Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. Lá na casa da minha mãe eu tenho um pc só pra mim, agora eu tenho que ficar dividindo pc com o irmão --' ninguém merece. Vou demorar um pouquinho, mas vamos em frente. Boa leitura.

Cedi, se eu não fosse com ele, com toda certeza ele iria contar pra todo mundo.

Quando eu atirei naquele menino, fizeram a balística... Eu era a única armada com rifle, minhas digitais estavam na arma. Acho que a diretora sempre soube que fui eu... Mas dentro daquela escola ela me conhecia mais do que ninguém, ela deve ter encontrado as digitais do representante também. Deve ter simplesmente ignorado isso, como se nada tivesse acontecido. Isso reforçava mais ainda minha teoria de que o menino estava vivo.

“O Armin é amigo da diretora, se ele tiver descoberto isso... Ele vai poder me chantagear pelo resto da vida”. – pensei.

Na verdade eu nem sabia muito bem o que ele tinha descoberto, mas eu acho que o que ele sabe é só sobre a escola militar. Dez minutos depois eu estava na recepção, Armin estava de moto e disse que iria me levar para algum lugar. Um campo de paint ball, achei que ia ser legal. Apesar de que as pessoas dizem que a bolinhas de tinta machucam pra caramba quando você não está com a roupa adequada.

Ao chegarmos lá, colocamos a roupa. Não havia ninguém no campo, só eu e Armin. Ele explicou que não eram muitas pessoas que iam lá.

– Esse campo foi desativado há uns tempos. – ele sorriu.

– E o que era aqui? – perguntei.

– Não sei te dizer. – ele fez uma expressão pensativa. – Acho que era algum campo de treinamento ou algo assim.

“Por isso as pessoas não frequentam aqui?” – pensei. – “Que besteira”.

Eu e Armin nos distanciamos muito antes da partida começar. Assim que começou, tratei de me esconder em algum lugar pra dar uma de camper e fazer Armin se irritar, ele mesmo disse que odiava campers.

“Não posso matar o noob na facada, então vou camperar mesmo”. – pensei dando uma risada discreta.

Olhei em volta, tinha muitas árvores, subi em uma delas ficando sentada em um dos galhos mais altos e resistentes. Vi Armin passando verificando se o ambiente estava seguro. Sorri, ele estava de costas pra mim, a hora perfeita. Disparei uma bola de tinta vermelha que pegou nas costas dele. Assim que ele caiu...

“QUEM USOU MUNIÇÃO DE VERDADE?” – foi o que se passou pela minha cabeça.

Olhei para o tronco da árvore, tinha uma marca profunda. Parecia ter sido feita por uma arma.

As pessoas já se reunião para ajudar o menino caído no chão. Bati o rifle na árvore e comecei a chorar.

Estava sendo egoísta em não assumir a culpa e não ir ajudar o menino.

– Tropecei. – Armin falou se levantando. – Eh? Você me acertou? – ele falou pegando na mancha de tinta nas costas.

Comecei a tremer, levei as mãos a boca com a respiração acelerada. Olhei para baixo, era o mesmo que ver aquela cena se repetindo um milhão de vezes. Perdi o equilíbrio e caí da árvore, por causa da roupa não cheguei a me machucar.

– Me tira daqui! – gritei com as mãos na cabeça.

– O que foi? – Armin perguntou confuso.

– Anda, me tira daqui! – bradei entre lágrimas.

Armin me colocou nos ombros dele e saiu do campo o mais rápido possível. Ele me levou pra enfermaria.

– Ela está bem. Fisicamente pelo menos. – a enfermeira falou.

– Fisicamente? E o que ela tem? – Armin perguntou nervoso.

– Não sou psiquiatra, sou enfermeira. – a enfermeira fez careta. – Mas já vi casos de pessoas assim, ao julgar pela cara dela... Acho que ela está em choque por algum motivo.

A enfermeira me deixou sozinha com Armin, estava deitada na maca ainda com a respiração acelerada. Meus olhos mal piscavam, de vez em quando eu virava a cabeça de um lado para o outro como se a memoria fosse embora por causa dessa simples ação.

– O que houve? – ele perguntou.

“Não digo”. – pensei. – “Acha que vai me tapear?”.

Fiquei em silêncio, sem o encarar, talvez ele achasse que eu não tinha escutado a pergunta.

– O que houve? – ele perguntou de novo. – Você ouviu, responda. – fiz que não com a cabeça. – Qualquer que seja o motivo desse seu piripaque, eu não conto pra ninguém.

– Não vai contar como vai fazer com o meu segredo da escola militar caso eu não faça o que você queira? – o olhei com raiva.

– É, mas eu não contei. – ele sorriu. – Do jeito que você ficou, parece que foi algo sério.

– Se foi ou não, não interessa. – me sentei na maca com a mão na cabeça. – Quero ir embora.

– Sabe, Lynn... – ele pausou como se nem tivesse me escutado. – Esse campo foi abandonado desde que ocorreu um acidente envolvendo duas escolas militares. – assim que ele começou a falar eu congelei de vez. – Parece que fizeram uma brincadeira com uma menina da escola militar local. – ele abriu um sorriso. – Era você, não era?

– Como pode garantir? Poderia ter sido qualquer uma. – retruquei disfarçando o pânico.

– Um dos motivos pelos quais você não quer que eu conte sobre a escola militar é porque você era a única menina. Você fez parte da escola dessa cidade, que aliás, só tem uma. – ele pausou puxando ar. – Só havia uma escola e você era a única menina, foi você.

– Se contar isso pra alguém... – me entreguei a teoria dele, mas quis me defender.

– Não se preocupe. – ele olhou para o chão. – Apesar de que todo mundo sabe dessa história, ninguém chegou a descobrir quem foi que atirou, só a diretora.

“Eu sabia”. – pensei.

– Você não matou o menino, ele ainda está vivo. – ele sorriu. – Entretanto. – ele desviou o olhar. – Deve ser difícil tirar a vida de um homem, mesmo que ela não tenha muito valor. Mas caso o faça, trate de esquecer. – ele fez uma expressão totalmente diferente das que eu já tinha visto, era uma expressão fria. – Vai ficar com fantasmas no seu pé pro resto da vida? Pirando na batatinha assim que vê um rastro de algo que você já fez? Isso é maluquice.

– Não posso concordar com tudo. – olhei para a parede, só para não olhar para Armin.

– Pois deveria. – ele arqueou a sobrancelha. – Vou levar você pra casa, mas pense no que eu falei.

– Fez isso de proposito? Pra me fazer confessar? – baixei o olhar, me sentia derrotada.

– Para falar a verdade eu só juntei as peças agora a pouco, realmente eu não sabia disso, só do que tinha ocorrido aqui. – ele suspirou. – Desculpe, não queria deixar você assim.

Fiz que sim com a cabeça, que tinha entendido tudo. Armin me levou para casa como prometido. Assim que deitei na cama para descansar, aquela cena voltava pra minha cabeça.

“Esqueça Lynn”. – pensei enquanto me revirava na cama. – “Não pode ficar assim pro resto da vida”.

Todas as munições de verdade que Castiel tinha me dado estavam guardadas, presas, onde eu nunca pegaria pra usar em alguém. Mesmo não tendo matado aquele menino, eu sentia um peso nas minhas costas, como se eu tivesse sido culpada por tudo que aconteceu ali. Esquecer como Armin falou era uma missão impossível. Passaram-se todos esses anos e eu ainda não esqueci, então por que eu esqueceria só porque ele disse pra esquecer?

Talvez Armin não contasse como prometeu, mas será que mais alguém sabia disso? Eu poderia bater em Armin até ele chorar caso ele abrisse a boca dele, mas e se a informação vazasse de outra pessoa?

“Vão é me prender”. – pensei.

Na verdade era um pensamento bobo, além de ser menor de idade, aquilo tudo foi um acidente, uma armação que fizeram pra diretora me expulsar.

Desde o dia do ocorrido, o representante não trocou sequer uma palavra comigo, apenas me lançava olhares que eu tanto odiava, pareciam ser olhares de deboche. No meu sétimo ano consecutivo na escola militar, tive a graça de receber a noticia de que aquela corja tinha ido embora.

“Se foi esperto, cavou um buraco e se enterrou”. – pensei.

A escola militar que estava treinando com a gente daquele dia era de outro país, um que eu nem me lembro mais qual era por causa da ação do tempo. De qualquer forma, eles falavam outra língua. O primeiro grito que eu ouvi, o grito que ficava na minha cabeça, era o representante. Como eu sabia? Os representantes tinham o uniforme de outra cor. Eles não participavam do evento, eles só mantinham a ordem nas equipes.

“Pelo menos eu ganhei”. – pensei dando um sorriso, para falar a verdade aquele era o primeiro sorriso que eu dava enquanto pensava naquilo. Sorria e ao mesmo tempo, lágrimas escorriam. Talvez Armin estivesse certo. Talvez eu conseguisse esquecer, ou pelo menos viver em harmonia com os fantasmas do passado.