A Última Chance - J e of
2 Capítulo 2 - Isso dói demais...
Notas iniciais
POV Julie
O que será que meu pai quer falar de tão serio comigo e com meu irmão? Fiquei preocupada quando percebi os olhos de meu pai em mim. Eles me diziam que eu não ia gostar nem um pouco. Eu sempre fui mais frágil e emotiva. Qualquer coisa muito ruim me fazia sofrer demais e meu único consolo era o meu pranto. Preciso chorar pra aliviar a dor que eu estiver sentindo. Minhas lágrimas é minha purificação interna, o que vai limpar por dentro tudo de ruim e colocar pra fora. Me renovar, me deixar, como se diz, “pronta pra outra”.
Pedrinho entra pela porta da sala e vê nosso pai parado no meio da sala.
— Pai. O que aconteceu? – ele disse indo abraçá-lo. – Aconteceu alguma coisa né? Eu to sentindo.
— É exatamente por isso que eu estou aqui. Pra dizer para vocês o que aconteceu. Sinto muito, mas, a mãe de vocês morreu. – meu pai disse. Assim, do nada. Sem preparação, sem pensar, sem nada. Simplesmente disse tudo na lata, sem hesitar. Nem esperou a gente estar preparado psicologicamente para tal noticia. Ele disse isso como se dissesse “Bom dia”. Ele percebeu nossa reação. Viu que nós não íamos dizer nada e prosseguiu. – Bom, a Heloisa estava numa expedição na Amazônia. Ela estava num barco, teve uma tempestade muito forte, o barco virou e... – ele parou. Já não conseguia falar mais nada vendo como nós ficávamos a cada palavra que ele dizia.
— Mas pai, e agora? Como, quando, eu... eu... – Pedrinho tentava falar, inutilmente, embalado pelo choro e pelos soluços agora audíveis.
Eu não conseguia falar, nem chorar. Sai daquela sala, deixando meu pai com uma interrogação gigante estampada na cara. Fui em direção a edícula e lá me permiti chorar o quanto eu podia e quanto fosse que estava contido em minha garganta, que chegava a doer de tanto que eu segurei, de tanto que eu tentei ser forte. Mas não fui. Me sentei no sofá e coloquei minhas mão no rosto e meus cotovelos apoiados nos joelhos. Daniel apareceu do nada e me viu chorar. Ficou visivelmente preocupado e veio até mim no mesmo instante e se sentou ao meu lado.
— Julie? O que aconteceu? Por que você está chorando? – ele disse limpando minhas lagrimas com o dorso da mão.
— Minha... Minha... Mã... Mãe... – eu não conseguia dizer nada. Só conseguia chorar e mais nada.
— Calma. Fica calma, por favor. Respira e me explica com calma. O que aconteceu? O que tem a sua mãe?
Respirei fundo. – Daniel, minha mãe... Ela morreu. – eu disse e outras lágrimas cismaram em cair.
— O que? Nossa, é serio. Puxa. Eu sinto muito. Me deixa te abraçar. – e ele abriu os braços e eu me joguei neles, derramando mais lágrimas e molhando seu terno.
Ele ficou me carinhando, passando os dedos em meus cabelos e me acalmando. Quando consegui parar de chorar, ele me pediu pra contar como aconteceu. Eu disse. E ele voltou a me abraçar.
— Eu sei que é difícil, mas você vai superar. Eu vou te ajudar. – Daniel disse.
— Obrigada. – eu me soltei do abraço e encarei seus olhos.
Seus olhos me olhavam com ternura. Isso me fez, sem pensar, passar os dedos pelo rosto dele em forma de carinho. Ele sorriu. Me apertou em mais um abraço. Eu estava com o rosto em seu pescoço e toda vez que eu respirava no local eu sentia que ele se arrepiava com o toque. Abri um sorriso convencido sem que ele percebesse. Fui me soltando vagarosamente de seu abraço. Meu rosto estava perigosamente perto do seu. Nossas bochechas deslizaram uma na outra até que nossos lábios ficassem a centímetros de distância. Nossos narizes se tocaram e, inconscientemente, fomos nos aproximando. Fechei os meus olhos e vi os dele se fechando também. Senti o toque dos seus lábios. Ficamos num selinho de cinco segundos até que ele pediu passagem com a língua. Eu cedi. Começamos um beijo calmo, sem pressa. Até que o calor do momento pedisse um beijo mais intenso. As línguas estavam afoitas, pareciam travar uma guerra. Aquele beijo estava bom demais. Me deixava sem ar. Nem o Nicolas conseguia me beijar daquele jeito. O Nicolas não conseguia me deixar com borboletas no estômago como estou agora, beijando o Daniel. Eu levei minha mão em seus cabelos e ele fez o mesmo, levando sua mão em meus cabelos e o puxando para si. Mas do nada ele me soltou e se levantou do sofá.
— Desculpa, Julie. Eu não devia ter te beijando. Você está fragilizada, eu não podia ter me aproveitado disso. Desculpa, eu... Eu... – ele disse isso e sumiu.
Ele saiu e nem me deixou dizer que eu queria aquele beijo. Quer dizer, eu não podia ter beijando ele. Eu tenho namorado. Ai, Julie. Você traiu o Nicolas... Quer dizer, não foi bem uma traição, porque o Daniel é um fantasma e... Bom, deixa pra lá. O mais engraçado é o Daniel nem ligou o fato de eu ter namorado. Ele estava mais preocupado com o fato de eu estar passando por um momento difícil e por estar, como ele disse, fragilizada emocionalmente. Pra mim isso o que ele disse foi só uma desculpa pra me beijar. Mas ele parecia mesmo ter ficando sem graça por isso.
— Julie, vem cá, minha filha. Vamos conversar. – meu pai apareceu na edícula. Eu fui com ele.
POV Daniel
Eu estava entrando na edícula e vejo a Julie chorando. Me senti péssimo por vê-la assim. Me aproximei e sentei ao seu lado. Ela me disse que sua mãe havia morrido. Me senti triste por ela. Eu precisava consolá-la. Consolar seu pobre coração que agora sofre. Posso imaginar como ela se sente. Eu também já perdi meus pais. Eu a abracei com todo meu amor e carinho que sinto por ela. Ela estava com o rosto em meu pescoço e respirava ali. Eu estava ficando arrepiado. Nunca tinha sentido um toque seu... Assim tão... Sei lá... De um jeito tão forte e intenso. Quando ela se soltou do meu abraço, nossos rostos estavam muito próximos. Sem pensar, eu agi por impulso. Eu a beijei. Nem me importei com o Nicolas. Eu só queria beijá-la. O beijo começou lento e foi acelerando. Mas, aí, eu parei pra pensar. Ela acabou de perder a mãe e eu estou aqui, a beijando. Ela vai pensar que eu estou me aproveitando desse fato pra lhe roubar um beijo. Ela vai ficar muito brava comigo. A soltei imediatamente e levantei do sofá.
— Desculpa, Julie. Eu não devia ter te beijando. Você está fragilizada, eu não podia ter me aproveitado disso. Desculpa, eu... Eu... – eu disse e sumi logo dali.
Fui pra praça pra pensar em tudo. Lembrei dos lábios doces de Julie. Sorriu contente. Isso me fez pensar em cada segundo daquele beijo. Ela parecia corresponder ao beijo. Mas, é besteira. Ela está com o Nicolas e gosta dele. Não sei o que me fez pensar que ela possa mesmo ter aceitado o beijo. Ela jamais ficaria comigo. Eu perdi. Perdi a Julie pro cretino do Nicolas. E eu tenho que aceitar isso.
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