A Órfã Doce
35 Última recordação
Notas iniciais

“Campeã de cinco cinturões em sua carreira, a boxeadora Angela Lii acaba de anunciar namoro com o filho do presidente”. – li mentalmente. – “Fodeu”.
– O que foi? – Castiel perguntou aproximando-se, o palhaço ainda estava rindo de mim.
– Nada. – soltei o jornal e coloquei umas revistas por cima.
Aparentava que Castiel não tinha conhecimento disso, se ele soubesse iria ficar chorando feito uma garotinha. Acho que foi por isso que Lysandre não me deixou ver o jornal, ele já devia saber desde a hora que me viu na pracinha.
– Que dia é hoje? – mudei de assunto.
– Dia 28 de Outubro. – Castiel respondeu. – Não sabe nem que dia é hoje? Ainda reclama quando eu te chamo de burra. – ele debochou.
– Vamos continuar ensaiando que é melhor. – cruzei os braços.
– Certo. – Castiel concordou. – Só me dê um minuto. – fiz que sim com a cabeça.
Castiel tirou a jaqueta e já posicionava as mãos na barra da camisa.
“Não, ele não vai fazer isso”. – pensei. – “Ele vai fazer isso”. – conclui assim que o vi já subindo a camisa.
Coloquei a mão na boca e virei o rosto de lado, eu não queria nem ver, mas o pior estava por vir.
– Pode vir. – ele falou.
– Nem pensar. – fiz que não com a cabeça ainda sem olha-lo.
– Ah! Fala sério! – ele deu uma risada. – Você é irmã no culto por acaso?
– Eu posso até não ser, mas eu não vou dançar com você assim. – bradei finalmente pondo os olhos nele.
– Se achar injustiça, tira a sua blusa também. – ele brincou com um sorriso safado.
– Eu devia era estrangular você. Você e o Kentin. – revirei os olhos indo na direção dele. – Vocês dois são uns pervertidos, deviam ser como o Lysandre. – Castiel começou a rir. – Qual a graça?
– O Lysandre? – Castiel ria. – Parece que não o conhece.
– Como?! – arqueei a sobrancelha.
– Quando éramos pré-adolescentes, antes da época do F4 se separar, na época que o Alexy ainda pegava em bunda de mulher... – Castiel pausou e tomou ar. – Depois do Alexy, o Lysandre era o que mais saía com meninas.
Eu quase tive um troço, aquilo era mesmo verdade ou o Castiel estava só mentindo? Realmente Lysandre não aparentava ser assim. Se ele fosse assim não já teria dado em cima de mim? Bem... Ele talvez não me ache interessante... Mas mesmo assim, quando ele me chamou para posar para a foto com ele, ele não deu sinal de ser pervertido, ao contrario do resto do F4.
– Chega de papo. – Castiel falou ligando o som. – Vamos!
– Não Castiel, eu já disse que não vou dançar com você... – Castiel me cortou quando me puxou para dançar.
– Você vai dançar, mesmo que não queira. – ele insistiu.
Sinceramente, Castiel andava muito sorridente. Isso aconteceu depois que Angela foi embora, ou talvez fosse só impressão minha. Como ele poderia ter ficado feliz com a partida de Angela quando dias atrás ele quase morre por esse mesmo motivo?
– Eu já estou dançando contra a minha vontade. – resmunguei.
– Você está errando os passos. – Castiel reclamou me apertando contra o corpo dele. – Concentra.
– Para de me mandar concentrar, assim você me desconcentra. – bradei.
– Entendo que um garoto como eu sem camisa é algo bem distrativo, mas não estou mandando você me olhar. – provocou.
– Fala sério! – revirei os olhos.
Mas era mesmo. Se de longe eu quase tive um troço, imagina de perto, colada, grudada, sentindo a respiração dele perto de mim.
– Olha pra cá. – ele fez um gesto apontando pros olhos dele.
– Não vou. – recusei.
– Deixa de ser chata, não estou mandando olhar pra minha bunda, estou mandando olhar pros meus olhos. – com essa frase eu quase que ria.
– Como você é exagerado. – dei um sorriso e fiz o que ele tinha pedido anteriormente.
Lysandre já tinha me ensinado aquilo, mas parecia que eu já havia esquecido. Incrível é que eu nunca tinha dançado na vida e me saí super bem com Lysandre, mas com Castiel e Kentin eu parecia uma lacraia.
– Lysandre dança melhor que você. – resmunguei.
– Como?! – Castiel fingiu que não ouviu.
– Eu disse que o Lysandre dança melhor que você. – falei mais alto.
– Como?! – ele repetiu novamente fingindo não ouvir.
– Não seja palhaço. – fiz bico.
– Eu danço melhor que ele e não o contrario. – Castiel empinou o nariz, convencido.
Dias se passaram naquela interminável rotina de cotidiano, naquele triangulo de escola, trabalho e casa. Ao menos para mim era dessa forma. Estava voltando para casa, depois do ensaio com Castiel tinha ido para o culinária mágica e estava voltando para casa, tinha umas coisas da escola para fazer.
Ao voltar pra casa fui abordada por um cara de roupão.
– Sai da minha frente. – mandei.
– Quero que olhe uma coisa. – ele colocou as mãos no roupão.
Eu já tinha ouvido falar daquele tarado, ele abordava mulheres e cometia atentado ao pudor. Sim, ele abria o roupão e ficava pelado na frente dos outros. Por quê? Por que ele é um louco. Estava nervosa, não achei que iria esbarrar justo com ele.
– Já mandei sair da frente. – insisti dando um passo para o lado.
– Suponho que queira isso de volta. – ele abriu a mão revelando um anel.
Olhei para o meu dedo, não estava mais lá. Como diabos ele tinha tirado do meu dedo?
– Deixou cair. – explicou. – Se olhar, eu devolvo.
Era simplesmente a ultima lembrança que eu tinha do Tio Fadinha, apenas. Realmente aquilo significava muito para mim, aquele anel era de ouro maciço, nem sei se aquele maluco tinha percebido isso.
– Topa? – ele deu um sorriso pervertido.
– Ta. – fiz uma cara de nojo.
– Sem tapar os olhos. – era a condição dele.
– Vai me devolver o anel? – ele fez que sim com a cabeça.
Assim que o cara abriu o roupão uma mão tapou os meus olhos e me virou para trás. Ouvi passos rápidos, o cara tinha se mandado, logo o dono da mão que cobriu meus olhos saiu correndo atrás do cara tarado.
“Lysandre? É o Lysandre?” – pensei indo atrás dele.
– Desculpe. – o homem pediu.
– O que pensa que estava fazendo? – Lysandre cruzou os braços.
– Desculpe, não vai mais acontecer. Não sabia que ela estava acompanhada. – ele completou sua resposta virando de costas.
– Onde pensa que vai? Prometeu entregar o anel. – Lysandre estendeu a mão.
O homem voltou e entregou a ele, assim que entregou saiu correndo. Lysandre virou-se para mim e já não fazia cara de bons amigos.
– O que você tinha na cabeça pra aceitar isso? – Lysandre bradou. – Tudo isso por causa de um anel?
– Você não entenderia. – tomei o anel dele e coloquei em meu dedo. – É especial.
– Especial? Que desculpa! – ele arqueou a sobrancelha não engolindo tão fácil.
– Meu pai quem me deu antes de morrer. – desviei o olhar.
– Desculpe... – ele ficou completamente vermelho. – Eu não sabia, desculpe. – ele pegou na minha mão. – Não devia vir sozinha pra casa essa hora da noite.
– Eu sei me cuidar. – suspirei.
– É, eu vi como sabia. – ele fez careta. – Castiel pediu pra que eu te entregasse isso, você esqueceu na casa dele.
Agradeci, era um embrulho. Ao chegar em casa e olhar, ele tinha mandado por Lysandre a roupa que eu ia dançar com ele no dia da apresentação. Depois que vi Lysandre, prometi para mim mesma que iria prestar mais atenção nele pra saber do que Castiel estava falando, talvez aquilo fosse só quando eles eram menores, as pessoas mudam.
Depois do que Castiel me contou sobre os eventos, eu não entendia quase nada. Disseram que o show de talentos e a peça seria no mesmo dia que a festa de halloween, mas depois Castiel corrigiu que o show de talentos e a peça seriam num dia e o halloween no outro dia. A peça e o show de talentos seriam dia 30 e o halloween dia 31, logo após a semana de provas, esperar o resto dos dias de novembro, em Dezembro no dia 20 eu viajaria com Armin e voltaria dia 2 de Janeiro.
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