A Última Canção

1 Capítulo único


Notas iniciais
SPOILER:
Acontece depois que Jin saí da prisão.

As grossas gotas de chuva caíam sobre o guarda-chuva. O dia cinzento não o impediu de ir até cemitério e, na verdade, parecia combinar com o seu espírito. Estava triste e a chuva substituía o seu choro. Não havia mais lágrimas dentro dele depois de tudo. Apenas as lembranças e a saudade.

Akanishi Jin chegou ao hotel em que estava hospedado. Yamapi e ele não poderiam voltar para o apartamento em que moraram tanto tempo. Precisavam sair do país o mais rápido possível, mas haviam alguns detalhes a serem resolvido. Enquanto isso, ele ia ao cemitério todos os dias.

O quarto estava vazio e Jin não gostou. Não se sentia bem enquanto Yamapi andava pelas ruas, temia que Nagase ou algum integrante da Matsuoka-gumi o encontrassem. Só se sentiria seguro em relação à vida de Pi quando estivessem fora do Japão. Mas Pi era teimoso, quem poderia acreditar que ele obedeceria a ordem de ficar trancado em um quarto de hotel enquanto Jin ajeitava tudo para a viagem deles?

Deixou o guarda-chuva em um apoio ao lado da porta. Também retirou a jaqueta que vestia, deixando-a pendurada na porta. Precisava se aquecer. Abriu o frigobar, não havia mais nenhuma bebida ali. Yamapi e ele acabaram com o estoque na última noite. Pensou um pouco mais e então se lembrou de uma garrafa de vinho em um dos armários na cozinha. Serviria. Pegou a taça e a garrafa no armário e depois seguiu para a sala. Ligou o rádio e, enquanto enchia a taça com o líquido rubro, ouvia a voz a voz vagarosa e doce de Tegoshi Yuya.

– Konbawa... Tegoshi Yuya desu e este é o nosso programa Tego-nyan. Hoje, nós teremos como convidado especial o astro dos doramas Miura Haruma.

Um raio cortou o céu, iluminando a cozinha com aquele tom azulado e pouco depois o forte estrondo se fez ouvir. Jin estremeceu e olhou preocupado para a janela. Não gostava muito de tempestades, ainda mais quando estava sozinho. Sentia como se a tempestade deixasse ainda mais evidente a sua solidão. Odiava a solidão. Esfregou um braço, sentindo-se triste. Tomou um gole de vinho.

– Conversaremos com a dermatologista Ishigashi Yooko sobre dicas para ter uma pele saudável e, ainda, uma novidade que quero compartilhar com vocês agora. – Tegoshi soltou um risinho cúmplice.

Acomodou-se no sofá, as costas em uma almofada apoiada no braço do sofá. Esticou seus pés sobre os assentos e levou a taça novamente aos lábios pensando que a voz de Tegoshi podia ser um bom calmante e isso não combinava muito com a personalidade possessiva e ciumenta que Jin sabia serem características dele, embora o conhecesse muito pouco.

Algumas vezes o viu sair da Casa de Show junto de Pi, mas nunca pensou que eles pudessem ter um relacionamento mais afetuoso. Foi uma surpresa descobrir a consideração que seu amigo tinha por aquele rapaz. Encheu a taça mais uma vez.

– Na semana passada, Massu gravou o seu solo do nosso próximo álbum e, nesta semana, gravei o meu. Por favor, gostaria de pedir que abrissem o coração para a última letra escrita pelo famoso cantor Kimura Takuya.

O seu coração doeu. Sentia-se péssimo em saber que tinha sido a isca para atrair Takuya. Ainda que Nakai-san o consolasse dizendo que o encontro aconteceria de um jeito ou de outro, uma vez que Takuya estava disposto a isso, o motivo não era importante, Jin não conseguia deixar de se culpar. Como não se sentir culpado? Ele esteve o tempo todo ao lado de Kimura. E não foi capaz de perceber que algo o incomodava, que estava com problemas graves, nunca quis ouvir suas preocupações, sempre absorto por completo no amor que estavam vivendo ou se deixando magoar intensamente com as brigas a ponto de não perceber que ele estava se despedindo... Não prestava atenção em mais nada. Virou a taça e bebeu todo o conteúdo. Que dor horrível, como acabar com ela?

– É uma letra sobre o amor. Gostaria que todos escutassem, por favor... Dore dake aruitekitan darou?

Furimuitara namida no ato

Kizutsuke kizutsuki tadoritsuita basho

Ima koko ni kimi ga iru

Essa Coisa Chamada Amor

O quão longe nós caminhamos?

Se eu virar, você verá o caminho das minhas lágrimas

Chegando no lugar onde nós nos ferimos e fomos feridos

Eu estou aqui agora.

Outro trovão. Ele se assustou mais uma vez. Tomou um grande gole de vinho direto da garrafa. A tempestade parecia mais forte lá fora. Jin preferiu se concentrar naquela letra. A letra dedicada a ele.

– Takuya... Você veio me proteger, né? – não pode deixar de sorrir.

Aquela não era a voz do seu Takuya, mas a composição era dele. Aquela letra era para Jin. Aquelas palavras cantada por Tegoshi era o amor de Takuya por ele.

Quando ele acordou, a primeira imagem que viu foi as costas morenas de Takuya. Ele estava deitado de lado na cama. Rabiscava algumas palavras num papel, enquanto a outra mão apoiava a sua cabeça. Um cigarro estava preso em seus lábios e ele parecia animado com o que estava escrevendo.

Jin anunciou que estava acordado deixando suas mãos escorregarem pelo peito de Takuya quando o abraçou. A voz rouca de Kimura lhe desejou bom dia.

O que está fazendo? – quis saber, apoiando seu queixo no braço dele, tentando espiar.

Uma música.

Para mim? – brincou.

Para você. – ele parecia sério, o que fez o coração de Jin saltar.

Ehhh? De verdade?

Verdade.

Deixa eu ler?

Não. Ainda não está pronta.

Não tem problema.

Kimura virou o papel para esconder o que tinha escrito. Notou que Jin estava se inclinando para tentar roubar a folha, mas ele o impediu erguendo seu corpo.

Se é para mim, não tem problema eu ler antes!

Claro que tem, não está pronta, você não me ouviu?

– Mou~... Quero ler!

– Mou~ – ele tentou imitar o mais novo para zombar – Como você é mimado, Jin!

– Deixa eu ler!!

Kimura se virou rápido e Jin mal teve tempo de reagir quando ele o empurrou de volta ao seu lugar na cama. Quando piscou, o mais velho já estava por cima de si, segurando seus pulsos, olhando-o daquela forma intensa que somente Takuya podia fazer e que mexia instantaneamente com seus sentimentos.

– Agora... Onde você está, Takuya? Você está bem? Você pode me perdoar?

Ele dobrou uma perna para apoiar o cotovelo, enquanto a mão segurava sua franja com aflição. O que mais doía era ter a certeza de que Takuya o perdoava... E ele não podia nem ao menos agradecer. Da forma que fazia Takuya o homem mais feliz. Não poderia mais ser a razão do sorriso naqueles lábios carnudos ou o brilho naquele olhar intenso. Não poderia mais lhe dar prazer.

E ele queria tanto. Sentia tanto a sua falta. Levou a garrafa novamente à boca. O líquido escorreu pelo canto da sua boca e ele a limpou com as costas da mão. Fechou os olhos, desejando ardentemente sentir o calor de Takuya... Mais uma vez.

Ai nante

Kimi dake sa

Itsudemo motome sugite

Ai nante

Kimi nashi ja imi nai yo

Ikirarenai

Essa coisa chamada amor,

Só você

Eu sempre peço muito

Essa coisa chamada amor

Não tem sentido, sem você

Eu não consigo viver

Aproximou-se da janela segurando a garrafa com as duas mãos. Seu olhar era desorientado. Ignorou o seu reflexo no vidro e observou as luzes de Tóquio. Escurecia lá fora, a noite estava chegando e a tempestade apenas intensificava o breu. O negrume estava vindo em sua direção.

– Você vai me amar para sempre?

Jin olhou ansioso para o rosto de Takuya, que não se alterou. Eles estavam deitados no sofá da sala do quarto de motel em que estavam se encontrando ultimamente. Jin estava esparramado no peito de Takuya e este apenas brincava com os dedos finos e cumpridos.

Esses repentes sérios e tristes que atingiam o mais velho o irritavam profundamente. Gostava que ele sorrisse, gargalhasse e sempre fosse feliz quando estivessem juntos. Esse era o motivo de estarem juntos. Esquecerem as realidades em que viviam. Mas, de vez em quando, aquele semblante aparecia para estragar aqueles momentos.

– Para sempre não existe Jin... Por que você está perguntando isso agora?

– Porque eu tenho medo do dia em que você deixar de me amar. – ele respondeu, lento e manhoso. – Nós estamos discutindo muito...

– Não se preocupe com isso. – enfim, um pouco de riso – Não levo nossas brigas a sério! Você deveria fazer o mesmo.

– Então me prometa que não vai deixar de me amar.

Kimura apenas riu e acariciou os cabelos de Akanishi.

– Então, enquanto você viver. Enquanto você viver, vai me amar?- Jin parecia que não sossegaria enquanto não obtivesse uma resposta que o satisfizesse.

– Não se preocupe, Jin... Enquanto você viver... Eu te amarei.

Um sorriso enorme trouxe de volta os traços infantis de Akanishi.

Jin suspirou. Kimura sempre o enrolava e sempre conseguia arrancar um riso seu. Hoje ele entendia perfeitamente aquelas palavras. Naquela última noite em que passaram juntos, sem discussões, Kimura já tinha marcado o encontro com Nishikido.

Os braços de Jin perderam a força. A garrafa começou a escorregar de sua mão. Os dedos mal seguravam o gargalo. A gravidade venceu. Um barulho de objeto caindo. O carpete amorteceu a queda e a garrafa rolou por um pequeno espaço.

A escuridão do lado de fora era tentadora.

Hontou ni kokoro de aiseteiru no?

Ima demo fuan da yo Yeah

Hitorikiri yume no naka tadoritsuita basho

Furueteru kimi ga iru yo

Você realmente me amou com todo seu coração?

Eu ainda estou preocupado com isso

O lugar que eu cheguei sozinho em meus sonhos

Você estava lá, tremendo

O arrepio percorreu todo seu corpo quando notou aquela figura atrás de si. O reflexo na janela estava nítido suficiente para que o coração de Jin batesse mais forte. Os cabelos cumpridos, cheios, naquele tom acobreado que ele adorava escorregavam pelos ombros, destacando a bata branca, com uma gola aberta em um tamanho delicioso, que estava usando. Os dedos dele seguravam seu braço. Jin não tinha sentido o toque e mordeu os lábios. Olhou para a outra mão dele, que segurava uma rosa branca.

– Takuya...

– Você realmente me amou com todo seu coração, Jin?

– Eu...

Um toque gelado em seu queixo. Seu rosto se ergueu na direção ao dele. O olhar brilhante, compreensivo, amoroso estava ali. Novamente para ele. Novamente juntos.

– Eu te amo tanto, Jin.

O beijo também foi gelado e Jin teve a impressão de que algo líquido caía-lhe sobre seus lábios. Fechou os olhos lentamente e sentiu, vagarosamente, o toque gelado escorregar para seus ombros e, em seguida, para os seus braços.

Nakanaide

Hanasanai yo

Subete wo nagesute temo

Mirai nante

Kimi nashi ja mienai yo

Iranai yo

Não chore.

Não me solte

Mesmo se você jogar tudo fora

Essa coisa chamada futuro

Eu não consigo ver. E eu não preciso disso

Ao menos que você esteja lá.

Sentiu seu corpo sendo pressionado para baixo. Não resistiu e sentou-se ao chão. Abriu os olhos e viu o rosto apaixonado de Takuya. Sorriu. Fechou os olhos novamente, sentia-se sonolento, mas resistia. Não ousaria dormir.

O perfume da rosa se tornou mais forte quando Takuya a levou para o seu rosto, contornando seus traços suavemente, descendo por seu pescoço, encontrando sua clavícula – um riso tímido – e encontrando o peito nu. A flor ainda seguiu reto em direção ao umbigo e continuou descendo.

Jin notou quando o botão de sua calça foi aberto. O zíper, puxado para baixo. Uma pressão em seu ombro o fez se deitar sobre o carpete, esparramando seus cabelos. O ar pareceu ficar mais gelado agora que Takuya estava em cima de si.

A flor percorreu seu corpo novamente, retornando pelo caminho que fizera antes. E quando alcançou novamente sua boca, ela foi amassada entre os lábios. O gosto da rosa permaneceu por algum, mesmo depois que interromperam o beijo.

Asa no hiizashi ni

Kimi no negao to tereta egao de

Ureshiku nareru kara

Sonna hibi wo kanjita ai yo

Eien ni

O sol da manhã

No seu rosto, dormindo

Por causa da forma como brilha no seu sorriso, me faz feliz

Eu quero sentir esses dias

Pra sempre

A mão gelada segurou com força a sua. Seus dedos se entrelaçaram. Um longo arrepio quando beijos frios desceram em linha reta por seu peito. Jin ergueu o tronco para que suas calças fossem retiradas. Seu corpo inteiro pareceu congelar quando seu sexo foi envolvido pela boca do amante.

Sentiu sua cabeça girar. O teto rodava lentamente. Sua vista começou a escurecer. Teve a sensação de afundar em um mar negro e seu corpo rodar enquanto seguia cada vez mais para o fundo. Seu corpo parecia congelar, o frio era intenso. Então, bruscamente, emergiu em busca de ar.

Estava de volta ao apartamento, deitado de bruços, metade do tronco erguido para trás devido a uma penetração mais forte. Sentia dificuldades para respirar enquanto seu corpo era sacudido. Os cabelos molhados – de suor – caíram-lhe sobre os olhos. Os lábios grossos entreabertos em busca de ar.

Ai nante

Kimi dake sa

Itsudemo motome sugite

Ai nante

Kimi nashi ja imi nai yo

Ikirarenai

Essa coisa chamada amor,

Só você

Eu sempre peço muito

Essa coisa chamada amor

Não tem sentido, sem você

Eu não consigo viver

O calor retornou para o seu corpo quando eles se separaram. Jin permaneceu deitado de lado, fatigado, a respiração alta. Agora seu corpo estava muito quente e quando Takuya o envolveu em seus braços o choque de temperaturas foi inevitável. Mas era agradável. O conforto e a segurança preencheram o seu coração. Jin pode relaxar e, lentamente, seus olhos começaram a cair. A luz da sala foi se apagando. O perfume da rosa ainda era bastante forte, assim como o seu gosto em seus lábios... Sua cabeça pesou e ele não tinha mais certeza se Takuya teria dito:

- Eu te amo...

Aishitemo aishikirenai . oooh

Mirai nante

Kimi nashi ja mienai yo

Iranai yo.

Mesmo se eu te amar, eu não consigo te amar o suficiente

Essa coisa chamada futuro

Eu não consigo ver. E eu não preciso disso

Ao menos que você esteja lá.

Acordou chorando. Demorou a entender que estava no sofá. Quanto tempo teria dormido? Bastante, percebeu, pois o Sol entrava pela janela naquele momento.

– Um sonho... – sorriu. Um sorriso triste. – Esse é o nosso adeus... Não é?

Se fosse possível, ele gostaria de voltar a dormir e continuar aquele sonho. Ás vezes isso acontece, raramente, mas acontece...

Levantou-se do sofá, notando que estava sem a sua camisa e que seu corpo estava dolorido. Não se recordava quando teria a retirado. Olhou ao redor enquanto se espreguiçava. A camisa estava próxima à janela.

– Como foi parar aí? Será que sou mesmo sonâmbulo como o Pi reclama?

Recolheu a peça e notou algo caindo dela. Piscou os olhos. Não conseguia acreditar. Abriu a boca algumas vezes. Seu corpo se arrepiou por inteiro e lágrimas ameaçaram cair. Ainda podia chorar, então?

Ao chão, caída sobre o carpete, uma rosa branca...


Notas finais
* Ai Nante NÃO foi escrita pelo Kimura Takuya. A música é do grupo NEWS, mas não sei quem escreveu. Fail T.T
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.