A Última Lua
11 The Serpent That Did Sting Thy Father's Life
Notas iniciais
MANSÃO FAMÍLIA COSTA/ RIO DE JANEIRO
Stephanie olha ao redor, todas as imagens, mostravam algo que ela não pretendia rever. Claro que não se arrependia do que tinha feito; só que por baixo de um coração sombrio e psicótico, amava o pai o suficiente para aquele momento se tornar traumático para a mesma.
— O que significa isso? – seu corpo tremia – (Stephanie)
— Não gostou, Steph? – ela é irônica – poxa, pensei que você tivesse gostado – ela pega um porta retrato, onde guardava a foto com o rosto da patricinha amostra – as fotos ficaram excelentes! (Tina)
Stephanie se aproxima da mulher e arranca o quadro de suas mãos, enfurecida.
— Que filha de família exemplar – ela sorria sobtensão – o grande baluarte da Barra da Tijuca! E os arranjos de flores? – ela se aproxima de um vaso na mesa a frente do sofá – custou uma nota, mas não se preocupa não que eu comprei com o meu dinheiro; você merece tudo! (Tina)
— Como é que você descobriu isso? – ela estava nervosa – você invadiu a minha privacidade, eu vou ligar para a polícia... (Stephanie)
— Liga – ela pega o telefone e se aproxima da garota – olha só; se você ligar para a polícia, todo mundo vai ficar sabendo dessas fotos! Inclusive eles. Todos vão adorar, você não acha? (Tina)
Stephanie estava imóvel. Imaginava quem tinha mandado tudo aquilo para a madrasta, e se conseguisse sair daquele momento inteira, iria se vingar.
— Me deixa esclarecer para você – ela aponta seu dedo para a cara da garota – dessa vez eu fiz a lição de casa direitinho. Tem gente trabalhando comigo nessa; eu fiz muitas cópias dessas fotos – Tina mentia, as únicas imagens que tinha eram essas – e eu espalhei por vários lugares... (Tina)
— VOCÊ TEM NOÇÃO DO QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? – seu rosto estava vermelho – VOCÊ PERDEU A NOÇÃO DO PERIGO? PERDEU? (Stephanie)
— DEVERIA TER NÉ – ela se afasta – afinal de contas, como é que você disse mesmo? Eu sou uma perdedora, que precisou do dinheiro do Gael para subir na vida! Eu que precisei do dinheiro do idiota do Gael? Eu que o matei, não foi? Gostei da sua versão, muito comovente... (Tina)
— Há cinco anos mais ou menos – ela tira o cabelo do rosto grudado diante as lágrimas de frustração – eu descobri que tinha AIDS. Eu peguei fazendo sexo sem proteção com um débil mental. Desde então eu venho infectando as pessoas com uma seringa; se eu, que nunca tinha feito nada de errado, poderia ter uma doença como esta, por que o mundo não poderia ter também? Deus é muito injusto. (Stephanie)
Tina fica imóvel com a revelação da garota; desde que soubera que ela havia arrancado às cordas vocais de Patrícia, sabia que a outra era capaz de tudo!
— O que isso tem haver com a morte do Gael? – ela tremia também – EU QUERO RESPOSTAS... (Tina)
— EU PRECISAVA DE UM MOTIVO PARA TER ESSA DOENÇA NOJENTA – ela a interrompe – então eu comecei a fazer coisas ruins. Começando pelo carimbo alheio da doença – sua voz vacilava – mas foi a um ano, que eu percebi que tinha que matar o meu pai antes que o pior acontecesse. Ele havia acabado de contar para nós sobre a minha irmã gêmea, Joanna. Eu fiquei totalmente desestabilizada; não queria dividir a minha parte da herança com mais ninguém – seus olhos eram frios – eu o ouvi conversando dias depois da revelação, com o João no telefone. Ele dizia que havia chegado a hora de se revelar para a outra filha. Só precisavam de mais um tempinho; uns 9 meses até que tudo desse certo. Só que eu fui mais rápida – ela engole em seco – assim que ele saia do serviço, eu o interceptei jogando uma faca em seu peito. Assim que apareci, causei um espanto nele, mas não me importei. Peguei a faca e continuei cravando sob sua pele, até não sobrar mais nada. (Stephanie)
Tina estava nauseada por conta de toda aquela história; a ganância é um dos piores pecados do ser humano, causava morte e destruição.
— E por que a pericia deu que ele tinha morrido de pneumonia? – as lágrimas desciam – como eles consideraram pneumonia depois de todo aquele sangue no chão e todas aquelas facadas no corpo dele? (Tina)
Tina se lembrara de que no velório o corpo ficou escondido sob uma pilha de flores. Por isso, sempre duvidou que ele não tivesse sido assassinado.
— Ah eu paguei para eles – ela sorri – uma quantia absolutamente alta! Eles aceitaram e deixaram por isso mesmo, estavam milionários. – ela fita a loura – o que eu não esperava, era que meu pai tinha deixaria a maior parte da herança para você. Eu o odiei tanto, tanto; que consideração ele tinha pela filha? Eu que sempre o amei... Sempre cuidei dele... (Stephanie)
— E foi então que você decidiu achar algo que tentasse me culpar – seus olhos eram como aço mirando Stephanie – você queria um motivo para que toda a herança fosse para você... Por que não me matou? (Tina)
— Por que ficaria muito óbvio, então não fiz nada. Nos primeiros dias tentei gravar você tentando assumir o assassinato, mas você sempre negou com unhas e dentes. (Stephanie)
— Você é completamente doente – ela gaguejava – eu só não te entrego para a polícia, por que independente de tudo, eu tenho dó de você! (Tina)
— Dó de mim? – ela debocha – o que eu fiz para merecer isso? (Stephanie)
— Você pensa que vai ser livre aqui dentro; está enganada – ela se aproxima – você vai me obedecer, vai fazer tudo que eu quiser... Se eu ver um único ímpeto de maldade em você, jogo todas essas fotos no ventilador. (Tina)
— Você é louca – ela sussurra – (Stephanie)
— E você é um ser humano maravilhoso e bonito – ironia percorre sua voz – bonito não; LINDO! (Tina)
— LOUCA – ela se afasta dela indo em direção a um porta retratos – VOCE É COMPLETAMENTE DOIDA DE PENSAR QUE VOU SER SUA ESCRAVA AQUI DENTRO! – ela pega um quadro e começa a arrancar a foto, a rasgando em mim pedaços – OLHA O QUE EU FAÇO COM ESSAS SUAS FOTOS (Stephanie)
Tina pega os picados rasgados no chão e tenta juntar.
— PARA COM ISSO – ela empurra a mulher – LARGA ESSAS FOTOS! DEIXA-ME EM PAZ. (Stephanie)
— O QUE FOI? – ela se levanta do chão – vai enfiar uma seringa nas minhas veias até eu parar? (Tina)
— LOUCA – ela começa a gritar – VOCE É COMPLETAMENTE LOUCA! (Stephanie)
— EU SOU LOUCA SIM – ela se aproxima da patricinha – EU SOU LOUCAAAAAAAA! ALIÁS, É ISSO QUE A GENTE TEM EM COMUM, NÃO É? EIN STEPHANIE? NÓS SOMOS BEM LOUCAAAAAAAS... (Tina)
— O QUE VOCÊ QUER? (Stephanie)
— Nós somos capazes de tudo – ela fita a outra – (Tina)
— QUANTO QUE VOCÊ QUER? – seu cabelo estava desgrenhado, e ela parecia uma mendiga – EU PAGO! EU TE DOU! (Stephanie)
Tina abre um sorriso e começa a balançar a cabeça num sinal negativo.
— É ISSO QUE VOCÊ QUER? – ela aponta os dedos para a mulher – MAIS GRANA? (Stephanie)
Tina era dona de grande parte da herança de Gael; sua fábrica de celulares. A morte dele repercutiu muito, mas ele sumiu da mídia tão rápido quanto apareceu. Se Stephanie desse mais partes de seu dinheiro para Tina, ela seria completamente podre de rica.
— EU PAGO TUDO; QUANTO? (Stephanie)
— Assim você me ofende... – ela fala manso – (Tina)
— PARA DE BANCAR A JUSTICEIRA, DESGRAÇADA – ela se aproxima – VAI DIRETO AO ASSUNTO, VAI! (Stephanie)
— Para com isso... (Tina)
— FALA – ela grita – (Stephanie)
— Que isso? – ela parecia calma – que nervoso... A senhora está muito estressada viu! Stress mata, sabia? – ela sorria – você já sabe o que eu quero! A partir de hoje, você vai me obedecer. (Tina)
— Você se acha muito esperta não é? – ela dá uma risadinha – mas no fundo amou a morte do Gael. Amou ficar com toda a herança! (Stephanie)
— Eu já disse que não vou te entregar – ela a ignora – por enquanto! Então a partir de agora, além de ajudar em casa, você vai ficar a pianinho! Por que, se eu te pego armando, de novo... (Tina)
— Você está me ameaçando? (Stephanie)
— Avisando – ela engole seco – experimenta aprontar uma única vez para ver o que te acontece! (Tina)
Stephanie a encara com os olhos cheios de lágrimas, e o delineador borrado sob toda a sua pele. Sem mais nenhuma outra palavra, ela sobe as escadas para seu quarto correndo.
Tina respira fundo e começa a recolher os quadros. Precisava guardar em algum lugar onde Stephanie não pudesse encontrar. Ela sobe ao seu quarto e se joga na cama, as lágrimas molhando a fronha do travesseiro. Ela houve a porta da entrada se abrir. Deve ser Joanna chegando com suas malas, pensa ela. Já havia mostrado para a garota o quarto onde ela ficaria. Então no mais leve farfalhar, ela se entrega a escuridão dos olhos.
*
APARTAMENTO DE GIOVANNA/ RIO DE JANEIRO
Giovanna entra em seu apartamento e bate a porta com força bruta. Indo diretamente para seu quarto, ela se joga na cama enquanto as lágrimas insistiam em cair. Vira Romeu beijar sua prima com tanta intensidade, que realmente estava perceptível o forte interesse dele pela garota.
Giovanna jamais pensou que ele fosse se interessar tão rápido por Leslye; demorou meses até finalmente ele aceitar namorar com ela. Ela se vira de costas para o coxão e fita o teto, escuro e sombrio diante de si.
Havia visto o interesse da loura nele. Ninguém beijava outra pessoa com tanta intensidade, se não estivesse afim. Ela temia; temia a paixão de Leslye por Romeu. O que mais temia, na verdade, era a possibilidade deles ficarem juntos.
A garota ouve Leslye entrando no apartamento, em silêncio. Ela se recompõe e se levanta da cama, indo rapidamente para a sala.
Antes de a loura conseguir entrar no quarto, Giovanna puxa seus braços e a leva até um pequeno altar nos fundos do AP. Nele havia a estatua de uma santa. Giovanna era católica e super-religiosa.
— O que é isso? – ela exaspera – está maluca? (Leslye)
— Prometa – ela a faz ficar de frente para a santa – promete agora! Promete diante da virgem que vai me dizer a verdade... (Giovanna)
— Eu prometo – ela olha para a prima – por que eu mentiria para você? (Leslye)
— Então me diz; o que você sentiu beijando o Romeu, hoje? – Leslye não responde e fecha os olhos – FALA GAROTA! (Giovanna)
— Eu já disse que você não precisa se preocupar com isso – ela fita a prima – eu só o beijei para completar cada vez mais a sua vingança! Foi um acaso. (Leslye)
— Foi um acaso... – ela dá uma risadinha – (Giovanna)
— Foi só por isso... – ela engole em seco – pode ficar tranquila que eu vou seguir seu plano e dispensar o Romeu assim que perceber que ele está apaixonado por mim! – ela gritava – (Leslye)
— Não seja ingrata comigo, Leslye – seus olhos brilhavam de ódio – por que eu estou protegendo você de um mal maior! (Giovanna)
— Que mal? – seus olhos também brilhavam – eu não consigo entender... O Romeu parece ser uma ótima pessoa. Por que você está se humilhando tanto diante dessa vingança? (Leslye)
Giovanna surta e aperta os braços da garota, colocando-a de frente para a santa novamente.
— PROMETE AGORA DIANTE DA VIRGEM – as lágrimas voltam a descer – PROMETE QUE VOCÊ SEQUER VAI PENSAR EM SE APAIXONAR POR ESSE HOMEM! PROMETE. (Giovanna)
— Eu nem o conheço para me apaixonar por ele... (Leslye)
— Promete – ela é forte nas palavras – antes que eu acabe com toda essa palhaçada mandando você e o Leon para o olho da rua! (Giovanna)
— Eu prometo minha santa – ela cruza os dedos – eu prometo Giovanna! (Leslye)
— Melhor assim! – ela solta a prima – (Giovanna)
Sem mais nenhuma palavra, Giovanna volta para o seu quarto, deixando Leslye sozinha sob o altar de santa Maria. Ela se ajoelha diante da estátua.
— Ai meu Deus do céu – ela sussurra – eu não sei o que está acontecendo. Mas é como se o Romeu – ela engole em seco e toca seus lábios, onde instantes atrás, o havia beijado – eu tenho que esquecer esse homem... Minha nossa senhora, tira, por favor, esse peso do meu coração; minha santa ajuda-me a aceitar o meu destino! (Leslye)
*
PADARIA COPACABANA/ RIO DE JANEIRO
Amanhece. Leon entra na padaria, e fita Stephanie sentada em uma mesa. Ele se aproxima da garota, que em pouco tempo, o havia pedido para encontra-la aqui. Parecia angustiada. Ele senta-se a sua frente e sorri para a garota.
— Você tá bem? – ele sorri para ela – parecia angustiada no telefone... (Leon)
— Eu briguei – ela gagueja – com a minha madrasta. Foi horrível. (Stephanie)
— É? – ele a fita – e brigaram por quê? (Leon)
— Por que ela descobriu algo sobre mim... – ela engole em seco – mas não quero falar disso agora... (Stephanie)
— Você esconde muitos segredos, não é? (Leon)
Leon usava um suéter azul que destacava seus olhos e deixava o seu cabelo ainda mais claro.
— Você nem imagina o quanto... (Stephanie)
Um garçom se aproxima dos dois e eles pedem o desejado. Stephanie vestia um vestido preto, junto com uma bota da mesma cor que iria até o joelho.
— Por que não saímos à noite? – ele vacila – para o cinema... Assim você esfria a cabeça. (Leon)
— Eu vou sair hoje – ela suspira – preciso resolver alguns assuntos no morro do alemão! (Stephanie)
— Morro do alemão? – ele fica rijo – lá é muito perigoso... (Leon)
— Eu não sou nem um pouco indefesa – ela o olha – eu já te disse isso... (Stephanie)
Lágrimas descem por seu rosto, e Leon logo percebe. Ele se levanta da cadeira e se ajoelha ao lado da garota, colocando seu dedo anular em sua bochecha.
— Por que você está chorando...? (Leon)
— Meus segredos finalmente me consumiram – ela bufa – você deveria se afastar de mim... Eu não sou boa para você! (Stephanie)
— Por que não? – ele a encara – até agora, que cheguei ao Rio de Janeiro, você foi à pessoa que mais me fez sorrir... (Leon)
— Eu não deveria – ela limpa as lágrimas num papel – eu não quero iludir sua cabeça pensando que sou uma boa pessoa. Por que eu não sou. (Stephanie)
— Eu não me importo – ele se põe a frente dela na mesa novamente – eu já disse que não me importo de você ter esses seus casos secretos. Só me deixa – ele gagueja – tentar... (Leon)
O pedido deles chega à mesa, e o assunto se encerra automaticamente. Os pensamentos de Leon divagavam e insistem em afagar a garota em seus braços. Não desistiria tão fácil dela; a provaria que sim, até os corações mais sombrios, podem ser amados.
*
APARTAMENTO DE LILO/ RIO DE JANEIRO
Lilo ajuda Nathalia a colocar sua última mala no quarto e logo que acontece, fecha a porta do apartamento. Karol estava na sala, junto com Victor, quando os dois chegaram finalmente prontos.
— Acho que só – ele sorri – espero que se sintam a vontade! (Lilo)
— Nós te agradecemos muito – ela suspira – não tínhamos ideia de onde ficaríamos sem a ajuda de nosso amigo Victor... – ela olha para o garoto de programa – (Karol)
Victor estava completamente sério; não esboçava nenhuma emoção. Lilo estava achando tudo muito estranho, pois geralmente o namorado demonstrava algum sentimento diante das situações.
— Está tudo bem, Victor? (Lilo)
— Está sim – ele abre um sorriso falso – só estou com um pouco de dor de cabeça... (Victor)
— Vamos para o quarto então deitar! (Lilo)
— Claro... (Victor)
Ainda de cabeça baixa, ele se afasta das duas garotas e segue Lilo até o quarto, se jogando na cama em seguida.
Nathalia e Karol se olham com um brilho no olhar. Finalmente tinham conseguido.
— Por um momento pensei que daria errado... (Karol)
— Por que daria errado? – ela sorria – nosso plano foi excelente! Mas, como você planeja nos fazer morar aqui pra sempre? (Nathalia)
— Este homem, Lilo, não é feio e nem velho – ela mexe nos cabelos – acho que daria super certo nós dois. O que acha? (Karol)
— Você está insinuando que vai dar em cima do Lilo? – ela debocha – mas ele é gay... (Nathalia)
— O Victor é lindo, eu entendo o fascínio dele pelo garoto – ela dá uma risadinha – mas você viu o jeito como ele olhou a minha bunda? Ele com certeza abre a perna para os dois lados... (Karol)
— Você é mais maléfica do que eu imaginava – ela vai até a cozinha; pega um champanhe, e duas taças, as enchendo – vamos brindar o nosso plano, então!
— Sim – ela pega uma taça – ao nosso plano! (Karol)
*
COPACABANA/ RIO DE JANEIRO
Stephanie se despede de Leon, e logo após entra em seu carro. Ela coloca os óculos de sol e abre partida pelo acelerador. Precisava acertar contas com uma pessoa, pois tinha quase certeza de que fora ela que tinha entregado aquelas fotos a Tina. Ela tinha sido a única que estava na cena do crime; Stephanie havia sido cuidadosa, tirara todas as câmeras aos arredores para ter um crime perfeito.
Iria acabar com Patrícia Alexandre, mais do que já tinha acabado.
*
APARTAMENTO DE RONALDO/ RIO DE JANEIRO
Ronaldo estava sozinho em casa. Havia um dia que não se comunicava com Tina; dizia ela que estava cuidando de assuntos familiares. Ele estava a fim de sair, porém não tinha amigos. Não tinha ninguém. Um flashback corre por sua mente.
— Não é bem a minha namorada... – ele sorri – poderia se dizer que estamos ficando! (Ronaldo)
— Sei bem como funciona isso – ela cobra o ramo de lavandas – é tudo seis reais! (Angie)
— Sabe por quê? – ele paga para ela e pega a sacola com as flores – está sofrendo disso também? (Ronaldo)
Angie o fita com seus olhos caramelos e suspira.
— Não, eu já desisti do amor... (Angie)
— Desistiu...? (Ronaldo)
— Sim – ela dá uma risadinha – bem, nunca amei ninguém e nunca fui feliz deste jeito! (Angie)
— É sério? – ele a olha espantado – você é uma mulher tão impressionante... Se eu fosse você não desistiria assim tão fácil! (Ronaldo)
Angie apenas o fita e assente; logo depois, pega um cartãozinho e entrega ao rapaz!
— Toma – ela sorri – meu cartão! Gostei de conversar com você, quem sabe podemos nos encontrar em outro momento... (Angie)
Ronaldo compartilhava do mesmo sorriso; ele pega o cartão e o avalia.
— É claro... Eu também gostei de conversar com você! – ele reverencia um adeus – (Ronaldo)
Ronaldo se lembra de rapidamente da mulher que tinha feito amizade na floricultura, e lembrara-se muito bem do nome dela. Angie, feições de anjo, corpo de demônio. Ele se levanta do sofá e pega no bolso de sua calça, no quarto, o cartão que esperava encontrar. Disca os números na bina do telefone, que em três toques, se atende.
XV: Alô? (Angie)
XV: Angie? (Ronaldo)
XV: Quem fala? (Angie)
XV: Não sei se você lembra-se de mim... Mas eu estive na sua floricultura há alguns dias atrás, e comprei um ramo de lavanda. (Ronaldo)
XV: Lembro-me sim, o cara que não sabe como se referir à mulher que gosta – ela dá uma risadinha – ela gostou? – (Angie)
XV: Ainda não tive a oportunidade de encontra-la para lhe dar; você está trabalhando? Estava pensando em fazermos uma caminhada pela praia... (Ronaldo)
XV: Hoje tirei meu dia de folga; eu aceito sim me encontrar com você! (Angie)
*
CASA DE PATRÍCIA/ MORRO DO ALEMÃO/ RIO DE JANEIRO
A campainha de Patrícia toca e ela silenciosamente vai atender a porta. Sua animação estava a mil, há dias esperava uma noticia de Tina sobre o afronte dela com Stephanie, que acabara arrancando as suas cordas vocais. Desde que tivera sofrido este terrível ataque, morria de medo da patricinha, mas entregando as fotos a Tina, tinha de lidar com as consequências. Com um sorriso sereno e alegre, ela abre a porta e logo após dá um grito silencioso. Seus olhos se esbugalham e seu corpo começa a tremer involuntariamente.
Stephanie dá um passo para frente, entrando na casa sem a permissão da mulher que a olhava com espanto. Ela sorri.
— Oi Patrícia – seu sorriso era extravagante; a mulher a sua frente engole em seco e dá um passo para trás — que foi? Parece que viu um fantasma do passado... (Stephanie)
Fale com o autor