A Última Família Faraónica
2 Capítulo 2 - Semenchkare e Meketaton
Notas iniciais
No seu sexto ano de reinado, Meritaton fizera um ano e seis meses. Nefertiti guardara o segredo dentro de si, e continuava aquela mulher forte e sábia, tão sábia, que vingou-se de Akhenaton. Depois da festa, Akhenaton foi deitar-se com Nefertiti.
— Minha rainha, perdoe-me, mas notei que está mais…gorda.
— Não engordei meu faraó, estou grávida.
— E só agora avisaste-me! – dizendo isso Akhenaton foi beijar a sua mulher, mas ela repreendeu-o.
— O filho não é teu, querido. – disse Nefertiti acariciando a face de Akhenaton.
— Como assim? – perguntou o faraó, levantando-se da cama, assustado.
— Não me vais dizer que a Kiya também não carrega um filho teu…
— Não! Ainda não estive…na cama com ela.
— Mentiroso! Eu vi-te!
— De quem é esse filho?
— Do teu irmão, Thutmose.
Akhenaton deu um tapa na cara de Nefertiti.
— Prostituta! – gritou o faraó.
Nefertiti, com a sua mão na face, riu-se, e sentia o sabor da vingança. Akhenaton mandou os seus guardas levarem a rainha para a masmorra, para ter lá o filho. E assim foi, Nefertiti deu a luz à Semenchkare e foi levada para o seu quarto.
— Qual o nome da criança? – perguntou Akhenaton quando entrou.
— Semenchkare. – respondeu Nefertiti abraçando a criança.
— Já falei com os meus conselheiros, essa criança vai ser considerada o meu irmão, para não causar mais revoltas pelo reino. Irá chamar-se Semenchkare Anjjeperura.
— Eu é que sei do meu filho. Quem decide isso é Thutmose, e não tu. Tu apenas és o tio.
— Fazes-me um favor Nefertiti? Quando recuperares do parto, vais ter comigo aos meus aposentos, na minha cama. Quero um filho meu.
Nefertiti olhou para Akhenaton com raiva, mas continuou a cantar para Semenchkare.
Nefertiti obedeceu às ordens do faraó e deitou-se com ele. Enquanto as coisas corriam normalmente em Tebas, e Semenchkare já tinha dez meses, Nefertiti engravidara de novo.
— Meu faraó.
— Sim, Nefertiti. – disse Akhenaton enquanto brincava com Meritaton, que já tinha três anos.
— Estou grávida.
— Ótimo. – disse Akhenaton, naturalmente. – Nefertiti…
— Sim?
— Kiya vai ser nomeada como a minha segunda esposa.
— Ok. – Nefertiti abandonou a sala.
A chegar nos seus aposentos, ela jogou todas as peças de decoração que via na sua frente.
— Porquê, Aton?! Porquê…?!
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Passaram-se alguns meses e a festa de casamento entre Kiya e Akhenaton correu bem, Akhenaton já completara o seu sétimo ano de reinado e estava muito feliz. Nefertiti escondia-se nas sombras do palácio, às vezes saía de lá para “ falar “ com alguns príncipes hititas, ou até com Tuthmose. Depois do casamento de Kiya e Akhenaton, Nefertiti foi falar com ambos:
— Parabéns. Como ainda não engravidaste?
— Os deuses ainda não permitiram que tal acontecesse.
— Ainda bem. Akhenaton, eu… — Nefertiti sente-se mal e desmaia.
As servas tentam acordá-la e de repente ouvem um choro.
— É uma menina! Mas…como ela nasceu? – questionou uma serva.
— Foram os deuses, foram os deuses. – repetiu Akhenaton olhando para a filha com um sorriso.
— Qual o nome, senhor?
— Meketaton. – dizendo isso, pegou na filha.
Kiya deixou-os a sós e foi para os seus aposentos. Meritaton e Semenchkare foram ver a irmã e a mãe. Nefertiti estava desmaiada, na cama dos seus aposentos. Os médicos do palácio foram examiná-la.
— Majestade, não encontramos nada de errado.
— Foi o castigo dos deuses, podem ir senhores. – disse Akhenaton.
Passaram-se duas semanas e Nefertiti despertou, foi a correr para perto de Akhenaton e disse:
— Meu faraó, eu tive uma visão.
— Qual foi essa visão?
— Kiya terá um filho, mas a inveja tomará conta do coração dela, por isso ela vai matar o meu filho, para que o dela seja faraó.
— Deixa-te de disparates, mulher!
— Não é nenhum disparate!
— É sim! O teu filho não será faraó porque ele não é MEU filho!
Akhenaton afastou-se de Nefertiti e foi falar com o seu vizir.
—Nefertiti está doente, providencia as obras do seu túmulo por favor.
— Sim, senhor.
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