Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. Desculpa aí ;3; Esse capítulo era pra ter saído BEEEM mais cedo, mas eu fui malhar e esqueci de postar. Boa leitura.

Lana acendeu as velas e fez um pentagrama com areia no chão. As luzes se apagaram sozinhas, puxei meu pentagrama e o segurei firmemente enquanto ofegava trêmula. Lana juntou as mãos e acendeu um incenso chamando um nome e fazendo um pedido, deveria estar pedindo algo a Deusa ou algo do gênero.

– E-está tudo bem agora? – perguntei.

Assim que a interrogação foi exposta e Lana virou o rosto para mim dando um sorriso, tinha terminado? Nem tinha começado. Algo agarrou as pernas de Lana e a arrastou até um quarto onde comecei a escutar vários gritos dela.

Então eu abri os olhos bruscamente suando frio, dei de cara com Kentin deitado na cama me olhando. Ele deveria estar na cama dele e não na minha!

“Foi só um sonho? Fico mais aliviada com isso”. – pensei enquanto controlava minha respiração.

– O que faz aqui? – perguntei enquanto esfregava os olhos.

– Acho que você teve uns pesadelos de noite. – ele respondeu. – Você começou a gritar e eu vim ver o que era.

– Já é de manhã? – me sentei na cama colocando a mão na cabeça que latejava.

– Já é de tarde. – o olhei confusa. – Você está doente, ficou com febre a manhã inteira.

– Você não foi para a escola? – ele fez que não com a cabeça. – Não viu a Lana...?

– Ela veio aqui faz uns quinze minutos. – Kentin se sentou e afastou meus cabelos para de trás da minha orelha. – Ela trouxe seu pentagrama.

Olhei para baixo e o pentagrama estava no meu pescoço, sorri, ela deve ter tido muito trabalho. Deite-me de novo na cama. Kentin colocou a mão na minha testa.

– A febre está baixando. – ele levantou-se da cama.

– Deve ser o universo me protegendo. – dei um sorriso fraco.

– Sério que você acredita nisso? – Kentin me encarou e arqueou uma das sobrancelhas.

– Se você não acredita por que está usando? – interroguei.

– Eu já vi muita coisa na minha vida, eu não sou mais uma pessoa que se impressiona fácil. – ele pegou o pentagrama e o olhou. – Estou apostando nisso, talvez consiga me impressionar... E de maneira positiva, espero.

Kentin saiu do quarto e me deixou sozinha, estava suando muito por causa da febre. Suspirei e olhei para o lado, estava na casa de Kentin, havia um banheiro no quarto que eu estava. Ao terminar o banho eu fui até o quarto dele para tentar conversar, estava entediada.

Abri a porta e não o vi lá, entrei e fechei a porta assim que vi um porta-retratos com uma foto antiga. Era uma foto do F4 sentados na frente da casa de alguém com outras pessoas, provavelmente era a casa da Tia. Armin e Alexy estavam um do lado do outro, Alexy estava do lado direito de Armin com a mão no ombro direito do mesmo, observei de pertinho, Armin estava com um game boy na mão e um sorriso no rosto. Castiel de braços cruzados com uma cara emburrada e as bochechas coradas (detalhe: ele estava com o cabelo da cor natural e tinha a aparência de menina, olhei para o lado e Rosalya estava com ele fazendo um V com o dedo indicador e médio. Rosalya estava com o cotovelo apoiado no ombro de Leigh que dava um sorriso tímido, Leigh estava atrás de Lysandre, que estava sentado meio debruçado, apoiando os cotovelos nos joelhos. Lá na ponta depois de Lysandre, olhei aquele menino, olhei, olhei, olhei. Era um menino com cabelo tijelinha e óculos fundo de garrafa, arregalei os olhos enquanto segurava o porta-retratos.

“É o Kentin?” – inclinei o rosto, logo vi um pacote de biscoitos na mão dele. – “É o Kentin”.

Oh céus, que choque. Certo que se passaram vários anos desde aquela foto, a data estava na mesma e realmente fazia muito tempo... Mas mesmo assim, os outros ainda eram reconhecíveis, se não fosse o pacote de biscoitos eu não teria reconhecido. Atrás do porta-retratos havia sido deixado o óculos fundo de garrafa. Peguei o porta-retratos e os óculos, revirei a casa procurando Kentin. Ele estava no chão fazendo abdominais, coloquei os óculos e segurei o porta-retratos.

– Abracadabra! – exclamei bem alto levantando os braços enquanto dava uma risada.

– ONDE ACHOU ISSO? – ele bradou e se levantou assim que me viu com os óculos. – LARGA ISSO!

– Nem pensar. – fiz bico enquanto corria dele pela casa. – Que cabelo era aquele? – debochei tirando os óculos e correndo mais.

– Quando eu pegar você, a minha regra de não bater em meninas vai ser suspensa. – ele bradou para mim enquanto me seguia na mesma velocidade que a minha.

Escondi-me muito bem, passou-se mais de uma hora e ele não me achou. Saí do meu esconderijo, devolvi os óculos e o porta-retratos para o quarto dele. Quando o achei ele estava cochilando no sofá, sentei-me no braço no sofá, suspirei e olhei para a janela, já anoitecia.

– Vem cá, sua monstrinha! – Kentin exclamou me puxando pelo cabelo, caí de queixo no peito dele. – Se eu pegar você mexendo nas minhas coisas de novo, eu acabo com você! – ele bradou enquanto me apertava contra ele como se eu fosse uma boneca de pano.

– Está machucando! – reclamei.

– E é pra machucar mesmo! – ele falou apertando mais. – Você me entendeu?

– Entendi! – respondi, já estava quase sem ar.

– Que deselegante. – ouvi uma voz de lado. – Se forem ficar fazendo essas indecências, ao menos deixem a casa trancada! – Lana colocou a mão na testa baixando o olhar.

– Quando chegou? – perguntei nervosa saindo de cima do sofá.

– Tempo suficiente pra ver o sabão de vocês dois. – ela suspirou pesado. – Vim aqui por causa do ritual, mamãe me trouxe.

– Ah! Você vai fazer a macumba agora? – Kentin se sentou no sofá e deu um sorriso irônico.

– Lynn. – Lana pausou um pouco enquanto mexia em algumas coisas dentro da bolsa. – Avise a seu irmão que ele está prestes a levar um chute no sentador.

Tapei a boca com a mão ao ouvir essa, Lana era uma pessoa engraçada em qualquer humor que ela estivesse. Kentin fez bico e levantou-se, se aproximando para ver o que Lana iria pronunciar.

– Então... – ela pausou pegando ar. – Eu estou levando meus “equipamentos” para isso. Preciso que os elementais estejam no ritual para me auxiliarem.

– Eu não entendi uma palavra do que ela disse. – Kentin me olhou.

– Chegando lá ela vai explicar. – falei colocando a mão na cintura. – Vamos?

– Vamos?! – Kentin colocou a mão no meu ombro. – Acho que não há necessidade de você ir, talvez seja perigoso.

– Não vai ser perigoso. – discordei.

– Vai ser perigoso. – Lana corrigiu. – A aura daquela mulher é muito obscura, ela tem energia o suficiente para vir ao mundo físico e movimentar sólidos. Há riscos muito grandes no ritual, principalmente para Kentin que foi o responsável de fazer a oração e não a fez.

– Preciso ir... Você não fez a oração por culpa minha, certo? – olhei para Kentin com olhar de cachorro pidão.

– Pode ir se quiser, mas se ela se revoltar, eu não vou poder fazer nada. Você vai se virar. – ele deu de ombros indo em direção a porta. – Vamos? – ele perguntou com a chave do carro na mão.

Ao chegarmos na casa, Kentin colocou a chave na fechadura e abriu a porta da frente. Lana parecia nervosa, engoliu a saliva e adentrou na casa com sua enorme bolsa.

– Passei para segundo grau da magia ontem. – ela falou encarando o chão.

– Por que não me contou? Poderíamos ter comemorado... – a encarei meio chateada por ela não me contar. Para uma bruxa iniciante essa é uma das maiores conquistas, ainda mais Lana, que havia passado vários anos para conseguir isso.

– Deveria agradecer por eu ser compreensiva. – ela suspirou, logo me encarou com um meio sorriso. – Eu não sou egoísta, Lynn. Eu vi muito bem a situação em que você estava, não estava com cabeça para comemorar comigo. Vim aqui não só para te ajudar, mas também vim para testar minha capacidade. – ao chegarmos no corredor largo dos quartos, ela pôs a bolsa no chão. – Aliás, se acontecer alguma coisa comigo, estou ferrada. Menti para mamãe. Não contei a ela que iria vir fazer um ritual numa casa onde tem um espírito de aura roxa. – Lana já tinha mencionado algo sobre auras para mim, quando eram roxas, normalmente expressavam ódio, tristeza ou sentimentos fortes. – Talvez eu não consiga, talvez eu sofra algo aqui, talvez eu apague no meio do ritual. Sabe como é complexo fazer isso sozinha?

– E por que veio? – Kentin cruzou os braços.

– Porque eu amo a Lynn, coisa que você não faz. – ela fez careta para ele. – Sentem-se no chão, vou começar o ritual. Não interfiram, por favor.

“Ah Lana...” – pensei segurando as lágrimas, as palavras dela me deixaram emocionada, mesmo com o leve tom rude que ela usava quando Kentin estava presente.

Lana pegou um livro, passou uns segundos lendo. Ela retirou logo em seguida três frascos, ambos com areia e com o mesmo pigmento. Pegou uma capa preta, a colocou e abriu um dos fracos, Lana foi se movimentando e no fim fez um pentagrama no chão utilizando os três frascos. Em quatro direções Lana colocou em cada um, um objeto.

FLASH BACK ON

– Ah, droga! – Lana bradou. – Errei de novo. – ela fez bico olhando para o enorme livro que pertencia a tia Crital.

– O que está fazendo? – perguntei me aproximando. – O que é isso? – perguntei com a mão em direção ao pentagrama que estava na mesa.

– Não toque! – ela exclamou nervosa rebatendo minha mão. – Desculpa, é que eu estou tentando energizar isso, é muito chato. – Lana choramingou. – Se eu não conseguir aprender a energizar isso, não vou aprender a fazer rituais mais complicados.

– Para que são essas coisas? – perguntei olhando para os incensos, sal grosso, velas e copo com água.

– Cada um deles representa um elemento. – ela explicou sem olhar para o livro, sinal que tinha aprendido. – Cada um deve ser posto nessas respectivas posições, pois cada um é o símbolo dos guardiões elementais.

FLASH BACK OF

Lana juntou um punhado de sal grosso e o colocou no chão apontado para o norte. Acendeu a vela na direção sul. Colocou água em algo que lembrava muito um caldeirão só que era bem menor, apontado para o oeste. E por fim um incenso apontado para o leste.

– Elementais, peço que participem do meu ritual e me auxiliem a retirar as energias negativas daqui. – ela falou de pé no centro do pentagrama.

Lana foi arremessada de costas em uma porta, na mesma hora ela se levantou e voltou ao centro do pentagrama.

– Está tudo bem. – ela me olhou.

As luzes apagaram sozinhas. Levantei, dei um passo para frente com medo do que poderia acontecer. Kentin segurou meu braço fazendo um sinal negativo com a cabeça.

– Ela disse para não interromper. – ele falou, aquilo me impressionou, desde quando Kentin dava ouvidos a alguém?

Apertei meu pentagrama com força, tremendo, chorando. Kentin estava firme, como ele conseguia? Pensei, deve ser porque ele tinha costume em ver aquele tipo de atividade paranormal, ainda mais porque ele devia conhecer aquela mulher, até porque tinham comentado que era parente de Kentin.

Lana juntou as mãos como se fosse fazer uma oração, sentou-se no chão e continuou com o mesmo gesto. O incenso se apagou juntamente com a vela, o caldeirão virou e se misturou com o sal.

– Bem... Agradeço a presença dos guardiões de todas as torres. – ouvi Lana falar.

Acendi a lanterna do meu celular, Lana vinha em minha direção com uma cara de desapontamento.

– C-conseguiu? – perguntei.

– Os elementais tentaram negociar com ela. – Lana coçou a cabeça. – A aura diminuiu, creio que talvez as coisas se normalizem. De certa forma funcionou, mas esperava que eu concluísse o ritual direito.

As luzes se acenderam, toda a areia que Lana havia usado no ritual havia simplesmente desaparecido.

– Se misturou com a água? – perguntei.

– Não... – Lana pausou observando mais de perto. – Não tinha tanta água para desmanchar tudo. E se fosse água, haveria uma espécie de lama no chão.

– Não me diga que a areia evaporou? – Kentin cruzou os braços.

– Ela a levou. – Lana falou tirando a capa. – Não entendo por que dela fazer isso, aquela areia ajuda a espantar a má aura.

– Será que ela se acalmou por causa disso? – perguntei.

– Não acho que isso é possível, mas irei pesquisar nos livros da minha mãe para ter certeza. – Lana guardou tudo na bolsa. – Limpem isso depois. – Lana sorriu já saindo do corredor.

Enquanto a seguíamos, eu ainda estava trêmula segurando o pentagrama, receosa, e se ela aparecesse de novo? Estava com medo de acontecer o que aconteceu no meu sonho, dizem que alguns sonhos acontecem mesmo.

– Eu só quis ajudar... – Lana murmurou enquanto andávamos. – Não fique zangada, senhora.

“Ela está falando com o espirito?” – pensei arqueando a sobrancelha. – “Sabia que bruxas tinham fortes poderes para sentir auras e tudo mais, mas não sabia que elas falavam com espíritos”.

Ao entrar no carro, Kentin colocou as mãos no volante e deu um suspiro, de alivio talvez.

– Não tenho como te agradecer. – ele falou olhando para Lana pelo espelho do retrovisor, já que ela estava no banco de trás.

– Não precisa me agradecer. – ela respondeu com um olhar baixo.

– Por que está triste? – perguntei. – Era porque estava falando com o espirito?

– Bruxas não falam com espíritos. – ela arqueou a sobrancelha. – Fiquei triste porque eu não pude ajudar em muito, ela não quer ser ajudada. Mas... Ao mesmo tempo ela parece sofrer tanto.

– Vamos. – Kentin cortou o papo ligando o carro e acelerando de uma vez.

Quando paramos em um semáforo, saí do banco da frente e fui para o de trás. O silencio de Lana me preocupava.

– Por que está triste? – perguntei. – Foi porque o ritual não deu certo?

– Isso é o de menos, Lynn. – ela suspirou. – Além de falhar, eu não pude fazer nada por ela.

– Você mesmo disse que ela não queria ajuda. – arqueei a sobrancelha, talvez lembrar disso a reconfortasse mais.

– Ela está sofrendo. – Lana pausou olhando para a janela do carro. – Gente teimosa as vezes tem que ser ajudada na marra. Eu quero fazer o bem, e não o mal.

– Hei. – Kentin chamou. – Podemos voltar para lá amanhã?

– O ritual que eu fiz que além de eliminar auras negativas, foi uma forma de negociação com o espirito. – Lana suspirou. – Talvez ela resolva parar, de qualquer forma ela não está mais tão zangada assim. Se voltar, faça a oração. Façam vocês dois. Evitem falar dela na casa, evitem tudo relacionado a isso, talvez saia algo que não poderia ser dito e ela surta de novo.

– Mas ela não ficou zangada porque a ignoramos? – Kentin questionou.

– Se você fizer a oração que devia, e se ela aceitar suas desculpas, ela para com isso. – Lana explicou. – O silencio é o remédio mais viável que eu lhe indico. Ela está presa no nosso mundo por algum motivo, a não ser que você a faça ir embora, fique na sua para não acarretar mais problemas.

– E se não funcionar? – perguntei com um olhar que demonstrava medo.

– Não sei por que teme isso. – Lana falou em um tom indiferente. – Uma mulher se matou no apartamento em que você vivia.

– Mas nunca aconteceu nada. – retruquei.

– Talvez ela não tivesse motivo para voltar, talvez ela tenha ido para o tal céu que as pessoas tanto falam, ou para o lado oposto, quem sabe. – por fim Lana se calou, depois daquela eu não me indignei a torcer mais palavras com ela, aquilo já estava ficando cansativo.

Lana aparentava meio amargurada, e não era de agora que eu notava isso. A morte do pai? Não, ela nunca nem falou sobre isso. Problemas com a mãe? Só se fosse um milagre, pelo tempo que passei com elas, vi que elas não brigavam por nada. A Wicca? Opção descartada também, ela tinha acabado de subir de grau na magia e nunca deu sinais de que não gostava do que fazia, se não gostasse ela não teria se esforçado tanto. Seria uma dor no coração? Talvez fosse. Flechada do cupido? As flechadas fazem isso?