Notas iniciais
Queridos, acabei de postar minha fanfic do Law, que é meu favorito ♥ Espero que acompanhem! Deixarei o link nas notas finais :*

O mundo parou de girar para Arthur, que nada podia fazer além de fitar o rosto de Mihawk, tão sério e assassino quanto qualquer outro que tenha visto e seus braços de chumbo, completamente armados. O que estava para acontecer? Várias teorias foram montadas na cabeça do homem, mas nenhuma fez sentido. Aquele inimigo era um espadachim, e muito habilidoso por sinal. Que tipo de espadachim usa seus próprios punhos?

Ele sabe que golpes da espada não funcionam em mim, mas o que significa isso? Nada pode me acertar... o que está planejando? Pensou Arthur no auge do nervosismo. Suas pálpebras tremeram e seus lábios se contraíram numa linha dura.

— Acho que passei dos limites insultando a honra dessa criatura na sua frente. Afinal, o que ela significa pra você? –ele perguntou, apertando os punhos com força, pronto para se concentrar e ficar imaterial no mínimo movimento de seu oponente.

Mihawk parecia tão mergulhado em vingança e raiva que não pensava em trocar palavras com aquele homem... mas já que aquilo se resolveria daquela forma, não havia motivos para não despejar um pouco de fúria por palavras.

— Você achou certo. –ele disse. Sua voz cortante e rangente estava carregada de raiva em todas as sílabas. O olhar dourado de falcão mirou no inimigo, pronto para atacar. — Você é um verme asqueroso e insignificante que brinca de Deus com as pessoas, manipula elas com contos de fadas e ainda tem a coragem de insultar Wyvia dessa forma. A verdadeira criatura aqui é você... e agora vai pagar por cada um de seus atos contra os restos desse miserável povo ao seu redor. Fui piedoso por ter matado todos eles de uma forma rápida. Com você será diferente, guarde essas palavras para sempre.

Insultado e ferido como se fosse um cãozinho chutado pelo dono, Arthur recuou, mas logo mostrou suas presas diante das palavras do falcão. Quem era aquele homem? Por que fazia aquilo? Rangendo os dentes, Arthur se preparou. Não quis avançar logo pois não sabia o que era aquilo nos braços do inimigo e nem o que podia fazer. Quis ganhar tempo para algo que nem mesmo sabia.

— Essa garota não pode ser usuária... ela tem que saber onde está o tesouro! Está nas escrituras!

— Ainda insiste nessa bobagem? –retrucou Mihawk já sem paciência para discutir com aquele ignorante. — Cale-se porque agora acabou pra você.

— Me diga... quem é você?! O que é você?! –gritou Arthur.

Desta vez Mihawk avançou dois passos, ainda com os braços empunhados, prontos para socar. O sol trazia um brilho grotesco no armamento de chumbo ao redor de sua pele, deixando o inimigo pálido.

— Eu sou o melhor espadachim do mundo e é só isso o que você precisa saber sobre mim para carregar consigo pelo resto de sua miserável existência. –disse ele naquele mesmo tom de voz carregado e ofuscante. E descrito por sua alcunha, o espadachim agora era mais ameaçador para o inimigo.

E pela primeira vez Arthur realmente parou para fitar aquele homem. Os cabelos negros e bem cortados balançavam devagar com a brisa. Os olhos dourados estavam quase escondidos por seu olhar enraivecido, com as sobrancelhas unidas... expressão que parecia ser sua principal, como talhada no mármore que era sua pele. O bigode e costeletas diferentes davam um aspecto antigo e até um pouco intimidador. Realmente aquele homem era diferente de todos que Arthur já viu e enfrentou... e ser o melhor espadachim do mundo... ele não parecia estar brincando quando disse aquilo e nem quando cortou todas as pessoas ao seu redor apenas com um movimento daquela espada negra sinistra. Ele estava protegendo Wyvia... talvez por interesse próprio ou por se apegar a ela... e na verdade Arthur preferia não pensar naquilo. Estava diante da morte e sabia disso, como se sentiu anteriormente.

Não havia remorso debaixo da carne de Arthur. Não havia ressentimentos por tudo o que foi com o pessoal de sua vila e das maldades que aconteceram. Agora tudo foi exterminado... tudo foi destruído por aquele homem. Não havia mais gente em Jaman que carregasse aquela ideologia... ficaram para trás as pessoas fracas e vítimas da crueldade de tal seita. Tudo morreria alí mesmo com Arthur.

— Acho que agora é hora de me arrepender dos meus pecados... mas não me arrependo de nenhum. –disse ele em tom de falso arrependimento. Os cabelos escuros voaram com o vento enquanto observava Mihawk caminhar lentamente em sua direção. Estava pronto para se imaterializar, claro, mas caso não fosse possível... já sabia o que aconteceria.

— Vai se arrepender um dia –murmurou Mihawk. Seu peito nu recebia os poucos reflexos do sol, envolvendo-o em um calor tranquilizador e bom. — Eu como espadachim não teria coragem de tirar a vida de um inseto como você, como se tivesse um pingo de honra para ser cortado ao meio.... mas devo parabeniza-lo por me fazer usar os punhos para isso. Ninguém foi capaz disso.

Aquilo pareceu o final de uma conversa. Como a última esperança que tinha, Arthur gritou e avançou também, pronto para se confrontar corpo a corpo com Mihawk, usando seu poder caso fosse necessário. Viu o inimigo pegar impulso para um soco de esquerda e já estava pronto para se imaterializar... e assim ele fez.

Mas não funcionou.

O soco que recebeu no queixo foi tão forte que foi jogado para longe, sentindo o rosto queimar e o gosto metálico de sangue inundar a boca. Demorou vários segundos para cair, mas finalmente caiu sobre a carne fofa e ensanguentada de alguns de seus homens fatiados ao meio. O que era aquilo afinal? Por que aquilo o acertou?

— O que é isso?!!! –ele gritou, e antes que pudesse se levantar, sentiu o peso esmagador em seu peito, cortando sua respiração. O sol ofuscou sua visão, mas notou a silhueta máscula e perfeita que aterrissou sobre si.

E já não podia lamentar e nem fazer nada... já se sentiu sendo esmagado e massacrado por dezenas de socos seguidos. Socos enegrecidos e duros como chumbo se chocando contra seu rosto. A certa altura, Arthur já não sentia mais dor. Engasgou-se com sangue e sentiu as raízes de seus dentes perfurando sua garganta e língua. Já não lembrava mais como respirar e não conseguia mais enxergar por um dos olhos. Seu nariz parecia um saco de cartilagem sem forma e seu rosto já estava vermelho. Acima de si, Mihawk o socava sem piedade e moderando completamente sua força. Ele sabia que se usasse sua força total, já não teria mais cabeça alí, apenas um amontoado de cabelos sobre a massa cinzenta que escapuliria pelo crânio. Arthur precisava sofrer...

Quando parou, Mihawk se livrou do armamento. Seus braços voltaram a ser o que eram antes... e apenas sangue vermelho e fresco marcavam os punhos como novas manoplas. Fitou a pobre criatura abaixo de seus coturnos, com rosto tão desfigurado e sangrento que mal parecia um humano. Via ele se contorcer como uma minhoca fora do assoalho morno e úmido da terra, com a cabeça molenga e se virando para os lados. A boca aberta parecia procurar por ar, pois o nariz já não conseguia mais cumprir seu dever de respirar. Não havia mais dentes nas gengivas em carne viva, apenas sangue. Com as baforadas desesperaras de respiração, Arthur cuspiu sangue e vários de seus dentes. Os respingos voaram até o coturno escuro do falcão, que saiu de cima dele, completamente enojado.

— Você perguntou o que a Wyvia significava pra mim. Ela é minha parceira. –disse ele seriamente e com determinação — Essa será uma morte lenta. –agora ditava a sentença do homem como um carrasco. Após aquela surra, até mesmo a expressão de Mihawk suavizou o máximo que podia. — Caso tenha sorte e consiga voltar para sua embarcação, mostre ao pessoal da sua vila o que acontece com vermes que torturam e violentam mulheres inocentes. Não sei o que fez com os babuínos dessa ilha, mas quando eles vierem, poderão te devorar bem devagar. Você se achava Deus, capaz de julgar o que deveria acontecer com os outros... agora eu sou o seu deus e eu apliquei justiça e castigo a você, seu verme.

Mesmo dizendo aquelas palavras, Mihawk não se considerava deus e nem superior... aquilo era apenas para aquele homem. Ele mereceu aquelas palavras e aquela sentença. Deixando agora o homem para trás, chorando desesperadamente enquanto vomitava e cuspia sangue. O glorioso falcão caminhou até onde estava Wyvia. Ajoelhou-se diante dela, coberta por seu sobretudo. A expressão no rosto dela parecia suave enquanto adormecia, leve e tranquila como uma nuvem. Tocou nos braços dela, notando que não havia mais sangue. Ela realmente se curava com facilidade.

Vendo perto dela as flechas que a acertaram, ele lembrou-se que foi atingido por uma delas... e apenas naquele momento percebeu que seu braço direito estava completamente dormente. Dando aquela surra em Arthur através de Haki, ele talvez não tivesse notado, mas agora sentia. Aquilo não era completamente efetivo nele, mas era em Wyvia. Talvez fosse uma solução especial para usuários de Akuma no mi, por isso ele não paralisou totalmente como a moça explicou que paralisara no momento da violência que sofreu.

E lembrando daquilo, Mihawk suspirou. Não queria lembrar disso e nem imaginar como foi. Wyvia não merecia ter sofrido daquela forma... merecia ser tratada com respeito e carinho... exatamente como ele a tratava.

— Wyvia? –ele a chamou. Fez um leve afago em seus cabelos cor de palha com a mão esquerda. Afastando o cabelo do rosto da moça, notou que os olhos dourados dela finalmente se abriram, bem devagar.

Ela não conseguia se mover, e Mihawk sabia disso. Também não conseguiria carrega-la nos braços até o castelo, pois agora seu braço direito estava completamente inutilizado. Agora mais livre e tranquilo, Mihawk sentou-se no chão e com o único braço que tinha, puxou Wyvia bem devagar e com cuidado para não machucá-la, a deitando sobre suas pernas, para não ficar desconfortável no chão. A moça parecia molenga como uma boneca de pano, então ele a deitou da forma que achou que ela ficaria melhor, com a cabeça em suas coxas e o tronco sobre o resto de suas pernas.

— Você está ferido? –foi o que ela perguntou. Sua voz doce saiu fraca e devagar, como se estivesse carregada de dor.

— Não se preocupe comigo... o importante é que acabou. –ele agora passou a acariciar o rosto dela. Os olhos dourados e brilhantes dela estavam colados no seu. Ela parecia tranquila, assim como ele, mesmo com o corpo paralisado.

— Obrigada, Mihawk... nunca pensei que alguém arriscaria a vida para cuidar de mim e me defender... –ela falou com adoração. Seu coração batia devagar devido ao veneno, mas seu corpo ainda suava e tremia consideravelmente por estar diante daquele homem e lhe dizendo aquelas palavras. — Além disso você... –e ela lembrou-se do que conversava com ele antes de serem atacados. Seu rosto ainda assim ficou avermelhado. — Você me convidou para morar com você... e me deixou dormir ao seu lado... e me beijou...

Enquanto ditava as coisas, notou que o olhar de Mihawk agora se tornou terno e cheio de um carinho que parecia nunca existir naquele rosto tão gélido e frio como sempre era.

— Isso tem uma explicação. –disse ele suavemente. Seu coração bateu com força agora dentro do peito. Aos poucos começou a sentir novamente seu braço. O efeito do veneno estava passando. — Acho que a vida me enviou um presente aquele dia no mar. Eu estava voltando de uma tediosa reunião com os outros Shichibukais quando te encontrei. Aquilo não foi por acaso. Não é por acaso encontrar olhos parecidos com os meus no mar. Isso foi a vida me ensinando alguma coisa... e eu achando que não tinha mais nada a aprender com minha idade. Aprendi que eu não era completo... era vazio por dentro. –ele fez uma pausa longa para observar o corpo da garota se mover devagar devido aos movimentos chegando. Seu braço já estava quase bom, já podia movê-lo de acordo com sua vontade.

Wyvia não seria capaz de se mover após aquelas palavras de Mihawk, mas moveu-se pois queria muito estar sentada diante dele observando seu olhar de perto. Com força e recobrando os movimentos, ela então se sentou sobre as pernas, diante de MIhawk que ainda era maior e mais forte mesmo encurvado para frente. Ele a fitou com ternura e segurou uma de suas mãos. Brincou com os dedos dela enquanto matinha seu contato visual para o olhar quase choroso que ela já tinha, ansiosa para ouvir mais.

— Me senti completo com você dormindo ao meu lado. –ele disse seriamente, com as sobrancelhas ainda quase unidas como era de costume de sua expressão. — Já não preciso de mais nada nesse mundo. Agora já tenho tudo o que preciso. Estou envelhecendo, mesmo no auge da minha forma física. Por dentro pareço ter passado dos cem anos... e agora você me tirou esse peso e devolveu a vitalidade que eu precisava para viver de verdade.

— Mihawk... –choramingou Wyvia despejando algumas lágrimas. Queria dizer algo, queria falar coisas que sentia... mas nada podia fazer além de resumir tudo em apenas algumas palavras. Aquilo era suficiente por enquanto, pelo menos até um dia poder contar a ele tudo o que sentia nos mínimos detalhes e o quanto aquele homem era especial para si. — Eu te amo tanto...

O falcão foi pego por aquelas palavras como se tivesse levado um tiro. Seus olhos dourados se arregalaram um pouco e ele sentiu o sangue subir ao seu rosto. Aquilo era um sentimento tão forte que o constrangia um pouco. Era constrangedor ser tão amado por alguém... e amar tanto quanto ele amava... e na verdade aquilo era lindo.

— Eu também, Wyvia... –ele conseguiu dizer, agora a puxando para seu peito, a abraçando com força. Pensou em como tudo parecia claro como água agora... toda sua preocupação com a moça, tudo o que fez por ela desde que chegou na ilha... aquilo era amor de verdade, puro e perfeito. Ele queria mais... queria provar mais para ela, mesmo que do seu jeito o quanto a amava verdadeiramente. — Te amo.

E finalmente ele conseguiu se levantar, carregando Wyvia em seus braços. Ele a via agora como sua... como a mulher, parceira e companheira que a vida lhe deu de presente. Como o homem que era, ele honraria aquele presente com tudo o que tinha, tudo o que poderia fazer. A vida não lhe pregou uma peça como havia pensado anteriormente... a vida lhe agraciou por algum motivo. E qualquer motivo era suficiente para ele dizer com paixão e adoração o quanto a amava.

Notas finais
https://fanfiction.com.br/historia/650498/Coracaoprotegido/ (fanfic do Law)