A Última Caçada
1 Thrill of the hunt
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A chuva estava intensa, a névoa cobria cada canto da floresta, ocultando a presa e tornando o trabalho do caçador ainda mais complicado.
Lá estava ele, coberto de lama e completamente estraçalhado pelas garras daquela criatura que outrora habitou as profundezas do inferno.
Ela já havia chegado até ali, e por mais que tivesse opção, recuar naquele instante significaria aceitar a morte de braços abertos.
A noite se aproximava, a intensidade da névoa bloqueava a visão do caçador, a cada instante que se passava as chances de matar diminuíam enquanto o risco de morrer apenas fazia aumentar.
Estava vestido apenas de trapos, mas a condição de seu corpo estava ainda pior do que a condição de suas roupas.
Sua visão não estava apenas obstruída pela névoa, o sangue que cobria a face do caçador o impedia de ver além. Seu tornozelo esquerdo estava torcido e seus braços estavam cheio de machucados, coisa que o impedia de levantar qualquer arma que não fosse sua pequena e fiel adaga.
Fazia força para tentar se levantar, suas pernas estavam fracas e cheias de cortes, e a fome, o frio e a solidão apenas estavam ali para o atrapalhar.
Usou todas as forças para se levantar, e começou a caminhar lentamente na direção de lugares onde seus pés ainda não haviam pisado, observar suas feridas apenas o preenchia com ainda mais determinação.
Avistou uma cabana, uma cabana de madeira rústica e desgastada, completamente coberta de musgo e envolta pelas sombras.
[i]Se aproximou lentamente – não devido a sua curiosidade. Ele não era nenhum amador, fora que um amador seria capaz de perceber que aquilo se tratava do ninho da presa.
Foi complicado atravessar todo aquele mato e pisar em toda aquela lama, o corpo do caçador estava completamente destruído, sequer sua mãe seria capaz de o reconhecer.
Subiu as pequenas escadas que levavam até a porta. Do lado, uma janela com o vidro quebrado e teias de aranha cobrindo-a como se fosse uma cortina. A madeira rangia quando o caçador andava por cima dela, mas era impossível andar com cuidado e evitar sons desnecessários. Havia um pequeno feixe de luz atravessando a fresta por baixo da porta, o que chamou a atenção do caçador.
Abriu a porta lentamente, com todo o cuidado do mundo, afinal, o descuido o havia levado a uma situação de vida ou morte.
Uma vela quase em seu fim, a chama também prestes a morrer, iluminava a pequena cabana.
O cheiro era horrível, a morte habitava aquele lugar.
Não haviam móveis, por exceção de um tipo de ‘’berço’’ para recém-nascidos que estava no meio da cabana.
Haviam lençóis dentro do berço, aqueles lençóis não emanavam um odor de morte, muito pelo contrário.
O caçador se aproximava lentamente, algo se movimentava dentro daquele emaranhado de panos.
Enfiou suas mãos no berço rapidamente e puxou os panos, desvendando o que ali estava.
O filhote da besta.
O filhote da coisa que mudou sua posição de caça para caçador, não era nada bonito, assim como sua mãe.
O caçador estava preenchido de ódio, mas não apenas isso, ele sabia exatamente o que fazer para conseguir finalmente o seu tão precioso troféu.
Não pensou duas vezes, agarrou o filhote em seus braços, ele não parecia pesar muito. E então, o caçador se dirigiu até a porta e contou até dois, até que ouviu um som que jamais se esqueceria.
O grito de ódio de um ser não muito amável.
A floresta escurecia por completo e o véu da noite tomava conta de cada canto, a névoa estava se dissipando completamente revelando as armadilhas que o caçador havia preparado para a besta, agora, mais do que nunca, o desespero e a insanidade estavam começando a alcançar o caçador.
Apertou o filhote da besta com força, fazendo-o emanar gemidos de dor quase que imperceptíveis para o ser humano.
A floresta tremia, os galhos balançavam, a noite se tornava mais escura a cada instante.
A besta estava cada vez mais próxima.
O caçador então, usou os seus instintos para detectar a proximidade da besta, e em uma aposta com sua própria vida em jogo, arremessou o filhote como se fosse uma bola de futebol.
Pela primeira vez, o caçador sentiu medo emanando da besta.
Aquela coisa com cerca de cinco metros de altura, pelagem negra como uma estrela após sua morte, e olhos grandes e amarelos...
Aquela coisa sentiu medo. O medo de ter sua cria ferida.
O caçador foi capaz de sorrir pela primeira vez naquela noite, se sentiu vitorioso.
Apenas para morrer após o rugido desesperador da besta.
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