A Águia e o Falcão
15 Confiança
Notas iniciais
Perona tinha encontrado os babuínos da ilha. Todos estavam concentrados em um saboroso banquete feito por sacrifícios humanos em um lado da ilha. Eram escravos, presos e criminosos de Jaman. Todos foram ofertados para uma chacina, uma distração para permitir que o glorioso Arthur e o resto da população se fizesse presente no território de Kuraigana. Porém, tudo acabou de forma diferente do que Arthur planejava e já não existia mais um Jamaniano cruel no mundo... todos estavam mortos naquela ilha.
A mulher ajudou a fazer os curativos de Wyvia e preparou para Mihawk um chá especial, pois aparentemente o homem estava com uma hemorragia interna. A dor não parecia incomodá-lo nem um pouco, mas era necessário certo cuidado. Em seu abdômen, onde se localizava os intestinos, havia uma marca. Foi onde Arthur enfiou sua mão por seu poder de intangibilidade.
— Isso não é nada –falou para Perona, que olhava com uma careta de dor.
Estavam no quarto de Mihawk. Tinham colocado Wyvia na própria cama, no outro quarto, pois a moça viera dormindo durante todo o caminho para o castelo. Parecia livre de qualquer dor ou sofrimento após aquela luta. Parecia feliz de verdade.
— Se eu sair amanhã, talvez consiga chegar a tempo naquela reunião tediosa. -disse Mihawk lembrando da reunião de Shichibukais.
Perona flutuou ao lado de Mihawk enquanto o observava vestir uma roupa casual. Tinha acabado de sair do banho e o curativo que ela mesma fez nas costas dele estava perfeito.
— Acho que você devia ficar –disse a mulher encarando seu próprio reflexo no mesmo espelho de Mihawk. Ele a encarava com dúvida, com as sobrancelhas erguidas. — Você sabe... Wyvia está meio fragilizada por isso tudo. Fique com ela por um tempo, faça um jantar romântico, faça um carinho...
— O que está insinuando? –ele perguntou agora girando o rosto para a mulher, ainda com as sobrancelhas erguidas e os lábios franzidos. Sabia exatamente o que Perona queria dizer, mas aquilo pareceu grosseiro e inadequado.
Dando uma de desentendida, Perona deu de ombros e se afastou um pouco de Mihawk antes de continuar.
— Calma! Só quis dizer que após isso tudo vocês merecem uma comemoração, sabe?
Ela riu, mas Mihawk não esboçou nem no mínimo um sorriso. Não era novidade. Apenas ele sabia o que tinha ouvido de Arthur naquela fatídica tarde. A última coisa que queria era deixar Wyvia constrangida ou até mesmo intimidada. Lembrou daquela noite, quando ela dormiu ao seu lado, confortável e tranquila, independente do fato de que ele estava nu. Sim, era óbvio que havia algo diferente entre o que eles tinham e o que sentiam pelo outro. E ele não era Arthur e jamais a machucaria daquela forma.
— Merecemos paz, apenas isso –disse ele agora enxotando Perona. — Saia, quero dormir agora.
***
Novamente, Wyvia não conseguiu dormir. Os curativos no braço incomodavam um pouco e o frio que penetrava seu quarto, mesmo com as janelas fechadas, era ruim. Era engraçado o fato de que não conseguia dormir, pois pela primeira vez na vida achou que teria uma noite tranquila e confortável, sem preocupações sobre aquelas pessoas cruéis... mas a moça se lembrou de que já teve uma noite tranquila e confortável... e foi ao lado de Mihawk.
Lembrou de quando ele a carregou nos braços e a deitou na cama, ainda adormecida. Lembrou de quando ele beijou seus lábios de leve antes de sair do quarto, com Perona em seu encalço perguntando sobre a luta. Não teve forças para protestar e pedir para que ele ficasse, mas agora já estava completamente acordada e verdadeiramente sentindo o frio de estar sozinha.
Livre, solta e feliz, ela se sentiu bem, principalmente com aquela decisão que teve na cabeça... aquela de ir para o quarto de Mihawk novamente, deitar ao seu lado e adormecer novamente, sentindo o corpo dele lhe aquecendo. Ela precisava daquilo, pois já não se sentia mais completa sem tê-lo do seu lado. Talvez ele sentisse o mesmo, pois desde que a teve ao seu lado, também se sentiu completo. Por que aquilo não podia acontecer agora?
Wyvia já estava bem, então foi até o banheiro e tomou um longo banho, com cuidado para não molhar as ataduras. Foi o melhor banho que tomou na vida, pensando na felicidade que teria agora pelo resto de sua vida, sem ter alguém para lhe ferir, e sim ter cuidado e carinho. Lembrou-se de Mihawk lhe protegendo naquela tarde e de quando ele disse que a amava. E ela o amava igualmente, talvez até mais.
Corando com o pensamento, ela se enrolou em uma toalha e foi até seu espelho. Deixou que a toalha caísse e observou o próprio corpo. Se sentia mais livre para poder admirar a si mesma e perceber o quanto agora se sentia adulta. Não era mais uma moça perseguida... agora era uma mulher livre. Até mesmo o pensamento a envelheceu um pouco. Observou suas curvas, gentis até, mesmo para seu porte mediano. Sem que permitisse, seus pensamentos vagaram até o momento em que sentiu o corpo de Mihawk lhe abraçando sem medo e com ternura, com o corpo nu quente entrando em contato com seu corpo, mesmo com as roupas por cima. Ela estremeceu com o pensamento.
Decidida mesmo sem saber o que fazer ou sentir, ela apenas queria sentir o abraço dele novamente, o cuidado que ele tinha e a ternura com que lhe segurava, assim como naquele dia... afinal, estava livre e com alguém que a amava.
Ele não é como Arthur... ele não me machucaria... ela pensou.
Admirando o quanto era bonita, pela primeira vez em muito tempo, Wyvia penteou os cabelos loiros e do jeito que estava, nua, saiu do quarto.
Se sentiu da mesma forma como na primeira vez em que foi ao quarto dele, porém agora seu rosto queimava e sentia deliciosos arrepios na nuca. Cogitou em voltar para o quarto e se vestir, mas não voltou. Estava na hora de encarar todo o amor que sentia por ele, e especialmente sua confiança.
Ao entrar no quarto, viu que ele estava dormindo. As costas nuas revelavam o corpo malhado que tinha, tão bonito e atraente. O corpo de Mihawk era perfeito, não tinha nenhum defeito sequer... era magnífico.
E Wyvia se sentia linda, assim como ele era. Bem devagar se aproximou e deitou na cama, da mesma forma que fez na primeira vez. Deixou que as cobertas vermelhas alcançassem apenas sua barriga lisa, deixando os seios maduros e redondos expostos a brisa que entrava pela janela aberta.
Mihawk se remexeu. Pareceu sentir a presença de Wyvia ao seu lado, esperando por ele para ser aquecida, como daquela vez. Tinha custado a dormir sem ela ao seu lado, mas por respeito a violência que ela sofreu, resolveu não chama-la mais cedo. Não queria que ela se sentisse de alguma forma intimidada, nem que ficasse assustada com seu corpo nu a abraçando... e daquela vez tudo foi completamente diferente e o falcão se sentiu realmente como um homem completo.
Quando se virou na cama, ele a viu. O corpo igualmente nu como o dele, chamando com notas de calor e desejo que estivesse próximo ao dela. Ele se surpreendeu e deixou que isso transparecesse. Até mesmo o coração do falcão começou a acelerar de uma maneira inquietante quando notou o olhar dela, fixo no seu. Os olhos dourados compartilhavam agora de paixão.
O falcão não disse nada. Seus instintos falaram mais alto que tudo, mas ainda se manteve cuidadoso. Não sabia o que esperar e na verdade não criava expectativas. Queria apenas aproveitar aquele momento, contemplando sua amada com os olhos analistas e apaixonados.
Ela sorria enquanto ele corria os olhos pela curva dos seios, pelos mamilos rosados e enrijecidos. Os olhos procuravam algo além das cobertas, mas não precisou pedir e nem fazer nada. As mãos delicadas de Wyvia puxaram o cobertor que compartilhavam, agora expondo completamente a nudez de ambos. Jogou longe cobertores e aproveitou para também correr os olhos pelo corpo de Mihawk.
Permaneceram assim por muito tempo. Deitados sobre as almofadas, observavam o corpo do outro, cada curva, cada centímetro. Falavam em silêncio um com o outro, apenas compartilhando olhares apaixonados e cheios de significados. Por outro lado, Mihawk ainda sentia um pouco de insegurança quanto ao trauma de Wyvia, se é que aquilo a tivesse traumatizado. Ele era um homem confiante consigo mesmo, era adulto e completamente maduro. Já tivera experiências suficientes para saber como tratar uma mulher em um momento tão delicado como aquele, especialmente uma que amava profundamente.
Wyvia pareceu entender os rumos dos pensamentos de Mihawk e abriu os lábios rosados para sussurrar pra ele.
— Eu não tenho medo de você. Quando me deitei pela primeira vez ao seu lado, eu já sabia que estava pronta para algo diferente do que presenciei com aquele monstro. Você me ama... jamais me faria sentir mal... ou dor.
— Não sentirá dor enquanto estiver comigo –disse ele. A voz grave agora parecia ter um toque sensual mascarado. — Eu prometo.
E ele então se aproximou mais dela e a abraçou. A união dos corpos nus foi morna e mais forte do que Wyvia pensou. Sentiu suas coxas roçando com as de Mihawk e sentiu o membro dele em seu ventre, endurecido e latente, pronto para sentí-la.
Abraçados e contemplando os olhares, Mihawk a beijou. Foi um beijo terno e lento, cheio de paixão e doçura. Mais rápido do que começou, aquilo fez surgir todos os sentidos de Wyvia, tudo estava mais aguçado que o normal e sensações de formigamento a atingiram. Agora se sentia um pouco nervosa com o ato, principalmente porque era com Mihawk. Tinha agora um pouco de receio, mesmo sabendo o quanto era bonita aos olhos dele. Talvez não fosse bom, talvez doesse...
O falcão se posicionou acima dela, deixando ambos os braços de cada lado dos ombros dela. Ele a fitava com aquela mesma expressão que já era sua marca: o olhar penetrante, os lábios quase franzidos de seriedade e as sobrancelhas quase unidas.
— Você é linda –disse bem devagar, saboreando cada palavra. — Não precisa ficar nervosa. Apenas confie em mim. Você confia?
Wyvia já não mais sabia o que era nervosismo. O olhar dele era apaixonante, e suas palavras eram um bálsamo para o que sentia de desagradável. Agora tudo era felicidade e algo mais... seria excitação?
— Confio –disse ela. Seu rosto ardeu em chamas naquele momento. — Me ensine tudo o que eu preciso saber... pois quero ser perfeita.
— Você já é perfeita... –disse ele enterrando o rosto em seu pescoço agora. Quase que Wyvia soltou um urro de prazer com o bigode em “V” roçando na curva de sua jugular. — Apenas faça o que te der vontade. O que quiser.
E os beijos ardentes começaram. Wyvia agora já começava a se sentir inundada com tanto amor nas carícias de Mihawk. As mãos habilidosas dele caminharam pela lateral do corpo de sua amada, procurando conhecer toda a carne dela e observando o rosto dela enquanto o fazia, notando o quanto ela parecia gostar daquilo. E se ela gostava, ele adorava mais ainda.
Agora Mihawk realmente se sentia mais jovem. Dar prazer a uma moça era revigorante. E ele estava apenas começando.
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