''São nossas escolhas que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades. ''

Alvo Dumbledore.

Assim que cheguei em casa tratei de organizar a sala e a cozinha, coloquei as roupas secas no guarda-roupa e comi uma fruta. Estava sem fome, confusa. O que será que o Edward quis dizer com aquilo?

"— Eu sei, mas isso não está certo! — a menina de voz doce afirmou com receio.

— É o único jeito de se livrar disso.

— Não tem outro jeito? — indagou a mesma.

— Não. — afirmou. — Depois de 100 anos de procura acha mesmo que vou continuar e deixar a nossa chance ir embora pela janela?

— Estou com o Edward.

— Okay. Não tem outro jeito.”

Do que eles estavam falando? Sobre fazer algo muito errado e que Edward demorou cem anos para ter a chance de fazer, mas cem anos? Edward só tinha dezessete! Essa angustia, essa conversa aparecia em meus pensamentos mesmo quando eu forçava em esquecer.

Tomei um banho quente, pois chovia e meu corpo estava rígido. Me deitei no meio de várias cobertas quentes para relaxar e dormi.

[...]

Quando acordei minha mãe já tinha chegado, tratei de me levantar e desci as escadas rapidamente.

— Ai está você! Pensei que tinha saído. — ela estava sentada no sofá e me olhava. — Te chamei várias vezes.

— Dormi sem querer.

— Ai meu pés! — gemeu assim que tirou os sapatos social.

Sua face estava cansada, seu cabelo ruivo cacheado estava ressecado e suas rugas de expressão mais viva, mas mesmo assim ela não parava de sorrir.

— Como foi o dia? — indagou.

— Cansado. — respondi. Ela ligou a TV, passava um programa qualquer. — Amanhã depois da escola pode me fazer um favor?

— Claro. O quê? — indaguei.

— Você vai precisar fazer compras, eu estou tão cansada. — ela se espreguiçou. — Escrevi tudo no papel, está em cima da mesa.

Eu assenti. Odiava fazer compras com a minha mãe. Ela era indecisa, talvez sozinha não seria algo tão desagradável.

Me sentei no outro sofá e ficamos vendo Tv. Ás vezes comentávamos sobre o que faziam, riamos.

— Vou deitar. — afirmou. — Até amanhã, amor.

Desliguei a TV, a luz da sala e fui para meu quarto. Deitei-me na cama que estava desarrumada e adormeci facilmente fitando o teto e tentando a todo o momento esquecer aquela conversa, ou pelo menos afastá-la de minha mente.

[...]

Quando acordei chovia um pouco. O piso do meu quarto estava com um enorme poça d’água e vi que tinha esquecido a metade da janela aberta, fechei imediatamente enquanto despertava. Desci as escadas rapidamente.

— Bom dia. — disse, indo direto a lavanderia.

— Nossa, madrugou é? — indagou minha mãe.

— Não, claro que não.

Peguei um pano de chão seco e subi as escadas, sentindo meu pulmão reclamar. Pausei o ritmo e quando cheguei no meu quarto coloquei o pano no chão. Tomei um banho longo, deixando a água deslizar pelo meu corpo, meus cabelos e minha face.

Coloquei uma calça jeans escura e uma blusa clara, penteei meu cabelo, desembaraçando-o, e passei uma leve maquiagem, destacando os meus olhos claros e um brilho nos lábios.

— Ah! Por que tinha que chover logo hoje? — murmurei.

— Você precisa se acostumar a fazer as coisas com chuva. — respondeu minha mãe revirando a geladeira. — Pensei que já estivesse acostumada.

— Estou me acostumando. — afirmei revirando os olhos. — Mas fazer compras com chuva é uma droga! — gemi. Ela sorriu.

Ficamos conversando coisas randômicas e depois fui para a escola, encolhida no meu carro úmido, a pista estava escorregadia e perigosa. As árvores ao meu redor, frias e com o caule coberto de musgo que com a chuva parecia mais vivo. Nojento.

Estacionei no mesmo lugar de sempre, na quinta vaga da direita para a esquerda. Respirei fundo e desci correndo até a entrada da escola.

Lá dentro estava frio, mas ao mesmo tempo quente em alguns lugares aonde as pessoas ficavam mais aglomeradas. Sorri, reconhecendo algumas pessoas enquanto corria andando até o refeitório. Comprei um refrigerante e logo achei a turma conversando na mesma de sempre, á do fundo, no canto.

— Oi, Gente. — sorri.

Carol estava melhor, pelo menos por fora. Ela tinha voltado a se maquiar, sua pele de boneca estava novamente se destacando, seus cabelos loiros caiam com leves e grandes ondas até seu ombro.

— Oi Sara. — as vozes responderam juntas.

— Eu já contei mesmo a da melancia? — indagou Victor.

— Já. — Emmett respondeu sério, passando o braço nas costas da Carol.

— Cara, eu amo melancia! — respondeu, eu e Carol rimos.

— O bom é que você assume quando ama! Tem gente que não faz isso. — Afirmou Jessica com um sorriso amarelado e em seguida voltou a ficar séria, mexendo em seu celular.

— Poha! Você não consegue parar de me mandar indiretas? — Erick se alterou batendo na mesa, Carol o olhou assustada e vi que Emmett apertou sua mão em seu braço.

Victor se aproximou de mim.

— Eu mandando indiretas? Ficou doido? Eu falo na cara, citando nome! — respondeu do mesmo jeito. As pessoas, poucas, e, nossa volta olhavam os dois discutindo feito crianças.

— Gente. — Carol começou. — Gente! Vamos parar poxa! Vocês se amam!

Então Emmet se levantou sério estendendo à mão para Carol, que também se levantou, seguida por mim e Victor. Se os dois queriam chamar atenção, chamassem sozinhos. O restante do dia foi assim, os dois discutiam, mandavam indiretas durante a aula e quando enfim tudo acabou, a chuva cessou.

Me despedi e sai às pressas. Quanto mais rápido chegasse no mercado, mais rápido acabaria as compras.

[...]

Não foi difícil achar o mercado, minha mãe me explicou bem — afinal eu nunca tinha ido lá, odiava fazer compras com a minha mãe por causa de sua incrível capacidade de decisão— O mercado era grande, havia três do mesmo tamanho para comportar toda a cidade.

Com a fachada toda avermelhada e de vidro, expondo suas melhores ofertas. Retirei a lista e comprei tudo que estava escrito lá, quando estava pagando a garoa começou a ficar forte. Corri para o carro jogando as compras no banco de trás, pegando a rodovia principal e sai dali.

Uma nuvem cinza tomou conta da cidade, se sobressaindo do sol. Estava tudo escuro e eu precisei olhar no relógio para confirmar que não estava a duas horas da tarde na rodovia.

A minha volta só o que se via era o vulto das árvores e a escuridão da floresta. Senti um arrepio, o quanto frio poderia ser ali dentro e o quanto escuro seria apavorante apavorante?

A neblina começou a ficar densa, eu não conseguia ver quase nada. Aumentei o farol para uma melhor visão, mas fracassei. O carro começou a falhar, automaticamente olhei a gasolina, estava tudo okay.

Algo aconteceu com o carro, mas eu não entendo nada de carros! Peguei meu celular, estava fora de área. O frio do lado de fora era castigado, desci com um certo receio e suspirei sentindo a água da neblina me molhar levemente. Nenhum carro passava por mim, nada, ninguém que pudesse me ajudar.

— Droga! — gemi. Vi uma luz longe se aproximar, e corri para o meio da pista — Por favor! — gritei desesperada. — Por favor!

Era uma camioneta escura, não consegui ver a pessoa. E enfim parou. Abriu a porta e um homem saiu do carro com uma postura ereta, ele era um magro saudável, de terno escuro e com um perfume que sentia o aroma de longe, seu cabelo estava penteado para trás, e seus olhos claros eram sexy. Ele me olhou da cabeça aos pés e disse:

— Posso ajudá-la?

— O meu carro, ele quebrou. Não entendo nada de carros! — respondi, tentando me acalmar.

— Posso dar uma olhada? — indagou, estendendo a mão para o motor.

— Claro. Ficarei agradecida.

Ele sorriu e passou por mim com um ar de superioridade, olhou por dentro e depois olhou em minha direção desmotivado.

— O motor fundiu. — começou, batendo o capô. — E um mecânico nessas horas é difícil.

— Droga!

— Posso te levar em casa. — Ele me olhou novamente da cabeça aos pés, me deixando um pouco desconfortável naquela roupa justa. Minha mãe sempre me disse que não devemos aceitar carona de um estranho, mas nessas horas não posso hesitar.

— Eu aceito. — Tentei sorrir.

Ele abriu a porta para mim e eu entrei, senti a maçã do meu rosto corar. Ele á fechou cuidadosamente e entrou. Ligou o carro e o motor reagiu imediatamente. Ele saiu dali, sem pressa.

Durante todo o caminho evitei falar e ele também, estava receosa. Mas não devia estar assim, afinal ele me ajudou. Indiquei o caminho e ele pareceu decorar facilmente.

Mas parou em uma rua escura, ao invés de entrar na minha rua clara e iluminada. Me olhou, sério. Soltou um sorriso irônico e levou sua mão grande até minha coxa. O olhei assustada.

— O que pensa que está fazendo? — indaguei furiosa, tirando sua mão de mim.

— Eu te fiz um favor, agora você me fará outro. — então ele foi se aproximando do meu corpo e eu rejeitando, levando meu corpo para trás.

— Não, por favor! — tentava empurrar ele para trás.

Seu perfume foi se aproximando, segurou minhas duas mãos as prensando no banco, seu corpo ficou sobre o meu e eu gritei. Tentava chutá-lo, mas falhava. Ele tinha total poder sobre mim.

Notas finais
Depois de algum tempo sem postar, eu voltei! Peço desculpas pela demora, eu tive problemas com a internet. E, ainda estou com dificuldades para entrar aqui... Espero que estejam gostando. Até o próximo, que sai logo. Bjos.