A Última Carta
3 Confissões
Notas iniciais
Jesse J. Wright
Eu abraço Valerie, suas lágrimas caem desesperadamente do seu rosto e eu também não tenho a menor ideia do que fazer. A raiva que eu tinha por Mason ter deixado isso acontecer, era absurda! Ele e Valerie namoraram, entre idas e vindas, por muito tempo e eu me recordo da forma grotesca que ele a tratava. Não acho justo que fique por isso mesmo, mas também precisava ter certeza absoluta que isso não era mais uma história. Valerie nunca foi das meninas mais difíceis de se levar aonde todo homem que chegar, eu tinha as minhas duvidas.
– Você tem certeza?
Ela puxou do bolso, com as mãos tremendo um teste de farmácia e eu gelei. Com certeza aquilo era um positivo. Eu me lembro de ter assistido uma ex namorada da sétima serie fazer um, e nunca comemorei tanto por ver um palitinho com um traço azul.
– Não pode contar pro Mason! – ela insistiu mais uma vez.
– Valerie, se ele é o pai, precisa saber. – eu balencei a cabeça nervoso. – Os seus pais sabem?
– Por favor, Jesse! Eles também não podem saber!
– Por quanto tempo acha que vai esconder isso? Quando sua barriga começar a crescer, todos vão saber.
– É por isso que eu estou aqui...
– Você não está pensando em... – eu a encaro assustado, mas seus olhos a entregam. – Não vou deixar você fazer isso!
– Jesse, se eu não fizer, minha vida acabou!
– É exatamente isso que Mason te diria para fazer. Pense bem Valerie, é um filho, você pode ter. Não vou deixar você fazer nenhuma besteira.
Ela começa a chorar de novo e segura a minha mão com força, depois recupera as forças e recomeça.
– Quando Mason descobrir, vai me matar, Jesse! Por favor, me ajude.
– Não vou deixar nada acontecer com você! – eu ponho a mão no seu rosto e mexo em seus cabelos. – Eu vou te ajudar com o que você precisar.
Eu seguro sua mão e abraço. Valerie ainda chora um pouco, mas eu a acalmo e sugiro que ela volte para casa de taxi, não queria ela dirigindo naquele estado. Eu fico completamente sem norte, não tem a menor condição de sustentarmos mais um com o meu pai roubando dinheiro para se drogar. Eu sentei no sofá e comecei a pensar no que fazer... Não sabia nem para onde correr.
Quando eu achei que nada podia pirar, meu pai chegou. Ele praticamente levou a porta com ele quando entrou e eu me levantei prontamente. Eu vi a garrafa em cima da bancada da cozinha e temi pela reação do meu pai.
– Bebendo a minha cerveja?! – ele berrou. – Seu bastardo estúpido!
Eu ouvi os passos de Nik descendo a escada correndo e sabia que era ela, pois gritava meu nome. Anne com certeza não demoraria a aparecer.
– Fale baixo. – eu disse ao meu pai. Estava chapado com alguma coisa pesada, seus olhos eram mais vermelhos que sangue.
– Como é? – ele me olhou atravessado. – Como é?
– Abaixe seu tom de voz para falar comigo.
– Seu moleque atrevido!
Meu pai me agarrou pela camisa e me jogou porta a fora. Ele agarrou a garrafa e bateu com toda a força nas minhas costas. Eu olhei para cima e ele estava se aproximando para desferir mais algum golpe sobre mim. Eu me defendo dos primeiros, mas ele me acerta dois socos no queixo e eu fico atordoado.
– Jesse! – eu ouço a voz de Valerie.
Eu me desespero por ela ainda estar aqui. Eu olho para os lados tentando localizá-la e quando finalmente faço, sou atingido por mais um soco.
– Fica ai! – eu grito para ela.
Nik a puxou para longe de mim e Anne a segurou em seus braços. Nik tentou tirar meu pai de cima de mim, mas sem muito sucesso. A multidão da festa agora corria para ver a confusão que se instalava. As pessoas gritavam horrorizadas por me verem apanhar e sem conseguir revidar. Logo, eu vejo o rosto de Charlotte, vestida com a camisa de Mason e a boca coberta, apavorada. Mason sai de trás da multidão e parte para cima do meu pai.
– Já chega! – ele segura meu pai.
Nik pega o telefone e liga para polícia imediatamente, mas Mason começa a gritar ainda mais puto da vida. Meu pai desistiu de me bater e entra em casa como se não tivesse feito nada de errado.
– Seu otário! Está cheio de menores aqui! – Mason aponta para a multidão de festeiros com copos de cerveja na mão sem ter idade para isso. – Me dá essa merda. – e ele puxa o telefone da mão de Nik.
Valerie se ajoelha ao meu lado e tenta me ajudar, mas não há nada que ela possa fazer. Ela continua acarissiando meu rosto e tentando me mntar acordado, mas a cena faz com que Mason fique louco.
– O que você está fazendo aqui? – ele olha para Valerie, que não diz nada. Se levanta e depois vai embora.
–---------------------
Agradeço pelo final de semana ter acabado e levanto bem cedo para ir a escola. Acordo Nik, mas passo direto pelo quarto de Mason, eu mal conseguia olhar na sua cara sem ficar puto de raiva. Eu saio com Nik mais cedo e marco de encontrar com Valerie no primeiro horário, mas não digo nada ao meu irmão.
– Até mais Jesse! – ele diz entrando como sempre.
Eu avisto Valerie de longe e ela acena para mim. Aquele uniforme sexy de lider de torcida e passo segundos viajando nela. Eu me aproximo e ela sorri radiante e pula nos meus braços. Suas amigas se juntam para começar a fofocar alguma coisa que eu não capto, mas também não ligo.
– Finalmente! Será que podemos conversar em um lugar mais...
– Reservado? – eu completo olhando para suas amigas.
– Elas pensam que estamos juntos.
– Isso pode atrair muita atenção. Ter Mason atrás de você agora, não é a melhor opção se você ainda não tomou aquela decisão.
– Sei o que ele vai dizer, Jesse... Mas eu não sei o que fazer.
– Não pense muito nisso agora. Quando souber o que fazer, me diga. Mas você sabe o que eu penso... Mas não posso decidir por você.
– Obrigada Jesse.
Ela me dá um beijo no canto dos lábios e depois eu dou de costas, aceno e entro. O sinal toca assim que ponho os pés na sala, o primeiro horário era laboratório de ciências, e eu sento do lado de Marko. Fazemos dupla desde que eu me entendo por gente, era prático sempre estarmos juntos. Eu jogo os cadernos na mesa, mas o professor me olha com repreensão.
– Hoje vamos fazer uma coisa diferente. Vamos mexer nessa sala! – quando ele diz isso, meu estômago se revira. – Vão ter novas duplas.
Eu me recusaria a sentar ao lado do Woods. Eu não suportava aquele palhaço, fora o Marko, ninguém naquela sala merecia a minha atenção.
– James Wright! – ele me chama e eu o encaro com arrogancia. – Pode se sentar com a Srta. Mayhew.
Eu gelo. Eu não conseguiria sentar ao lado de Charlotte. Não tinha como não fingir que sabia que Mason seria pai do filho da sua ex-namorada, e que ela também precisa saber. Tinha que ter certeza que ela não seria a próxima, mas também, não podia contar nada a ela. Meus olhos se enconraram com os dela e senti uma arrepio. Eu pego minhas coisas e sento na mesa dela.
– Ei... Parece que está melhor. – ela diz apontando para as cicatrizes na testa e na boca. – Tudo bem Jesse?
– Tudo ótimo. – eu digo pálido.
Eu não tinha foco naquela aula. Olhava para o relogio, batia o pé no chão, olhava para os catos e mordia o lábio. Estava torcendo para a aula acabar e Charlotte não me perguntar nada que tivesse a ver com o meu irmão. Eu estava gelado, eu sabia.
– Mason me falou sobre aquela garota, Valerie... Vocês são amigos? – quando eu escuto a pergunta, meus olhos se arregalam, mas eu me mantenho firme.
– Somos. – eu digo sem olhar para seus olhos.
– Ela não é afim do Mason não, né? Não que eu esteja com ciumes, mas... Sei lá, a forma como ela olhou para ele foi estranha! Você viu como o Mason reagiu? Ele está mais estranho ainda.
– Estranho como?
Eu voltei minha atenção para Charlotte e ela se encolheu.
– Bom, ele ficou desconfiado sobre algo, não me disse. Falou que tentaria falar com ela hoje sobre algum outro assunto... Ele não pode estar me traindo depois...
– Você transou com ele? – eu perguntei um pouco algo alto demais e todos nos encararam.
Charlotte ficou tremendo de raiva, mas assentiu no final, quando todos desviarm os olhares. Eu tive desgosto de saber daquilo, mas pulei da cadeira quando a aula terminou. Ela veio atrás de mim, mas eu corri até Valerie que estava na sala do lado. Charlotte tentava entender o que estava havendo. Mason e Valerie eram da mesma sala.
Valerie estava sentada na mesa com duas amigas e o resto da sala todo olhando para sua barriga de fora. Quando vejo Mason se levantar e se aproximar dela para falar alguma coisa, passo na sua frente e a beijo. Valerie não tem reação, mas todos prestam atenção no momento em que nossos lábios se tocam. Quando eu me afasto, Mason pega suas coisas e sai da sala ladeado por Charlotte.
– Desculpa, mas era preciso. – eu sussuro no ouvido dela que continua paralizada.
– Te vejo depois da aula! – ela diz ansiosa.
Eu saio da sala, mas assim que ponho o pé fora, alguém me agarra e me joga contra o armário. Eu vejo os olhos furiosos de Mason me encarando e suas palavras sairam secas.
– Não sei o que é que você quer, mas vou logo avisando: Um passo para perto da Charlotte e eu quebro você, mas se fizer alguma coisa com a Valerie, mato você! Fui claro?
– Tire suas mãos de mim, Mason.
– Fique longe da Valerie, ela não é pra você.
– Uma pena! Estamos juntos, agora engula isso. Não vejo como minha vida pode ser da sua conta... Me ameaçe outra vez que quem pode acabar com problemas é você. Cuidado Mason!
E eu dou as costas vitorioso. Mason com certeza estava fervendo de raiva, e estava cheio de perguntas na cabeça, eu aposto. Mas eu tinha uma certeza: Mason nunca conseguiria ser um bom pai, mas... E se eu fosse?
Fale com o autor