A Última Carta
2 Quem vai me parar?
Notas iniciais
Jesse J. Wright
E no dia seguinte, toda escola já falava sobre Mason e sua nova namorada. Ou a velha namorada que eu não lembrava. Charlotte não tinha ideia de quem Mason havia se tornado, mas mesmo com todos os alertas, eu jamais seria capaz de convencê-la a ficar longe dele. Afinal ela não desejava, Mason não era o tipo de homem que costumava levar foram com frequência, na verdade, não que eu me lembre dele ter levado um.
– Sabe o quão idiota isso parece não é? – Marko disse tirando o cigarro da boca. – O seu irmão é um pateta alado.
– E isso chega a ser uma novidade desde quando? Não é você que o suporta todos os dias. – eu rebato ferozmente. Puxo a camisa para ajeitá-la, tinha cavas longas abaixo dos braços, deixava meu peitoral aparecer. Gostava daquela camisa, não queria que ela fedesse a cigarros.
– É a primeira semana de aula, qual o objetivo de dar uma festa?
– Não importa qual o objetivo, tenho certeza que você irá. Se não morrer de cancêr nos pulmões até lá...
– Cale a boca! – gargalhamos.
Marko e eu somos amigos de longas datas, de anos complicados. Fumamos e bebemos juntos durante grande tempo, mas depois de um tempo na reabilitação, encontros casuais para beber são o suficiente para mim. Marko era de confiança, e não era tão fácil ganhar a dele. Compartilhavamos até os inimigos.
– E essa garota, Charlotte... Quanto tempo até o Mason chutá-la?
– Não me preocupo com o tempo. Me preocupo se vai sobrar alguma coisa para ele chutar ou se vai acabar com ela no caminho.
– Ela não parece com as ultimas namoradas que ele teve. Não parece ser uma garota... fácil, se é que me entende.
– Não acredito que ela seja. Mas Mason deve ter algum interesse nessa garota.
– O que anda dizendo? Que é um novo homem? Que idiota cairia nesse discurso?!
– Talvez a Charlotte. – disse Nik se sentando ao lado dos dois. – Jesse, você sabe como esse filme termina. Agora teremos dois Dean Wright em casa!
– Não deixarei Mason levantar a mão a nenhum de nós! Mas não conte comigo para interferir em seus planos diabólicos. Deixe-o festejar, o ano acabou de começar.
Eu me levantei e voltei para dentro de casa. Fui até a bancada da cozinha e olhei o calendário, nos aproximavamos do inverno. O frio chegava a temperaturas negativas, que me dão arrepios, nesses meses, contumava me agarrar às fronhas e dormir o dia todo. Mas hoje em dia, tenho que suportar cada dia sabendo que minha família, mesmo que torta, precisa de mim. De qualquer forma, todos naquela casa ainda são a minha família. Eu pego uma cerveja na geladeira e volto para fora, quando vejo Nik e Marko ainda conversando sobre algo que não consigo captar. Quando me aproximo, eles se silenciam.
– Devo perguntar? – eu sorrio entregando a garrada a Marko.
– Acho que não... – Marko diz ainda olhando para Nik, que dá uma gargalhada.
– Sobre o que estavam falando? Digam logo.
Eles se entreolharam mais uma vez e por fim disseram.
– Mulheres. – nós trés caimos na gargalhada.
– Se quer saber de alguma coisa, pergunte ao Mason!
– O tipo de coisas sobre mulheres que Mason entende, qualquer homem é capaz de entender. Nunca aprendeu a tratar bem uma. – Nik disse em tom sonele, quando eu me dou conta que Mason está bem atrás dele.
Marko para de rir e nós três voltamos a nos entreolhar. Mason dá três longos passos e fica diante de Nik com um olhar furioso e braços cruzados. Eu temo por Nik, mas me contenho e espero Mason dizer alguma coisa.
– Se disser algo parecido outra vez, enfiarei sua lingua garganta a baixo! – Nik se encolheu mais a cada palavra que Mason proferiu. Eu agarrei a garrafa de cerveja com força, me contendo para não arremesá-la em sua cabeça. Mason passou a mão nos cabelos, repetidas vezes, nervoso, e eu pude sentir seu desconforto. – Vai fazer diferença se eu disse que gosto dela?
– E por que você gostaria alguém? É incapaz de demonstrar afeto com sua família, imagine com uma mulher. Não a destrate por achar que você é meio homem do que diz ser.
Mason me agarrou pela camisa e eu segurei a dele. Nós dois ficamos cara a cara, mas eu tinha a vantagem de ter uma garrafa na mão. Eu pensei em usá-la, mas desisti da ideia por causa da presença de Nik, que se levantara e encarava Mason, pronto para reagir também.
– Se eu vir à sombra de algum de vocês hoje à noite, – ele me soltou e larguei a garrafa no chão, se quebrando. – Vou expulsá-los aos chutes.
– Como queira!
Eu entro de novo e dessa vez vou batendo a porta e arremessando cigarros. Mason não me segue, ele dá as costas e volta para sua moto, seguindo seu caminho. Nik se levanta e eu bato com os punhos na bancada da cozinha. Eu estava prestes a explodir a casa inteira, e colocava as mãos na cabeça tentando me acalmar, quando Nik se aproximou com Marko e ambos tocaram meu ombro.
– Me deixem em paz. – eu digo me desvencilhando.
– Qual é Jesse, você conhece o Mason. Ele só estava sendo ele mesmo, o idiota que nós conhecemos. – Nik começa, mas cada palavra que sai de sua boca, só me irrita mais.
– Não esquenta com isso, sempre damos um jeito de ignorá-lo... – as ultimas palavras de Marko foram o que faltavam para a minha bomba explodir.
– Ignorar?! – eu berro. – Acha mesmo que sou de jogar a sujeira para debaixo do tapete?! Olhe essa casa! Olhe em volta, Marko! Tudo nessa casa é um lixo, nós somos um lixo, e você, Nik... Eu me lembro de cada surra que tomou do papai, e eu estava lá para te defender. Quer mesmo que o Mason seja o próximo Dean Wright? – eu suspiro. – É isso que vai acabar acontecendo.
– Não temos nada de parecido com Mason, Jesse. Ele pode se transforamar no monstro, mas nós não podemos.
– Olha, eu vou dá um fora. – Marko joga o cigarro em cima da bancada e dá as costas.
Eu avanço em cima dele, mas Nik se coloca no caminho e me segura.
– Seu idiota! – eu digo e começo a xingá-lo.
Depois, quando começo a me desestressar, eu e Nik subimos para nossos quartos e tracamos. Eu tento fazer de tudo para relaxar, mas continuo uma pilha. Tudo que o Mason consegue, ele consegue sendo um idiota, e mesmo assim ele não deixa de conseguir. Garotas, dinheiro, respeito... Ele introduz medo nas pessoas e as faz de objetos ou escada para alcançar seus objetivos. Mason era podre.
Eu me deito na minha cama e seguro com toda força, meu caderno. Minha mãe trabalhava muito, e costumava viajar bastante. Todos os dias, ela escrevia cartas para mim e Mason. Eu sempre respondia, mas Mason não era tão habilidoso com palavras, e esperava ansiosamente pelo retorno dela, para que pudessem conversar ou passar um tempo. Eu me lembro que naquela época, ele era o meu Nik. Matavamos e morriamos um pelo outro, um laço forte que mantinhamos, inclusive por causa das grosserias do meu pai. Ele bebia demais e sempre descontava em nós. Minha mãe o detestava por isso e sempre que podia, nos levava em suas viagens. Mason adorava isso. Foi uma das coisas que o destruiu depois da morte dela, a falta de sua companhia constante, o destroçou. Tento compreendê-lo, mas ele era podre demais para isso. Ele não merece compreenção.
– Eu queria que pudesse estar aqui mãe. – disse no vácuo. Apenas ouço minhas palavras de súplica ecoarem no vazio. Minha mãe era meu porto seguro, e agora, tudo que eu tenho são velhas cartas...
Charlotte Mayhew
Eu pego uma dos meus melhores vestidos e me olho no espelho. Ainda não estava bom o sufiente... Precisava ser algo que impressionasse. Mason é extremamente atencioso, algo me diz que a reputação dele, não combina exatamente com o que ele tem demonstrado ser comigo. Não sei quanto tempo até eu confirmar isso, mas me arrisquei em ir contra os conselhos dos meus pais, e engatar um namoro com um garoto que provavelmente não irá tão longe para buscar algo na vida. Mason não parece ser o cara que vai para faculdade por mérito academico, mas talvez por uma bolsa de esportes. Mason parecia meio sem rumo.
– Ele chegou, querida. – ouço minha mãe dizer com desgosto do quarto. Minha mãe definitivamente não gostava nada do Mason.
– Deixe-o subir... – eu digo calmamente, mas minha mãe ergue imediatamente as sombrancelhas me repreendendo.
– Aqui? No seu quarto? Sozinhos nem pensar!
– Mãe, não faria nada de indecente em casa... – ela continua com as sonbrancelhas erguidas, assustada. – Nem em lugar nenhum! Por favor, é uma chance de mostrar que ele também é educado.
– Que o seu pai decida.
Meu pai nem levantou os olhos. Eu fui atender a porta e assim que a abri, Mason tirou as jaquetas e me puxou para perto em um beijo meio indecente. Eu me desvencilhei e sorri, mas ele continuava tentando me agarrar.
– Mason! Guarde um pouco para festa... Vem comigo. – ele nada disse quando entrou. Ele olhos e acenou para os meus pais e subiu as escadas comigo até o meu quarto.
– É aqui que a festa vi começar é? – ele pergunta sorrindo maliciosamente.
– Me ajude a escolher uma roupa!
– Como vou saber o que fica bom em você? Vista qualquer coisa que tá legal. Ou não vista nada e fique comigo. – ele me beijou.
Aqueles beijos loucos que me deixam até com uma certa dor na cabeça. Eu me afastei e sorri dele, e ele também sorriu de volta.
– Chegou cedo... Não era só as oito?
– Os manés dos meus irmãos e mais um amigo otário deles, resolveram me ensinar boas maneiras. Como se eu precisasse das lições de moral de merda deles.
– Bom... – eu suspiro e aliso os cabelos dele. – Não seja idiota com o Jesse. Eu acho ele legal.
– Você acha o que? – Mason tira minhas mãos do seu cabelo e fica severamente irritado. – Não fale com ele! Na verdade, não me diga o que fazer! Não quero você perto dele!
Ele me assuta por um momento. Eu não digo nada, apenas recuo, quando meu pai abre a porta e o encara furioso, depois confere a minha expressão e tenta se acalmar.
– Tudo bem ai? Que gritaria é esse?
– Tudo bem pai, não estávamos discutindo. – eu digo sorrindo amarelo. Mason ainda me olha com raiva e meu pai não gosta. – Pode ir, estamos bem.
Ele fecha a porta com insegurança, hesitando, mas finalmente sai.
– Não fale com o Jesse. Se você está comigo gata, tem que respeitar as minhas regras.
– As suas regras? – eu quase fico chocada. – De que coisa doentia está falando?
– Só porque estamos transando você não tem o direito de se meter na minha familia, fui claro? Você. Longe. Do. Jesse. – ele me puxa e me beija. – Você é minha.
Jesse J. Wright
Quando escuto o barulho das caixas de som e de carros correndo para o final da rua, sei que a festa começou. O Sully, amigo do Mason, mora de aluguel e sempre oferece sua casa para os eventos. A casa tem um grande jardim e psicinas, já estive lá várias vezes e sei como as festas ali funcionam. Muita bebida, muita sacanagem, ás vezes muita droga, mas ninguém deixa de se divertir po nada disso. Mason dá as melhores festas, tenho que admitir. Mas eu espera adormecer antes que começasse a me preocupar com o que possivelmente poderia estar acontecendo lá.
Eu resolvo descer e pegar uma cerveja. Abro a garrafa na bancada e pego o cigarro velho de Marko que havia ficado ali e jogo na lixeira. Quando sento no banco, ouço bem no fundo da música, o som da campainha de casa. Eu me levanto e olho para porta, mas não vejo ninguém. Penso que havia sido coisa da minha cabeça, mas o barulho volta. Resolvo me aproximar e assim que fico a um passo da porta, o rosto que está por trás do vidro, me faz abrir a porta num reflexo de susto tão rapido, que quase largo a garrafa no chão.
– Valerie? – uma das ex-namoradas de Mason, minha grande amiga de infância e companheira, já não via ela há alguns meses. – O que aconteceu com você?
O rosto dela parecia inchado e vermelho, como se estivesse andado chorando muito. Seu olhar era assustado, mãos trêmulas e parecia em estado de choque por alguma coisa. Eu a trouxe para dentro e lhe dei agua, já que não entendia a linguagem confusa que ela falava. Ela estava tão tensa que nem o conforto dos meus braços conseguiu acalmá-la.
– O que está acontecendo com você...?
– Jesse, por favor, – ela dizia no meio dos soluços de choro. – não pode contar a ninguém o que vou te dizer. Não pode!
– Eu não diria, mas por favor, também não me deixe completamente no escuro! Preciso saber o que está acontecendo. Sumiu por três meses!
– Não foram três meses, foram algumas semanas... Ninguém notou a minha falta.
– Você a capitã do time de futebol, seria impossivel não notar. E você sumiu as férias inteiras e faltou as primeiras semanas de aula. Foram meses! E eu quero saber por quê.
– Jesse... Você não pode contar ao Mason.
– O que o Mason fez dessa vez? – eu levei a mão á cabeça esperando ouvir alguma barbaridade ou escrotidão característica do meu irmão.
Mas Valerie apertou a minha mão cada vez mais forte, eu a olhei e senti que algo estava errado. Não se tratava de apenas algo que “desculpas” pudessem concertar. Via que a ferida era muito mais profunda que isso, via quando olhava para Valerie. O desespero dela, se transformava no meu a cada segundo de espera por uma resposta.
– Diga logo!
– Eu estou grávida do Mason.
Foi como um soco no meio da cara. Eu arregalei os olhos, mas nada me passava na cabeça. Foi quando eu percebi que havia acabado de ouvir que meu irmão seria pai.
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