Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan shaushaushauhsaus ' Meu povo, eu fiquei abismada com o tanto de gente que disse que chorou no capítulo passado. Por isso, eu fiz questão de por umas partes engraçadas nesse capítulo para descontrair um pouco. Como eu disse, as coisas sempre ficam bem entre o Kentin e a Lynn. Agradeço a todos os comentários e a todas as leitoras fieis

Eu já havia começado a treinar com Kentin, foi quando eu notei o quão fora de forma eu estava. Depois do treino, até minhas dores sentiam dor.

– Quer gelo? – Kentin perguntou.

– Quero. – respondi ofegante. – Me dá uns analgésicos também.

– Quanto exagero. – ele riu.

Realmente o treino ajudava. Tanto fisicamente como psicologicamente, pois eu, por um momento, esqueci que estava doente e que um dia iria parar de andar. Eu tinha que seguir tudo de queixo erguido.

“30/08/2025. Hoje faz quatro dias que eu comecei a treinar. Senti muitas dores, realmente estava fora de forma. Não sinto muita coisa, só o gosto amargo dos medicamentos. Até agora não engasguei com nada e nem caí muito. Às vezes só perdia o equilíbrio, mas nada demais. Acho que consegui aceitar tudo, tenho que aceitar e me adaptar com a minha nova vida. Não que eu não esteja triste, eu estou. Mas estou me sentindo melhor quanto a isso”.

– Sabe Lynn... As suas provas estão chegando e houve uma coisa muito incrível no colégio.

Kentin já havia voltado a frequentar as aulas normalmente. Lana vinha sempre que podia para me repassar toda a matéria que havia sido dada nas aulas. Era ruim, mas eu não poderia repetir o ano.

– Que coisa? – perguntei.

– Houve uma parada muito estranha. – ele fez uma careta e gesticulou com as mãos para cima. – Disseram que nós vamos ter um mês de férias.

– Quando?

– Da segunda semana de Outubro até a segunda semana de Novembro.

Isso não era bom, isso era ótimo! Mas não entendi muito bem o que havia acontecido para a diretora mudar de idéia em relação aos três meses de férias no final do ano, ao invés de dois. E outra: eu não seria obrigada a ver o Castiel tão cedo. Eu só teria que ter sorte na semana de provas para não vê-lo.

Se eu estava evitando o Castiel? Sim. Tudo foi por culpa dele. TUDO! Se ele não tivesse feito aquela palhaçada, eu não teria ficado triste e o Kentin não teria saído comigo. No caso, não haveria acidente. Mas, de qualquer forma, eu ainda sim teria a doença. Mesmo assim! Quase morremos naquele acidente, e tudo por culpa do idiota do Castiel!

Kentin não havia falado de Castiel, e olha que fazia muito tempo desde a ultima vez que ele citou o nome de Castiel. Desde o acidente ele nem sequer tocou no nome de alguém do F4, exceto Lysandre.

– Eu tenho bolo, você quer?

– Em plenas sete da manhã? – resmunguei com a cara enfurnada no travesseiro. Acredita que ele me acordou assim? – Já começou a alimentar suas lombrigas tão cedo?

– Muito engraçado. – ele fingiu um tom bravo, logo após deu uma risadinha. – Quer um biscoito?

– Eu já disse que não...

Foi a hora que eu me virei para Kentin e me deparei com aquele par de óculos fundo de garrafa. Um sorriso se instalou nos meus lábios e uma risada abriu passagem entre eles.

– Não ria! – ele reclamou. – Não posso ficar de lentes o tempo inteiro!

E muito menos eu, mas meus óculos não se pareciam com um par de fundos de garrafa. Na verdade, meu grau nem era tão alto assim, tanto que meus olhos não sabiam o que eram lentes de contato há muito tempo.

– Onde arrumou o bolo? – perguntei.

– Eu fiz. – ele sorriu com as bochechas coradas enquanto comia uma fatia.

Era fofa a expressão dele, e o sorriso nos lábios lhe dava um ar que não se parecia nada com o ar do menino que, dias atrás, havia gritado comigo. Ele estava ficando cada vez melhor em questão de cozinhar, achei que seria bom experimentar alguma coisa, mesmo que depois me desse uma disenteria. Só queria que ele se sentisse feliz, para variar. Queria ao menos deixá-lo contente para compensar o tempo que ele sacrificou por minha causa.

– Tá, só um pedacinho. – fiz careta olhando um prato com um pedaço de bolo em cima do meu criado mudo.

E era gostoso. Algo que o Kentin cozinhou era gostoso.

– Isso é um sinal.

– Sinal? – ele arqueou a sobrancelha, confuso.

– Sinal de que você vai virar a empregada da casa.

– Muito engraçado! – ele deu um empurrão leve em meu ombro enquanto eu dava uma risada da careta que ele fazia. – Fico feliz que tenha gostado.

– Fico feliz que eu não tenha vomitado. – brinquei. – Ainda. – completei. Ele se fingiu de bravo, mas sorriu junto comigo. – Estou feliz que esteja de bom humor.

– É que eu achei que tinha ficado bom e... Esse é meu pedido de desculpas por gritar com você. Certo?

Encarei o chão e fiz que sim com a cabeça. Realmente aquele pedido de desculpas tinha demorado para sair, mas ele teve motivos para gritar. Aliás, ele teria motivos até para me bater. Foi sem querer, mas eu quase o matei.

– Foi um acidente.

– O que?

– O tiro.

– Eu também sei disso. – ele suspirou. – Mas acho melhor não pensar nisso. – fiz que sim com a cabeça. – Lembra-se do dia em que eu cortei a mão? – confirmei. – Você ficou tremendo. Tem medo de sangue? Ou melhor... Ficou com medo de sangue depois que me deu um tiro?

– Sim.

Normalmente Kentin se esquecia das coisas rapidamente, ou apenas aparentava esquecer as coisas rapidamente. Nem eu me lembrava daquele ocorrido do corte na mão, e ele lembrou até do modo como eu agi. Impressionante. E quando eu repassei o ocorrido na minha cabeça, tudo fazia sentido. Kentin foi para a escola militar da Alemanha quando o F4 se separou e o pai dele descobriu que, mesmo ele sendo do F4, as pessoas tiravam onda com ele.

– Eu me sentia meio sozinho por lá. – ele deu um meio sorriso. – Mal sabia falar Alemão. Na verdade, nunca aprendi.

– Se estava na Alemanha, por que não viu Armin e Alexy? – perguntei.

– Eles estavam do outro lado da Alemanha. – explicou. – Do lado deles o pessoal bebe cerveja, do lado em que eu estava, se bebia whisky. – estava explicado!

Talvez ele tivesse pelo menos algumas lembranças boas sobre lá. E eu meio que... Estava concertando as coisas com ele sobre esse segredo que eu tanto escondi. De qualquer forma, eu acabaria achando uma maneira para contar, isso se ele não descobrisse. Kentin merecia saber daquilo, e eu não queria partir e deixá-lo sem saber de nada. Antes, ele e todo o F4 achavam que eu era uma encrenqueira que não tinha licença para portar armas e simplesmente a levava para intimidar os outros (queria que fosse assim, mas sempre que eu arrumava confusão, a arma nunca estava comigo).

Continuei a organizar tudo na minha cabeça e a me lembrar de todo o acidente. Eu me lembro de pessoas gritando palavras estranhas, era alemão. O representante não falava alemão, e as pessoas que ajudaram não sabiam falar alemão.

– A maioria era gringo. – explicou. – Poucos sabiam falar alemão, e eram aqueles loiros aguados. – ele fez careta. – O que me impressionou foi o representante. Achei que nunca ia ter um representante gringo. Os alemães não gostam muito de gringos, entende?

– Entendo. – confirmei, pensando nos gringos que também tinham na minha turma da escola militar. A maioria era gringo, mas todos falavam a mesma língua.

A escola militar era um super colégio, como a Sweet Amoris, por exemplo. Digamos que era normal, mas a maioria das pessoas pensam que nós só éramos treinados e coisa do tipo. A diferença entre a escola militar e uma escola normal, é que: ensinam a atirar e coisas do gênero. Havia pessoas que gostavam mais de praticar com as armas do que fazer cálculos de matemática. E também havia pessoas que estavam lá e passavam a maioria do tempo na biblioteca. Como um dos irmãos da Califórnia. Para falar a verdade, eles não eram bem irmãos. Eles eram aqueles que o pessoal chama de “irmãos de criação”. O pai de um se casou com a mãe de outro, ambos eram filhos únicos antes desse evento. Um era bem mais velho que o outro, os dois eram totalmente diferentes. Eram diferentes na aparência e na personalidade, mas eu sempre gostei do mais novo, ele era mais legal.

Kentin me deixou sozinha novamente e lá eu fiquei, encarando o teto, completamente pensativa. Era a primeira vez em que eu falava e lembrava daquele acidente sem sentir remorso, culpa, angustia e sem dar chilique. Que mundo pequeno... O tio fadinha poderia escolher qualquer uma, mas escolheu a mim. Qualquer uma poderia ter ido para aquela escola militar, mas só eu fui. Eu poderia ter atirado em qualquer um, mas atirei em Kentin. E a tia poderia ter visto e adotado qualquer uma, mas me adotou, e eu tinha atirado no meu irmão. Mundo pequeno, confuso e cheio de pegadinhas. Coincidências? Eu não acreditava muito nisso, mas também não acreditava em destino. Apesar de que... Não sei se tantas coincidências ocorrem uma atrás da outra. Será que o destino me fez ficar perto de uma pessoa que poderia cuidar de mim justamente porque eu ficaria doente?

Lana estava vindo estudar comigo todos os dias, normalmente no final da tarde para a noite. Antes das tais férias que Kentin falou que ia ter, faríamos as provas, e isso meio que me desanimava. Era um sábado e na segunda-feira já teria três provas gigantes de matemática.

– Bem, acho que já está bom por hoje. – Lana falou esticando-se.

– Já vai para casa? – perguntei vendo-a pegar a bolsa e juntar os livros.

– Sim. – ela confirmou. – Poderia me acompanhar até a porta?

– Eu posso levar você para casa. Deixe-me pegar a chave da moto.

– Quem vai pegar a moto? – Kentin apareceu na porta do meu quarto me fuzilando com os olhos. – Eu a levo. Você não vai sair, Lynn. – fiz careta, pronta para começar uma discussão, mas Lana nos cortou.

– Não há necessidade. Não é tão tarde, posso ir sozinha. – Lana suspirou. – Apenas me acompanhe, certo?

Lana estava calma, aquela calma excessiva me perturbava e também me preocupava muito. Quando descemos as escadas, eu sabia exatamente porque ela pediu que eu a acompanhasse. Nathaniel! Ela não queria dar de cara com Nathaniel quando estivesse sozinha.

– Até amanhã. – sorri para ela quando abri a porta.

– Até ama... – os olhos dela se arregalaram.

Ela petrificou, nem se mexeu e nem deu um passo para fora de casa, escancarei porta a fora para ter visão da rua, que era para onde ela estava olhando. Ela estava olhando para a casa do Nathaniel, forcei a vista, já que estava sem as lentes. Aconteceu o seguinte: Nathaniel e Melody estavam na calçada da casa de Nathaniel, deveriam estar se despedindo. Nathaniel puxou a mão de Melody, se inclinou e a beijou.

Lana deu um passo para trás, virou de costas para a saída e deu uns passos para o centro da sala, retirando a mochila e a repousando no sofá.

– Você não ia embora?

– Vou dormir aqui. – ela falou dirigindo-se para o andar de cima.

Por um momento eu senti vontade de ir até Nathaniel e dar um soco nele. Mas porque eu iria fazer isso? Ele tinha magoado a Lana, mas acho que Lana não se sentiria feliz se eu fosse lá para brigar por causa dela, ainda mais porque se ela quisesse brigar, ela teria ido. E além do mais, Nathaniel não estava fazendo nada de proibido. Ele não estava namorando Lana, ele não a traiu e não a enganou. Então o que ele fez não foi errado. Apenas fechei a porta, encostei minhas costas nela e deslizei até parar sentada no chão. Esperaria mais alguns minutos, ela deveria estar chorando, e eu não queria ver aquilo.

– Pobre anã. – Kentin suspirou no meio da sala, referindo-se a Lana. – Nathaniel já foi melhor. Ele também já teve bom gosto.

– Não pode falar dele. – retruquei. – Não posso dizer que Lety é pior que Melody, mas posso dizer que ambas são farinha do mesmo saco. E mesmo assim, você a beijou. Mesmo assim você a trouxe para casa, mesmo assim você transou com ela.

– Eu não transei com ela. – ele arqueou a sobrancelha.

– Vou fingir que acredito. – fiz cara de nojo só de imaginar a cena, aliás, nem deveria estar imaginando aquelas coisas.

– E se eu tivesse transado com ela? – notei um tom de deboche em sua voz. – Ciúmes?

– Enfia o ciúme no cu, porra. – resmunguei me levantando. Apesar da minha expressão zangada, ele só riu de mim.

– Hei, não seja ranzinza! – ele exclamou puxando meu braço. – Que tal um banho entre irmãos para fazer as pazes?

Eu tive que rir. Mesmo que não sentisse vontade, ele acabou me arrancando uma risada. Se não fosse por essa risada, ele continuaria a me infernizar. Ele bagunçou meu cabelo com a mão e sorriu, voltei a ficar emburrada. Ele sabia que eu odiava quando ele fazia isso.

– Vai, tampinha. Acho que a anã não está se sentindo bem. – ele suspirou. – Acho que se eu fosse ela, eu também não me sentiria muito bem. Quer que eu te ajude a subir as escadas?

– Acha que eu sou uma velha? – fiz bico. Ele deu uma leve risada abafada, sentou-se no sofá, pegou o controle remoto e ligou a televisão.

Subi agarrada no corrimão. Aquela doença faria muito pior que isso, mas eu queria me mover com as minhas próprias pernas até não poder mais. Queria correr até cair novamente, e caindo, queria me levantar e continuar minha vida, mesmo sabendo que ela vai ser mais breve do que a maioria das pessoas.

Quando subi, Lana estava deitada na minha cama, olhando para o teto. Eu a vendo daquele jeito era como se eu visse eu mesma, com a mesma expressão triste encarando o teto branco.

– Sinto muito.

– Pelo quê? – ela perguntou em um tom seco. – Burra sou eu. Deveria ter saído com o Armin quando ele pediu. Mas não... Eu pensei que Nathaniel viesse se desculpar comigo e que nós pudéssemos ao menos nos beijar. Aquilo com o Alexy não foi um beijo de verdade, foi só atuação. – ela pausou um pouco recuperando o ar. – Eu só queria que ele gostasse de mim.

Ela se encolheu na cama, virada de costas para mim. Meu olhar foi parar no chão assim que escutei seus soluços. Houve um dia, na sala de Nathaniel, quando ele e Lana brigaram depois que ela e Melody brigaram na escola, Nathaniel me contou coisas. Ele falou como se tivesse alguma coisa que impedisse que eles ficassem juntos. Não era “algo”, mas sim alguém, a família dele. Ele disse que não queria que nenhuma garota tivesse que aguentá-los, pois eles eram insuportáveis e Nathaniel tinha várias crises com a família dele. Kentin tinha razão, Nathaniel já tinha sido melhor. Nathaniel tinha usado muito bem o eufemismo enrolado numa desculpa descartável para dispensar Lana sem magoá-la. Coitado, parece que não sabe muito sobre garotas.

“Ele é noob nas relações”. – na minha mente veio a frase típica de Armin. Ele a disse quando falávamos sobre alguns garotos da escola, entre eles: Castiel e Nathaniel.

Todo aquele papo da Lana, tudo isso fora para disfarçar o coração partido. Que engraçado... Parecia que aquela época era a época de corações se partirem. Falando assim, parece até com a época de gripe.

Kentin guardava vários colchões infláveis em uma das despensas lá de baixo. Eram ao todo seis colchões, ele disse que era da época que os meninos costumavam a vir dormir lá com mais frequência. Eram seis porque algum poderia estourar ou furar com a presença de algum inseto ou roedor na despensa. No caso, seria um colchão reserva. Eu ficava me perguntando por que todos andam tão distantes ultimamente. Todos os meninos do F4 com quem eu falo sempre falam algo negativo em relação ao Castiel, mesmo que seja mínimo. Suspeito que o autor dessa separação foi o Castiel. Às vezes eu me impressiono a capacidade que ele tem de dar tanta mancada.

Kentin já dormiu ao meu lado várias vezes, e no outro dia, eu sempre ouvia reclamações de que: “Você me chutou!” ou “Você jogou o braço em cima da minha cara!” e até “Você quase me derrubou da cama, parecia que tava com o capeta do corpo!”. De qualquer forma, eu decidi que o melhor é que dormíssemos separadas. Dois colchões infláveis no chão. Eu dormi próxima a ela. Aquilo me deixou triste, pois no meio da noite, eu acordava com o barulho de soluços baixinhos. Será que Kentin me via daquela forma quando eu me decepcionei com o Castiel?

Falando em Castiel, será que ele ao menos sabe que eu sofri um acidente? Do jeito que Kentin é, nem deve ter contado. Mas e se Armin e Alexy tivessem contado? Ou Lysandre? Bom, ele tinha motivos para não dar as caras. Se eu fosse responsável por fazer uma pessoa sofrer um acidente, eu não daria as caras tão cedo. Indiretamente, a culpa foi do idiota do Castiel!

No dia do acidente, houve um carro na contramão que fez Kentin desviar e capotar o carro. Fico me perguntando se essa pessoa estava bêbada ao volante. Kentin tomou uma dose de saquê, mas não deu nem pra sentir o gosto, a bebida era fraca. E até eu, que sou fraca com bebida, não senti nada por tomar uma dose.

A neve já havia deixado a cidade fazia umas duas semanas, só estava chovendo. Eu não vi mais ninguém do F4 (só Kentin) desde que Armin e Alexy vieram me ver. Nem Lysandre veio mais. Pergunto-me o que ele anda fazendo ultimamente. No domingo de manhã, eu fui até a caixa do correio para pegar as revistas que a tia pagava a assinatura. Eram dez revistas, todas as revistas que a tia fazia ensaios fotográficos. Revista de cosméticos, roupas, lingeries. As de Kentin normalmente eram revistas de esporte, NORMALMENTE. Naquele dia eu vi uma revista nova no meio das outras.

“QUE PORRA É ESSA?”. – arregalei os olhos.

Uma revista de mulher pelada. Coloquei-a no meio das outras e olhei feio para a porta de casa. KENTIN!

– Bom dia, Lynn.

– B-bom dia, Nathaniel. – forcei um sorriso para esconder a raiva.

– Se sente bem? – ele perguntou atravessando a rua. – Você está bem vermelha.

– Não foi nada! – insisti, com as mãos trêmulas segurando as revistas. Imagina só o que ele iria pensar se me visse com aquela revista nas mãos!

– Desculpe-me se eu pareço intrometido, mas você está doente? – arqueei a sobrancelha. Kentin não contaria nada a ele, não mesmo. – É que você não vai para a escola há um bom tempo. Isso não prejudica você?

– Estou doente. É que... Eu sofri um acidente de carro. – ele arregalou os olhos. – Não sabia disso? – ele fez que não com a cabeça. – Mas eu estou bem. Ou mais ou menos isso. – sorri. – Só que eu estou fazendo umas fisioterapias porque o carro explodiu e eu usei meu corpo pra proteger a Lana e o Kentin. O Kentin desmaiou e a Lana deslocou o ombro. Mas fora isso, estou bem.

– Sinto muito... Pelo acidente. – ele falou em um tom pasmo. – Eu acho que é melhor eu ir. Tenha um bom dia.

– Igualmente.

“Toma um pouquinho de remorso, e fica com o troco”. – pensei virando-me de costas.

Quando entrei em casa, Kentin estava deitado no sofá, de cabeça para baixo lendo uma revista qualquer.

– As minhas chegaram? – ele perguntou quando me viu entrar com algumas na mão.

– Sim, elas chegaram. – dei um sorriso para conter o ódio. Saí procurando a revista pervertida no meio das outras, quando a achei, joguei em cima dele.

– Não é pra tanto! – ele reclamou sentando-se corretamente no sofá. O pervertido já sabia de qual revista se tratava! – Sabe por que eu assinei essa revista?

Não queria saber, fazia careta de nojo, mas mesmo assim me pus a escutar. Ele abriu a revista em uma página, deu uma boa olhada e uma risada leve. Logo após ele virou a revista para mim. Confesso que meus olhos quase saltaram das órbitas.

Notas finais
Aposto como tem gente morrendo de ódio porque estava crente que ia ter çaliencia no cap shauhsuahsauhaush ' Pois é gente, como eu disse nos comentários: a Lynn não vai morrer. Por isso, acalmem-se u-u Obrigada por lerem