A Última Rainha Persa ⚜ !camren

1 chapter one: هواء (ar)


Notas iniciais
Hey! Como vocês estão? :) Depois de muito, mas muito tempo mesmo afastada do Nyah, resolvi voltar! Esse perfil é novo, resolvi recomeçar, então não estou esperando que ninguém me reconheça hahaha Já escrevo "The Last Persian Queen" há algum tempo, tenho uma quantidade razoável de capítulos prontos, assim como todo um roteiro para ela em mente, então pensei: por que não compartilhar com as camrenzinhas lowkey da atualidade, não é mesmo? kkk Cada capítulo deve ter entre 2k à 4k caracteres, espero que não fique cansativo! Qualquer coisa vocês podem me dar um toque e eu começo a separar. E é isso. Vou deixar vocês lerem e tirarem suas próprias conclusões da história :) Xoxo!

Lauren olhava através da janela de seu quarto com uma nostalgia dilacerante. A rua ladeada por coqueiros, o sol opaco do fim de tarde quente de Miami varava por entre as folhas longas das árvores, lançando sombras distintas na calçada. Ainda nem era uma certeza, mas ela já se sentia mal por, novamente, ter que se mudar.

Seus pais eram arqueólogos muito bem renomados dentro e fora dos Estados Unidos, especializados em Arqueologia do Oriente Médio e foram responsáveis por duas das três escavações com descobertas mais importantes nos últimos quatro anos. A última descoberta notável que fizeram foi em Antáquia, na Turquia, que costumava ser a antiga Antioquia ao que remetia aos tempos de Jesus Cristo.

Foi ali que, pela primeira vez, os seguidores de Jesus foram reconhecidos como cristãos. E seus pais haviam iniciado uma escavação próxima às ruínas de Acrópole que havia os levado ao encontro de um antigo cemitério subterrâneo que revelou coisas incríveis e arrepiantes sobre o passado dos cristãos que ali viveram durante a vida terrena de Jesus.

Lauren era muito orgulhosa do trabalho que eles faziam, além do que se tornara uma fanática assim como eles no que se referia a arqueologia. Infelizmente ela fora a única que herdara o “gene”, pois Chris — seu irmão mais velho — optou pela carreira sólida de engenheiro civil e Taylor — sua irmã mais nova — era fissurada por fotografia. Taylor, com apenas dezesseis anos, ainda seguia com eles para onde quer que fossem; já Chris com vinte e nove anos tinha se casado com uma canadense há um ano e se mudou para Toronto logo após a lua de mel, onde conseguiu um ótimo emprego e uma vida estável.

E Lauren... Bem. Lauren tinha vinte e quatro anos nas costas e nenhuma vergonha em dizer que ainda morava com seus pais. Terminou o ensino médio em Bogotá, no período em que viveram na Colômbia, e logo no ano seguinte começou a estudar arqueologia através de aulas onlines.

Como o período de permanência na Colômbia levou menos de um ano, nem se arriscou nas faculdades de lá, mas seus pais fizeram questão de matriculá-la em uma das melhores escolas de arqueologia online do mundo.

Estavam em Miami fazia pouco mais de sete meses, de volta às raízes. Lauren sabia que havia nascido ali, no solo ensolarado da Flórida, mas aquela era apenas a segunda vez que colocava os pés em sua cidade natal. A vida agitada e a correria constante de sua família fazia com que viajassem demais, se mudassem demais e tivessem que se readaptar demais.

Isso era cansativo e fazia de Lauren uma garota mais reclusa do que deveria, algo que o tempo e as constantes mudanças acabaram por fazer com ela, mesmo que não percebesse. As únicas pessoas com quem conversava eram seus colegas de classe, com os quais se encontrava três vezes ao dia através de videoconferência durante as aulas online.

Nem conseguia se lembrar da última vez que tivera um amigo ou amiga de verdade. O que era extremamente frustrante. Agora, depois de sete meses na Flórida, achando que finalmente seus pais poderiam estar se acalmando e buscando algum descanso, parecia que tudo estava caindo por terra novamente.

Não tinha certeza de nada, mas havia escutado quando sua mãe recebeu um telefonema que parecia importante, uma semana atrás. Desde então, Clara e Michael mal paravam em casa por mais de quatro horas — que era quando estavam dormindo. E pelo fato de não se falarem direito, nem Lauren nem Taylor faziam ideia do que estava acontecendo.

Mas Lauren não era burra. Taylor até podia ficar confusa, mas a mais velha tinha consciência do que aquilo poderia vir a significar. Mais mudanças. O prelúdio daquilo era sempre o mesmo: começava com um telefonema. Então sua mãe ficava agitada e ansiosa, seu pai passava horas confinado no escritório quando estava em casa, quando não estava ambos estavam pela cidade afora arranjando tudo para a próxima viagem. E então vinha o inevitável anúncio da mudança. Começariam a empacotar as coisas, enquanto eles cuidavam das passagens e hospedagem em seu próximo destino. Dentro de dois dias, estariam dentro de um avião pela milésima vez destino à qualquer outro país pelo mundo.

Era assim que era. Já havia virado rotina; uma exaustiva rotina.

Suas colegas de classe achavam o máximo que seus pais fossem arqueólogos tão renomados, muitos ali inclusive conheciam seus feitos e lhes faziam de inspiração. O único problema era o “bônus” que vinha com isso, que não agradava Lauren.

Desse jeito, sabia, nunca conseguiria firmar amizades ou amores, sabia que ninguém iria querer se apegar demais à ela e isso fosse talvez a coisa que mais a magoava, mesmo que no fundo do seu inconsciente, já que ela não costumava pensar nisso com frequência — principalmente referente à parte de amores.

Por falar em amores, mesmo aos seus vinte e quatro anos só havia tido um único relacionamento mais sério e ele durara cinco meses. Cinco meses. Dá pra chamar isso de relacionamento sério? Era o que vivia se perguntando. Ela nascera intersexual e isso chamava a atenção de muitas garotas, mesmo sabendo que muitas dessas se aproximavam apenas por curiosidade.

A única que realmente ficou foi Lucy, quando ainda estava em Bogotá. Cinco meses, mas ficou, e ficou porque havia se interessado por Lauren além do que havia entre suas pernas. Mas, como já esperado, a mudança acabou fazendo com que a colombiana achasse melhor que cada uma seguisse sua vida.

Ali, naquele momento em específico, lembrava-se de tudo o que já vivera com certa melancolia. Parte de si gostava daquela vida porque estava cercada de algo que também amava, pretendia ser como seus pais no futuro, poder dar continuidade ao legado que os Jaureguis já deixavam na história da arqueologia mediterrânea. E iria, porque sabia que era capacitada para isso.

E a já esperada – por Lauren – notícia veio. Duas semanas e meia depois daquele telefonema; dezoito longos dias de seus pais agitados e eufóricos como nunca, cochichando pela casa como se tivessem acabado de assaltar um banco e estivessem prestes a planejar o mais mirabolante e nunca visto plano de fuga perfeito.

Foi durante o jantar naquela noite quente de quinta-feira, que eles finalmente decidiram abrir o jogo.

— Então, meninas. – Michael disse em um tom cordial, mas animado. Pigarreeou e segurou a mão de sua esposa ao lado, que já sorria. – Nós temos uma notícia incrível para dar à vocês.

Lauren parou com o garfo a caminho da boca, sentiu um leve tremor. Sabia. Hora de empacotar tudo. Taylor fez uma careta.

— Não me diga que a senhora está grávida. – A mais nova disse.

Eles ficaram surpresos com sua dedução. Talvez estivessem aparentando uma alegria totalmente diferente do que esperavam. Lauren revirou os olhos.

— Antes fosse – retrucou. Soltou seu garfo. – Quando nos mudamos?

O casal trocou um olhar com certo pesar divertido. Sabiam que Lauren era mais ligada no que dizia aqueles assuntos, ela já deveria prever o que estava para acontecer.

— Nós vamos nos mudar? De novo?— Taylor perguntou.

— Bem, sim. Nós vamos…

Ah — a caçula disse em um tom de reclamação.

— Mas vocês vão adorar. Não imaginam para onde estamos indo!

— Para onde? – Lauren perguntou sem muita animação.

— Adivinhem! – Michael disse estupefato.

Lauren não estava com muito ânimo para aquele joguinho tolo de adivinhação.

— Sei lá. Pólo Norte. – Taylor disse revirando os olhos.

Eles acharam graça. Até Lauren a olhou divertida; sabia que a irmã odiava o frio. Totalmente o oposto dela, que amava o clima frio e úmido. Viveria facilmente no Alasca, por exemplo – não seria tão extremista de dizer que viveria no Pólo Norte, só até o Alasca estava bom.

— Lauren?

— Eu não faço ideia. Sério.

Eles trocaram um olhar cúmplice e respiraram fundo, para dizer juntos e animados:

Egito!

Lauren ficou ereta no mesmo instante.

Egito?— As duas disseram juntas, no mesmo tom quase surpreso, o que foi até assustador e as fez trocar um olhar.

— Medo. – Taylor disse com uma careta divertida. Lauren sorriu.

— Sim. Egito! Não é incrível? E dessa vez pode ser algo muito mais duradouro. – Clara dizia. – Já agilizamos tudo e temos um passaporte especial e visto internacional para permanecer no país por dois anos. Eu, seu pai e o restante da nossa equipe estará se estabelecendo na capital do país, em Cairo, e logo começaremos uma grande escavação ao norte de Luxor que tem previsão de duração de um ano e sete meses. Nós estamos prestes a começar algo grandioso aqui, meninas, essa escavação promete fazer renascer das cinzas feitos históricos que com certeza a fará ser lembrada por décadas! Nós estamos muito animados e confiantes.

— Lauren, você sempre disse que queria conhecer o oriente médio – Michael disse com um sorriso –, essa é uma oportunidade única. E Taylor, não era você que queria visitar as pirâmides e os templos dos faraós para fotografar?

Taylor ficou estupefata.

— Nós vamos poder visitar esses lugares?!

— É claro!

Uhul!— Olhou para a irmã. – Egito, Laur!

Uau!— Lauren soou quase sarcástica.

— Ela não está animada. – A mais nova disse de forma acusatória.

— Eu estou. Quer dizer, é incrível que vamos conhecer o Egito e tudo o mais, é só que… Eu não acho que seja o local que idealizo para morar. Entende? O choque de culturas é muito grande, é tudo muito diferente no oriente médio. Ao meu ver, é um lugar mais turístico do que algo que podemos chamar de casa.

Clara e Michael apertaram os lábios. Compreendiam o receio dela, e em certo aspecto ela tinha razão. Mas ambos já haviam ido ao Cairo à visita de trabalho e tinham plena certeza de que Lauren mudaria de ideia no instante em que pisasse naquele lugar.

Não havia o que discutir, na verdade. Quisesse ela ou não, tudo já estava arranjado para aquela viagem e eles iriam passar praticamente dois anos no Egito. Lauren já tinha estudado muito sobre aquele país tão único em sua cultura, não negaria que tinha por aquele lugar uma admiração infindável e que em seu âmago estava muito ansiosa por estar em solo egípcio.

Eles partiriam em quatro dias, era o suficiente para empacotar suas coisas – ao menos aquelas que haviam saído das caixas. Mesmo estando sete meses ali na Flórida, não haviam tirado nem metade de suas bagagens das caixas de transporte que vieram com eles de Berlim.

Lauren já estava acostumada a ter que vasculhar caixas e malas de viagem atrás de roupas, já não idealizava um quarto perfeito com guarda-roupas e tudo perfeitamente alinhado em cabides e gavetas há muito tempo. Esse era um luxo que não tinha.

No dia seguinte, antes de sair, Michael foi visitá-la em seu quarto pela manhã, onde ela já se ajeitava para começar sua aula matinal – tinha três por dia, cada uma com uma hora e meia de duração: às 8h, 15h e 20h. Sentada à mesa impessoal, com o notebook à sua frente, Lauren abaixou seu headphone e o olhou. Clara já havia saído mais cedo.

— Bom dia, querida. Atrapalho? A aula já começou? – Ele perguntou, passando pelo batente mas se abstendo ali.

— Bom dia, pai. Não, ainda falta dez minutos. Já está de saída?

— Sim, mas queria falar com você antes. Posso? Prometo ser rápido para não te atrapalhar.

— Claro.

Ele se aproximou e sentou à beirada da cama bem alinhada, fazendo Lauren girar a cadeira para olhá-lo. Juntou as mãos.

— Então, filha… Nós sabemos que toda essa mudança é bastante radical, como tantas outras que já fizemos… Sinto muito que fiquemos te carregando e à sua irmã para cima e para baixo, cruzando fronteiras sem um destino final. Mas eu espero que entenda a extrema importância dessa escavação que estamos prestes a dar início. Nós lutamos por isso há meses, lutamos para conseguir o aval do governo egípcio para entrarmos no país e ter nossos vistos e lutamos ainda mais para conseguir permissão para esta expedição.

Lauren o ouvia com atenção.

— Mas nós não te contamos tudo ainda. – Ele disse com certa pretensão, sabendo que ela gostaria do que ainda tinha para dizer. Ele tirou do bolso um envelope e entregou à ela. Lauren estranhou, mas aceitou e o abriu. Diante de seu espanto e confusão, Michael voltou a falar. – Um deles é seu documento oficial de residente do Egito. Tem validade de 3 anos dentro de todo o continente. E o outro é sua credencial. Nós pretendemos levá-la conosco às escavações. Queremos que esteja a par de tudo, que possa ouvir nossos planos, nossas conversas, se familiarizar com os termos arqueológicos e começar a mergulhar nesse universo.

Lauren apenas encarava os documentos em sua mão, sem palavras, a medida que ele falava. O documento de identidade era simples, de fundo azul claro com o desenho da Grande Pirâmide do Egito, Quéops, estampado, com uma foto sua 3x4 no canto superior esquerdo e seu nome transcrito em árabe; as informações vinham tanto no idioma nativo quanto em inglês, indicando que ela era uma cidadã dos Estados Unidos.

Mas o mais incrível era sua credencial de membro da equipe de escavação, era como um crachá em dourado e preto, perfeitamente plastificado e com um cordão preto bordado com o brasão do Egito em sua extensão. Isso era surreal. Poderia participar das escavações? Eles nunca tinham conseguido algo assim antes! Aquilo mudou toda sua perspectiva sobre aquela viagem.

Mas tinha outro problema.

— E quanto à Tay? Ela vai poder ir conosco? Porque se não, ela vai ficar sozinha… – disse preocupada com isso.

Ele sorriu afetuosamente.

— Nós conseguimos arrumar uma credencial de visitante para ela, mas infelizmente ela não poderá ir todos os dias. Mas isso não será um problema, porque nós teremos duas semanas para nos instalar antes de começarmos a tratar de assuntos profissionais, e já fizemos todos os arranjos para matriculá-la na melhor escola privada do país que recebe centenas de americanos por ano, inclusive tem até uma ala dedicada apenas aos americanos, sejam estrangeiros como nós ou naturalizados. – Lauren ficou surpresa em ouvir aquilo. Soava realmente como algo mais duradouro. Ele ergueu o indicador. – E… Também vamos matricular você na Universidade do Cairo.

Lauren abriu bem os olhos.

Universidade do Cairo?

— Sim. Serão pelo menos dois anos de estadia no país, e queremos que tenha a melhor base de estudos que puder durante esse tempo. Tanto você quanto a Taylor, claro. Esperamos que ela possa concluir o colegial ainda no Egito. Estou te dizendo, filha, essa viagem irá mudar completamente nossas vidas. – Ele sorriu confiante.

Agora ela já não tinha mais dúvidas. Depois de todos aqueles anos estudando via videoconferências, sempre sonhando com a ideia de poder frequentar uma universidade de verdade, finalmente esse seu sonho se realizaria. É claro que não tinha o que reclamar das aulas com o Dr. Foster, ele era um homem excepcional no que dizia ensinar arqueologia, mas Lauren queria algo mais. E agora teria, não podia acreditar.

Viu-se tão ansiosa diante dessa nova perspectiva que não pôde evitar contar à todo mundo durante a aula e seus colegas de turma ficaram super animados. Ela disse que estudaria na Universidade do Cairo e sabia que isso significava que não poderia mais assistir às aulas matinais e do período da tarde, mas prometeu à eles que tentaria participar ao menos da aula das 20h.

Tinha aquela garota com quem conversava fora das aulas, seu nome era Alexa, ela morava em Londres atualmente mas era cubana, e ela prometeu que passaria o conteúdo das aulas diurnas à Lauren para ajudá-la a pegar seu diploma ao fim daquele ano, que era seu último – foram quatro anos estudando com eles todos os dias, querendo ou não ela havia criado um vínculo, por mais que virtual, e sabia que sentiria falta disso quando terminasse.

Quatro dias depois, mais de 96 horas de espera, eles finalmente estavam carregando a grande SUV de seu pai com todos os seus pertences mais imediatos. O restante seria levado pela van particular que alugara para carregar as caixas até o aeroporto internacional de Miami. Uma vez no saguão, passaram por todo o procedimento de embarque, assinaram o envio das bagagens e do veículo seguindo todos os protocolos internacionais.

Quando finalmente estavam acomodados em suas poltronas, Lauren tentou manter a calma e resolveu para sua própria lucidez que não ficaria pensando demais a respeito de toda aquela viagem. Para relaxar, pediu licença aos seus pais e disse que colocaria seu fone. Buscou um de seus mix de música oriental favoritos que usava para estudar, porque a ajudava a se tranquilizar e focar, e o colocou para tocar.

Dali em diante teriam de enfrentar 17 horas de vôo com uma conexão em Istambul, na Turquia. A troca das aeronaves levaria cerca de 3 horas e meia, então chegando ao Istanbul Atatürk eles teriam algum tempo para conhecer os arredores e comer alguma coisa.

Dali voariam diretamente ao Aeroporto Internacional do Cairo e deveriam chegar em aproximadamente uma hora e quarenta minutos ao destino final.

Notas finais
Então, o que acharam desse comecinho? COMENTEM, POR FAVOR! Vou fazer o possível para responder todos com muito carinho, a opinião de vocês será muito importante para o continuar da fic ❤ Como ela não está terminada, pretendo postar 1 ou 2 capítulos por semana, para também não apressar nada e depois ficar sem o que postar aqui. Obs: Eu vou estar postando algumas músicas temáticas para colocar vocês dentro desse universo maravilhoso que é a música do Oriente Médio, então sempre que virem qualquer coisa em NEGRITO no meio dos textos, cliquem kkkk não vão se arrepender! Vejo vocês no próximo capítulo! ❤