Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. Sofri pra achar uma imagem que combinasse com o capítulo ;3; Boa leitura.

Era um sábado, acordei ainda na casa de Kentin. Meu pescoço estava todo dolorido porque tinha dormido de mau jeito. Abri os olhos e bocejei, ainda estava perto de Armin, só que em cima de um futon. Tudo ok, tudo beleza, até eu perceber que ele estava acordado.

– Bom dia. – ele deu um sorrisinho.

– Tem mais quatro futons, porque está deitado nesse aqui comigo? – perguntei cortando a alegria dele.

– E qual é o problema? – Armin arqueou a sobrancelha. – Você é freira por acaso?

Dei um sorriso de canto de boca, me levantei e fui checar a porta.

– Ele ainda não veio destrancar a porta... – dei um suspiro de desanimação.

– É. – Armin sorriu sentando-se no futon e me encarando. – O quarto dele é o do lado, as paredes são finas. Ontem eu ouvi algumas coisinhas.

– Você ouviu... – corei.

– Nossa como você é ingênua! – Armin riu. – Ainda acreditou?

Fiz bico, olhei para os lados procurando algo para abrir a porta. Até que notei que ao lado da porta havia um painel de números.

– Só agora veio perceber isso? – Armin perguntou ainda rindo de mim.

Havia um frigobar no quarto, revirei os olhos dando um sorriso. Saquei um refrigerante e derramei no painel. Deu curto circuito, mas mesmo assim a porta tão abriu.

– Senhoras e senhores, hoje eu irei mostrar para vocês como se abre uma porta com um "resistente" painel de alta tecnologia. – brinquei dando um sorriso final para Armin.

Lembro-me que sempre gostava de usar a bota que Alexy comprou para mim, tinha um salto pequeno e grosso. Dei um chute no painel que meu salto afundou no mesmo. Recolhi minha perna e abri a porta normalmente.

– Abracadabra! – exclamei sarcasticamente observando Armin dar aplausos e se levantar.

Andamos pela casa em busca da saída.

– Você causou danos na propriedade alheia. – Armin me olhou ainda rindo do que eu tinha feito no quarto.

– Ele que fique feliz por eu não causar danos à cara dele. – revirei os olhos.

Para onde íamos, as salas estavam bloqueadas. Kentin desceu as escadas só com um short e uma toalha pendurada no ombro.

– Como saíram? – ele perguntou nos olhando.

– A Lynn é uma mágica! – Armin riu enquanto olhava para mim.

– Quebrou o painel, não é? – Kentin bateu a mão na testa.

– É melhor deixar que eu saia daqui, seu pervertido.

– Cadê a Angela? – Armin perguntou olhando para os lados.

– Ela foi embora. – Kentin me olhou. – Graças a vocês ela não ficou. – Kentin bradou.

– A culpa não foi minha! – exclamei.

– Eu não disse que foi sua. – ele cruzou os braços.

– Então pare de olhar para mim com essa cara de bunda. – virei a cara.

Armin dava risadas altas enquanto eu e Kentin discutíamos, o que durou uns minutos.

– Toma essa merda. – ele jogou a chave pra mim. – E some!

Kentin saiu andando pelo corredor, observei as costas dele. Estavam marcadas com arranhões.

– Gente... E não é que eu tinha razão. – Armin ficou boquiaberto ao ver as costas de Kentin. – Com certeza ela passou a noite aqui. O Castiel vai ficar puto. – Armin deu um sorriso maligno.

Assim que saímos da casa de Kentin, Armin sacou o celular e a chaves do carro.

– Castiel. – Armin falou quando Castiel atendeu. – Eu vou deixar a Lynn em casa e vou pra sua casa, não vai acreditar o que aconteceu na casa do Kentin.

Armin fez o que tinha dito, me deixou na porta do meu prédio.

A semana na escola parecia uma guerra, não se via o F4 mais reunido. E não era só eu que tinha percebido isso, todas as outras pessoas também. Notei que havia a aglomeração de pessoas em frente à TV da cantina, havia noticias falando sobre o F4, mas havia outras coisas.

“Festa de boas-vindas para a amiga do F4, Angela Lii” – li mentalmente.

Ao chegar em casa, fiquei encarando o guarda-roupa. Deram o endereço, mas algo que eu não sabia era se eu ia para aquela festa ou deixava de lado.

– Eu vou ter que ir embora... – Angela falou de joelhos com as mãos em meus ombros. – Vai ficar bem?

– Não... – respondi limpando as lágrimas.

– Claro que você vai. – ela deu um meio sorriso. – Seus outros irmãos vão cuidar de você.

– Não, eles não vão! – exclamei me desesperando mais ainda.

– Vão, eles vão. – ela insistiu. – Vai ser só por um tempo. Lynn, você já é uma mocinha. Tem idade para entender que todos nós temos sonhos, eu só estou correndo atrás dos meus.

– Eu vou. – me decidi começando a mexer no guarda-roupa.

Remexi, remexi, remexi e nada. Lembrei, Alexy tinha me dado o número dele na ultima vez que saímos. Liguei pra Lana e pedi para que ela viesse conosco. Fomos ao shopping, desde que Angela tinha chegado minha mente não tinha se desligado.

– Vai voltar para o orfanato. – um dos meus irmãos falou.

– Por quê? – perguntei mesmo sabendo o motivo.

– VOCÊ É UMA MENINA MÁ! É POR ISSO! – ele gritou.

“Pare cérebro, pare de pensar dessas coisas”. – disse para mim mesma coçando a cabeça.

– As pessoas me chamam de Tio fadinha. – ele sorriu.

– Por que me escolheu? – perguntei, ele tirou os sorriso dos lábios.

– Seus olhos... Eles me lembram dos meus. Cheios de sonhos. – ele passou a mão no meu cabelo.

– Por que disse a diretora do orfanato que me mandaria para a escola militar?

– perguntei encarando o chão.

– Por que eles podem te ensinar a ser uma pessoa correta. – ele cruzou os braços. – Eu não consigo ensinar isso a você.

“Pare cérebro, já disse”. – insisti sacudindo a cabeça de um lado para o outro.
As memórias iam e vinham, meu peito doía.

– Se sente menos homem quando chora? – perguntei.

– Sim. – ele afirmou puxando a mão para si.

– Não devia. – puxei a mão do mesmo de volta ficando entre as minhas duas mãos que eram bem menores comparadas com as dele. – Vocês homens são tão orgulhosos. – dei um meio sorriso.

“O Kentin daquele dia não parece nenhum pouco com o Kentin de hoje de manhã. Parecem pessoas diferentes”. – pensei.

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, limpei e ignorei a lágrima virando o rosto para as vitrines.

– Você está bem? – Lana perguntou.

– Sim, porque não estaria? – forcei um sorriso.

Lana fez uma cara de quem não acreditou um pingo sequer no que eu tinha falado, mas ela meio que deixou para lá. Ela sabe que ser pressionado quando se está triste é praticamente uma tortura.

– Vamos lá, Lynn. – Alexy me puxou para dentro de uma loja, quando entrei notei que era uma loja que vendia roupas de estilo gótico.
– Por que sempre trás à lojas assim? – interroguei fazendo bico.
– Eu já disse, você fica sexy com essas roupas. – ele mordeu o lábio inferior fazendo uma expressão sensual.

Olhei para Lana, ela tirou onda da minha cara enquanto imitava Alexy, dando um sorriso pervertido no final. Lancei um olhar de censura e fechei a cara, Lana apenas ficou rindo sem produzir sons.
Alexy tirou várias peças e colocou nos meus braços. Logo ele já enchia as mãos de Lana também.

– Vão as duas pros trocadores. – ele falou imperativo.

– Mas... — Lana ia discordar, logo foi cortada por Alexy.

– Eu mandei ir. – ele insistiu.

Lana escolheu uma roupa mais fofinha, que combinava mais com a aparência dela. Era um vestido com babados e laços da cor branca e preta, uma meia calça de renda e botas cano médio.

Escolhi um vestido também, parecido com a maioria que costumo a comprar, o mesmo comprimento, as mesmas cores. Se olhasse no meu guarda-roupa, veria peças quase iguais. A bota que eu comprei tinha zíper, era o que diferenciava ela da outra que eu já tinha.

– Você só escolhe isso. – Alexy me olhou fazendo birra. – Mas confesso que você fica muito fofa nessas roupas... – ele sorriu, logo o sorriso se tornou malicioso. – Sabe... Lysandre gosta de meninas que se vestem assim, quem sabe você... — lá veio ele com essa de novo!

– QUIETO! – berrei.

Olhei para Lana, ela parecia pensativa.

– Lysandre... – parecia tentar lembrar. – Oh! Lysandre. – ela me olhou com a mesma cara que Alexy tinha feito.

Pareciam duas crianças me aborrecendo. Alexy disse que não ia comprar nada, mesmo que fosse a festa das boas-vindas, Alexy chamou até Lana para ir com a gente, mas ela não quis. Ele pagou tudo, disse que estava pagando “aquele” favor. Na hora eu já saquei, só de lembrar-me daquele dia, ainda sinto a dor perto das costelas esquerdas.

Cheguei em casa, guardei o vestido e a bota. Sentei-me de frente ao espelho.

A diretora Shermansky tinha me chamado na sala dela. Assim que entrei, a vi com uma expressão nada agradável.

– Lynn... Chegaram noticias do seu pai. – ela me olhou fazendo um gesto para que eu me sentasse.

– Até que enfim. – cruzei os braços sentando na cadeira. – Ele mandou uma carta ou algo assim?

– Sim... – ela me deu um envelope.

Olhei o envelope, estranhei. O endereço dele era aquele mesmo? Ignorei, ele deveria estar viajando. Meu sangue esfriou e meus olhos marejaram na hora que me deparei com aquela certidão.

– Lynn... Seu pai morreu.

Notas finais
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