A Águia e o Falcão
13 Vingança
Notas iniciais
Primeiramente, perdão pela formatação do capítulo! Não consegui arrumar hahhaha
'segundamente', espero que gostem ♥
Acometida por lembranças trágicas, Wyvia se agarrou ao sobretudo de Mihawk, tentando ficar o mais próxima possível dele, pronta para sussurrar palavras para lhe ajudar a passar por aquilo. Já passara do tempo para que o efeito do veneno fosse sentido por Mihawk, mas a expressão dele indicava sempre que estava tudo bem a maneira dele. Talvez a dose de veneno não o afetasse totalmente.
As pessoas ao redor deles apenas assistiam a tudo aquilo, procurando conhecer as habilidades do inimigo e ajudar caso seu líder pedisse, mas a confiança que tinham em Arthur era grande demais para que achassem que em algum momento teriam que lutar. Tudo o que queriam era o tesouro... aquele guardado por Wyvia.Mihawk olhou seriamente para o olhar de Arthur, desprezando aquele homem por tudo o que fez a Wyvia, mesmo que não soubesse exatamente o que realmente aconteceu com a garota. O que ele sabia era suficiente para que quisesse acabar com aquele homem. Com o braço, afastou Wyvia de suas costas e andou dois passos para frente. O olhar de Arthur mudou com o gesto, ficou mais atento agora.— Wyvia, se eu mandar você se abaixar, faça isso. –disse Mihawk erguendo sua espada com a mão direita, pronto para avançar assim que o inimigo fizesse o primeiro movimento. Imóvel atrás de Mihawk, a moça sentiu os olhos de Arthur fixos nos seus agora. Ele parecia completamente despreocupado com Mihawk, pois tinha fé em sua própria habilidade. — Não atacarei primeiro, se é o que espera. –disse Arthur com desdém, logo se colocando em pose de ataque. Das costas retirou algo que até agora Mihawk não tinha notado. Era uma foice com uma bela lâmina prateada. Aquilo nem mesmo ofuscou os olhos do falcão, que apenas assistia, pronto para atacar. Mihawk não estava com paciência para conversa e nem para o presunçoso que enfrentaria. Queria justiça por Wyvia e por tudo o que passou. Em sua mente, queria exterminar todas aquelas pessoas em volta deles, mas será que valia a pena? Talvez eles aprendessem com a morte de seu mestre que nada daquilo passava de lenda, que Wyvia era apenas uma jovem usuária, se é que eles sabiam o que era “Akuma no mi”. E então Mihawk segurou sua espada e avançou em uma velocidade incrível. Ninguém viu seu movimento cortante até Arthur, exceto a própria vítima, que nada fez além de ficar imóvel e aguardar. Em seus olhos viu o brilho esverdeado da morte passando por todo seu corpo na vertical, mas com a concentração, fez com que o brilho passasse adiante. Wyvia fechou os olhos e o abriu quando os sons de murmúrios alcançaram seus ouvidos. O que viu era exatamente o que imaginava. Mihawk estava logo atrás de Arthur, com a perna dando apoio após o impulso que pegou para avançar... E atrás de si, Arthur estava inteiro e intacto no mesmo lugar em que estava, sem se mover nem um centímetro. O falcão não escondeu uma certa surpresa após um golpe que nunca acertou o misterioso homem. Sabia que o tinha acertado, mas algo aconteceu e ele não entendeu o que era... Mas tinha certeza de uma coisa: aquilo não era uma habilidade comum. Certamente era uma Akuma no mi. — Então você é usuário. –concluiu ele se colocando novamente em posição de luta. Teria que atacar novamente para tentar entender como funcionava aquele poder e como o derrotar. Seu sangue agora fervilhava em ódio por saber que assim como Wyvia ele também tinha o poder da Akuma no mi e mesmo assim a tratava como se fosse algo diferente. — Como ainda tem a ousadia de ferir Wyvia por uma lenda quando também é usuário? E seu povo não percebe isso? Arthur se zangou ao ouvir aquilo. Olhou ao redor, mas ninguém pareceu convencido daquela informação. Ele tinha sorte de ter um povo fiel e cego a qualquer palavra que viesse de outra pessoa, principalmente de um desconhecido. Não queria que ninguém soubesse que era um usuário, pois a fé de todos cairia. Além disso, havia a incerteza sobre Wyvia, algo que o deixava em um mortal dilema sobre o que fazer. Foi de ilha em ilha até chegar em Kuraigana apenas para encontrar a menina junto de seu povo sedento por tesouro e não deixar que houvessem desconfianças quanto sua habilidade, que para o povo era um presente de seu deus. O homem então decidiu que deveria calar Mihawk imediatamente, e naquele momento foi fácil, pois podia notar que o inimigo foi acometido por uma expressão diferente. Mesmo sendo um homem poderoso, Mihawk não foi poupado por pelo menos um resquício de veneno no corpo. Sentiu seu braço direito ser acometido por uma leve paralisia e moleza, sentindo suas articulações cedendo levemente ao peso da espada, que sem querer ele apoiou no chão. Mesmo com o leve impedimento ele não tirou os olhos do inimigo, o fuzilando com o olhar perigoso e atento. Não seria parado por um simples veneno. — Mihawk! –gritou Wyvia notando o desequilíbrio. Agora sim estava vendo o cruel veneno em ação novamente, e aquilo a deixava assustada e sem reação, porém foi distraída por um som atrás de si.
Virando a cabeça lentamente, viu alguns homens armando suas bestas e mirando em suas costas. Com os olhos arregalados, ela sabia que talvez Mihawk não tivesse visto aquilo, e pensando rápido, a jovem não teve alternativas além da ação rápida de se transformar antes que a flecha lhe acertasse. Como um vulto, a flecha acertou o local onde agora apenas restos das roupas de Perona jaziam. A jovem se transformou tão rápido que suas roupas rasgaram no processo. As penas castanhas tomaram conta de seu corpo e ela voou... E todos ao seu redor armaram suas bestas, prontos para atirar. — Wyvia! –exclamou Mihawk erguendo a espada novamente, enfurecido por ser impedido de proteger a garota de todos os homens que os cercavam e ao mesmo tempo encantando com a transformação dela. A ave de rapina que viu a moça se tornar era belíssima, a perfeição. Vendo-a daquela forma, voando com destreza para longe do banho de flechas, o falcão por breves momentos esqueceu da moleza de seu braço e cerrou o punho com força.Interrompido de seus pensamentos, Mihawk viu Arthur avançar rapidamente com sua foice em punhos. Uma luta finalmente começou. Como melhor espadachim do mundo ele facilmente desviou dos golpes horizontais e velozes do inimigo. Embora seus reflexos estivessem levemente alterados pelo veneno paralisante, ele não deixava de demonstrar o motivo de ter aquela alcunha. Saltava com graça e leveza apenas aprendendo os golpes de Arthur, sem revidar, e ao mesmo tempo procurando no céu a imagem de Wyvia. Ela devia ter voado para longe, pois notou que metade dos homens começaram a correr em direção ao castelo. — Já chega de brincadeiras. –disse ele com sua voz fria e cortante desviando de um golpe certeiro do inimigo. — Já estou farto de você e de seu povo. Arthur quase não viu quando o falcão avançou em sua direção, mas viu a tempo de acordar sua habilidade. O corte certeiro e vertical surgiu e por segundos ele teve medo do brilho da morte. Não sabia quem era aquele homem e nem a dimensão de seu poder, mas sabia que usando sua habilidade conseguiria desviar dele, mas parecia incerto quanto a sua vitória. Não era bom o bastante para acertar o mínimo dos golpes, e desviando não conseguiria nada. Estava a ponto de pedir ajuda a seu povo, mas deixou que ficassem com Wyvia. Quando o falcão estava passando por ele, Arthur controlou sua habilidade e ergueu a mão. Foi o suficiente, sabia disso. Talvez só assim pudesse ter uma miserável chance de derrotar aquele homem. O espadachim passou por ele, por dentro de seu corpo como se ele não fosse nada além de vento, porém quando o falcão aterrissou atrás dele, foi acometido por uma brutal dor em seu pulmão. Tossindo, ele apoiou a mão direita e molenga no peito, ciente agora do sangue que escorria pelos labios e marchavam o cavanhaque. Ouviu Arthur rir achando que tinha vencido. Mihawk ignorou a dor como se não fosse nada e encarou o homem com raiva. Os cabelos negros de Arthur foram soltos com aquela pressão e o falcão viu quando ele virou para si, notando que a mão dele parecia ter sido mergulhada em um balde de sangue, agora formando uma manopla vermelha e gotejando. — Entendi. –comentou Mihawk cravando sua espada no chão. A dor era tão forte que ele sentia vontade de arrancar os pulmões fora, mas ficou firme e o único sinal que demonstrava sua dor era uma gota de suor escorrendo até o queixo. — Você pode imaterializar seu corpo e materializar partes dele como quer. Além disso você é rápido, do contrário não teria enfiado sua mão imunda dentro de mim. Arthur ria sadicamente, mas queria logo mudar o assunto. Seu povo não pareceu acreditar na informação, e Arthur preferiu daquela forma. Se alguém desconfiasse que aquilo era uma akuma no mi ao invés de uma habilidade sagrada, ele teria problemas. Além disso, ser comparado com Wyvia gerava nele certa desconfiança e o velho dilema sobre acreditar nas escrituras ou que Wyvia era usuária também. Era naquilo que seu povo acreditava. Chegou a Kuraigana após dizimar ilhas atrás daquela garota, junto com seu povo. Aquele dilema mortal deixou a todos naquela situação. Porém algo interrompeu a luta de ambos e os pensamentos de Arthur. Ouviram ao fundo o som choroso e seco de uma águia. Desta vez Mihawk se virou para trás, sem se importar com seus inimigos pela primeira vez em muito tempo. Ele viu no céu azul e límpido a figura da águia sobrevoando lentamente os céus, com flechas cravadas nas enormes asas castanhas. Ninguém ousou dizer nada e ninguém se moveu, pois viram o espadachim correr pela enorme clareira, mesmo ferido por dentro. A visão da águia era bela e indomável, algo que encantou Mihawk e ao mesmo tempo o horrorizou por ver que ela estava ferida.Mihawk não se preocupou com lutas, nem com as pessoas que o observavam atônitos, incluindo o próprio Arthur que ficou paralisado. Tudo o que o homem queria era amparar a águia, que agora mantinha queda livre até o chão, porém aterrissando em braços fortes e esguios. De joelhos no chão, Mihawk segurou com leveza o corpo da ave, ciente de que um de seus braços estava inutilizado e molenga. As penas castanhas fizeram cócegas em seu braço e garras enormes perfuravam um pouco sua pele, mas ele pareceu não se importar. A bela ave ferida estava agora completamente relaxada nos braços do falcão, que estava se odiando por não conseguir protegê-la daquelas pessoas. — Wyvia... –ele chamou o nome dela, preocupado e irado com aquelas pessoas. Ele viu agora a ave assumindo os contornos humanos, com as penas agora dando lugar a pele macia da moça, expondo seu corpo nu e ferido. Dos braços caíram flechas ao chão, deixando rastros de sangue. Controlando sua ira, Mihawk começou a retirar o sobretudo vermelho e púrpura com leveza, agora vestindo Wyvia com cuidado para não ferí-la. Sabia que aqueles ferimentos não seriam suficientes para matar, mas não queria que ela sentisse mais dor do que provavelmente já sentia. Ao cobrir sua nudez, o falcão deixou exposto seu peito forte e o crucifixo dourado brilhando com o sol. Deitou gentilmente o corpo da moça na grama, com cuidado para não deixar nenhuma parte de seu frágil corpo a mostra e então se levantou. Ninguém ousou se mover. Todos observavam ao misterioso homem caminhar até sua espada. Ver aquela cena causou coisas diferentes em cada um. Alguns sentiram nojo e outros compaixão, mas todos levantavam aquela questão: quem era aquele homem e por que cuidava daquela moça daquela forma? O que ela significava pra ele? Arthur por outro lado, vendo o olhar feroz e cheio de ódio do inimigo soube que talvez tivesse uma chance de vencer, pois cego de raiva como estava agora por Wyvia ele talvez não enchergasse seus movimentos ágeis. Talvez daquela forma houvesse esperança. — Tenho lembranças maravilhosas do corpo dela dessa forma. –disse Arthur sorrindo de forma suja e cruel. –Tomei a pureza dela na grama, exatamente como agora. Era o único traço de dignidade que ela tinha.Mihawk ouviu aquilo e novamente sentiu dor em seu pulmão. Ele tossiu, mas ignorou novamente. Já estava cego pelo ódio daquele povo, mas ouvir aquilo apenas pirou sua situação. Saber que uma moça tão doce como Wyvia fora violentada por aquele monstro foi como um golpe poderoso contra o falcão, porém agora ele sabia o que fazer e como, diferentemente de Arthur, que mal sabia como vencer. Ele conhecia todos os tipos de violencia, mas violentar uma mulher era algo inaceitável e imperdoável, principalmente se tratando de Wyvia, que era para Mihawk como um anjo por quem se apaixonou perdidamente. Seu sangue agora fervilhava. O espadachim apertou com força o cabo de sua espada com a mão esquerda, pronto para atacar. — Sabe que isso não funciona comigo! –gritou Arthur já pronto para se imaterializar quando visse o brilho da morte chegando até ele, e foi o que aconteceu. Viu o brilho e se concentrou, agora sentindo tudo ao seu redor definhar. Os sons de gritos e de árvores indo ao chão o perturbaram, e pela primeira vez na vida Arthur temeu. Não havia mais servos ali, não havia mais seguidores... Não havia nada agora além de corpos cortados ao meio ao seu redor em um banho de sangue. Tudo em um raio de quilômetros foi pego por aquela espada... E Arthur tremeu. Quem era aquele homem e que poder era aquele? Por que ele era tão poderoso? O homem agora sabia que não tinha mais chance. Diante dele, Mihawk era uma estátua rígida de raiva e de vingança. Os cabelos negros expostos ao vento vibravam. Os olhos dourados marcavam o inimigo em chamas e os labios estavam franzidos. Agora Mihawk se sentia pronto para finalmente acabar com aquele monstro, pois matou todas aquelas pessoas que o atrapalhavam. Sabia que devia ter feito aquilo antes, mas por um lado teve compaixão de um povo tão ignorante e cego como aquele, algo que acabou mortalmente quando resolveram ferir Wyvia por suas costas... E ele não teve capacidade de protegê-la. Matou a todos sem ressentimentos. Eles mereciam.
Mihawk cravou novamente a espada no chão. Ele fitou Arthur com os olhos penetrantes e assassinos, notando que do olhar do inimigo só emanava medo. Mesmo com um braço lento e quase inutilizado, Mihawk ergueu os punhos em posição de ataque. Na sua frente, Arthur recuou um passo. Não sabia o que Mihawk planejava querendo enfrentá-lo com as mãos nuas daquela forma. E novamente o Jamaniano pensou: quem era aquele homem e que poder ele tinha? — Não se desrespeita uma mulher dessa forma. –disse Mihawk de forma ameaçadora. Sua voz era rígida como sempre e penetrante. Vingaria Wyvia naquele momento e por isso de certa forma sentiu um deleite pelo que estava prestes a fazer. E de repente seus braços nus assumiram uma cor de chumbo, escuro e brilhante, como se fossem luvas negras e sinistras, algo que deixou Arthur completamente assustado, pois não conhecia tal técnica e nem o que aquilo poderia fazer. Parecia que os braços de Mihawk agora eram feitos de aço puro e negro, exatamente como a morte. — Olha só pra você. Parece um coelhinho assustado prestes a ser abatido. Seu sangue não é digno de manchar minha espada, então darei um fim nessa sua miserável vida com minhas próprias mãos.
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