A Órfã Doce

61 Uma vida e nada mais


Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan Desculpem aí mais uma vez por não ter postado. Hoje eu voltei para a casa da minha mãe e espero ter mais tempo para atualizar o resto da fic (entendedoras entenderão). PS: Tem uma letra de uma música. O nome dela é "vamos viver" dos Detonautas. Boa leitura.

Acordei decidida a mudar minha vida. Parece até ridículo pensar assim, mudanças não acontecem da noite para o dia, mas eu precisava recuperar os anos perdidos, e precisava ser rápida.

“Porque o que a gente vive é uma vida e nada mais”. – Armin havia dito aquilo antes de me beijar, aquela frase ecoava na minha mente. – “Eu preciso aprender a viver como eu realmente sou”. – pensei.

Se eu tivesse colocado a mão na consciência como Armin havia feito, não estaria nessa situação. Aposto como ele decidiu parar de fingir. Ele e Alexy não eram diferentes de mim e Kentin, eles também fingiam para ter a aprovação dos pais. Eu percebi que eu não era a única, mas também percebi que era ruim ver pessoas como eu, que não sabiam viver. Que identidade que eu tinha? Eu não era eu mesma.

Talvez a gente possa se encontrar

Num desses momentos

Armin mudou, e só naquela hora eu vim notar o porquê, talvez porque agora estivesse pensando como ele. Eu tinha percebido que ele não estava mais tão ligado ao vídeo game, estava saindo com um bocado de meninas, ele até deu em cima da Lana. Acho que Armin ainda tinha trauma de se relacionar sério com as pessoas, mas pelo menos ele estava tentando sair com alguém, quem sabe se ele achava quem ele queria dessa maneira.

Será que estava na hora de pensar assim? Não é que eu não quisesse ter um romance na minha vida, como nos filmes ou livros, é que eu simplesmente nunca tive uma oportunidade para me apaixonar por alguém. Bem... Talvez eu pudesse dizer que eu já me decepcionei com alguém... É difícil admitir, mas eu tinha uma queda pelo representante da turma da escola militar. Sim, aquele desgraçado que arruinou a minha vida, eu estava começando a gostar dele. Mas... Pelo menos isso não foi adiante, não passou de uma paixonite de criança. Eu só era caída por ele, porque ele era gatinho. A maioria era um bando de moleque feio, no quesito de beleza ele estava à frente dos outros. Apesar de que nem todos eram de se jogar fora. Os irmãos que me ensinaram a jogar poker também eram bonitinhos, principalmente o mais novo. Às vezes eu penso no que eles estão fazendo e onde estão.

Que tanto imaginou

Porque talvez a gente se perca no meio do caminho.

Voltando ao foco... Será que estava na hora de olhar para Castiel da forma que ele queria? Ele... Ele deve ter se magoado por minha causa e eu nem me indignei a pedir desculpas... Não acho muito que ele mereceu o que eu disse com ele. O passado ficou no passado, óbvio que ele não tentaria mais de humilhar na frente da escola como no ano passado, até porque, se o fizesse, tinha certeza que Kentin me ajudaria a quebrar ele em dois.

O uniforme era obrigatório na escola, mas o F4 não usava! Por que eu deveria então? Ainda mais porque eu tinha me aliado ao F4... Era mais ou menos isso, não era...? Eles disseram que a Lana estava do lado do F4, mas a anta do Castiel disse que eu era perigosa, que não mexessem comigo e fez um jogo de cu, no final me derrubaram da moto e isso serviu o mesmo que merda.

Saia de cintura alta, uma blusa social de manga longa rosa, meia-calça e uma bota para completar. Eu não sabia me vestir, era exatamente por isso o motivo de eu usar mais preto do que outras cores, não sei combina-las e... Preto combina com tudo, não é? A saia não era colada, mas a blusa meio que era. Quando eu cheguei à cozinha, Kentin estava lendo um livro.

Talvez a gente possa se encontrar

E esquecer que existe um mundo lá fora,

– Bom dia. – falei indo em direção a geladeira, um suco, uma fruta e eu ficaria instável até a hora do almoço na escola.

– Bom dia. – ele respondeu enquanto lia um livro.

Ele nem me olhou na hora que eu entrei, mas bastou eu ir até a geladeira que ficava perto da cadeira que ele estava sentado, que ele se alarmou.

– Que roupa é essa? – ele arregalou os olhos. – Olha o tamanho da sua bunda, você não tem vergonha na cara?

– E o que você quer olhando para minha bunda? – retruquei zangada.

– Por que não está de uniforme? – ele levantou-se e fechou o livro em cima da mesa.

– Pergunto o mesmo a você. – virei a cara e peguei a jarra de suco de laranja. – Irmãos mais velhos não têm que servir de exemplo? – peguei uma maça que estava na cesta em cima da mesa. – Estou seguindo seu exemplo.

– E por que só agora a senhorita TPM resolveu fazer isso? – ele cruzou os braços. – Você não vai assim.

– Quer apostar como eu vou? – arqueei a sobrancelha. – Eu nem estou usando decote, as meninas com quem você sai usam um decote até o umbigo.

– E como sabe sobre as meninas com quem eu saio? Aliás, uma coisa não tem relação com a outra. – ele me pegou pelo braço. – Vai lá pra cima e troca isso.

– Você não manda em mim! – exclamei e dei um chute na perna dele, logo ele me soltou. – Eu vou vestir O QUE EU QUISER! – mostrei a língua para ele.

Um mundo cheio de pressa

E a gente aqui sem pressa nenhuma.

Na verdade o modelo da minha roupa era quase igual ao do uniforme, o que mudava era que a blusa era um pouquinho mais colada, mas era bem discreta. Por que ele estava implicando tanto assim?

– Desde quando você ficou tão careta? – peguei a maçã e dei uma mordida.

– Desde quando você virou uma pirralha que grita comigo quando não consegue o que quer? – ele retrucou.

– Desde que você bateu em mim! – berrei para ele, ele corou. – E quer saber. – fui até o armário e tirei uma garrafa de whisky, coloquei em cima da mesa com tanta força que o livro que estava lá meio que pulou. – Pode beber, prefiro você bêbado. Você não tem motivos para beber, mas você faz tudo o que eu quero quando bebe.

Ele me olhou com uma veia pulsando na testa, pegou a garrafa com uma mão e a encarou por uns segundos. Ele jogou a garrafa na parede, a bebida sujou todo o chão e os cacos de vidro se espalharam.

– Agora eu faço a sua vontade no inferno. – ele falou e saiu da cozinha.

É, ele se zangou mesmo, mas o que importava era que eu falei o que pensava e estava me vestindo como eu queria. Aquelas brigas entre mim e Kentin se tornaram rotina, umas mais leves, outras mais pesadas, mas no final acabava tudo bem. Eu o irritava e ele me irritava, o universo se tornava equilibrado dessa forma. Eu sabia que com simples desculpas ia ficar tudo bem. E ficou, quando eu me desculpei no caminho da escola.

Você precisa aprender a viver de verdade

Porque o que a gente vive é uma vida e nada mais!

Entre aulas e mais aulas, eu só conseguia pensar em como me desculpar com Castiel. Castiel era orgulhoso e egoísta, assim como eu. Mas ele também queria me forçar a gostar dele... E nisso ele era idêntico a Iris... Só espero que ele não seja falso como ela... Desesperado por amor ele é, exatamente como ela é.

Depois do almoço começou a ficar mais frio, fui ao vestiário pegar minha jaqueta, eu achava ela horrível. Para falar a verdade, parecia com a de Castiel, as vezes eu acho as roupas dele meio bregas. Achava que o vestiário estava vazio, abri meu armário, peguei minha jaqueta e já ia saindo.

– Hei Lynn. – uma voz me chamou, me virei para ver quem era. – Onde está seu irmão?

– Lety? – arqueei a sobrancelha. – O que quer com o meu irmão? Não era você que outro dia estava me chamando de biscate? Agora quer favores?

– Nunca te chamei assim, quem chamou foi a Ambre. – ela cruzou os braços. – Não sou baixa como ela.

– Pode acreditar que você é. – arqueei a sobrancelha. – O que quer com meu irmão?

– Diz para ele me ligar depois, ele pediu meu número. – ela me entregou um pedacinho de papel com o número dela. – Poderia entregar?

– Tá. – suspirei e dei de ombros.

Vamos viver,

Preciso aprender a viver de verdade,

Porque o que a gente vive é uma vida e nada mais!

Ela pareceu feliz, iludida! Aquela piranha acha mesmo que ela ia entregar o número dela para o Kentin? Assim que sai, rasguei e joguei no lixo, isso sim! E por que diabos aquele bocó iria pedir o número daquela piranha? Ele a odeia, pelo menos da ultima vez que eu conversei com ele sobre ela, foi a impressão que eu tive.

De lá eu acabei indo ao telhado da escola, lá mesmo onde Kentin às vezes ficava dormindo na escadaria, coisa que eu sabia que ele não fazia mais. Minha surpresa foi encontrar Castiel lá, ele observava a paisagem encostando-se às grades de proteção. Minha respiração cessou por alguns segundos, ele não tinha me visto, eu poderia dar as costas e continuar evitando ele até saber o que falar.

“Você é uma nova Lynn”. – pensei.

– Hei. – chamei assim que parei de pé ao seu lado, sorri.

– Oi. – ele respondeu, parecia pensativo, segundos depois se pôs a falar. – Acho melhor eu ir...

– Castiel. – coloquei a mão no ombro dele apertando levemente. – Eu sei que você estava me evitando. – ele fez que não com a cabeça. – Você está me evitando assim como eu estava evitando você... E isso...

– Não precisa se explicar, já ficou bem claro como você se sente. – ele deu de ombros e soltou um suspiro.

– Castiel! – fui para frente dele e o empurrei para trás pelos ombros. – Q-QUERO PEDIR DESCULPAS! – exclamei de uma vez sem olhar para ele, quando eu o olhei ele estava com uma expressão confusa. – Eu não quis te ofender, e você está estranho. Você não era assim.

– Deixa de ser burra. – ele falou rude. – Você sabe que eu gosto de você, eu me senti mal com aquela coisa da Iris, mas eu consegui relevar. Entretanto, o que você disse depois me deixou pior.

– Tsc! Desde quando você é tão sensível? – falei com um ar de deboche tentando descontrair, falhei miseravelmente.

– Desde quando você é tão monstra? – ele retrucou. – Eu acho que eu perdi minha tolerância depois da Angela.

Era engraçado, parecia até que nós tínhamos trocado de personalidade, eu era a monstra e ele o birrento. Ele falava e falava, eu apenas ouvia cabisbaixa, ele estava mesmo magoado. Nova Lynn... O que a nova Lynn faria? A nova Lynn não precisava mais fingir ser forte, a nova Lynn precisava ser mais sensível, não era? O que a nova Lynn faria? Oh céus! Precisava pensar logo. Certo, vamos organizar tudo. A nova Lynn queria tentar gostar de alguém pelo menos uma vez?

– Sim... – murmurei para mim mesma, Castiel ainda falava sem parar, parecia que ele achava que eu estava prestando atenção. Levantei a cabeça e o encarei, silenciei-o de uma forma delicada, simplesmente dei um tapa no rosto dele.

– HEI! – ele exclamou. – EU ESTAVA PRESTES A MANDAR VOCÊ PARA A...

– Calado. – o cortei, ele parecia mais zangado do que antes. – Eu não gosto de você...

– Que necessidade é essa que você tem de passar as coisas na cara dos outros? – ele interrogou. — Você é a pessoa mais...

Vamos viver, vamos viver, vamos viver,

Que a gente é uma vida e nada mais... e nada mais!

Enquanto ele falava eu fui notar que ele estava com o uniforme, ele nunca ia de uniforme... Teve uma vez que eu gritei com ele, no tempo que recebi o F4. Ele encheu a piscina de patos, naquele dia eu fiquei tão furiosa... Teve uma aula de tênis e Iris havia me chamado para ir com ela, quando ele apareceu lá, eu fiquei tão furiosa que só não o chamei de santo, disse que odiava o cabelo dele, a maneira rude e mesquinha, e ainda por cima, xinguei ele por ele não usar o uniforme, já que a bosta da diretora pegava no pé dos alunos e deixava o F4 de lado. Aquela vaca nem disse nada comigo, ainda bem.

O uniforme dos meninos do ensino médio tinha uma gravata, o puxei para baixo pela gravata, ele arregalou os olhos, fiquei de ponta de pés para conseguir beija-lo. Castiel não respirava, o choque foi tão grande assim?

– Eu não gosto de você... – sussurrei me afastando um pouco com nossos rostos ainda próximos. – Mas eu quero tentar.

Beijar um menino que no passado foi o seu pior inimigo... Pois é, quem manda a vida ser uma comédia?