Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. ÇA-LI-EN-CIA, apenas. Eu peço desculpas por não estar respondendo os comentários. Como vocês sabem, minha net e o pc não estão a favor da fanfic ;-; Queria agradecer as recomendações que algumas morangolinas fizeram

Remexia-me na cama de um lado para o outro. Estava sentindo um frio do capeta. Fui resmungando até o guarda roupas na parte de cima, procurando cobertores. Pisei em água, água? Não tinha derramado nada. Ao olhar, vi que a janela estava aberta, não era nada mais nada menos do que neve.

“De novo?” – pensei. – “Achei que a época da neve tinha passado”.

Estava redondamente enganada. Os dias de treinamento coletivo eram datados e eram poucos. Certo que há soldados que se adaptam a combate em climas extremos, mas a maioria das pessoas da escola militar não aguentava treinar naquelas condições.

Não tive escolha a não ser ir à escola como sempre fazia, ao chegar à recepção ouvi no rádio que TODAS as escolas, sem exceção de nenhuma, não iriam abrir por causa da neve. Já tinha me arrumado, decidi ir para o culinária mágica. Lana tirava a neve da calçada com uma pá.

Naquele dia, Cristal trabalhou mais com comidas e bebidas quentes. Depois que os caminhões limpa-neve passaram, as pessoas começaram a vir para restaurante. Andava folheando o bloco onde eu anotava os pedidos. No relógio já batia três horas da tarde, tinha almoçado lá mesmo. Até porque seria meio inconveniente voltar pra casa com toda essa neve e ainda ir aprontar algo para o almoço.

Fui dispensada do trabalho e fui andar por aí, estava bem agasalhada e o frio havia diminuído um pouco. Sentei-me num banco de uma praça e fiquei me lembrando do ocorrido de ontem. Foi bom ter tido aquela conversa com Armin, mas ao mesmo tempo foi ruim, Armin é uma pessoa imprevisível. De onde eu ia imaginar de que ele sabia o meu segundo segredo? E ainda mais me chantagear?

– Oi Lynn, não vi você. Está ai há muito tempo?

– Oi Lysandre. – sorri assim que o vi.

– Foi ontem para o campo com o Armin? – ele interrogou.

– Sim. – dei um sorriso forçado.

– Queria ter ido, ele me chamou. – Lysandre olhou para o céu. – Não deu pra ir.

– Ainda bem que não foi. – suspirei.

– Por quê? – ele perguntou, curioso.

– É que eu caí, estraguei a partida inteira. – menti.

– Se machucou? – ele arqueou a sobrancelha.

– Momentaneamente sim. – dei outro sorriso forçado.

Lysandre segurava um jornal, inclinei a cabeça para lê-lo. Lysandre fechou o jornal, nervoso.

– É de ontem. – explicou.

Há uns dias havia sido anunciado que uma peça teatral seria realizada, Kentin disse que ficaria responsável pela música que iria tocar. Como se não bastasse, ele me incluiu nessas responsabilidades. Estava indo para a casa dele, para ensaiar.
Vi uma menina saindo da casa de Kentin, olhei e olhei, então concluí que não a conhecia. Toquei a campainha três vezes. Kentin atendeu, fez sinal para que eu entrasse.

– Quem era aquela menina? – perguntei curiosa tirando os sapatos.

– Era só uma garota. – ele coçou a cabeça desviando o olhar.

– Jura? Eu achava que era um garoto. – dei um sorriso sarcástico. – Eu deveria estar em casa, por sua culpa eu estou aqui.

– Eu dispensei uma garota por sua culpa. – ele fez careta. – Você fala como se só você estivesse perdendo algo.

– Quem mandou jogar as coisas pra cima de mim sem nem ao menos me consultar? – retruquei.

– Sabe que vergonha é te trazer aqui com todos sabendo que eu só trago meninas para esta casa? – ele cruzou os braços.

– E eu sou o que? Um menino? – questionei imitando o gesto anterior dele.

– Eu vejo você como um menino. – ele deu uma risada e saiu andando.

– Hei! Como ousa a falar assim comigo? – saí gritando atrás dele.

Entre os nossos ensaios eu ficava pensativa. Kentin brigou com unhas e dentes com Castiel por causa da Angela, então porque ele estava saindo com outras meninas?

– Não sou burro. – foi o que ele respondeu quando eu perguntei.

“Ah, você é sim!”. – pensei dando um sorriso.

– Você veio ensaiar ou fazer um interrogatório? – ele cruzou os braços, já zangado.

– Porra, você tem o humor de velho. – reclamei. – Essa música dá sono, quero me distrair.

– Não é pra você se distrair, é pra concentrar. – ele bateu a mão na testa.

– Não quero. – cruzei os braços. – Já ensaiamos muito.

– Quer algo mal ensaiado? Espero deem risada de você. – ele revirou os olhos.

Fiz bico. Queria saber com quem Kentin tinha aprendido a ser tão chato e estraga prazeres.

– Eu já estou estressado porque a peça vai ser no mesmo dia do show de talentos... – ele pausou um pouco. – E você ainda fica de mimimi. Ainda mais porque agora a menina que ia fazer parte da dança pulou fora.

Kentin ia fazer o cover da dança do filme “Dirty Dancing” com uma garota que sortearam na hora.

– Pulou fora? Então sorteia outra. – falei.

– Super fácil quando você já ensaiou quase tudo e falta poucos dias para o show. – ele fez careta.

– Sarcasmo? – sorri.

– Que nada, imagina. – ele revirou os olhos.

– Mais sarcasmo? – dei um sorriso maior.

– Calada! – ele bradou.

– Olha o Kentin, ele tá irritadinho. – fiz uma voz irritante, Kentin me olhava enfurecido.

Kentin me olhou fixamente, logo sua expressão de enfurecimento se desfez. Ele olhou para mim como se tivesse tido uma luz.

– Você vai dançar comigo. – ele pegou meu braço.

– O que? Não! – falei apavorada. – Está fazendo de novo! Tomar decisões sem me consultar.

– Sem frescura, vamos! – ele disse ligando o som.

– Eu não sei dançar. – fiz bico, corada.

– Aprende. – ele suspirou.

Eu não tinha gostado daquela dança, tinha muita mão pra lá, mão pra cá. Ainda mais com Kentin gritando o tempo todo para que eu me concentrasse, estava prestes a dar um sacode nele.

– Acho que vou passar o quesito da dança pro Castiel. Você dança muito mal, quem sabe ele ensine melhor. – Kentin suspirou.

– Eu concordei em dançar? – arqueei a sobrancelha. – E o Castiel ter paciência, isso foi alguma piada?

– Ele dança melhor que eu, mil vezes indo e voltando. – ele explicou. – Vou ligar pra ele.

Choraminguei, se eu não dançasse ninguém dançaria. Só concordei em dançar porque os alunos que participassem do evento teriam uma pontuação. O F4 só tem membros brilhantes, as notas deles são impecáveis, vão para o show para se exibirem.

No dia seguinte eu fui para a casa de Castiel, ele reclamava mais do que Kentin.

– Por que eu tenho que ouvir suas reclamações? – fiz bico.

– Porque você é burra. – ele revirou os olhos.

– Eu não sou burra! – bradei.

– Certo... – ele suspirou me olhando. – Vamos fazer você se concentrar. – ele deu um sorriso.

Não sei por que diabos Castiel fez aquilo, mas ele fez. Ele meteu a mão dentro da minha blusa e me puxou de uma vez pra perto dele. Coloquei as mãos nos ombros dele e empurrei um pouco para trás. Castiel passou a mão pelas minhas costas por dentro da blusa, o encarei com espanto, meu Deus, como eu estava vermelha.

– Tá vendo? – ele deu risada. – É assim que se chama a atenção de alguém. Quero ver se você não se concentra agora.

– COMO É? – bradei dando um soco no peito dele.

Não foi só um soco, foram vários, mas ele continuava rindo. Ou ria ou esquivava.

– Você é muito pervertido. – fiz um gesto como se estivesse limpando a roupa.

– Muitas meninas amariam estar no seu lugar. – Castiel continuava a sorrir.

– Como você viu, eu não sou as “outras”. – fiz aspas com os dedos.

– Você não é diferente, só é problemática. – ele arqueou a sobrancelha. – Se não é como as outras, por que corou daquele jeito?

– Silencio! – virei a cara. – Foi automático.

– Oh! Claro. Automático. – ele deu uma risada. – Conta outra. Você é toda derretida por mim que eu sei.

– Até parece. – fechei a cara indo para a direção oposta a dele.

Remexi em umas revistas e jornais que estavam em cima de uma mesinha. Vi o jornal de hoje, assim que li a primeira página, quase morri do coração.

“Não pode ser!” – pensei de olhos arregalados.