou-se a sair daquela prisão esmeralda enquanto Michael Jauregui apresentava os demais membros de sua equipe de arqueólogos. Assentiu educadamente para todos ali presentes, dando-lhes as boas vindas.

— Nós podemos dar início ao café. – Disse e fez um gesto com a mão, ordenando que as serviçais se aproximassem e servissem a refeição, o que foi feito com prontidão. – Enquanto isso, estou ouvidos, caso haja alguma dúvida. Mas antes, queria falar-lhes a respeito de sua estadia aqui.

— Sim, alteza, na verdade essa é uma de nossas principais dúvidas. – Michael foi sincero. – Há algum motivo em particular pelo qual tenha nos hospedado aqui?

— Certamente. Quando enviaram o pedido ao governo, por mais que não gostem eles precisam prestar contas à mim. Porém, eles já haviam decidido que não cederiam o visto à vocês e não permitiriam suas entradas no Egito. – Quando ela disse isso, todos ficaram curiosos a respeito. – Fui eu quem os autorizou e assinei os papéis, é graças a mim que estão aqui hoje. O governo não aprovou e por ter ido contra a palavra final deles, agora sou a responsável por tudo o que pretendem fazer aqui em meu país. Por este motivo, inclusive, exijo que vocês me deixem à par de tudo. Façam uma planilha: o que pretendem fazer, os locais que pretendem visitar, onde serão montados seus sítios de escavação, itinerário, datas e todos os demais assuntos que julgarem ser importante. Eu quero saber de tudo. Isso irá facilitar caso eu precise intervir em algum assunto interno, se tiverem qualquer problema com o governo enquanto estiverem em solo egípcio.

Ela exige. Ela não pede favores ou solicita, mas sim exige todas aquelas coisas. Lauren tentou olhá-la como uma manipuladora, mas na verdade ela parecia mais preocupada em manter a ordem social e esfriar as coisas com os governantes.

— Com licença. – Pediu, querendo não ter aberto a boca quando os olhos castanhos pareceram engoli-la novamente. – Alteza. Por que não responde ao governo? E por que se opôs à eles e permitiu que entrássemos no país? Pensei que fosse tudo uma coisa só. Como uma mão lavando a outra, entende?

— Perfeitamente. Mas não é assim que funciona aqui. Meu reinado é o meu reinado, o governo é o governo. Eles respondem à mim porque a hierarquia demanda, mas eu não sou obrigada a responder à eles ou mesmo acatar suas ordens, a não ser que elas me convenham no momento. Permiti suas entradas porque não vejo que mal isto poderia causar à nós. Eles tratam estrangeiros como ameaças o tempo todo e isso acaba esquentando as relações internacionais, muitas vezes os próprios governantes de outros países preferem vir diretamente à mim. Acho que entende o porquê de o governo e eu não termos uma boa relação.

— Eles pensam que passa por cima de suas ordens.

— Exato. E passo mesmo, principalmente se estão sendo insensatos. Dar esta chance a vocês é dar uma chance ao meu país, à nossa cultura aqui. Tenho plena consciência que uma grande parte de nossa história ainda permanece desconhecida até por nós mesmos, permitir que estudiosos como vocês tenham acesso a fragmentos da nossa história e nos tragam conhecimento, não vejo como isso possa ser um empecilho.

— Mas o governo não se importa com história ou cultura. Eles só querem saber de política.

Sensata. A princesa pôde notar que ela entendia de certos assuntos, sua convicção era de se admirar.

— Eles só querem saber de política. – Concordou, assentindo. – Portanto, a partir deste dia, vocês prestam contas apenas à mim. Por isso quero estar a par de tudo que fizerem, inclusive vou mudar alguns de meus horários para que eu possa acompanhá-los em algumas expedições. – Isso deixou a todos surpresos, principalmente Lauren. Ela iria acompanhá-los?— Quero ver com meus próprios olhos o trabalho de vocês. Certamente não poderei estar sempre presente, mas designarei pessoas aptas e de extrema confiança para que os acompanhem diariamente. Além disso, quando eu não puder atendê-los vocês podem tratar de qualquer assunto imediato com Dynah, se estiver ao seu alcance ela irá ajudá-os.

Eles acharam justos seus termos. Estavam em sua casa, comendo de sua comida e usufruindo de todo o seu luxo, nada mais justo do que fazer conforme ela pedia. Não seria nenhum problema.

— Agradecemos a sua gentileza e hospitalidade, alteza. – Michael finalizou. – Providenciaremos o que pediu. Pretendo ter tudo pronto dentro de uma semana, acho que é tempo suficiente para nos organizarmos e colocar no papel ao menos nossos primeiros passos, e ir completando esta planilha no decorrer dos dias. E será uma honra tê-la conosco durante as escavações.

Ela assentiu educadamente em retribuição. Taylor então levantou a mão e Lauren uniu as sobrancelhas. Não podia ser boa coisa. A princesa desviou a atenção para ela.

— Com licença, alteza. – Ficou de pé. – Eu só queria dizer que você é a princesa com o melhor gosto musical que eu já conheci em toda a minha vida. – Falou como se recitasse um discurso político. Lauren sentiu-se contorcer para não dar um tapa nela. – Não que eu tenha conhecido muitas princesas, mas seu gosto musical com certeza é melhor que o de todas elas. Ai! — Ela retrucou quando Lauren a beliscou na perna, fazendo-a se sentar novamente.

Eles acharam graça de sua observação, e Karla permitiu-se sorrir diante da sinceridade dela.

Shukraan.— Respondeu amigavelmente.

— Ela disse “obrigada” – Lauren traduziu automaticamente.

— Fala árabe? – A princesa perguntou no mesmo instante.

— Um pouco. O poliglota da turma é meu pai. – Apontou para ele do outro lado da mesa que sorriu e encolheu os ombros ligeiramente.

— Ela só está sendo modesta. Lauren é graduada em italiano, francês e latim, com conhecimentos do idioma árabe e hebraico transcrito. E ainda fala espanhol fluente, já que temos raízes em Cuba e Espanha, devido às nossas descendências.

Intéressant. – Karla arriscou seu polido francês.

Lauren engoliu em seco, os olhos cravados nela. Ela devia falar todos os idiomas desse planeta.

— Grande coisa. – Taylor retrucou revirando os olhos.

A morena de olhos verdes apertou os lábios por baixo de seu hijab para não rir. Pirralha.

O restante da refeição passou sem demais assuntos. Toda vez que o assunto se dirigia à Lauren ou que ela falava alguma coisa, a princesa não podia evitar cravar seus olhos nela. Sua voz rouca e até mesmo o som de sua risada soavam atraente. Algo naquela mulher lhe trazia uma estranha sensação de torpor momentâneo, deixava-a intrigada por conhecê-la. Por motivos de manter a ordem, Dynah achava que a princesa não deveria sequer pensar em se envolver com aquela estrangeira. À primeira vista teve certeza de que ela lhe interessaria, mas sabia que ela era problema.

O governo egípcio não tinha boas relações com o governo americano e isso era evidente, e aquela mulher por ser filha de pais tão influentes no mundo das descobertas arqueológicas e que indiretamente prestavam contas ao governo dos Estados Unidos, certamente também tinha alguma ligação indireta com eles que podia desagradar ao governo do Egito. E por mais que Karla não devesse qualquer explicação ao “seu” governo, era sensato ao menos manter-se fora dos holofotes e não inflamar as coisas.

Isso era o que Dynah pensava. Mas os pensamentos da princesa eram totalmente outros naquele momento.

Notas finais
(#fixed): Eu vou estar postando algumas músicas temáticas para colocar vocês dentro desse universo maravilhoso que é a música do Oriente Médio, sua cultura e vestimentas, então sempre que virem qualquer coisa em NEGRITO/link no meio dos textos, cliquem. Não vão se arrepender! Vejo vocês no próximo! ❤
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.