A Última Chance - J e of

15 Capítulo 15 - Wherever you will go


Notas iniciais
mais um capitulo...........nem sei se posto amanhã.................sem mais delongas, boa leitura

POV Julie

Aquela senhora foi muito boa em nos ajudar. Descobri seu nome. Ela se chama Ana. Dona Ana cuidou de mim e do meu irmão como se fossemos seus netinhos. Infelizmente iríamos embora hoje. Mas os dias que passamos com ela foram os melhores. Só sei que serem eternamente grata por ela ter nos acolhido tão bem. Ela é uma boa senhora. Eu já tinha lhe pagou pelos dias que fiquei em sua casa. Eu ainda tinha dinheiro suficiente para me virar, junto com Pedrinho. Dinheiro suficiente para fazer besteira também. Acabei encontrando com o Cabeça. Ele me fez comprar droga. Fui fraca, fraca demais. Eu usei. Inconscientemente, acabei exagerando. Meu vício estava incontrolável. Usei mais do que eu conseguia. Tive uma 'Bad Trip*. Perdi totalmente a noção. Felizmente ninguém percebeu.

Como era o último dia que eu ficaria ali, resolvi ajudar Ana nas tarefas. Estávamos na cozinha.

— Você é muito gentil, Julie. Mas não precisava se incomodar. Eu sempre fiz tudo sozinha.

— Imagina, Dona Ana. Faço questão. E, além disso, não custa nada. Trabalho não faz mal a ninguém. Faz até bem.

— É. Nisso eu concordo. – ela deu uma pausa. – E o seu irmão, onde está?

— Ah. Ele deve está no quarto mexendo no computador.

— Sei. Eu não entendo vocês. Os jovens de hoje em dia. Na minha época não existia nada disso. Computador, celular, vídeo-game. Nós nos contentávamos com o que tínhamos, brincávamos na rua, nós machucávamos frequentemente e só íamos dormir bem tarde porque estávamos brincando sob a luz das estrelas. Nossos pais tinham que nos chamar para irmos dormir e ainda íamos reclamando. Não queríamos parar com a brincadeira. Éramos felizes. Eram outros tempos aqueles.

— A senhora tem tanta experiência e tantas estórias para contar. Adoro conversar com a senhora.

— É bom conversar com você também. – ela disse sorrindo largamente.

— A infância é sem dúvida a melhor fase da vida. Às vezes eu queria voltar nessa época.

— Por que Julie? – Ana perguntou sentando numa cadeira e apoiando o braço na mesa. Me sentei também.

Vendo aquela senhora me olhando tão doce, me abalou. Me fez querer abrir meu coração para ela. Senti que podia me confidenciar com ela. Resolvi contar.

— Muitas coisas aconteceram em minha vida, muitas mudanças. Fui obrigada a “crescer” antes da hora. Me tornar responsável. Mas sinto que falhei. Não conseguir ser responsável o suficiente. – ela me olhou confusa. – Acho que a senhora não está entendendo nada. Não é? – ela assentiu. – Bom, acontece que eu e meu irmão ficamos órfãos de pai e mãe. Foi quase ao mesmo tempo. Minha mãe e semanas depois, o meu pai. Eu tinha um namorado e eu fiquei grávida dele. Quando contei para ele, ele odiou e me mandou abortar. – parei por um segundo e a senhora me olhou chocada com essa minha ultima revelação. – No meio de tantas emoções fortes, acabei perdendo o filho. Eu terminei com esse namorado e... – sorri me lembrando do Daniel. – E comecei a namorar com outro.

— E o novo namorado pelo visto te faz muito bem. Não é? – assenti. – Que pena o que aconteceu. Sinto muito. E esse rapaz que te engravidou e não quis assumir é um irresponsável. Tomara que você seja feliz com o atual namorado.

— Tomara mesmo. Ele é muito especial pra mim. – olhei para o anel em meu dedo. Ana seguiu seu olhar para o mesmo lugar que eu, meu dedo.

— É lindo. – ela disse. Sorri.

— É. Estou morrendo de saudades dele. Não o vejo há dias.

— Hum. Tenta falar com ele. – Ana tentava me animar.

— Não é tão simples. A situação é meio complicada.

— Não quer falar sobre isso. – neguei com a cabeça. – Tudo bem então. – ela segurou meu rosto e deu um beijo no alto na minha testa. – Fique bem, criança. – e saiu.

— Vou tentar. – disse baixo. Ela não escutou por não estar mais na cozinha.

POV Daniel

Fazia 4 dias que eu não via a Julie. Eu já estava totalmente louco. Não conseguia mais suportar ficar longe dela. A saudade era demais. Félix e Martim tiveram que me acalmar de qualquer jeito. Eu estava em um ponto que qualquer coisa ia me tirar do sério. Eu precisava ver a Julie de qualquer jeito, ou eu enlouqueceria. Bia me disse que nesses 4 dias, Julie só foi dois pra escola. Bia garantiu que não sabe onde Julie está e que ela não lhe contou nada. Mas eu não iria sossegar enquanto eu não a encontrasse.

Eu estava na edícula caminhando de um lado para o outro esperando que a Bia chegasse na casa da Julie. Ela prometeu alguma informação da Julie. Meus amigos estavam sentados no sofá, não aguentando a minha impaciência.

— Daniel. Relaxa cara. Você está muito nervoso. – Martim disse.

— É. Daqui a pouco você abre um buraco no chão de tanto andar em círculos. – Félix disse.

— Eu não quero relaxar. É da Julie que estamos falando. Não quero ficar calmo enquanto eu não tiver noticias dela e tiver certeza de que ela está bem.

Foi só falar isso que a Bia aparece por aqui. Ela abriu a porta da edícula e fui logo falar com ela, nem esperei que ela entrasse direito.

— E ai, Bia. Descobriu alguma coisa?

— Calma, Daniel. Se eu soubesse que você estava tão ansioso assim teria vindo antes.

— E por que não venho antes então?

— Ih, estressadinho... Se você for ficar me ofendendo, é melhor eu ir embora. – Bia ia sair.

— Não, Bia. Fica. Quero saber se descobriu algo da Julie.

— Tudo bem. – ela pausou. – Descobri que ela alugou um quarto. Mas eu não sei dizer onde é. É o suficiente para você?

— Mais ou menos. Sei saber ao certo o lugar que ela está fica difícil. Mas já que você disse que ela alugou um quarto, eu posso procurar pelas casas alguma placa que indicasse um “Aluga-se um quarto”, sei lá. Você sabe se é nesse mesmo bairro.

— Acho que sim.

— Hey, espera. Eu já vi uma placa dessas numa casa perto daqui. Se quiser, te passo o endereço. – Martim disse.

— Me fala então. – Ele me passou o endereço e saí.

Fui em a direção a casa. Cheguei ao portão. Fiquei pensando se era nessa casa ou não. Senti uma coisa dentro de mim quando vi uma pessoa numa janela. Era ela. Era a Julie e eu tinha certeza. Fiquei mais calmo quando vi seu rosto. Ela estava bem, pelo menos espero que esteja e que nada tenha acontecido. Atravessei o portão. Não sei quem é dono dessa casa, por isso é melhor ficar invisível para que não percebam minha presença. Passei pela porta da sala, vi uma senhora sentada no sofá, vendo algum programa da televisão. Me limitei a não prestar atenção ao que passava e fui procurar em que quarto estava a Julie. Passei por várias portas e ainda não a tinha encontrado. Essa casa era maior do que eu pensava. Do lado de fora, não se percebe que é tão grande.

Como sempre, é lei que se encontrem as coisas, ou no meu caso as pessoas, no último lugar que se procura. Fui até a última porta e atravessei. Julie estava de costas para mim, arrumando suas roupas dentro da mala que ela levara consigo. Resolvi surpreendê-la. Fui até o jardim da casa daquela senhora e pegue uma flor bem bonita. Voltei ao quarto e Julie continuava na mesma posição. Fui chegando por trás dela. Aproveitei que seu cabelo estava preso e passei as pétalas da flor, delicadamente por seu rosto. Ela se assustou, virou pra trás e fiquei visível na mesma hora.

— Daniel... É você mesmo? Me assustou.

— Desculpa. – me aproximei dela e ela me abraçou. A abracei também.

Me soltei dela, lhe dei a flor e encarei seus lábios.

— Cadê o Pedrinho? – perguntei.

— Tomando banho. Por quê?

— Por nada. – dei uma pausa. – Melhor assim.

Diminui o espaço entre nós e selei nossos lábios. Como aqueles lábios me faziam falta. Ficar sem aqueles lábios era a mesma coisa que ficar sem água. Resolvi aprofundar o beijo. Pedi passagem com a língua e ela cedeu. Segurei sua nuca e ela passou os braços por meu pescoço. Ficamos naquele beijo doce por um tempo. Nem lembrei que ela precisava respirar. Fui parando o beijo dando uma leve mordida em seu lábio inferior. Passei a beijar seu rosto, seu queixo até chegar a seu pescoço, deixando mordidas e chupões que, com certeza, deixariam marcas mais tarde. Ouvi Julie gemer baixinho no meu ouvido. Fiquei muito arrepiado e a sensação ficou pior, ou melhor, depois que ela mordeu o lóbulo da minha orelha. Ela estava me deixando louco.

Já estava perdendo o controle. Fui deitando junto com a Julie, tirando a mala de cima da cama. Continuei beijando o pescoço dela, a vendo ficar cada vez mais arrepiada com o meu toque. Voltei para os seus lábios a beijando mais avidamente. Passei a mão por debaixo da blusa dela, a tirando. Desci os beijos pelo seu corpo. Apertei seus seios por cima do sutiã e a ouvindo gemer meu nome de forma sôfrega. Ele tirou meu terno e já desabotoava os primeiros botões da minha camisa. Os botões já estavam soltos e ela passou a mão por meu tronco. Não deu tempo de tirar a camisa e escutamos passos vindo em direção ao quarto. Julie me empurrou delicadamente e vestiu sua blusa, enquanto eu abotoava a camisa e vestia o terno. Por muito pouco não somos pegos. Pedrinho abriu a porta, eu ainda estava sentado na cama e Julie estava muito vermelha.

— Daniel! O que faz aqui? Como encontrou a gente? – Pedrinho perguntou surpreso.

— Oi Pedrinho. Tudo bem? – ele assentiu. Me virei para a Julie. – Vai embora hoje? Vi você arrumando as malas.

— Vou. É nosso último dia aqui.

— E vai pra onde dessa vez?

— Não sei.

— Volta pra casa então. A mulher do orfanato foi na sua casa. Ela ficou uma fera quando percebeu que vocês fugiram. Disse que ia mandar procurar por vocês. – Julie fez uma careta. – Essa senhora que alugou o quarto pra vocês parece bem simpática.

— Ela é bem legal. É uma boa mulher. Senti falta de uma figura materna. Dona Ana meio que foi essa figura materna, mesmo tendo a idade para ser nossa avó. Vou sentir falta dela.

— Fico feliz em saber que você ficou bem.

— É. – Julie fez uma cara entranha e abaixou a cabeça. Não entendi o motivo.

— Que foi? Aconteceu alguma coisa?

— Não... – ela respondeu rápido. – Não aconteceu nada. – Julie parecia um pouco nervosa na hora de responder.

Fiquei conversando mais um tempo com ela e ela se foi de novo. Dessa vez resolvi segui-la. Ela não recusou e fomos em busca de um lugar para ela ficar.

Notas finais
*Bad Trip, em tradução livre, significa "Viagem Ruim".Representa as sensações fisiológicas e psicológicas desagradáveis provocadas pelo uso de substâncias psicoativas durante os efeitos psicotrópicos. Podem gerar desconforto físico forte e, se não controladas podem causar alucinações perturbadoras, dores no corpo, aumento da freqüência cardíaca, medo, pânico, despertar fobias, e causar até psicoses agudas em pessoas mentalmente instáveis naturalmente.Ou seja, a pessoa fica crazy kkk...........
Enfim, se gostaram e se não gostaram deixem reviews......até o proximo capitulo