A Última Chance - J e of

23 Capítulo 23 - À volta de um psicopata – Parte 2


Notas iniciais
recebi poucos reviews e fiquei triste :(.......mas ta ai um novo capitulo...........é o penúltimo capitulo, ou seja, o próximo é o último.(ah vá kk)..........Espero que gostem........os pontos de vista(POV) se alteram com frequência, espero que não fique confuso...........sem mais delongas, boa leitura........

POV Julie

Meu coração começou a palpitar totalmente sem controle. Eu sentia que ele estava ao ponto de sair pela boca. Me lembrei dos sonhos estranhos que eu tinha ultimamente. Aquela sensação de *Déjà vu me consumia. Aquela sensação que algo está errado ou que algo muito ruim vai acontecer era muito forte. Aqueles olhos cheios de fúrias a minha frente me encaravam e me dava medo. Minha respiração começava a ficar falha e disfarçar ficava cada vez mais difícil. Eu não queria parecer fraca na frente dele. Eu precisava ser dura, fria e enfrentá-lo, para seja lá o que ele estivesse planejando.

Ele me olhava de cima a baixo, me analisando. Aquilo já estava me irritando. Ele não falava nada, só me olhava quase sem piscar. Ele deu um passo e eu levantei a mão na direção do seu peito, para que ele parasse onde estava e não desse mais nenhum passo. Ele voltou a encarar meus olhos.

- Não vai me deixar entrar?

- Não. Você não é bem vindo aqui. Se você me der licença... – eu iria fechar a porta, mas ele postou o braço horizontalmente e forçou, me impedindo de fechá-la.

- Você é muito mal educada, sabia?

- Não me interessa. E, larga esse porta, Nicolas. – eu dizia enquanto eu empurrava a porta pra fechar e ele empurrava pra mim, me impedindo de fechar.

- Não largo nada. Não saio daqui enquanto você não me ouvir.

- Não quero ouvir nada. Não te quero aqui. Vai embora.

- Abra essa porta e me deixa entrar. Eu quero falar com você.

- Não chega perto de mim. Não encosta em mim. Meu namorado está em casa. Se você entrar aqui, eu grito, ele vem aqui e acaba com você.

Eu disse isso e ele ficou tenso. Parou no mesmo instante de empurrar a porta.

- Ah, ficou com medo? É bom mesmo que fique.

Nicolas ficou vermelho de raiva. – Cala a boca, sua vadia. Não fiquei com medo nenhum. – ele agarrou meu braço com força e brutalidade. Eu não conseguia me soltar.

- Da... – eu ia gritar. Mas o Nicolas tapou minha antes que o meu grito de chamado saísse.

- Fica quieta, sua putinha. Se você fizer alguma coisa, você vai se arrepender. Eu tentei conversar civilizadamente com você, mas foi impossível. – ele começou a me puxar. Consegui me livrar da mão em minha boca.

- Me solta. Você vai ver. O Daniel vai notar a minha falta e vai aparecer aqui a qualquer momento e vai arrebentar essa sua cara imunda. – fiz força pra me soltar. – Me larga.

- Não. E não pense que não pensei nisso. – ele deu um assovio e apareceu uma garota. Ela sim era um “putinha”, por causa das roupas que usava. – Vem aqui. – ele disse para ela. Se virou para mim. – Essa é Kelly, uma amiga minha. – ele me disse e deu uma piscada para ela. No meu interior, eu senti um fundo de malícia no “amiga” pronunciado por ele. Não me surpreendi. Sei que o Nicolas é um galinha. Não sei como tive coragem de namorar com ele.

- E o que eu tenho a ver com isso, idiota?

- Você vai ver... – se virou para a tal Kelly de novo. – Vai lá e faz companhia para o Daniel. Distraia-o até quando puder. – ele olhou pra mim. – Não se preocupe Julie. Ele não vai nem sentir sua falta. Com uma tentação dessa... Por que ele vai se importar com você? – ele apontou para ela e me sorriu irônico. Se virou pra ela outra vez. – Vai lá minha linda. – ele disse.

A vadia passou por nós e o Nicolas lhe deu um tapa na bunda. Ela virou pra trás sorrindo e olhando-o de um jeito muito safado.

- Só não demora... Não quero você se esfregando nele. Depois você é minha. Ok? – ele sussurrou bem baixinho para ela. Fingir não ouvir, mas eu ouvi. Ninguém sabe o nojo que senti disso.

Ela passou pela porta e eu só senti um tapa forte acertando a minha face.


POV Daniel

Estávamos eu e Julie tocando e cantando animadamente. Ela parecia tensa hoje e eu tinha certeza que ela estava preocupada com algo. Eu precisei fazer companhia, tocar com ela. Sei das coisas que ela gosta e sei o que a faz bem. Ela precisava se acalmar e nada melhor do que a minha companhia. Eu sei... Sou muito convencido. Mas isso era verdade.

Devo confessar que não era só a Julie que estava tendo pressentimentos ruins. Eu também estava. Não sei o porquê. Acho que o conviver tanto tempo com a Julie está me fazendo adquirir as manias que ela tem. Não que eu esteja reclamando. Eu até gosto. Ultimamente me sinto cada vez mais ligado a ela. Como se nós fossemos um só. Dois em um. Ela é meu tudo, assim com eu sou para ela. Ela tira minha razão Me deixa totalmente louco. Eu a amo demais.

Ela foi atender a porta. Uma criatura petulante resolveu interromper nosso momento. Fiquei no quarto dela dedilhando algumas notas no violão dela, esperando ela voltar. Acabei me distraindo com o violão e nem me dei conta de que já fazia alguns minutos que a Julie estava lá em baixo atendendo a porta. Se fosse alguém não muito importante, ela não demoraria tanto. Talvez seja a Bia e agora elas estejam fofocando lá em baixo. Decidi esperar ela voltar, porém algo me dizia que eu devia ir até lá para ver o que está acontecendo. E foi o que eu fiz. Deixei o violão em cima da cama e estava indo rumo à porta. Mas, de repente uma garota surgiu na minha frente. Ela vestia roupas bem vulgares.

- Quem é você? – perguntei.

- Meu nome é Kelly. Sou prima da Julie. – ela respondeu. Prima?

- Prima? A Julie nunca me disse que tinha uma prima com esse nome. – eu disse. Ela me empurrou de volta para dentro do quarto me fazendo sentar na cama. Ela fechou a porta logo em seguida. – O que você está fazendo?

- Calma. Fica quietinho. Não vou te fazer nada. – ela ligou o rádio.

- O que voc... Cadê a Julie? E por que você está aqui?

A garota me olhou e fez uma expressão que eu simplesmente não entendi. Ela parecia pensar numa resposta. Que estanho!

- A minha mãe estava com um probleminha lá em casa e eu pedi para a Julie ajudá-la. E só a Julie consegue resolver.

- E porque você está aqui?

- Ué... É a casa da minha prima. Por que eu não posso entrar?

Fiquei encarando a garota. Ela era estranha e não falava coisa com coisa. Ela foi para trás de mim e começou a massagear meus ombros. Tentei tirar aquelas mãos atrevidas de mim. Ela era muito atirada pro meu gosto.

- Calma... Você está muito tenso... Precisa relaxar... – ela disse perto do meu ouvido. Sinto seu hálito de menta e me senti enojado.

- Não quero que me toque. Tenho namorada. A Julie.

- Eu sei querido. Eu não mordo e não tiro pedaço. – ela falou, mas senti uma ambiguidade no que ela disse.

Ouço barulhos vindos da rua, mas a garota fez questão de aumentar o volume do rádio.

- Pra dar uma descontraída. – ela disse se referindo ao volume do rádio que ela aumentou.

Não estou gostando nada disso. Isso está estranho demais. Ela ia voltar a me massagear e eu me levantei.

- Espera. Aonde você vai? – ela perguntava me seguindo.

Sai, desci as escadas, abro a porta. Vi o Nicolas entrando em um carro com a Julie. Ela me viu e me gritou.

- Daniel, me ajuda.

Corri até ela, mas foi tarde demais. Nicolas já tinha dado partida no carro e se encontrava há distancias da casa.


POV Julie

Depois do primeiro tapa que ele me deu, ele agarrou meu cabelos com força, me fazendo gemer de dor.

- Eu prometi pra mim mesmo que essa história toda não iria acabar assim. Você vai se arrepender de tudo o que me fez. Você e aquele seu namoradinho ridículo.

Ele me deu vários tapas seguidos. Eu já sentia meu rosto arder. Ele deu uma joelhada no meu estômago. Dei um grito de dor, mas ele tapou minha boca. Deu um soco forte em meu rosto. Senti que meu nariz estava sangrando. Nicolas ainda não havia se dado por satisfeito. Me jogou com tudo no chão. Me levantou do chão ainda me puxando pelo cabelo.

- Pára com isso Nicolas. Por favor. – eu disse com a voz embargada pelo choro.

- Ainda não me vinguei. – ele disse. Foi ao celular e falou com alguém. Segundos depois, um carro apareceu. Um cara saiu dele e entregou a chave ao Nicolas. Ele me jogou no carro. Olhei para a porta e vi o Daniel.

- Daniel, me ajuda. – eu o gritei.

Ele tentou alcançar o carro, mas ele já estava em movimento. Nicolas dirigia numa alta velocidade. Achei melhor colocar o cinto.

- Pra onde você está me levando, seu louco? – gritei.

- Pra qualquer lugar. Mas isso não te interresa agora.


POV Daniel

Eu ainda continuava parado no mesmo lugar, mesmo depois do carro sumir, virando a esquina. Virei para aquela garota. Ela me enganou.

- Sua desgraçada. Você estava por trás disso? – eu gritei.

- Desculpa. O Nicolas me pagou muito bem... Eu nem sei o que ele vai fazer.

- Você é uma... – não quis terminar. Não quero me estressar com essa qualquer. – Vai embora daqui... E espero que você fique bem com a sua consciência. – ela se foi.

- Daniel, o que aconteceu? – Pedrinho apareceu.

- O louco do Nicolas levou a Julie para não sei aonde. Precisamos fazer algo. Sinto que alguma coisa vai acontecer.

- Nossa... Vou avisar para a minha tia. Acho que ela pode ajudar. – e correu pra dentro de casa. Eu fui pra edícula. Eu não podia fazer mais nada. Só esperar por qualquer coisa. Eu estava desesperado.


POV Julie

Nicolas ia cada vez mais rápido e aquilo estava me assustando.

- Nicolas. Pára esse carro. Por favor.

- Não vou. E fica quieta.

- Pára agora. Eu estou ficando com medo.

- É bom que fique mesmo. Se você não for minha, você não vai ser de mais ninguém.

Ele dirigia descontroladamente. Desviava e ultrapassava carros sem prudência nenhuma. Olho para trás e percebo que somos seguidos por um carro de polícia.

- Pára Nicolas. Olha lá. É a polícia. Encosta logo. Anda.

- Não.

De repente percebo que Nicolas entrou na contra mão. Um caminhão veio rumo ao nosso carro. Percebi o desespero do Nicolas, ele tentou desviar. Totalmente inútil. O carro capotou e eu só podia gritar. Tudo ficou escuro.


POV Daniel

As horas se passaram e eu ainda não tinha nenhuma notícia da Julie. Já era noite e eu ainda estava sentado na mesma posição no sofá da edícula. De repente Pedrinho entra correndo e chorando. Se ajoelha e chora descontroladamente. Ele me olha e se senta ao meu lado.

- O que aconteceu? – perguntei preocupado, já esperando pelo pior.

- A Julie, Daniel... A Julie... – ainda chorando, ele pausou e respirou fundo. – A Julie morreu, Daniel. – ele disse e me abraçou.

O abracei de volta. Sinto o mundo desabando sobre mim. A razão da minha alegria tinha morrido. Uma parte de mim estava triste, totalmente devastada. Ela era jovem e não merecia morrer. Uma outra parte de mim estava consolada. Ela voltaria como fantasma e poderíamos ser felizes pra sempre agora. Mas essa parte era bem menor, por que o que vai ser triste nisso tudo é não poder vê-la corando, fazendo coisas que vivos fazem. Só espero poder vê-la novamente.

- Mas como foi? – perguntei para o Pedrinho.

- Acidente de carro. O Nicolas estava dirigindo. Ele morreu também. – ele pausou, fungou, procurando cessar o choro. – Eu acho que vou dormir. Não tenho mais forças. Amanhã já é o velório. Boa noite.

- Boa noite. – ele saiu.

Martim e Félix entraram na edícula e viram o meu estado. Contei tudo para eles e eles me abraçaram, me consolando e dizendo que agora só restava esperar a Julie voltar com fantasma. Espero que não demore.


Notas finais
"*Déjà vu é uma expressão francesa, que significa já visto, é usada para indicar um fenômeno que acontece no cérebro da maior parte da população mundial. O termo foi aplicado pela primeira vez por Emile Boirac (1851-1917), um estudioso interessado em fenômenos psicológicos. Déjà vu é quando nós vemos ou sentimos algo pela primeira vez e temos a sensação de já ter visto ou experimentado aquela sensação anteriormente."
se gostara e se não gostaram, deixem reviews, até o próximo e último capitulo......