A Última Lua
19 Between the Moon and the Stars
Notas iniciais
MANSÃO FAMÍLIA COSTA/ RIO DE JANEIRO
Stephanie senta-se na cama e fita Tina a sua frente, que parecia preocupada com que intensidade as suas palavras viriam.
— Bom, começando pelos meus sangues contaminados – ela olha as unhas – eu tenho uma máfia disso tudo! Tenho compradores deste sangue; o que fazem com ele? Eu não sei! Tem pessoas que dizem que também furam as pessoas com agulhas, outras injetam em alimentos, como laranja e bananas; o que é inútil, por que no ar puro, o vírus morre! Por isso deixo os vidrinhos congelados em uma geladeira... (Stephanie)
— E o que isso tem haver com a Angie? – ela engole em seco – eu quero motivos por ela estar presa... (Tina)
— A ANGIE ERA UMA DAS MINHAS COMPRADORAS – ela fala mais alto – sempre foi! Sempre me apoiou desde que descobriu que eu tinha HIV e vendia esses fluídos... (Stephanie)
— Você prendeu a própria amiga...? (Tina)
— Eu me aproximei tanto da Angie, que acabei contando toda a minha vida para ela – ela a ignora – quando eu matei o meu pai, ela foi minha cúmplice. Foi ela quem desligou as câmeras e me ajudou a conseguir um médico para arrancar escondido as cordas vocais de Patrícia Alexandre – ela olha para o céu – que deve estar em um dos nove círculos do inferno essas horas; que o Diabo a salve! (Stephanie)
— Que horror – ela faz o gesto do espírito santo pensando na amiga – (Tina)
— Como disse; a Angie sempre fez parte do meu esquema. Desde sempre esperávamos Joanna Patterson aparecer em nossas vidas – ela dá uma risadinha – claro que quando ela salvou a minha vida, a reconheci! Desde que Gael contara, inspecionei a vida dela em todos os detalhes possíveis. Meu plano era ela ficar longe dessa família, só querendo a parte da herança dela! Eu seria mais rápida – ela suspira – injetaria sangue contaminado nela enquanto estivesse dormindo; fingiria ser amiga dela... (Stephanie)
— E se esse era o seu plano, por que você foi uma grossa? (Tina)
— Eu imaginava que ela seria uma sonsa que não iria jamais querer me afrontar – ela começa a se lembrar do dia do acidente – mas foi diferente... No dia em que me salvou de ser atropelada, eu percebi que ela é muito mais perigosa do que eu tinha imaginado. Ela não era a sonsa que eu imaginava; era muito mais – ela se levanta da cama – e agora que entra a Angie nesta história... (Stephanie)
Tina aguça os ouvidos; essa era a parte que ela ansiava tanto para ouvir. Não conhecia esta Angie, e quando ouviu no jornal que ela era acusada de matar seu ex-marido, um gelo correu por toda a sua espinha.
— Desde que a Joanna começou a investigar sobre o meu passado, eu confesso que estou um pouco tensa – ela dá uma risadinha, andando em círculos – se ela descobrisse algo sobre mim, não teria pena! Destruiria todo o meu esquema; o meu e o de mais milhares de pessoas. Eu seria perseguida por pessoas perigosas – ela engole em seco – muitos milionários e até famosos fazem a compra desses sangues meu. Se a Joanna descobrisse, todo mundo poderia se ferrar junto comigo. Precisava desfocar o meu segredo, e então num descuido da Angie, a gravei encenando uma confissão em que dizia que tinha matado o meu pai, assim, Joanna pararia de procurar o meu segredo por um tempo, e eu poderia fugir do país – ela senta – e é isso que eu vou fazer! Em um prazo de 3 semanas, devo sair dessa imundice! (Stephanie)
— E por que você está me contando isso? – ela é cautelosa – por que não fugiu nas espreitas? (Tina)
— Por que você não pode fazer nada comigo – ela debocha – eu roubei as fotos Tina. As entreguei para Angie, e ela queimou no dia seguinte. Eu sei que você não as guardou em nenhum outro lugar. Eu venci essa batalha. (Stephanie)
— Eu não consigo entender uma coisa dessas... (Tina)
— Por que, Tina? – ela aumenta o tom de voz – o mundo é dos sobreviventes. Eu fui esperta o suficiente para roubar as fotos do cofre; gravar o áudio da Angie e armar todo esse plano. Eu sou uma sobrevivente. (Stephanie)
— Você é uma criminosa – lágrimas saem de seus olhos – o seu pai deve estar tendo vergonha de você... (Tina)
Stephanie dá um tapa na cara de Tina, que fica vermelha rapidamente. Ela se levanta e fica cara a cara com a loura, que parecia indignada com o que tinha acabado de acontecer; Stephanie começa a tremer.
— O meu pai está morto – seus olhos brilham – não cite o nome dele... (Stephanie)
— E não vou citar por quê? – ela se afasta – por que você se arrepende de ter matado ele? (Tina)
— NÃO – ela dá uma risadinha – lógico que eu não me arrependo. Eu fiz um bem para a humanidade matando o Gael; vai me dizer que não ficou feliz de ficar com a herança todinha para você? (Stephanie)
— Você é maluca... (Tina)
— ASSUME – ela grita – ASSUME QUE VOCÊ ESTÁ APROVEITANDO MUITO MAIS A SUA VIDA SEM O NOJENTO DO MEU PAI (Stephanie)
A vez de Tina chega e ela dá um tapa em Stephanie, interrompendo as suas palavras. Os cabelos da garota estavam desgrenhados e grudados no rosto misturado a lágrimas.
— CALA ESSA SUA BOCA – ela é firme – EU TE AGUENTEI TODOS OS DIAS, TODOS OS MESES DEPOIS DA MORTE DO GAEL COM DIGNIDADE. EU ATÉ AGORA NÃO CONTEI PARA A POLÍCIA QUE VOCÊ O MATOU, E SABE POR QUÊ? (Tina)
— POR QUÊ? – sua voz vacila – POR QUE VOCÊ ME AMA? (Stephanie)
— Por que o Gael pediu... – ela fica arrasada – um dia antes de morrer, ele me fez prometer que eu cuidaria de você independente de todos os erros que cometesse. E foi isso que eu fiz – ela suspira – ELE SENTIU STEPHANIE; SENTIU QUE IRIA MORRER! (Tina)
Stephanie fica calada e uma pontada no coração a incomoda; amava tanto o pai, que bem no fundo da casca de sua alma, se arrependia de ter o matado. Arrependia-se por tudo que tinha feito com ele.
— Ele te amou até o ultimo minuto... – ela começa a chorar – e tudo que você fez, até agora, foi não se mostrar digna deste pedido! Você é nojenta, desprezível; deveria ser presa numa jaula e ficar em praça pública para os outros cuspirem e jogarem latinhas... (Tina)
Tina estava completamente derrotada; falar aquelas palavras para Stephanie, apesar de tudo, era muito difícil. Sempre considerou a garota como uma filha que ela nunca teve; e poderia nunca ter.
— Não se arrepende de nada? – ela bufa – pois bem, espero que morra sozinha no fim do mundo em que você vá fugir! Fique longe de mim, do Ronaldo, da Joanna e da Cate; minha família. Caso contrário, eu faço questão de com as minhas próprias mãos acabar com a sua vida. (Tina)
Tina sai do quarto com passos largos e deixa Stephanie chocada com todo aquele momento; parece que no fim, não havia sido ela que tinha ganhado totalmente a batalha. Joga-se na cama e começa a chorar por todos os seus pecados.
*
Joanna desliga a televisão de seu quarto com lágrimas nos olhos, não acreditara no que tinha acabado de ouvir; haviam acusado uma mulher desconhecida para ela como assassina de seu pai. Ela levanta da cama e saindo no quarto, tropeça com Tina no corredor, que chorava.
— Tina? – ela começa a gaguejar – é verdade o que eu acabei de ouvir...? (Jojo)
— Infelizmente, é sim – ela tinha de mentir – Angie confessou para a Stephanie que matou o Gael. Não tem mais nada a se fazer a não ser esperar ela ser encontrada pela polícia. (Tina)
Joanna se joga em Tina, e afundada em seus braços, começa a chorar. Claro que nunca tinha conhecido Gael, mas ele havia feito bem para muita gente. Estar na mansão em que ele morou grande parte de sua vida, a fazia se sentir muito próxima dele.
Tina afaga Joanna em seus braços; suas lágrimas também insistem em cair. Sentia-se mal por Joanna, ela não merecia ser enganada deste jeito. Mas não havia escolhas.
— Assim que essa tal de Angie for presa – ela engole as lágrimas – eu prometo Tina, que vou descobrir o porquê dela ter feito isso... (Jojo)
Tina sorri entre o choro e massageia os cabelos da garota, que ainda a abraçava. Não podia contar para ela que ela nunca saberia o real motivo.
*
TE ADORO HOTEL/ GRAJAÚ/ RIO DE JANEIRO
— A Giovanna é uma criminosa – ele andava pelo quarto – o que ela fez com você foi uma agressão; uma violência. (Leon)
Leslye e Leon estavam hospedados no hotel mais barato que tinham conseguido no Grajaú; este dinheiro era as finanças guardadas que tinham ganhado após a morte da mãe.
— A gente tem que fazer alguma coisa, Leslye... (Leon)
— Leon – ela estava deitada com lágrimas nos olhos – o que a gente pode fazer? Se essa louca quiser, ela pode ficar o resto da minha vida me ameaçando; não teremos provas que ela fez isso comigo. (Leslye)
— Ela não vai fazer isso por que eu não vou deixar essa bandida te torturar por um erro imprevisível – ele suspira – você não tinha culpa de ter se apaixonado pelo Romeu... E tem mais, irmã – ele se aproxima dela – se estar no Brasil é tão importante para você, não quero que abandone por causa daquela maluca... (Leon)
— Leon eu não to nem aí mais para o Brasil – ela limpa as lágrimas no edredom – a Giovanna deixou bem claro que caso descubra que eu voltei, acabaria com a minha vida, ou seja, tenho que sair o mais rápido possível. E outra, eu não tenho amigos, não tem motivos para continuar essa tortura... (Leslye)
— Eu te amo tanto, irmãzinha – ele se aproxima da garota – eu te amo tanto por ser forte nesse mundo de anjos e demônios. Não queria que você fosse maltratada assim por ninguém; é uma garota como qualquer uma e merece respeito! (Leon)
— Sim – ela pega as mãos do garoto – eu sei que sim, mas no mundo em que vivemos hoje em dia, você sabe que é difícil. E outra, eu vou super entender se você quiser continuar no Brasil... (Leslye)
Leslye procuraria uma passagem para os Estados Unidos o mais rápido possível, não via mais motivos para continuar no Brasil. Já Leon, tinha uma força que o prendia: seu amor por Stephanie.
— Eu acho que realmente ficarei por aqui; vou começar a procurar emprego e posso me sustentar – ele fita a irmã – eu encontrei uma garota Less. Eu a amo tanto quanto existem estrelas no céu. (Leon)
— Mas já a ama com tanta intensidade? – ela não gostaria que seu irmão se magoasse – se conheceram faz poucos dias... (Leslye)
— Sim, ela é diferente... – ele se afasta – desde que há vi algo despertou em mim! (Leon)
— Então eu espero que você seja feliz – ela sorri – eu te amo muito, meu irmão... (Leslye)
Ele sorri para ela.
— Eu também te amo, Lelsye... (Leon)
*
APARTAMENTO DE RONALDO/ RIO DE JANEIRO
Tina estava abraçada no canto da cama com Ronaldo ao seu lado, que a beijava no alto da cabeça e a acariciava em todos os cantos do corpo em que eram permitidos. Ela havia deixado Joanna no quarto, e a garota chamou Edgard para ficar com ela. Tina sempre estranhou a relação dos dois, mas desconfiava que a garota não soubesse que ele era ex da Stephanie – e talvez nunca descobrisse. Ela suspira.
— Está tudo tão horrível – seus pés roçam o dele – não aguento mais tanto desastre na minha vida... (Tina)
— Eu fui um desastre na sua vida? – ele olha para ela – (Ronaldo)
— Não – ela nega com a cabeça – de todas as coisas que me aconteceu nos últimos tempos, você foi a melhor coisa que me aconteceu... (Tina)
— Eu não resisto a nós dois – ele se levanta – e por isso eu quero te fazer um pedido... (Ronaldo)
— Pedido? – ela senta na cama – (Tina)
Ronaldo se estica e pega da gaveta do criado mudo uma caixinha preta. Ao ver, os olhos de Tina brilham – ele a pediria em namoro.
— Justina França Silva – ele a estica – você aceita se casar comigo? (Ronaldo)
As palavras atingem Tina como uma faca; casar?
— Oi? – ela abre um sorriso? – você está me pedindo em casamento? Nós nem namoramos... (Tina)
— Eu não me importo, por que te amo demais... – ele pega a mão dela – eu gosto tanto de você que sou capaz de tudo. Tudo mesmo. (Ronaldo)
— Eu to surpresa... – seu sorriso era perceptível – (Tina)
— Só aceita... – ele arfa; parecia tenso – se me ama só aceit... (Ronaldo)
Tina o interrompe com um beijo. Os dois se movimentam em sincronia perfeita, e logo depois, se fitam com olhos apaixonados. Tina gostava dele e não ligaria para as pessoas criticando sua relação; “iriam se casar cedo demais” era uma decisão dela, e ninguém mais deveria dar opinião.
— Isso é um sim? – ele parece se emocionar – (Ronaldo)
— Isso é um óbvio – ela sorri – eu te amo demais, Ronaldo Freitas... (Tina)
Lentamente, ele coloca o anel dourado com um detalhe de diamante em seu dedo e os dois se beijam; um beijo lento e que dizia que tudo iria ficar bem. O futuro estava chegando, e preparava grande surpresas para os dois.
*
HÁ UMA PASSAGEM DE TEMPO
Há uma passagem de três semanas. Ronaldo e Tina decidiram se casar rápido, e num ímpeto, escolheram três semanas depois do pedido. Foi tudo uma loucura, Joanna a ajudou com o vestido. Stephanie ficava o dia inteiro sumida com Leon; os dois namoravam e se declaravam frequentemente. Stephanie queria aproveitar todos os minutos com o amado; ele não sabia que em breve ela sairia do país para fugir de todo o seu lado criminoso. Joanna concentrara todos os seus pensamentos em achar Angie. A raiva fervilhava dentro de si para encontrar a mulher que ainda se encontrava fugitiva.
Neste tempo também, Victor sumiu do apartamento de Lilo; desde a briga, não se comunicara com ele. Tinha apenas mandado uma mensagem para não o esperarem. Lilo e Karol estavam mais próximos a cada dia, o que aumentava mais os seus sentimentos pela mulher. Victor se tornava uma lembrança distante para ele.
Leslye, com pouco dinheiro, conseguiu comprar uma passagem para três semanas depois da briga com Giovanna; com a economia que tinha, conseguiria se manter escondida da prima no hotel. Tinha conseguido um emprego no EUA de vendedora, e assim que chegasse, começaria a todo vapor.
Romeu tentara esquecer a garota transando com outras; o que não foi possível. Leslye estava em todos os seus pensamentos. Num ímpeto, ele descobriu que a garota estava hospedada neste hotel, mas não ousou ir conversar com ela. O que o incomodava.
*
JARDIM BUFFET RIO/ RIO DE JANEIRO
Tina e Ronaldo se olhavam com uma intensidade tamanha. Ela vestia um vestido branco cheio de camadas que era detalhado com pedrinhas de pequenos diamantes. Ele coloca a aliança em seu dedo; olhares se cruzavam neste momento único.
O jardim do salão havia sido decorado pelo melhor Buffet do Rio de Janeiro; flores se encontravam por todos os lugares. A multidão se encontrava ao arredor deles; todos estavam ali: Joanna e Edgard; Cate, Jocéa – e até Juliane e Tamiris, amigas delas. Nathalie e Brian. Camilla e Leonardo. Todos os amigos de Ronaldo e Tina – menos Stephanie.
Tina coloca a aliança no dedo dele, e seus olhos se enchem de lágrimas. Precisava se segurar para não estragar a maquiagem.
— Um brasileiro vive em média 74 anos de vida. Isso dá 884 meses, uns 27 mil dias, 600 mil horas e quase quarenta milhões de minutos – ele começa a se emocionar – antes de te conhecer, Tina, era assim que eu calculava a minha vida; em tempo. Quanto tempo eu já gastei... Quanto tempo ainda eu tenho... Até eu perceber que esse não era o calculo que me importava. Daí a entra – ele que estava virado para a multidão, fita a mulher – o que me interessa mesmo saber é: quantos abraços eu vou dar na Tina? Quantos beijos ela vai poder me dar? Em uma semana, quantas vezes eu vou poder dizer “eu te amo” para a mulher que eu amo? (Ronaldo)
Edgard abraça Joanna, que também parecia emocionada de ver a madrasta amiga casando.
— Por sua causa, eu aprendi a medir minha vida em amor; nem hora, distância, quilo... – ela dá uma risadinha – a unidade de medida da minha vida é você! (Ronaldo)
Tina, sorrindo demais, dá um beijo em sua boca selando aquele momento entre os dois. O padre os declara marido e mulher.
*
A festa começa e a música rolava solta pelo grande salão de festas. Tina recebia seus convidados perto da mesa do bolo, sorrindo com uma gratidão enorme.
Cate estava na fila para tirar fotos e desejar benção aos noivos, junto com as suas amigas. Jocéa se encontrava com um vestido tão curto que mostrava a polpa da sua bunda. Tamiris a olha de cima a baixo.
— Precisava ter vindo com isto? – ela revira os olhos – que eu me lembre isto é um casório e não uma convenção de tourada... (Tamiris)
— Ah, mas me dá licença né – ela bufa – pelo menos não preciso passar aborto de pintinho na pele pra ela ficar lisa! (Jocéa)
— Aborto de pinto? – ela franze o nariz – que nojo! (Juliane)
— Calem a boca vocês três – ela é dura – eu não as trouxe no casamento do meu pai para ficarem brigando! (Cate)
Desde que Stephanie injetara sangue nela, Cate tinha firmado uma amizade com Tina. As duas ainda não eram intimas, mas já conversavam bastante. Cate ficava olhando para os lados; tinha medo de Stephanie estar no lugar, mas pelo visto, ela não compareceria.
— Sabia que meu sonho é casar e encontrar o amor da minha vida? – ela suspira – (Jocéa)
— Com essa sua banha de bode não vai encontrar nunca – ela debocha – vai ser aquelas tias solteironas que ficam insistindo para a sobrinha casar, sabe? Tenho várias dessas. (Tamiris)
Cate ignora e deixa as três discutindo. Ela tinha medo de não viver isto – qualquer gripe que pegasse seria uma ameaça. Não pensava no futuro – podia não mais o ter.
*
Tina sorria para os convidados e fotos que vinham a recebê-la. A grande parte eram amigos dos dois. Camilla e Leonardo se aproximam com uma garotinha que aparentava 2 anos no colo. Os dois eram separados, mas tinham vivido uma grande história de amor no passado; tiveram vários encontros marcados e no fim, desistiram do amor um do outro, mas nunca, deixaram a amizade.
— Camilla – ela fica empolgada – estou tão feliz que tenha vindo... (Tina)
— Eu é que fico feliz de ter me convidado – ela abraça a amiga – você está linda! (Camilla)
Ronaldo cumprimentava Leonardo e os dois conversavam amigavelmente. Tina fita a amiga de grandes cabelos pretos e pele morena.
— E como vão as coisas entre você? – ela sussurra – a Aurora está bem? (Tina)
— Ah Tina, desde a morte da Pandora e da Simone, eu venho tentando manter as coisas calmas. A Aurora sempre nos quer ver juntos; não podemos deixa-la sozinha. É inevitável os nossos encontros... (Camilla)
— Eu sei como é difícil, mas espero que você viva feliz – ela sorri – de verdade... (Tina)
— Eu também – seus olhos brilhavam – espero que concretize a sua história... (Camilla)
As duas se abraçam e se despedem; Tina abraça Leonardo e Aurora, e rapidamente, os deixa seguir pelo salão. Mais dois casal de amigos se aproximam, e Tina abraça a garota.
— Nathalie – ela sorria – meu Deus do céu, obrigado por ter comparecido... (Tina)
— Eu é que fico feliz – ela acaricia o rosto da amiga – espero que o Ronaldo a faça feliz! (Nathalie)
— E esse garoto com você? – ela olha de lado para Brian e Ronaldo – seu namorado? (Tina)
— Ai, nem me fale nisso – ela revira os olhos – eu e o Brian somos... Complicado! (Nathalie)
— Eu sei como é – ela dá uma risadinha – mas fico mesmo muito feliz que tenha vindo! Seja feliz. (Tina)
As duas se despedem e com Brian, a garota parte para a sua mesa.
Do outro lado do salão, Joanna e Edgard conversavam um com o outro com as mãos dadas.
— Nunca pensei que eu fosse ficar tão feliz – eles se fitam – (Jojo)
— O que? – ele sorri – com o casamento? (Edgard)
— Claro que eu to feliz por eles estarem se casando, mas eu estou falando de outra coisa – ela sorri – um sentimento que eu nunca senti antes; é como se cada pedacinho de mim estivesse sorrindo só por que você está do meu lado – sua voz é doce – (Jojo)
Os dois se abraçam e se beijam novamente; Edgard estava cada dia mais apaixonado por ela e tinha dado graças a Deus que ela pausara sua investigação contra Stephanie.
— Eu sei exatamente o que você está sentindo – ele a olha – na verdade, não entendo por que a gente não está casando hoje aqui também... (Edgard)
— Por que não precisa – ela é cautelosa – claro que é legal fazer uma cerimônia, receber a benção da religião que for, mas o mais importante é o amor que a gente sente um pelo outro... (Jojo)
— Você tem razão – os dois se olhavam com intensidade – e isso eu te prometo que nunca vai faltar. Por que eu sou completamente apaixonado por você! (Edgard)
Os dois dão risada, mas o momento é interrompido quando vários policiais entram no salão e caminham em direção aos dois. Joanna fica preocupada.
— Meu Deus do céu, o que aconteceu? (Jojo)
— A senhora é Joanna Patterson? (Policial)
— Sim, por quê? (Jojo)
— Por que a assassina do seu pai foi presa – ele engole em seco – Angie Charlotte está na cadeia pronta pra te receber! (Policial)
*
MOTEL LADO A LADO CINCO ESTRELAS/ COPACABANA
Stephanie sai do banheiro e mira Leon, que colocava o resto de suas roupas. Ela lentamente caminha até ele, os dois sorriem e trocam um selinho. Do olho de Stephanie desce uma lágrima. A garota preferira não comparecer no casamento de Tina; passara o dia com Leon.
— O que foi? – ele sorri – (Leon)
— Esse é o fim – ela o fita com os olhos marejando – o fim de nós dois! (Stephanie)
— O que? – ele se espanta – o que você quer dizer...? (Leon)
— Leon, nós não vamos mais nos ver – ela suspira – eu vou partir para Paris hoje mesmo! Só preciso ir à mansão pegar minhas malas e vou. (Stephanie)
— Que? – ele se afasta – Por quê? O que está acontecendo? (Leon)
— Meus segredos me consumiram; eu não tenho saída – ela começa a chorar – eu espero que você não se esqueça de mim! (Stephanie)
— Eu não quero isso... – seus olhos se enchem de lágrimas e sua voz vacila – por que está fazendo isso comigo? (Leon)
— Eu amo você – ela tenta ser forte – sempre amarei, mas eu sei o que eu quero fazer da minha vida agora... (Stephanie)
— O que nós temos é bonito – ele se aproxima – (Leon)
— Eu fiz a minha escolha – ela coloca a ponta de seu dedo no rosto dele – esse é o nosso destino e não podemos caminhar juntos! (Stephanie)
— Não vai... – ele gagueja – por favor... (Leon)
— Você é o cara mais incrível que eu conheço – ela tenta segurar as lágrimas – mas eu não posso! Esse vai ser o melhor para nós dois... (Stephanie)
Stephanie vira de costas para ele; tinha sido o mais direta possível, pois odiava despedidas, mas é impedida quando ele segura seu braço e a puxa para si. Os dois se beijam. Um beijo de despedida, que carregava emoções inexplicáveis para ambos. Leon pressiona seus dedos contra a pele da garota, que entre lágrimas, arfa. As mãos dela passam pelo seu cabelo, os envolvendo numa cena intocável. Stephanie o empurra, e ele volta a olhar com pavor.
— Adeus, Leon... – ela se vira de costas – espero que nos encontremos num futuro... (Stephanie)
Leon olha a garota saindo do quarto com um aperto no coração; ele se joga na cama e suas lágrimas caem molhando a fronha. Tinha perdido Stephanie. Perderia a irmã para os Estados Unidos. Estava sozinho.
*
DELEGACIA DE COPACABANA/ RIO DE JANEIRO
A porta de visitas se abre e Joanna entra exasperada. Tinha deixado o casamento sem contar para Tina, avisando para ela que o motivo dos policiais era algo relacionado a ela e depois ela a contava – não queria estragar a festa.
Angie estava de pé para frente de uma grande parede negra como ébano; vestia um macacão laranja e seus cabelos estavam desgrenhados pelo tempo. A morena se aproxima lentamente da loura; nunca a tinha visto na vida, mas sentia um ódio dela capaz de fazer qualquer coisa. As duas ficam frente a frente. Os olhos azuis de Angie fitam Joanna; ela própria havia pedido para conversar com a garota.
Joanna dá um tapa na cara de Angie, que surpresa, se encolhe na parede.
— POR QUÊ? – ela grita – eu nem te conheço... O QUE VOCÊ QUER COMIGO? POR QUE MATOU O MEU PAI? (Jojo)
— Você é muito abusada – ela a olha irônica – eu te convoquei aqui para te contar a verdade! (Angie)
— Que verdade? – ela debocha – a que você matou meu pai? (Jojo)
— NÃO FUI EU QUEM MATOU GAEL COSTA – ela grita – (Angie)
Angie começa a bater na parede. Joanna fica sem entender.
— Você é maluca... – ela se afasta – (Jojo)
A grande porta de metal se abre e de lá sai uma garota pálida com cabelos negros. Ela carregava uma foto consigo.
— Eu queimei as fotos que comprovavam a verdadeira assassina de Gael – ela parecia derrotada – mas a minha funcionária pegou uma para si as escondidas (Angie)
— O quê? – ela estava confusa – (Jojo)
Carine, rapidamente, entrega a foto para ela. Jojo passa os olhos por ela e dá um gritinho quando a imagem do rosto de Stephanie esfaqueando Gael passa por sua visão. Tinha sido ela... Tinha sido...
— Foi a Stephanie – ela abre um sorriso – ela que é a verdadeira assassina de Gael Costa! (Angie)
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