A Última Chance - J e of
3 Capítulo 3 - Afogando as mágoas
Notas iniciais
POV Julie
Meu pai me chamou pra conversar. Fiquei uns minutos abraçado a ele. Até ele subir pro seu quarto para descansar. Logo abracei meu irmão e assim fiquei por mais tempo do que com meu pai. Acabei soltando mais lágrimas ainda.
- Julie... A mamãe... A mamãe, Julie... – Pedrinho tentava falar. Eu o calei.
- Eu sei... Fica calmo, maninho... Ela está num lugar melhor agora. Ela vai estar com a gente pra sempre. No nosso coração.
Martim e Félix chegaram à sala e nós abraçamos ambos.
- Ficamos sabendo do que aconteceu. Sentimos muito por sua mãe. – Martim disse.
- É. Eu posso imaginar o quanto é difícil. Se for preciso, a gente ajuda vocês a superar. – Félix disse.
- Valeu gente. – eu disse.
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Estava em meu quarto. Acabando de sair do banho com uma toalha enrolada no corpo. Sobre a cama, um vestido preto, quase inutilizado por mim por estar escondido no fundo do armário. Estava até guardando em uma capa transparente para que não pegasse cheiro ou fosse corroído pelas traças. O quarto estava todo fechado. Só era iluminado pela fraca luz que estava no quarto. Era um ambiente triste, assim como o meu coração. Me despi da toalha e vesti minhas peças íntimas. Tirei o vestido daquela capa transparente e encarei aquela veste escura e sem graça. Me vesti e coloquei um sapato de salto baixo. Fui para frente de espelho, me penteei e fiz um penteado comum. Fiz uma maquiagem leve e, quando terminei, fiquei de pé na frente do espelho pra olhar minha produção. Estava bom. O suficiente para um velório e em seguida um enterro. Peguei uma pequena bolsa, colocando só o celular e um lenço. É! Um lenço. Provavelmente eu vou precisar. Nunca se sabe.
Tudo pronto. Desci as escadas e fui para a sala. Encontro meu pai e Pedrinho, já prontos e vestidos.
- Vamos? – meu pai perguntou.
- Vamos né. – eu disse, desanimada.
Entramos no carro e minutos depois já estávamos no local do velório. Teve todas aquelas considerações finais ditas pelo padre. Me despedi da minha mãe antes que fechassem o caixão. E, de lá, fomos nós pro enterro. Chorei novamente. Joguei uma rosa vermelha antes que fechassem o túmulo. Eu, meu irmão e meu pai fomos embora.
Já se passavam três dias e eu ainda não tinha superado. É difícil nos primeiro dias, nas primeiras semanas, nos primeiros meses. Talvez eu nunca supere. Os fantasmas e a Bia até tentaram me animar, mas foi totalmente inútil. Mas tive uma ideia. É maluco, totalmente inconsequente, mas pode dar certo. Liguei para a casa da Bia, mas sem a intenção de falar com a Bia. Eu queria falar com o irmão dela. Por sorte foi o próprio que atendeu. Ele é maior de idade. Perfeito para o meu plano. Pedi que ele me comprasse algumas bebidas. Era isso. Eu ia me acalmar e esquecer tudo com a bebida, o álcool. Quando ele chegou a minha casa, pedi que ele guardasse segredo. Ou seja, que não contasse nada para a Bia. Lhe dei um dinheiro, peguei toda a bebida e ele se foi. Subi pro meu quarto e escondi tudo lá. Era o melhor lugar para isso. Peguei a primeira garrafa. A encarei por uns segundos, ainda decidindo se eu bebia ou não. Sem pensar duas vezes, abri a garrafa, com um pouco de dificuldade, e deu o primeiro gole. Fiz uma careta. Realmente o gosto não era muito bom, desceu rasgando minha garganta. Dei outras goladas seguidas. O gosto começava a ficar bom e a sensação de alivio já me invadia. Já tinha começado a esquecer tudo. Continuei bebendo aquela garrafa até que ela chegasse ao fim. Inconscientemente levei o gargalo da garrafa à boca, pois nem tinha percebido que não havia mais nem uma gota. É, o álcool começou a fazer efeito. Já não estou normal. Me levantei do chão que estava sentada, com dificuldade. Tonteei e cai. Levantei novamente, agora me apoiando nas paredes. Minha visão estava embaçada, eu vi tudo duplicado. “Agora eu to fudida”, eu pensei quando cheguei à escada. Como eu ia descer, sem cair? Desci tropeçando em alguns degraus. Olhei pra sala e vejo o Daniel sentado no sofá. “Droga, eu devia ter ficado no quarto”. Ele viu meu estado se levantou e deu um passo. Parou quando fiz um sinal para que ele se sentasse de novo. Não sentou, mas falou.
- Julie. O que aconteceu? O que você tem?
- Euu... Nãão... Tenhoo na...nada ué.... – eu disse embriagadamente.
- Julie... Você... Você está bêbada. – ele disse um pouco bravo.
- Euu... Euu... Eu nãão... – eu disse.
- Você está bêbada sim. Julie, por que você fez isso? Você está louca.
Eu comecei a chorar. – É o único... jeitoo que... euu encontrei... para esquecer o que aconteceu... com a minha mãe. – eu disse, com a voz um pouco chorosa agora. (*bêbeda e ainda chorando, pensa que cena linda. #sarcasmo on*).
- Não é não. Tem outros jeitos sim. Eu, o Martim, o Félix, a Bia e até o Pedrinho, que já superou. Todos nós estamos te ajudando. Você é que não deixa.
- Não enche. – eu disse subindo as escadas de novo. Até que sinto o Daniel segurando meu braço. – Me... me solta... seu... seu...
- Seu o que? Fala.
- Seu... seu chato. – eu disse. Queria ter dito “seu lindo”, mas... O que? Para com isso, sua bêbum.
- Sou... Sou chato sim. Agora vai pro seu quarto que eu vou curar você da sua ressaca.
- Não... – eu disse.
- Vai sim. – ele disse e me pegou no colo. Quando vi já estava no meu quarto. – Fica ai. Já volto.
Foi só ele sair, que comecei a sentir os efeitos. Corri para o banheiro e vomitei tudo. Dei descarga e lavei meu rosto. Me olhei no espelho e vi que eu estava péssima. Voltei pro quarto, tropecei num tênis e caí no chão. Na mesma hora, Daniel entra no quarto.
- Ta vendo. Deixa eu te ajudar. – ele me pegou pelo braço, me levou no banheiro. Lá, ele abriu o chuveiro na água fria e me colocou de baixo dele com roupa e tudo.
- Não... ta frio. Me tira daqui.
- Não. Isso é pra você aprender. Aprender a não fazer mais isso.
Isso foi totalmente inútil. Continuei bebendo dois dias depois disso. Tudo mundo me repreendeu. Só parei quando o Daniel achou meu esconderijo e jogou todo o meu estoque fora.
- Julie. Para com isso. Nós estamos preocupados com você, com a sua saúde. – Daniel disse. Estávamos no meu quarto, a turma toda e eu sentada na cama.
- É Julie. Isso não adianta nada. Só vai te deixar pior. – Félix disse.
- Nós todos vamos te fiscalizar agora. Pra você não fazer isso de novo, ta. – Bia disse.
- Ta bom. Vocês me convenceram. – eu disse.
A Bia foi embora, Martim e Félix foram pra edícula. Eu fui pra sala e o Daniel foi atrás de mim.
- Obrigada. – eu agradeci.
- De nada. – Daniel disse. – Eu queria te falar uma coisa e... – ele foi interrompindo pela campainha. – Ué, quem será? – ele foi à janela e virou pra mim. – É o mané. – ele disse fazendo uma careta.
- Entra. – eu disse. Nicolas entrou e Daniel saiu.
- Dá licença viu. Eu que não ficou aqui. Fui. – Daniel disse quando estava saindo. Eu fiquei olhando ele sair, pensando: O que será que ele queria falar?
- Oi Julie. Queria saber como você estava aí eu vim aqui.
- Oi Nic. Senta. – ele sentou e ficamos conversando a tarde toda. Até ele ir embora e eu voltar para meu quarto.
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