Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan FUMAÇANDO.Minha gente, eu não sei o que falar, eu to aqui quase chorando, poxa, já é a segunda vez que isso acontece --'Se minha conta for recuperada, eu vou excluir daquele site, desculpem, mas para mim já deu, vou ficar aqui no nyah mesmo.Boa leitura.

Estava de carro saindo da base de treinamento, treinávamos a pontaria com os rifles lá. Depois de tanta procrastinação, finalmente tinha achado uma maneira de viver fora do orfanato e ao mesmo tempo fora da casa de uma família. Tive uma longa conversa com minha nova tutora na base de treinamento. No carro ela me contou sobre onde eu moraria a partir de agora.

— Eu arrumei um apartamento para você. — falou sorrindo. — Ele fica perto da sua nova escola, a Sweet Amoris.

— Sweet Amoris? — aquele nome me era familiar, mas por hora não me lembrava de onde conhecia.

— Lá é uma ótima escola. — ela comentou com o mesmo sorriso no rosto.

Minha nova tutora era filha da diretora da escola militar, que é a Senhora Shermansky. Ela era muito diferente da diretora, era mais alegre, vivia usando roupas estranhas e mudando a cor do cabelo, mas acho que isso é mais para o trabalho dela. Já tinha visto-a muitas vezes por lá, mas nunca imaginei que algum dia ela fosse se responsabilizar por mim antes que me colocassem no orfanato novamente. Minha tutora dizia que ela era minha fada madrinha, por isso insistia que eu a chamasse de “Fada madrinha” ou simplesmente “Tia”. Uma proximidade confortável o suficiente, devo dizer.

— Chegamos. — anunciou ela saindo do carro balançando seus enormes cabelos coloridos.

— Certo.

O prédio era grande. E confesso que meu apartamento não era nenhuma cobertura de luxo, mas era o suficiente para mim. Muito melhor que o orfanato, isso eu garanto.

— Sua bagagem chega amanhã. — explicou. — Precisa de ajuda com alguma coisa? Eu passei por aqui ontem e dei uma arrumadinha, não sei se foi o suficiente. Deixei algumas coisas no armário e...

— Não se preocupe. — sorri tentando acalmá-la. — Eu vou ficar bem.

— Está tudo bem, Lynn. — me abraçou. — Eu sempre quis ter uma filha como você, mas nunca me casei para isso. — ela se afastou um pouco me segurando pelos ombros. — Bem... Eu vou indo. Suas aulas começam as nove e eu venho pegar você para te deixar na escola.

Talvez a proximidade não estivesse sendo tão confortável quanto imaginei. Mas aparentemente ela tinha em mente que eu não estava pronta para chamá-la de mãe sendo que ainda estava tentando superar uma perda. Com aquele ar parecia que ela realmente tinha interesse em me adotar, mas estava me dando um tempo. Estiquei-me um pouco ao vê-la saindo, havia trazido uma bolsa comigo. Aliás, era uma mochila onde tinham algumas coisas de higiene pessoal e meu pijama.

— Já que a bagagem vai chegar cedo, é bom eu dormir cedo. — combinei comigo mesma seguindo até o banheiro.

Era a primeira vez que eu morava sozinha em toda a minha vida, eu disse para a Tia que eu iria ficar bem, até porque eu passei por situações bem piores. Morar sozinha deveria ser moleza, certo? Iria estranhar aquilo tudo por um tempo, óbvio. Desde pequena até que conseguia me virar bem, mas claro que sempre tinha alguém presente. Não sabia como iria ser a partir de agora, mas tinha boas expectativas. Tomei banho e fui dormir.

No outro dia eu acordei com o som da campainha. Eram sete e meia da manhã, devia ter acordado mais cedo. Desesperei-me e corri para a porta. Ao abrir dei de cara com um rapaz, era um garoto loirinho com camisa social e gravata azul.

— Oi. — ele falou me olhando e corando um pouco.

— Oi. — respondi estranhando.

Sequer lembrei que estava com o cabelo armado e pijama não tão apresentável. Estava na hora de morrer de vergonha!

— Então... — ele coçou a cabeça desviando o olhar. — Uma moça pediu para eu trazer umas bagagens aqui.

— Uma mulher do cabelão? — perguntei.

— De roupas estranhas? — fiz que sim com a cabeça. — Oh, claro. Foi essa mesma. — ele sorriu. — Aqui está!

— Muito obrigada. — agradeci. — Peço desculpas pelo inconveniente, ainda mais que eu não me toquei que não estava em trajes decentes para abrir a porta. — cocei a cabeça.

— Certo. — ele deu um sorriso totalmente sem graça e corou pra caramba. — Eu vou indo... Moça.

Sorri e fechei a porta. Tomei um banho rapidinho e fiz um lanchinho. Coloquei uma roupa decente, fiz tranças em meu cabelo e fiquei esperando a Tia vir para me deixar na escola. Esperei, esperei. Estava na recepção quando vi aquele loirinho saindo do elevador. Ele me encarou intensamente por um momento, mas logo desviou o olhar e saiu do prédio.

Ouvi umas buzinadas, finalmente ela tinha chegado. Corri para dentro do carro. Eu poderia até ir de ônibus ou táxi, mas ela insistiu em me levar pelo menos uma vez.

O carro parou no sinal vermelho, a janela estava aberta. Corria um vento tão bom. Olhei para o lado e havia uma pessoa no banco da frente dirigindo um carro, um menino da minha idade num carro esporte. Ele tinha o cabelo ruivo e usava óculos escuros.

Quando o sinal abriu, ele quase levou a avenida consigo.

— Esses jovens... Os pais dão transportes e eles fazem isso. Colocam a vida dos outros em risco. — resmungou minha tutora com um ar marrento.

Na escola militar o que mais você aprende a ter é disciplina e responsabilidade. A Tia lembrou-me que isso é bastante exigido na Sweet Amoris. Além do fato que a Sweet Amoris não era uma escola qualquer. Era até classificada como uma escola de ensino especial. Quem sabe diziam isso por conta da mensalidade caríssima. Sorte a minha que minha tutora era uma mulher com boas condições financeiras. Ela é uma modelo e compositora famosa.

— Só tome cuidado com o F4. — avisou ela.

— F4? O que é isso?

Ela parecia estar receosa em responder. Deu-me dinheiro para o almoço e a orientação de seguir para a sala do grêmio. Claro que o lance sobre o F4 me incomodou muito. A cara dela não era uma das melhores e isso não me deu muita confiança em meu “primeiro dia”.

“Então essa é a Sweet Amoris?” — ao ver o prédio com atenção notei que aquele nome não era só familiar. Alguns anos atrás estudei nessa escola por um ano. Foi até mesmo antes de ir para a escola militar. — “Espero que as coisas tenham mudado aqui. Essa escola está mais para uma reunião de riquinhos do que uma escola de ensino especial”.

De qualquer forma, minha missão inicial é passar despercebida. Quando criança tinha alguns problemas para me socializar por conta do aparelho odontológico super feio que usava, sem contar os óculos. Pode parecer drama querer passar despercebida, mas não é. Se alguém me reconhecer, certa oxigenada com certeza vai ficar sabendo. E isso pode me trazer problemas se ela tentar xeretar minha vida para saber onde estive. Se alguém descobrir sobre a escola militar, é um problema maior ainda. No ensino militar foi implantado treinamento militar armado depois que nosso país passou por alguns conflitos e quis investir desde cedo em um exercito que atuaria em seu favor caso necessário. Alguns pais mandavam seus filhos problemáticos para colégios militares. Mas esse tipo de caso acaba se generalizando na boca das pessoas e a imagem de colégio militar se torna algo ruim. Como se fosse um castigo e as pessoas lhe olham como um delinquente problemático por ter ido para lá.

“Onde será que fica a sala dos representantes?” — pensei comigo. — “Qual é? É tão difícil assim?!”.

Encarei a folha por uns segundos. Ouvi uns gritinhos femininos vindos do salão principal e por curiosidade fui dar uma olhada no que se tratava.

— O F4 está passando. — uma delas comentou.

O F4?! Aquilo sim me interessada! Bem mais do que a sala do grêmio para ser exata. Claro que pensei muito bem no conselho da minha tutora. Não cheguei tão perto, apenas procurei um lugar onde poderia ter uma visão melhor para ver o que diabos era o F4. Na hora que vi tive uma decepção enorme. Pensei que F4 era algo mais interessante, mas eram apenas quatro garotos passando. Um deles parecia ser o retardado do carro esporte que quase levou a avenida junto com ele.
Acompanhavam ele um garoto de calça camuflada, outro garoto do cabelo platinado e o ultimo andava super devagar enquanto estava hipnotizado no PSP.

Após avançarem mais um pouco, uma garota de cabelos cor púrpura apareceu com um bolo em mãos. Este parecia ser muito gostoso e tinha formato de coração.

— Eu fiz para você. — ela o esticou para o ruivo. — Por favor, aceite meus sentimentos.

As coisas mudaram de figura, isso era fato. Violette era uma garota muito tímida que mal falava na escola. Claro que era alvo de zoação e tinha dificuldade para se enturmar assim como eu tinha. Por conta disso ela acabou se misturando com companhias erradas. Era uma maria-vai-com-as-outras e as vezes fazia coisas muito babacas por ordem das "amigas".

Os braços ainda estavam esticados, ela baixou a cabeça desesperançosa. A mesma se ergueu quando o ruivo tomou o bolo em mãos. Todos, assim como ela pensaram que o ruivo estava tomando o bolo em mãos como se estivesse aceitando os sentimentos dela, mas foi apenas um equívoco. Ao invés de dizer um simples "não", ele jogou o bolo na cara da pobre coitada e saiu andando acompanhado dos amigos. Só fiquei me perguntando como uma pessoa consegue ser tão cruel como esse ruivo. Se estivesse em outras circunstância, até poderia ir me meter e defender Violette. Entretanto preferi ficar onde estava e obedecer o conselho da Tia.

— Sua idiota. — ouvi uma voz familiar. — Castiel só come coisas feitas pelo seu chefe particular.

Chegamos ao ponto! A garota que exclamou isso com total insensibilidade e deboche era a oxigenada que citei mais cedo. Seu nome é Ambre. Desde pequena aquele projeto que menina se metia na vida de todo mundo e fazia o que podia para prejudicar quem não gostasse dela. Se Violette ainda estava andando com ela eu não sei, mas sei que percebeu, antes ou agora, o tipo de amiga que arrumou.

“Vou sair daqui antes que tenha uma indigestão".

O F4 passou, todo o pessoal eufórico havia seguido seus rumos. Eles seguiram o deles e eu o meu. Embora tenha me distraído com a decepção de ter conhecido aquele ruivo, tinha coisas mais importantes para fazer. Como por exemplo entregar uma folha ao representante. Não entendi muito bem, mas era algo relacionado com minha matrícula.

— Com licença, o representante está? — interroguei após três batidas na porta. Empurrei-a devagar e dei de cara com o cara loiro do meu prédio. Na hora bateu uma super vergonha por lembrar que ele me viu de pijama mais cedo.

— Eu sou o representante, meu nome é Nathaniel. É um prazer conhecê-la... — ele estendeu a mão para mim com o rosto levemente ruborizado. — Formalmente, desta vez. — brincou.

— Claro, claro. — cocei a cabeça meio sem jeito e apertei sua mão. — Minha tia mandou entregar isso. — falei estirando o braço para entregar a folha. — Posso perguntar uma coisa, Nathaniel?

— Claro. — concordou ele enquanto examinava a folha.

— Por que todo mundo idolatra esses caras do F4 sendo que eles são tão maus?

— Vejamos... Você já estudou aqui. — concluiu ele caminhando até sua mesa e abrindo uma gaveta para procurar os papeis da minha matrícula. — O F4 se formou um ano depois da sua saída.

— Como sabe que estudei aqui? — arqueei as sobrancelhas. Meu nervosismo era evidente, tanto que o representante até achou engraçado.

— O papel que me entregou era seu histórico. — explicou.

Nathaniel suspirou e mesmo aparentando não sentir vontade alguma de falar sobre o F4, ainda se dispôs a isso. Ele me contou que o F4 eram os quatro meninos que eu vi. Pode não parecer nada demais, e para mim nem é. Entretanto o líder do F4 — o ruivo de farmácia — é herdeiro da escola e da fortuna dos pais dele. Essa é a explicação para o "poder" do moleque.

— Ainda tenho que arrumar muita coisa. Me deseje sorte e torça para que seu histórico não se perca no meio de toda essa papelada. — o loiro deu um risinho descontraído, até mesmo me arrancou um pequeno sorriso. — Mas não precisa se preocupar. O trabalho agora é comigo e com a secretaria.

— Obrigada. — agradeci assentindo com a cabeça.

— Espero que possamos ser amigos.

— Também espero isso. E por falar nisso... — pausei um pouco meio envergonhada do que ia pedir. — Poderia guardar segredo sobre meu histórico?

Nathaniel deu uma ultima olhada na folha de papel e assentiu com a cabeça. Bom, meu segredo fora descoberto pelo representante. Mas ele parecia ser um rapaz tão simpático e tão legal que sequer tive preocupações. E se ele pensar em contar para todo mundo, ele que se cuide! Moramos no mesmo prédio e ele pode se ferrar muito se pensar em aprontar comigo!

Estava iniciando o ensino médio naquele ano. Minha sala era o primeiro ano "A". Alguns rostos pareciam distorcidos, mudados e esculpidos desde que saí desse colégio. Nenhum comentário foi direcionado a mim e assim as primeiras aulas seguiram até o toque do intervalo para o almoço.

“Que diabos é isso?" — perguntei a mim mesma assim que cheguei à cantina e vi um tumulto de pessoas correndo para a escadaria que possivelmente chegava ao terraço. Subi as escadas rapidamente quando começaram a falar algo sobre alguém estar tentando se jogar.

— O que está acontecendo? — perguntei bem alto empurrando todo mundo para passar.

— Eu recebi meu F4. — confessou o menino parado de pé na borda do terraço.

— F4? — interroguei incredula. Nathaniel parecia que havia saido de uma guerra. Suas roupas estavam rasgadas, seu rosto machucado assim como o resto do corpo.

— Quando se recebe um F4, você vira alvo da escola inteira. — ele explicou. Neguei com a cabeça, não consegui aceitar que a porcaria de quatro garotos haviam feito a cabeça de todos os idiotas da escola. Fizeram aquilo com Nathaniel por ordem do F4! É inaceitável!

— Até que ele aguentou muito. — um comentou de um lado. — Normalmente quem ganha um F4 não dura mais de cinco dias.

Nathaniel abriu os braços e se jogou do telhado. Por reflexo o agarrei pela camisa e logo após pelos ombros. O puxei para cima e o segurei firmemente enquanto ele chorava com desespero e tentava se soltar de mim.

— Chamem a enfermeira! Tragam ajuda!

Notas finais
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