Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. To refazendo isso de novo, com lágrimas nos olhos, claro. Não vou por notas finais, vai atrasar as coisas. Boa leitura.

Acordei do meu profundo sono, me levantei.

— Aquilo foi um sonho, tem que ser. — pensei em voz alta coçando os olhos.

Fiz referência ao que tinha acontecido ontem. Aquelas imagens se fixaram e repassavam a cada minuto em minha cabeça.

“Educação especial, claro” — questionei comigo mesmo. — “Estão é massacrando as pessoas”.

Disciplina e responsabilidade para nada, não é? O que aquele pessoal tinha na cabeça para tratarem uma pessoa assim? Aquilo não era daquele jeito quando eu estudava lá. Apesar de que nem sei quantos anos fazem desde que pisei os pés pela primeira vez naquela escola.

— Por mim, nem pisaria mais. — resmunguei enquanto trocava de roupa.

O dia estava úmido e escuro, havia chovido a noite inteira. A enfermeira me deu carona e trouxe Nathaniel comigo, o deixei em seu apartamento. Imagino o quanto os pais dele devem ter se preocupado. De certa forma eu temia em voltar para a escola depois de tudo o que aconteceu.

Uma coisa que eu não entendo é que: Nathaniel disse que ninguém se mete com o F4. Então por que ele se meteu se já sabia o que iria acontecer?

“Eu vou falar com a diretora daquela escola. Que pessoal vândalo. Uma coisa que eu aprendi na escola militar é detestar vândalos, aliás, não precisa frequentar escola militar para detesta-los”.

— Se esses delinquentes acham que vão se meter comigo — pausei um pouco colocando minha arma na bolsa. — Vão pensar duas vezes. — sorri.

Coloquei na bolsa uma pistola 1.40 com munição de balas de borracha.

“Se eu pudesse, levava munição de verdade” – estava sentindo raiva, claro. Se eu o fizesse, seria uma vândala também. Ou pior, uma criminosa homicida.

Saí de casa andando. A escola não era tão longe assim do meu apartamento.

“Nathaniel nem deu as caras." — dei uma tapa na minha testa por pensar em algo tão bobo. — “Claro né, Lynn? Todo chumbado daquele jeito, como ele vem?”

Afastei os maus pensamentos e entrei na escola indo em direção a minha sala. Passar despercebida não foi muito bem o que ocorreu. Graças ao ocorrido de ontem, eu tinha chamado a atenção de todo mundo.

“Eu agi bem, agi bem!”. — dei apoio a mim mesma.

Deixei as coisas em minha sala e fui à sala da direção falar com a diretora. Senti um ódio muito grande quando ela disse que não podia fazer nada em questão o ocorrido de ontem.

— O que? — gritei. — Isso é um absurdo. Que diabos de escola é essa que não pune as irresponsabilidades dos alunos? Não viu como o representante ficou?

— Não posso fazer nada se isso foi obra do F4. — ela colocou uma mão por cima da outra em cima da mesa. Parecia mais dois pedaços de papelão molhado de tão enrugada que era sua pele. — Peço sua ausência na minha sala, eu falarei com Nathaniel sobre isso.

Saí da sala bufando de ódio.

“Velha coroca". — trovejei por dentro.

Dei alguns passos até bater a parte do meu rosto em um lugar macio. Olhei para frente, tinha dado de cara nos seios de uma menina.

— Desculpa. — falei.

— Não me viu aqui? — Ambre gritou.

“É claro Lynn, você está cega?” — passei a mão em meu nariz. — “Um trambolho desses não tem como não notar”.

— Ah, é só você? — falei despreocupada quando vi que era Ambre.

“Os saltos parecem ter dobrado de tamanho para que eu tenha batido a cara dos peitos dela”. — cocei minha cabeça olhando para seus pés. Admito que costumo a usar saltos altos, mas aqueles pareciam os saltos daquela cantora pop que usa roupas bizarras.

— Como assim só ela? — Li indagou. — Você sabe com quem está falando?

Se Li fosse um pouco mais inteligente, saberia que minha expressão revelava familiaridade, pois eu conhecia Ambre. Entretanto ela "interpretou" como desdém.

— E com quem seria? — interroguei sem interesse. Porém confesso que até estava um pouco interessada, a ignorância delas era cômica.

— Com as três belezas da escola. — Ambre respondeu passando a mão no rosto.

— Deixaram a beleza em casa para ninguém roubar? — debochei.

Ambre deu seus grunhidos e os ouvi até todo o ar cômico daquela cena se evaporar, claro que debochar de uma garota como ela não me traria mínimos problemas. Devo ter mudado muito, afinal nenhuma das três me reconheceu e olha que já sofri algumas vezes com os insultos de Ambre e suas amigas, que não eram necessariamente Charlotte e Li. Algo que percebi é que Charlotte parece não aprovar as coisas que Ambre faz, mas seu silêncio disfarça isso. Essa teoria eu desenvolvi quando parei para analisa-la.

Como aquela escola era grande, óbvio que havia uma piscina. Tinha colocado a minha roupa de mergulho, óculos, touca e tudo na bolsa para nadar. Mas tinha um problema: na época que estudei na Sweet Amoris, ainda não sabia nadar. E por nunca ter procurado a piscina, não fazia a mínima ideia da localização da mesma.

Andei, andei, era fora do prédio com toda certeza. Passei pelo jardim da escola e involuntariamente meu ouvido me levou até uma melodia suave e um pouco melancólica. Passei por um caminho de pedrinhas até chegar ao autor dessa melodia, vinha de um violino. Observei, quem tocava o violino era o garoto da calça camuflada que eu vi com o F4 ontem.

“Ele estava mais bonito ontem”. — julguei. Estava um pouco receosa de pedir uma informação. Ele era do F4 e tu mais, mas não faria mal se eu apenas perguntasse a direção da piscina, faria?

O menino estava dessa vez com a roupa toda branca e usava um sobretudo branco também. Ao ver que eu estava ali ele desafinou, parou e olhou para mim.

— Desculpa. Não queria atrapalhar. — levantei as mãos em sinal de paz. — Sabe onde fica a piscina? É que eu sou novata, não sei onde fica.

Ele apontou para o lado direito, agradeci e saí dando um sorriso de canto de boca. Por enquanto o plano de parecer novata estava bem sucedido.

Quando avistei a piscina, contemplei seu tamanho. Vesti minha roupa de mergulho e fui nadar por duas horas. Castiguei-me, estava me auto-punindo por não ter defendido Violette. Voltei à sala, assisti às aulas, o sinal tocou. Estava na cantina comendo quando uma menina chegou.

— São poucas as pessoas que optam por comida estrangeira. — ela comentou aproximando-se com a bandeja em mãos.. — Posso sentar junto a você?

— Claro.

“Oh, claro. É a Iris.” — lembrei. — “Sempre sendo gentil com os outros”.

Iris era uma ruiva de roupas coloridas que nasceu na Inglaterra. Quando eu a conheci ela tinha um sotaque inglês, até Violette já tirou onda com o sotaque de Iris. Realmente era um pouco engraçado como ela falava "atum" ou "pudim".

— Você já era dessa cidade? — ela perguntou.

“Parece que ninguém se lembra de mim mesmo. Ter sido praticamente invisível até que teve suas vantagens".

— Não. — menti. — Estudava em outra escola na minha outra cidade.

— Salvava as pessoas lá também? — brincou. — O que você fez ontem exigiu muita coragem.

— Eu só estava sendo uma boa sol... — parei, por um minuto meu plano de parecer novata foi ameaçado de receber uma viagem só de ida para o espaço. – Pessoa...

— Não são todas as pessoas que gostam do F4. — admitiu ela enquanto me encarava. — Mas ninguém nunca se meteu com eles, nem ao menos ajudando uma de suas vítimas.

— Que se danem eles. — rebati dando uma garfada na minha comida e levando até a boca. — Por mim que se explodam todos eles, todos eles e essa escola idiota.

— Nossa, você mal chegou. Sério mesmo que não gosta daqui? — indagou incrédula. — É bem agradável.

— Quando não chutam o seu traseiro até pode ser. — retruquei a olhando. — Mal cheguei aqui e já reconheço que esses caras são uns manés.

Ouvi um barulho de sino, em menos de cinco segundos 80% das pessoas estavam em volta dele. E lá estava ele, o babaca ruivo num degrau alto. De longe dava para ver aquele vermelho que parecia papel crepom.

— Devo avisar que ninguém mais será salvo por nenhum duende. — ouvia sua voz de longe ecoar por todo o salão da cantina. Ele debochou de mim. — Não vão existir defensores. Nathaniel quis pular, isso foi decisão dele, acho que ninguém deveria atrapalhar.

— Que merda esse moleque está falando?! – resmunguei.

— As medidas vão ser tomadas se houver outro intrometido, certo? – ele sorriu maldoso lançando um olhar contra mim.

“Esse garoto...” — sorri da mesma maneira que ele. Quem via de longe nem percebia que dentro de mim um vulcão ameaçava entrar em erupção. — “Eu vou torcer o pescoço dele como uma toalha molhada".

As pessoas se dispersaram como flato no ar. Fui andando até um local onde era alto e não havia ninguém. Ou seja, o telhado.

— Eu odeio isso aqui. — rugi para o nada como se fosse uma demente. — Eu odeio todo mundo, especialmente aquele absorvente usado.

— Hei menina. — ouvi uma voz do fundo da escadaria. — Você é bem barulhenta.

Era o menino do violino hoje mais cedo.

— Primeiro você me atrapalha. Agora me acorda. — ele coçou os olhos.

— Por que estava dormindo? — interroguei. Sinceramente não me interessava o motivo dele estar dormindo como um mendigo largado no telhado, mas fiquei nervosa por ele ter ouvido o que falei sobre o ruivo. Óbvio que ele sabia que eu me referia ao ruivo, até porque ele também deveria saber que o cabeça de o.b tinha se referido a mim quando citou um duende.

— Porque eu estava com sono — retrucou. — Você não parece ser muito inteligente.

— E o que vai fazer? — provoquei. Mesmo um pouco nervosa ainda tirei coragem para tal atrevimento. A julgar pela cara dele, não parecia ser como o amigo. — Vai me dar um F4?

— Talvez. — ele sorriu maroto. — Na verdade essas frescuras de dar F4 são coisas do Castiel. — confessou. — O “Absorvente usado”. — ele fez aspas com os dedos.

— Ah. — fiquei sem graça e desviei o olhar. — Você ouviu, né?

— Não tinha como não ouvir. E não se preocupe, não contarei nada para ele. — bocejou ele.

É, nisso ele tinha plena razão. Acho que as vezes movidos pela irritante mania de perguntar coisas que já sabemos a resposta.

— Se quiser pode falar. — cruzei os braços e fechei a cara. — Não tenho medo.

— Claro que não tem. — ele deu uma risada. — Ah! E se me acordar de novo, eu acabo com você.

Sorri, ele não era tão ruim quanto parecia. De hoje de manhã para aquele momento ele tinha mudado a roupa. Iria perguntar qual era seu nome, mas assim que virou as costas estava escrito na jaqueta “Kentin”.

No dia seguinte estava andando com Iris pelo jardim, ela tentava se equilibrar enquanto andava sobre os banquinhos onde o pessoal sentava. Tínhamos comprado sorvete de creme. Iris segurava minha mão, estava tão sorridente. Ela escorregou, tentei segura-la, mas não consegui. Quando observei o sorvete tinha caído mesmo em cima do sapato do Castiel, ele estava junto com os outros três.

— Você tem ideia do que acabou de fazer? — o ruivo começou a falar calmamente, mas parecia que ia explodir. Era quase como ver um vulcão entrando em erupção.

— Desculpa. — Iris falou. — Eu posso comprar outro pra você.

— Não, não pode. — ele negou. — Eles são únicos, não fabricam mais desses.

— Hei, ela pediu desculpas. — defendi-a. — Qual o seu problema?

— Não se meta. — esbravejou ele. — Ainda mais que é logo você, a exibida que se mete nos assuntos alheios. Não tente bancar o duende novamente.

— Posso até ser o duende, mas pelo menos eu não tenho o coração de pedra e não pinto o cabelo com papel crepom. — a raiva era tanta que eu queria continuar falando mais e mais. Aquele garoto merecia ouvir umas poucas e boas.

— Como disse?

— Já disse!

— Eu sugiro que fique na sua. — aconselhou ele logo em seguida me empurrando para o lado. — E você! — ele falou olhando para Iris.

— Eu... Eu faço o que for preciso pra me desculpar. — a ruiva de tão nervosa que estava, se submeteu à aquele idiota.

O olhar dele passou de zangado a maldoso, os meninos atrás dele estavam com cara de “Para com isso seu idiota, deixa a menina em paz”, pelo menos foi o que eu entendi. E por um momento, vi que eles não eram tão ruins como Nathaniel falou.

— Então lamba. — disse ele com um tom simples na voz, como se o que ele ordenara não fosse nada demais.

— O que? — ela indagou incrédula.

— Você disse que faria o que faria o que fosse preciso. — relembrou ele. — Lamba a mancha e eu te perdoarei.

Iris me olhou com os olhos marejados. A humilhação de Iris me dava tanto ódio e tanta fúria o suficiente para socar a cara daquele garoto. Estava quase sendo uma necessidade que sentia naquele momento.

— Castiel. — o menino heterocrômico o repreendeu.

— Calado Lysandre. — ordenou ele.

— Castiel cara, isso já deu. Para com isso. — falou o menino que estava com o PSP na mão.

— Eu já mandei se calar Armin. — trovejou.

— Não! — exclamei tomando a frente de Iris. — Ela não vai fazer isso.

— Então faça por ela, já que você toma as dores pelos outros. — sorriu. Senti uma aura diabólica emanar daquele moleque. Ele ia ter o que merece, isso é uma promessa!

Olhei para Iris novamente, me agachei um pouco.

— Certo. — concordei fingindo-me rendida.

Olhei para a cara do dito cujo, ele tinha um sorriso de triunfo. Aquele sorrisinho de cinquenta centavos se desmanchou exatamente no momento em que passei uma rasteira e ele caiu no chão como uma porção de manteiga, até o barulho pareceu ser o mesmo. Armin era muito exagerado ria como um louco, Kentin já dava uma risada mais baixinha enquanto Lysandre só sorria. Não pareciam ser seguidores muito "devotos", acho até que estavam concordando comigo. Bom, se eles concordassem ou não, não parecia fazer muita diferença. O menino-menstruação parecia ser bem teimoso.

— E vê se troca essa tinta aí. — joguei o sorvete de casquinha no cabelo dele. — Todo mundo vê que você é ruivo de farmácia.

Saí puxando Iris pelo braço. Ela olhava para trás como se não acreditasse no que acontecera e estivesse confirmando. Eu estava feliz, mas ela não parecia estar. A ruiva tinha um ar preocupado. Pelo menos pelo que pude analisar.

Então no outro dia eu abri meu armário, tinha um bilhete preto com fundo de caveira, e na frente havia escrito algo.

— Você recebeu o seu F4... — li em voz baixa.

“Agora eu virei o alvo...” — concluí.

Notas finais
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