A Última Chance - J e of
17 Capítulo 17 - Changes happen
Notas iniciais
POV Daniel
Chegamos ao hospital e levaram a Julie para ser atendida. Eu estava muito apreensivo. Queria saber como ela estava. Eu permanecia sentado olhando um ponto qualquer na parede sem piscar. Pedrinho permanecia vidrado no celular dele, ele não desgruda dele por um segundo sequer.
O hospital parecia bem parado. O silêncio era atormentador. Só se ouvi vozes ao longe. O pouco movimento que tinha era de médicos e enfermeiros que passavam por ali, para ir a outras salas atenderem pacientes.
Eu continuava olhando o mesmo ponto vago, totalmente alheio a qualquer acontecimento que estivesse ali ao meu redor. Eu estava preso em meus pensamentos. Minha cabeça estava cheia de coisas, nem sei direito o que. Era tantos pensamentos que era difícil se concentrar em um só. Pedrinho finalmente parou de mexer naquele celular e chamou minha atenção.
— Será que a Julie vai ficar bem, Daniel? Estou me sentido culpado por deixá-la sozinha. Tudo por culpa dos meus caprichos.
— Não é sua culpa. Você estava com fome e a Julie... Bom, ela nós já sabemos que tinha essa vicio. Se não tivesse, não teria problema deixá-la sozinha. Ela vai ficar bem, não se preocupe. – eu disse e ele sorriu.
— Tomara mesmo. – ele pausou. – Eu acho que vou à cozinha do hospital beber uma água. Já volto. – ele disse. Assenti e ele saiu.
Voltei a olhar o mesmo lugar de antes. O nada. Me perdi em pensamentos outra vez. Talvez seja impressão minha, mas parecia que eu estava sentado ali há dias. A demora para dar noticia da Julie estava me deixando nervoso. Nenhum médico aparecia para me deixar mais calmo.
De repente, ouço barulho de algo batendo no chão constantemente. Deduzo ser o salto de sapato de uma mulher e estava cada vez mais perto. Curioso, desvio meu olhar para ver quem era. Para o meu azar, a mulher estava vindo na minha direção. Era aquela mesma mulher do orfanato.
— Oi. O que você é da Juliana?
— O namorado. Por quê?
— Hum. – ele arqueou uma sobrancelha. – Só podia ser mesmo. O namorado, a maior má influência que existe.
— Espera ai. Não sou nenhuma má influência para a Julie. Tanto que eu fui atrás dela para cuidar dela.
— Se fosse boa influência, você teria que ter a feito voltar pra casa. Ou melhor, devia nem ter a deixado fugir. – ela pausou. – Essa menina já nos deu muito trabalho. Felizmente esse “pega-pega” chegou ao fim. – essa última parte ela disse olhando para o nada.
Tenho que concordar com a Julie. Essa mulher é mesmo uma bruxa. Que mulherzinha chata. Já vi pessoas melhores que ela. Ela tem um nariz empinado, toda metida.
— Olha, sem querer ser mal-educado, mas eu não quero ficar ouvindo ofensas ao meu respeito. Você não me conhece para ficar me julgando. E... – ela me interrompeu.
— Não importa. Felizmente, já a encontramos e o irmão. Já vou andando. O seu nome, qual é mesmo?
— Daniel. – lhe respondi.
— Sei. Bom, Daniel, eu vou comer algo na cozinha do hospital, já que ainda não comi nada. Vou ficar por lá mesmo, então se o médico aparecer falando como a Juliana está, vá até lá e me avise. Ok? – eu assenti. Ela saiu.
Fiquei mais uns minutos sentado na mesmo posição, desta vez olhando para meus tênis. Novamente, ouço passos. Não hesito em olhar. Era um médico. Só espero que seja o médico que atendeu a Julie.
— É você que está acompanhando a senhorita Juliana? – e era mesmo. Ainda bem.
Me levantei na mesma hora. – Só eu. Como ela está? Ela está bem?
— Tenho que lhe dizer que não. Ela está medicada e agora está dormindo.
— Se ela não está bem, qual é o estado dela? – eu disse apreensivo.
— Ela teve uma overdose. O estado clínico dela agora é estável, mas ainda não é bom. Acho que, como não foi muito grave, ela vá se recuperar logo. Ela vai ficar se recuperando até amanhã. Eu estava pensando em fazer algo... – ele pára, talvez pensando se me falava ou não. – Bom, depois eu falo o que eu decidi. – um bip tocou, seguido de uma voz feminina, chamando aquele médico para uma outra sala. – O dever me chama. Até depois. – e saiu.
Me lembrei que eu tinha que avisar aquela mulher do orfanato sobre noticias da Julie. Caminhei até a cozinha do hospital. Cerrei os olhos para procurá-la, mas quase não foi preciso, já que foi fácil encontrá-la. Fui caminhando até a mesa em que ela se encontrava e só quando estava chegando perto fui perceber que Pedrinho estava sentado na mesma mesa que ela. Eles conversavam, mas Pedrinho parecia irritado e alheio a tudo que aquela mulher falava. Claro, até eu. Ele está a poucos passos de ser levando a um orfanato, junto com a Julie. Estava claro que ele não queria ir, assim como a Julie também não queria. Mas agora era tarde. Eles não tinham mais escolha. Era ir ou ir.
Pedrinho cruzava os braços e fazia cara feia, a toda vez que a mulher falava algo. Tive que reprimi uma risada, pois a cara que ele fazia era muito engraçada. Ele parecia uma criança de 4 anos fazendo birra. Só faltou se jogar no chão e espernear.
Quando eu estava a poucos metros da mesa, os olhos da mulher e do Pedrinho se viraram para mim.
— Olá, Daniel. Alguma noticia? – ela se levantou.
— Sim. O médico falou comigo agora. – expliquei tudo para ela e ela só consiga arregalar os olhos a cada palavra minha.
— Quer dizer que a Julie já recebe alta hoje ou amanhã, dependendo da sua recuperação? – ela me perguntou, porém, mas parecia uma afirmação, a qual ela já sabia a resposta, pois eu havia lhe dito isso quase nas mesmas palavras.
— Exatamente. Mas o médico me disse que pretendia fazer algo, mas ele não me contou. Seria bom se voltássemos para lá e esperássemos por ele para descobrir o que ele queria.
— Eu acho que sei o que ele quer. – ela disse pegando sua bolsa em cima da mesa. – Venha comigo Pedro. Não quero que fique sozinho, para que não aconteça à mesma coisa da última vez. – ela disse, Pedrinho revirou os olhos, mas obedeceu.
Saímos dali. – Como é seu nome mesmo? – perguntei me virando para a mulher.
— É Valentina. – ela me respondeu.
Continuamos caminhando até na sala de espera eu, Valentina e Pedrinho. E, como eu imaginei, minutos depois o médico apareceu com alguns papeis na mão. Eu não fazia ideia do que era.
— Você é a responsável pela Juliana, Senhorita Valentina? – o médico perguntou olhando para ela.
— Não. Mas a partir de hoje pode se considerar que sim. Trabalho no orfanato. Vou levá-la junto com o irmão para lá. – ela disse apontando para o Pedrinho.
— Ah, entendo. São órfãos. Sinto muito. – ele disse olhando para o Pedrinho. – Bom, eu vi aqui pra falar sobre uma decisão que tomei para o bem da paciente Juliana.
— E qual seria? – eu perguntei curioso.
— Estão vendo esses papéis. – os três assentiram. – Esses papéis são para a internação da Juliana em uma Clínica de Reabilitação. É a melhor opção para ela agora. Ela precisa de tratamento e na clinica ela vai ficar boa, vai se curar desse vicio. Acho que não vai ficar por muito tempo e quando sair vai poder ir ao orfanato. E como a senhorita é a única responsável, eu queria lhe perguntar se está tudo bem ela ir para a clínica. Se não tiver problema, quero que assine esses papéis.
— Não tem problema. Acho melhor mesmo. Eu imaginei que você fosse pedir isso. – ela disse.
O médico lhe estendeu os papéis e uma caneta. Ela os pegou e o médico lhe indicou os lugares para assinar. Ela assinou cada linha pontilhada e entregou os papéis de volta para o médico.
Ele saiu levando as folhas com ele. Eu, Pedrinho e Valentina nos sentamos nos sofás esperando por qualquer coisa. Fiquei pensando na Julie. Acho que será bom para ela passar uns tempos na reabilitação. Espero que ela se cure desse vício. É o que eu mais quero. Que ela fique bem logo e que volte logo para mim. Não a vejo há poucas horas e já estou morrendo de saudade, só de lembrar que ela vai ficar por muito tempo longe de mim.
POV Julie
Acordei depois de não sei quanto tempo dormindo. Me doparam com quilos de remédios e não sei como não morri com isso. Pensando assim me sinto uma hipócrita. Eu estava me drogando e quase morri por causa disso.
Pelo que eu percebi quando acordei, já era manhã do outro dia. Nem acredito que dormi tanto. Isso graças aos remédios. Quando acordei senti vontade de usar drogas. Os médicos me disseram que isso era normal, já que eu já estava viciada. É como se meu organismo pedisse por aquilo como se eu necessitasse de água e comida.
Me disseram também que eu vou ficar internada numa Clínica de Reabilitação. Graças à “bitch” da Valentina que assinou os papéis da minha internação. Eu odiei saber disso. Eu não estava doente para ficar internada. O médico que cuidou de mim disse que vou ficar um mês internada. Um mês. É quase uma eternidade. Sério, eu posso parecer uma louca sem noção, mas é verdade. É muito tempo. O médico disse que é o tempo suficiente para me desintoxicar. É. Talvez ele esteja certo. Preciso me tratar. Nunca mais fui normal depois que comecei a me drogar.
Fiquei sabendo que vou sair hoje e que vou direito para a clínica. Fiquei “bolada” por saber disso. Não achei que fosse ser tão rápido. Aproveitei a malinha que levei comigo para fugir para levar para a clínica. Acho que nem vou usar, levando em consideração que nessas clinicas se usam umas roupas horríveis, parecem até pijamas. Quer dizer, espero que não seja assim, porque pelo menos em filmes era assim.
Eu tinha medo do que pudesse acontecer. Com os tipos de pessoas eu iria conviver. Talvez sejam pessoas ligadas ao crime. Tinha medo de arranjar brigas. Espero que não seja mesmo assim. A porta se abriu. Que ótimo! Era o pessoal da clinica. Eu estava pronta para ir. A partir dali era uma vida nova. Eu espero...
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