A Órfã Doce

8 Culinária Mágica


Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. Então meu povo, é a hora que os personagens originais começam a entrar na fic. Esses personagens são baseados em pessoas de verdade, amigos meus :33 Lans

Os primeiros pensamentos da manhã foram direcionados as embalagens chiques que recebi ontem. Ainda estava surpresa com a burrice de Castiel por deixar uma arma na minha porta junto com os outros presentes. Sem contar que eu não tinha permissão para portar uma pistola com munição de verdade.

Até mesmo pensei em comprar munição de borracha para a pistola, mas lembrei que, no momento, estava sem dinheiro. Concordei comigo mesma que estava na hora de arrumar um emprego, realmente não dava pra viver só com o dinheiro que a minha tutora me dava, aliás, não era nem pra eu estar dependendo tanto dela. Afinal, ela não é minha mãe.

Estava decidido! Depois da aula eu procuraria um emprego de meio período para conseguir comprar minhas coisas sem depender tanto de minha tutora. Certo que a Tia é rica, mas não acho certo ficar só sugando o dinheiro dela, tenho que aprender a ser independente também, afinal, ela me deu um apartamento para isso.

No caminho da escola, avistei um caminhão de mudanças de onde eram tiradas cadeiras e mesas. O letreiro dizendo "Culinária Mágica" já estava preso na parede de frente do prédio. Depois da escola iria passar naquele lugar, pois poderiam estar precisando de funcionários. Se bem que não sei se estão a procura de uma pessoa para trabalhar meio período.

Quando cheguei a escola, notei que o acordo estava em percurso na TV da cantina. Castiel estava mesmo agradecido. Que bom que aquela garota quase o matou de frio no meio da rua! Se não fosse por isso, talvez o acordo não estivesse sendo cumprido.

"A estudante Lynn é a primeira a ter F4 suspenso". — li mentalmente. — "Após ser a primeira a ser liberada pelo F4, Castiel ainda afirma que todas as notícias sobre a garota são falsas. Eram apenas boatos acarretados pelo F4 recebido".

Havia uma foto de Castiel e logo após a reportagem. Não havia mais outra notícia senão coisas relacionadas a suspensão de meu F4. Fiquei tão satisfeita que decidi ir a sala de Castiel para apertar sua mão e falar sobre os presentes.

A primeira coisa que vi quando entrei, foi Peggy reclamando e reclamando.

— Sabe o que aconteceu com minha credibilidade depois disso?! — bradou ela com as mãos na mesa de Castiel. — Tive que inventar muita coisa na matéria para não me passar por idiota. Fique feliz por eu ter a boa vontade de corrigir a matéria, lhe fiz um favor.

— Não sei com quem pensa que está falando. — rebateu ele encarando as mãos da garota em sua mesa. Seu olhar dirigiu-se ao rosto de Peggy, onde estreitou os olhos de pavio curto. — Quer me fazer rir vindo até aqui e dizendo que me fez um favor corrigindo a matéria? É a sua obrigação corrigir essa porcaria!

— Foi você que me passou as informações! E elas estavam erradas! — retrucou a garota.

— Se não vivesse de falar da vida dos outros, isso nunca teria acontecido. — foi aí que entrei na conversa. A garota virou-se para mim e me fuzilou com o olhar. Pela primeira vez estava tranquila em entrar na sala do F4.

— Eu tenho uma reputação por isso. — explicou ela. — E quero zela-la para não acabar mal falada como você.

— Sua reputação é sua prioridade? — arqueei a sobrancelha. — Sinceramente não sei por que estou surpresa. Pessoa fúteis como você se preocupam com coisas mais fúteis ainda.

Parecia que Peggy havia desistido da discussão, mas o ódio estava evidente em sua face. A menina saiu da sala e bateu a porta com toda força. Castiel ficou tão estressado com tal atitude que achou que eu havia vindo justamente para perturba-lo com outra porcaria qualquer.

— O que quer? — indagou ele.

— Calma. — levantei as mãos em sinal de paz. — Vim agradecer pelos presentes e comentar algo sobre a arma.

— Você gostou dela? — ele sorriu. — Kentin me recomendou aquela. Foi de seu agrado?

— Não se trata disso. — neguei com a cabeça. — Cara, eu só queria entender o que se passou pela sua cabeça de por uma pistola na porta do meu apartamento. Não tenho permissão para portar uma pistola com munição de verdade.

— Ué. — o ruivo fez cara de dúvida. — Os garotos me contaram que você não tinha permissão, mas portava uma arma mesmo assim.

Foi a hora que eu me enrolei por completo. Deveria ter parado apenas na questão de ser expulsa do prédio por estarem colocando armas em minha porta. No momento não pensei em nenhuma desculpa que pudesse dar, meu cérebro travou.

— Acho que entendi. Você deve preferir usar munição de borracha, estou certo? — ele mesmo deu a desculpa, a aproveitei e assenti com a cabeça. — Posso comprar munição de borracha para você. Posso até te levar no lugar onde pratico tiro com o F4.

— Não. — balancei as mãos. — Deixa para lá.

Larguei a conversa antes que falasse mais alguma bobagem que agravasse mais a situação. Fui em direção a porta, mas o ruivo levantou-se rapidamente e entrou em meu caminho.

— Lynn.

Fiz uma careta na hora. Era a primeira vez que ele me chamava pelo nome. Já me chamou de tanta coisa, até mesmo imaginei que ele nem soubesse meu nome. As coisas já me pareciam estranhas aí.

— Você quer conhecer minha casa? — convidou ele. — Os garotos do F4 vão estar lá.

— Não posso. Tenho um compromisso inadiável para depois da aula.

— E o que seria?

"Que interesse é esse? Intrometido." — pensei comigo.

— Algo pessoal. — respondi cruzando os braços.

— Estou muito agradecido por ter cuidado de mim. — a expressão que ele fez era fofa, e isso me assustava muito. Nunca imaginei que um monstrinho poderia agir como um animalzinho fofinho. Aquela situação estava muito bizarra para meu gosto.

— Eu vi. — afirmei com a cabeça. — Agradeço novamente pelos presentes. Posso ir? Tenho que nadar.

— Iris já está lá. Você gosta de nadar com outras pessoas na água gelada? — riu o ruivo.

— E como sabe que Iris está na piscina?

Castiel me mostrou que tinha acesso ao monitoramento de câmeras por toda a escola. Até as da piscina que pegava uma pequena parte do banheiro.

— Seu pervertido! Sem vergonha! — trovejei dando um tapa em seu rosto. — Usa isso para ver as garotas se trocando para nadar. Aposto como já me espiou enquanto me trocava. Nojento! Você é nojento! Isso é crime, eu vou te denunciar.

— Você acha que eu sou quem? Nunca espiei ninguém! — defendeu-se ele constrangido enquanto passava a mão na bochecha.

Castiel parecia ser um carinha muito carente para grudar nas pessoas desse modo. Quase não me deixava sair da sala do F4. Garanto com toda certeza: ele está precisando urgentemente de uma namorada. Espero que a garota do bolo apareça em breve, afinal, um cara não iria esperar cinco horas apenas por uma amiguinha. Me engana que eu gosto.

Passei pelo caminho das pedras para chegar a piscina. Dessa vez ainda tive a decência de tentar passa despercebida por Kentin. Ele me deu as fotos de Castiel unicamente para que eu parasse de perturba-lo.

— Eu sei que você está aí. Não sabe se esconder. — iniciou ele. Reclamão de primeira categoria. Não o atrapalhei de proposito! — Por que sempre me atrapalha?

— Não tenho culpa se você ensaia no único caminho que tenho para chegar a piscina. — retruquei.

No chão havia uma foto caída de Kentin ao lado de uma garota loira. Até mesmo fui cara de pau o suficiente para pega-la e olha-la de perto.

— Essa é a sua namorada? — indaguei descaradamente com um sorriso nos lábios.

— Não é da sua conta. — respondeu ele aborrecido. Tomou a foto de mim como se eu fosse uma ladra assassina. Seu olhar era de fuzilamento.

— Você e o Castiel têm problemas diferentes e uma mesma solução: uma namorada. Você precisa de uma garota que te faça parar de ser chato e o Castiel precisa de uma garota para livra-lo daquela carência insuportável.

— Que seja, sua anã. — Kentin cruzou os braços. — Vá para sua piscina e me deixe aqui.

Dei de ombros e segui a ordem de Kentin. O modo que Iris nadava já demonstrava de longe um sentimento pesado e negativo.

— A água não está gelada? — perguntei. — Até pensei em nadar, mas me avisaram que a água estava fria.

— Quem te falou? — assim que seus corpo parou com os movimentos de natação, a ruiva me jogou aquela pergunta. — O Castiel? Pois é, eu soube muita coisa a respeito de vocês. As noticias na escola circulam muito rápido.

— Eu sinto muito por te fazer esperar. — encarei o chão. — Eu ia te explicar ontem, mas você não veio a aula. Meu celular estava sem sinal quando tentei te ligar, te juro que não foi por má intenção.

— Esperei você a noite inteira! — trovejou a inglesa. — E quando venho a escola descubro que você ficou com o Castiel no observatório.

Parecia que as noticias na escola corriam mais rápido que Jesse Owens. Sem contar que Castiel deveria ter trancado a bocona dele. Não havia necessidade de contar aquilo a ninguém. Talvez Iris pensasse que eu estava tendo alguma coisa com Castiel. A ruiva não tinha cara de quem gostava dele. Talvez ela achasse que eu estava paquerando Castiel e a deixando de lado.

— Eu sinto muito, muito mesmo. Mas algo bom aconteceu. — sorri tentando animar a situação. — Eu ajudei Castiel em uma coisa bem simples e ele tirou meu F4. Quer dizer que agora podemos andar tranquilas na escola.

A história estava mal contada, mas havia prometido não falar e nem divulgar as fotos vergonhosas de Castiel. A inglesa sorriu e devo dizer que seu sorriso foi bem estranho. Mesmo assim ainda tinha um carinho muito grande por ela, mesmo que a mesma estivesse zangada comigo. Iris foi a primeira pessoa que não me viu com maus olhos. Ela era medrosa, de fato. Mas até eu tive receio quando estava na mira do F4, não posso culpa-la.

— Só um minuto! — exclamei quando a ruiva foi em direção ao banheiro. Procurei a câmera e estendi uma toalha em sua frente para bloquear sua visão.

— Pela rainha! — exclamou a inglesa. — Não acredito que tinha uma câmera aí esse tempo todo!

De fato sua reação foi mais engraçada que a minha. Ela colocou as mãos em frente ao tórax e se encolheu no chão.

Quando anoiteceu e comecei a seguir minha trajetória para casa, avistei o restaurante completamente arrumado. Até mesmo me impressionei pela rapidez! O dia fora tão cheio que havia me esquecido completamente de ir ao restaurante procurar emprego. Antes de entrar, vi uma placa bem visível que dizia "Precisa-se de funcionários". Entrei mais animada e confiante, nem notei a presença de uma garota e acabei esbarrando na mesma.

— Desculpa. — sorri sem jeito.

— Não foi nada. — respondeu a garota mais baixinha que eu. — Posso ajuda-la?

— Você trabalha aqui? — ela assentiu com a cabeça. — Ótimo! Estou aqui para saber sobre as vagas de funcionários.

— Mãe! — bradou a menina. — Tem uma moça aqui fora para saber sobre o emprego!

“Aposto como quebraria uma taça de cristal com esse grito". — pensei comigo.

— Venha por aqui. — guiou-me ela.

Era uma garota bem simpática até. Sua aparência a fazia parecer mais nova do que eu. Tinha um cabelo comprido e uma franjinha que fazia seu rosto parecer mais infantil ainda. Ela carregava uma bolsa, deveria estar voltando da escola assim como eu.

Tanto a dona quanto a garota me pareciam familiares. Tive uma longa conversa com a dona do restaurante para chegarmos a uma conclusão.

— Não sei se irá querer a vaga. — a mulher deu de ombros. — Nos mudamos agora e sei que o restaurante não irá dar muitos lucros nesses primeiros meses. A vaga é apenas de meio período.

— Era exatamente isso que estava procurando. — sorri gentilmente. — Sou estudante.

— Que ótimo! — exclamou a proprietária. — Pode começar amanhã depois da aula.

A filha da dona do restaurante me acompanhou até a saída. Desde que a havia visto junto com a dona, estava em um conflito para tentar lembrar de onde as tinha visto antes. E o nome do restaurante então?

— Desculpa, mas estou um pouco curiosa para saber o porquê de você me olhar tanto. — brincou a garota.

— Só fiquei curiosa para saber o motivo do nome do restaurante ser "Culinária Mágica".

— Somos bruxas! — explicou ela, mas notou logo após minha expressão confusa. — Mas não se preocupe, não fazemos rituais com bodes. — a magrinha sacudiu as mãos entre uma risada comportada. — Somos wiccas.

Eu, como boa lerda que sou, apenas analisei aquele fato quando estava em minha cama perto de dormir. Era muita coincidência para ser verdade.

Notas finais
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