A Órfã Doce
81 O vento da praia
Notas iniciais

A caixa com as bandagens e os curativos estava em cima da cômoda. Peguei-a e procurei algum curativo adesivo. Assim que o achei, cobri um dos machucados mais feios, que ficava na testa. Mesmo que meu cabelo cobrisse, os fios acabavam incomodando e machucando. Além desse, havia um corte pequeno no lábio e alguns arranhões que mal se dava para notar.
Embora ainda estivesse toda dolorida, quis sair. Queria falar com Kentin para perguntar o que ele tinha feito em relação ao surfista. Havíamos ido num restaurante que ficava ali próximo, foi até onde se realizou o luau. Antes do luau acontecer, tomamos café da manhã por lá. Kentin não estava lá, mas havia uns gritos que estavam bem próximos.
– Por que não me deixou resolver?! – eram duas pessoas, mas só um era o autor dos gritos.
– Por favor, pensei que tivesse compreendido. Eu cuidarei disso, prometo.
– Não! Você não vai cuidar! Você vai fingir que fez alguma coisa e depois vai deixar tudo de lado!
– Quando eu fiz isso?!
– E quando é que você não fez isso? Eu conheço você, Lysandre. E não sei por que raios você defende aquele marginal.
– Não o chame assim! Você é igual ao seu pai! Você é egocêntrico, pretensioso e acha que pode ditar o que os outros têm que fazer. Caso contrario, são taxados de marginais. Você não conhece o Dakota, você acha que o conhece. Se eu disse que vou cuidar disso, eu irei cuidar disso!
– Não, você não vai cuidar disso. Sabe quantas vezes você já falou isso? Sabe quantas vezes esse idiota já nos causou problemas? Você acha que eu ainda acredito na cegonha?
– Você sabe que tipo de problemas o Dakota tem. Talvez se tivesse cuidado melhor da sua irmã...
– Como se atreve a dizer que eu não cuido dela?! Você é o irresponsável! – Kentin inspirou fundo e depois soltou uma porção de ar. – Eu vou te dizer uma coisa... – Kentin pôs o dedo no peito de Lysandre, com uma posição ameaçadora. – Se eu ver a cara daquele encrenqueiro de novo, eu atiro em vocês dois. Está bom para você? – Lysandre permaneceu calado. – E nem se atreva a chegar perto da minha irmã.
Kentin saiu pisando duro. Fiquei até imaginando que pernas dele afundariam na areia até o joelho, parecia um soldado marchando. Lysandre seguiu o outro lado e eu fiquei impossibilitada de seguir um dos dois. Tanto andavam depressa, como eu não sabia quem seguir.
Particularmente eu achei que Kentin tinha sido muito rude com Lysandre. Mas afinal, quando Kentin não é rude? De qualquer forma, ele parecia estar muito mais zangado do que qualquer vez que eu o vi zangado. Parecia sério, e foi sério. O que aconteceu comigo foi sério. E eu, por uma razão meio óbvia, já desconfiava o porquê do surfista ter ido ao meu quarto tentar me violar. Quando nos encontramos na mesa de sobremesas, Lysandre foi me defender dizendo que era meu namorado. Desconfiava que o surfista tinha me visto com Castiel, pois ele apareceu logo depois que Castiel me deixou no quarto e depois saiu. Seria isso? Bom, de qualquer forma, o que não fazia sentido era ele querer me violar. Com toda certeza ele tinha fumado todas. Será que foi por isso? Deve ter sido.
Quando comecei a pensar no modo como Kentin falou, comecei a analisar as coisas. Eu sei que Lysandre não é uma pessoa que resolve os problemas com violência, mas pelo que Kentin falou, Lysandre andou empurrando esse problema há algum tempo. Isso concluía a minha hipótese de que Lysandre comprava drogas daquele garoto. Afinal, eles eram amigos, ou quase isso. De qualquer forma, Lysandre sabia do que o loiro era capaz, tanto que foi às pressas quando me viu perto do garoto. As coisas estavam um pouco confusas para mim. E estavam mais ainda porque ninguém me contava nada.
– Nossa, como Kentin consegue ter uma voz tão potente?
– Lana? O que está fazendo aqui?
– Estou me escondendo do Armin.
– Escondendo? Por quê?
– Porque ele é muito pervertido e muito grudento. – ela corou.
Eu sabia que aquela situação nunca iria se resolver se Lana não tomasse atitude. E esperar que ela tome atitude com garotos, é a mesma coisa de esperar elefante criar asas.
– Por que não tenta resolver a situação?
– Porque ele é insistente demais. E afinal, eu ainda não me decidi. E se o Nathaniel pedir desculpas depois? – ela fez bico.
– Se você quiser desculpar, é só esquecer tudo o que você fez. Se beijar o Armin é errado, te trocar pela Melody também é. Pense nisso.
– A filosofia de “olho por olho” não funciona comigo.
– Deveria funcionar. Na maioria dos casos, vem bem a calhar. Ainda mais quando se é uma pessoa que é um pouco vingativa.
– Como você?
– Pode ser.
Tudo que eu posso dizer é que ela estava sendo boba. O Nathaniel a jogou fora e o Armin a quis. Claro que mulher nenhuma é obrigada a ficar com um cara que não quer, mas eu sabia que Lana o queria, mas ao mesmo tempo não queria, por causa do Nathaniel. Eu já devo ter feito algo semelhante, mas aprendi. Talvez ela ainda esteja aprendendo. Talvez até tenha que aprender sozinha.
Alexy passou com uma bola de vôlei nas mãos. Quando me viu, parou para falar comigo.
– Peço desculpas por aquele dia. – ele coçou a cabeça.
– Tudo bem.
– Você não quer jogar, quer?
Pela direção dele, ele estava saindo da nossa parte da ilha. E pelo que eu sei, o surfista vive por lá.
– Acho melhor não.
– Bem... Sinto muito. – ele encarou o chão.
– Você sabe?
– Tinha como não saber? Quando você junta o Kentin e o Castiel numa discussão, até o povo da Aqualândia escuta o que eles estão falando.
– Compreendo. – suspirei. – Bom jogo.
– Obrigado.
Com todos aqueles machucados, pegar sol definitivamente era uma má idéia. Acabei voltando para o quarto, para que não ficasse tão exposta ao sol. No dia em que chegamos, estava nublado, mas agora um sol havia feito as nuvens gorduchas perderem volume. Definitivamente eu estava sentindo calor, já que era acostumada a viver em uma cidade totalmente fria.
Fiquei no quarto, deitada. Ficava inquieta, mexendo em algo, depois em outra coisa. Comecei a ler o começo de um livro, depois o larguei para olhar os detalhes de prata do athame que havia ganhado de presente e depois fui jogar Resident Evil no PSP. Larguei o PSP depois que empaquei numa fase. Fiquei apenas olhando para o teto do quarto escuro, escutando o barulho da minha própria respiração.
O quarto havia sido limpo aquela manhã. O taco de alumínio estava encostado ao lado da cama. Fiquei lembrando-me de inúmeras coisas: do orfanato, da escola militar, da minha chegada a Sweet Amoris. Não sei o porquê, mas me lembrei das ações suicidas de Nathaniel. Provavelmente ele estava feliz demais para voltar a fazer esse tipo de coisa.
“É certo ser feliz esmagando a felicidade dos outros?”.
Nathaniel devia ao menos uma conversa séria com Lana. Se eles haviam tido essa conversa, eu não sei, até porque ela evita falar dele para mim. Não só para mim, ela evita falar dele com todo mundo. Era muito triste. E pensar que eu já tive o coração partido assim como ela, que eu fui trocada, assim como ela. Sorte dela que ela pode evitar o Nathaniel. Eu mal pude evitar o Castiel. Mas pelo menos, Lana não ficou colocando a culpa de coisas que o Nathaniel não tinha culpa. Ela foi madura e firme, e eu apenas me deixei levar pela raiva que estava passando naquele momento. Naquele dia, se eu pudesse colocar a culpa da minha doença no Castiel, eu colocaria. Achei que tudo de ruim que estava acontecendo, era por culpa dele. Se eu odiava tanto isso, por que continuava a desculpar? E por que ele continuava a querer reatar comigo, se na primeira oportunidade, ele me largaria?
No caso, eu não deveria ficar pensando tanto na vida amorosa da Lana. Eu teria mais era que pensar o que estava acontecendo na minha, e em como resolver a minha situação atual com o Castiel. Ou talvez eu nem deveria pensar nisso, não era nem casada para ter que ficar me preocupando com relacionamentos, talvez eu só tivesse que esperar as coisas seguirem seu rumo. Esperar o tempo arrastar os problemas como a água do mar faz com a areia da praia.
Deixar de lado era o certo? Eu já tentei e não deu certo. Será que daria dessa vez?
– Hei, tampinha.
– O que?
– Não vai almoçar?
– Poderia trazer para mim? Não me sinto muito bem.
– Está sentindo alguma coisa diferente?
– Não, só um pouco da dor por causa do “incidente”.
– Está tomando os remédios que a médica passou?
– Sim.
– Certo.
E ele saiu.
Era estranho, muito estranho. Além de estranho, era patético. Estranho era a doença ainda não ter me destruído, como fez com o pai daquela menina do hospital. Foi patético chorar, me descabelar e me desesperar por uma doença que iria demorar a me matar. Mesmo que fosse patético, o sentimento de arrependimento e de tristeza não saía de mim. Era exatamente por isso que eu permiti que Castiel tentasse “reatar”. E como eu pensei outra vez, eu só queria deixar lembranças boas. Ser uma boa pessoa que valha a pena as pessoas chorarem no meu enterro. Seria patético isso também? Nunca fui boa pessoa. Ou pelo menos, não como deveria ser.
Normalmente na nossa vida, nós não pensamos muito em morte, só pensamos quando estamos próximos de apertar a mão dela. Só de pensar que um dia, eu deixaria tudo e todos para trás... Esse pensamento conseguia me destruir mais que qualquer dor, qualquer doença, qualquer coisa, qualquer pessoa. E é sempre assim: pessoas que pensam demais, acabam sendo destruídas pelos seus próprios pensamentos.
Eu não queria magoar ninguém, mas ao mesmo tempo, eu não queria ficar me preocupando o tempo em agradar todo mundo, em explicar tudo, em “resolver” tudo com todo mundo. Tinha mesmo propósito eu ir até Lysandre e ficar querendo arrancar informações sobre a vida pessoal dele? Se ele se sentisse confortável comigo, já teria me contado. Depois do que aconteceu, depois que Lysandre viu que houve algo entre eu e Castiel, ele já ficou receoso. Além de receoso, ele passou a falar menos comigo, a sair menos comigo. E toda vez que ele me via com Castiel, ele fazia uma cara feia, mas tentava disfarçá-la. Quando eu me magoei, eu paguei o preço por magoar Lysandre, embora que eu fiz isso sem pensar.
O grande problema da minha vida era esse: não pensar direito nas coisas. Acho até que já falei isso até demais. E acho que esse é um dos defeitos que eu tenho, que eu tinha que, a qualquer custo, aprender a conviver com ele. Quando se aprende a conviver com um defeito, ele vai embora. É como quando você se acostuma com uma pessoa, ela vai embora. Digo isso pela minha experiência, claro. Mas nesse caso, as pessoas não partiam, quem ia embora era eu.
O dia passou bem rápido. Até porque eu me distraía, escrevi no diário da médica, depois fui escrever no meu próprio diário.
“05/11/2025. Esses dias eu fiquei bem mais pensativa sobre o meu futuro. Um louco me atacou no quarto e eu tive que passar pela sensação de quase ser estuprada para voltar a agir, voltar a saber a me defender. A doença nem havia se manifestado ainda, por que eu teria que me comportar como uma invalida antes do tempo? Tudo o que eu pensei hoje foi sobre morte. Minha vida, minha morte. E tudo que eu quero, é que aconteça de uma forma bem suave, que eu não sofra para não fazer ninguém ao meu redor sofrer”.
Será que eu seria como os meus amigos? Será que eu faria faculdade, me formaria e arrumaria um emprego? Será que eu poderia me casar e ter filhos? Talvez eu só estivesse me precipitando demais, como quando fiquei pensando por horas sobre a minha morte. Eu sei que a morte chega sem nem ao menos avisar, e é por isso que não devemos nos preparar para a morte. Qual é o fundamento de se preparar para a morte? Todos sabem que a perspectiva para todos é essa. Devemos nos preparar para a vida. Já que a morte não avisa, a vida continua.
Tomei um banho, troquei de roupa. Mesmo sem passar a tarde sem comer, eu não sentia fome. Anotei isso no diário da médica antes de sair do quarto. Kentin estava sentado na escada com os fones nos ouvidos. Toquei seu ombro, ele virou o rosto para mim calmamente.
– O que está escutando?
– Música. – ele respondeu. Fiz careta.
– Não me diga! – ironizei. Ele estendeu um dos lados do fone para mim.
Uma parte do fone estava com ele, a outra estava comigo. Alguns minutos se arrastaram com o barulho da brisa em uma orelha e uma melodia na outra. Kentin me chamou para comer algo, apenas fiz uma cara de desanimo.
– Deveria comer algo. Para ser sincero com você, você não come direito desde que descobriu sua doença. Você sabe que isso me preocupa.
– Não sinto mais tanta vontade de comer como sentia antes.
– Quando voltarmos, irei pedir para que a médica indique algumas vitaminas ou algo do gênero.
Permaneci em silencio e respirei profundamente. A brisa era fresca, e não aquele vento gelado que invade os seus pulmões e faz arder. Jantei com Kentin e fui para meu quarto. Acho que a graça da viagem havia se dissipado como uma nevoa. Talvez tivesse perdido a graça só para mim, ou não. Kentin não estava nada feliz, ele sempre saía com uma cara feia e parecia que iria espancar alguém a qualquer momento.
O vento soprava com muita suavidade, que balançava vagarosamente as cortinas da janela. Meus olhos abertos encaravam o teto por todo tempo, como se o sono pudesse sair do teto para fazer meus olhos pesarem. Nada. Revirei-me na cama, nada. Levantei-me, calcei os chinelos e saí para a praia. Talvez um pouquinho de ar seria o necessário para me fazer dormir.
Andei e andei. Já que estava frio, tive a idéia de me agasalhar antes de sair. Dei passos lentos com o vento balançando meus cabelos, e ao mesmo tempo, bagunçando os mesmo. Só depois de muito perto, avistei Lysandre sentado na borda de um barco, um pouco distante do mar. Por estar sem as lentes de contato, me aproximei o suficiente para que ele notasse a minha presença, não dava para desviar o caminho.
– Oi.
– Oi.
– O que faz acordada a essa hora?
– Não consegui dormir. – suspirei. – Posso sentar?
– Claro.
Lysandre cruzou as pernas e olhou para mim. Encolhi-me um pouco no lugar onde escolhi para sentar, senti que ele queria falar algo, mas aguardava que eu puxasse assunto. Logo que viu que eu não falaria nada, ele começou:
– Você está... Bem?
– Não muito, mas estou melhor.
– Sinto muito.
– Já ouvi isso de várias pessoas desde que isso aconteceu. – mordi o lábio inferior. – Ele é seu amigo?
– Não é bem isso.
– Ele te vendia “aquelas coisas”. Não era?
Lysandre ficou calado, puxou o ar profundamente para os pulmões e depois o soltou. Fez que sim com a cabeça e olhou para o chão.
– Eu não posso dizer que não compreendi o porquê de você defender ele. Eu compreendi, eu acho...
– Você compreendeu? – ele me olhou surpreso.
– Você quis dar uma segunda chance a ele, para que ele pudesse se livrar daquilo como você. Foi isso?
Novamente, um sim com a cabeça. Os olhares se separaram, cada um olhando para o lado oposto ao outro. Eu poderia dizer que compreendia Lysandre, mas ao mesmo tempo, eu não compreendia. Eu não conseguia perdoar, não conseguia esquecer. Eu quis fazer com que ele se sentisse melhor, e talvez, quem sabe, eu me sentisse melhor também.
– “O verdadeiro herói é aquele que vence a sua própria raiva e ódio.” – ele se pôs a falar. – Dalai Lama. – ele concluiu, revelando o autor da frase. – Te admiro por isso, mas ao mesmo tempo, eu sei que está zangada. Sei que você nem queria falar comigo por isso. Se eu não tivesse te visto, ou tivesse disfarçado, você nem ao menos viria até aqui, não é mesmo?
Quem cala, consente. E acho que ele interpretou o silencio como uma afirmação. Pareceu até que ele havia lido meus pensamentos. Baixou o olhar, um silencio novamente. Apenas com um barulho do vento e das ondas quebrando no mar.
– Ganhar uma luta com o Kentin não é fácil, admito. E na primeira vez que ele brigou com você, ele estava brigando sério. Só que quando perdeu, não aceitou e disse que tinha pegado leve. E eu sei que o Dake não é tão preparado como uma pessoa que esteve na escola militar... Como você, por exemplo.
– E-eu... O que?
– Foi por isso que você ganhou dele, não é? Foram dois anos a mais. Certo? – ele me olhou nos olhos e interpretou meu silencio, onde o pânico se alojava aos poucos. – Você está doente... Por isso perdeu.
Foi involuntário, como quando você dá muita risada e simplesmente as lágrimas saem espremidas nos seus olhos. Ou como quando você boceja muito e as pessoas pensam que você está chorando. Mal pude pensar, e as lágrimas já saíam.
– Eu não queria ver o Dakota, mas eu tenho que admitir que eu sou a pessoa que sabe lidar com ele. Eu vim porque eu não queria que acontecesse nada de errado com você. Mas aconteceu, e eu sinto muito mesmo por isso. Eu juro. – a mão dele tocou meu rosto. Se continuasse ali, eu desabaria na frente dele, com toda certeza. Apesar de que era para ser algo bom, gestos de conforto são como um sinal verde para as pessoas chorarem desesperadamente. Afastei gentilmente a mão dele do meu rosto.
Levantei-me limpando as lágrimas com as costas das mãos.
– De qualquer forma, obrigada pela conversa. – falei.
– Espere! – ele exclamou
Lysandre me segurou pelos ombros. Engoli a saliva e senti meu coração acelerar, a essas alturas do campeonato, meu rosto deveria estar vermelho.
– Eu sinto muito.
– Você já disse isso.
– Não é por isso. Eu sinto muito por abandonar você. Eu fiquei sem saber o que fazer quando eu descobri, por isso não fui mais para sua casa. Sinto muito.
– Quem contou?
– Quem contou?! E por que você não contou? Quase todos estavam sabendo. Você não confiou em mim?
– E por acaso você confiou? Por que não falou sobre esse garoto e o que havia acontecido?
– Porque você estava ocupada demais com o Castiel.
A ultima resposta foi firme, e fez meu coração despedaçar. A culpa era minha? Quem estava “disputando” eram eles, então por que a culpa tinha que ser minha?
– Não foi minha culpa, o Castiel me arrastou. – justifiquei. Eu sabia que ser firme não era por a culpa nos outros, mas o que eu afirmava, era verdade.
– Por isso que eu sinto muito. Eu deixei você nos cuidados do seu irmão e do Castiel. Não sei se você sabe, mas o Kentin anda passando o dia com umas meninas da ilha. Ele nem sequer teve a preocupação de conversar com você sobre o que se passava na ilha. Mas depois que aconteceu aquilo com o Dakota, ele achou que tinha razão para vir gritar comigo. – ele deu uma pausa e puxou mais ar. – Acha isso justo? – fiz que não com a cabeça. – E é por isso que eu sinto muito. Se eu tivesse feito algo... – ele me puxou para frente. – Isso não teria acontecido. Sinto muito.
Ele me beijou, mas não foi como das outras vezes. Eu mal me mexia, mal respirava. E ele quase chorava, junto comigo. As mãos saíram dos meus ombros assim que ele se afastou, as mesmas entraram nos bolsos do casaco dele, que era justamente o que ele havia esquecido em minha casa. Engoli a saliva novamente, não havia fechado os olhos por nenhum momento, estavam inundados e arregalados.
Ouvi alguns passos pesados na areia fofa, uma força me empurrou para o lado. Vi apenas o vulto de uma cabeleira ruiva passar, e logo após, derrubar Lysandre com um soco. Assim que o derrubou, veio até mim. Castiel, vermelho de raiva como o próprio cabelo. Levantou-me agarrando fortemente meu braço, logo após, deu-me uma bofetada no rosto.
– Quem você acha que é para fazer isso? Sua vadia!
Fale com o autor