9/11
1 Capítulo 1 - 9/11
Notas iniciais
Espero que gostem desta.
Beta: Maíra
Enjoy! :3
A fumaça, a poeira e as cinzas do impacto cobriam a cidade que há apenas um dia era aquela denominada A capital do mundo. As pessoas corriam de um lado para o outro, algumas pareciam desorientadas, outras pareciam procurar aqueles que estavam perdidos em meio àquela confusão.
Nunca, na história dos Estados Unidos, algo chegara àquele ponto. Ataques terroristas ao Pentágono, à Casa Branca e às Torres Gêmeas.
A fé de todos parecia estar abalada. Não sabiam mais para onde ir ou como agir.
Kate atravessou uma das enormes pilhas de concreto espalhadas pela cidade, acabara de sair da patrulha, mas fora solicitada no local do Ground Zero. Estava sem dormir há pelo menos vinte horas, seu corpo já pedia por descanso, mas a cidade precisava dela.
Beckett ajudou na remoção das montanhas de poeira e concreto, ao mesmo tempo em que mais algumas pessoas, vindas de outros condados em mutirões organizados, se juntavam a ela e aos oficiais.
As pessoas se revezavam entre os escombros e as ambulâncias, ajudando em resgates ou na remoção dos corpos das vítimas.
Uma moça de cabelos loiros e ondulados suspirou ao lado de Beckett, a oficial parou por um instante de mexer no concreto destruído e ofereceu sua garrafa de água para a mulher.
“Há quanto tempo está sem dormir?”, a moça desconhecida indagou, lutando contra o cansaço evidente.
“Quarenta e oito horas, no mínimo.”, Beckett sorriu com doçura e a mulher retribuiu.
“E eu achando que vir de Montana para cá no carro do mutirão era complicado.”
Kate deu um meio sorriso. Ela ficaria acordada o quanto fosse preciso. Sua cidade precisava dela.
“Lindsay Monroe”, ela devolveu a garrafa, agora quase vazia, e estendeu a mão para a oficial.
“Kate Beckett”
Ambas sorriram e voltaram a trabalhar juntas para tentar desenterrar o brilho da cidade.
Poucas horas antes de encerrarem o “turno” da primeira equipe do mutirão vindo de Montana, Lindsay e Kate foram designadas para ajudar na orientação das pessoas que passavam por ali. Em alguns minutos de trabalhos, dezenas de pessoas passaram por elas, mas uma chamou a atenção de Kate.
Uma garotinha ruiva, aparentando seus seis anos, se aproximou, pedindo ajuda. Ela chorava desesperadamente, chamando pelo pai e gritando para que a levassem para casa.
“Ei, ei, garotinha. Qual o seu nome?”, Kate se ajoelhou diante da menina, pegando uma das garrafas de água do isopor na ambulância, molhando as mãos para limpar as cinzas do rosto da pequena.
“A-Alexis”, ela engasgou com o próprio choro e coçou o olhinho com a mão suja, deixando uma marca negra ao redor do olho. Parece uma pandinha fofa, Beckett pensou para descontrair seus pensamentos, mas logo voltou sua total atenção para a menina.
“Alexis, conte-me o que aconteceu. Por que você está sozinha no meio dessa bagunça?”, Kate jogou o restante da água nas mãos da criança e ergueu-se para pegar outra. Abriu a mesma e deu para que Alexis bebesse.
Enquanto esperava que a menina recuperasse a respiração, Kate observou cada detalhe dela. Pequena, ruiva, branquinha, olhos azuis e bem cuidada. Onde estariam seus pais?
“Meu papai estava em uma reunião no The Millenium Hilton, mas eu estava irritada porque ele não podia me dar atenção, ele tinha prometido que ficaria comigo. Era terça-feira e eu não tinha que ir para a escola e... Que dia é hoje?”, a menina se interrompeu e perguntou um tanto intrigada.
“13 de Setembro, quinta-feira.”, Alexis fez um som de surpresa e voltou a contar a história.
“Meu papai pediu para uma das moças que estava na recepção do hotel ficar comigo por um instante, mas eu não queria ficar lá dentro, eu pedi para sair e ela me acompanhou aqui para fora. Foi quando a confusão começou, as pessoas começaram a correr e a gritar, a moça tropeçou e largou da minha mão e eu não consegui mais achar ela e nem o caminho de volta. Está tudo muito confuso, eu quero o meu pai.”
Kate abraçou a garota e pediu ao paramédico para que perguntasse a algum dos oficiais para qual distrito as pessoas do hotel Hilton haviam sido levadas. Ela sabia que o hotel ficava dentro do parâmetro do raio de evacuação. 500 metros.
“Eu fiquei escondida no túnel do metrô na Cortlandt Street, não tinha ninguém lá, eu fiquei com muito medo.”
“Está tudo bem agora. Eu vou cuidar de você e vou te levar até seu pai, tudo bem?”
Alexis assentiu e pôs as mãozinhas ainda molhadas no rosto da mulher.
“Qual é o seu nome?”, ela murmurou, admirada com a cor dos olhos de Beckett.
“Kate”, Ela respondeu e ganhou um beijo no rosto.
“Foram levadas para o 12º, oficial Beckett.”, o rapaz voltou correndo, pedindo licença alguns segundos depois, levando consigo um novo kit de primeiros socorros.
Ela sorriu para a pequena e avisou a todos para onde estava indo.
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Castle estava desesperado, desde o atentado não tinha notícias da sua pequena, tinha medo de que o pior tivesse acontecido a ela. E o pior de tudo é que não o deixavam sair da delegacia para procurá-la. Ele poderia ter perdido para sempre o seu bem mais precioso e não o deixavam procurar por ele.
Ele estava a ponto de explodir. Dois dias, dois dias sem notícias de sua Alexis. A única coisa que ele podia fazer era chorar e pedir a Deus para que ela estivesse bem, mesmo que as chances de sobrevivência em meio àquele caos fossem pequenas.
Pela primeira vez, em cinquenta horas, Richard Castle alertou-se para o barulho das portas do elevador da delegacia.
Seus olhos brilharam ao ver as duas pessoas, sendo uma delas sua filha, saírem da caixa de metal. Alexis e uma oficial passaram pelos corredores em direção à sala de registros, no entanto, ele as interceptou, pois sabia exatamente o que elas fariam: procurariam por seu nome em uma lista com, no mínimo, cinco mil nomes.
“Alexis”, ele se ajoelhou diante da menina e a trouxe para seus braços, agradecendo a Deus em voz alta e jurando que nunca mais deixaria que ela saísse de perto dele.
“Papai, a Kate cuidou de mim e me trouxe para cá sã e salva.”, a ruivinha apontou para a oficial que a acompanhava. Rick levantou-se do chão e estendeu a mão para cumprimentá-la.
“Obrigado por cuidar dela, eu não sei o que seria de mim se eu a tivesse perdido.”, ele tinha gratidão nas íris azuis.
“Não fiz mais que o meu trabalho, senhor...”, ela se interrompeu por não saber o nome do rapaz, no entanto, tinha a impressão de que já o vira em algum lugar.
“Rick Castle, mas pode me chamar de Rick.”
“Bem, como ia dizendo, senhor, eu não fiz mais que meu trabalho, e sua garotinha foi bastante esperta durante o tempo em que não conseguiu ajuda.”
“Mesmo assim, obrigado.”, ele pegou a filha no colo e a levou para uma sala onde uma grande máquina de doces a esperava.
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11 de Setembro de 2002
A cerimônia iniciara com as homenagens às vítimas e às dezenas de oficiais que morreram durante os resgates. Aos poucos, os oficiais, que receberiam as medalhas de honra pela ajuda fornecida nos meses seguintes ao atentado, subiam ao palanque para receber o pequeno broche retangular de metal azul com uma estrela dourada no centro.
Beckett era um desses oficiais. Ela estava feliz pela sua primeira condecoração, apesar da situação que acontecera para que ela merecesse aquilo. Ao receber o aperto de mão e bater continência para o seu capitão, Kate escutou ao longe uma risadinha infantil. Sabia de quem se tratava.
Ao final de tudo, a mulher procurou os rostos tão familiares no último ano em meio à multidão. Logo, encontrou os dois encostados à grade recém colocada do Ground Zero. Alexis mantinha um sorriso travesso no rosto enquanto saboreava um sorvete de morango e Castle segurava dois picolés intocados.
“Deixe-me adivinhar: um sorvete de flocos para alegrar seu dia?”, Kate repetiu o que Castle dissera a ela no dia em que saíram em um encontro pela primeira vez.
“Achei que não lembraria, detetive.”, ele enfatizou a última palavra e ela o repreendeu com o olhar.
Sua promoção na delegacia ainda não era oficial, mas seu capitão já a informara que a vaga era dela com toda certeza.
“Se isso me der azar, você verá o que eu faço com um sorvete de flocos, senhor Castle.”, Rick adiantou-se para tapar os ouvidos da filha. A menina soltou um gargalhada, curiosa para saber o que os dois adultos falavam.
“Não fale essas coisas na frente da minha filha, senhorita.”, o olhar de malícia que eles trocaram fez com que ambos desejassem estar a sós em um lugar mais íntimo.
“Ela nem sabe o que é que eu posso fazer”, ela murmurou e puxou a menina para junto de si. “Alexis, o que acha de ir assistir um filme lá em casa? O seu pai vai fazer pipoca e colocar leite condensado por cima.”
A menina concordou e deu dois passinhos para o lado, começando a pular em comemoração.
“Você tem sorte de não ter aceitado morar comigo, porque ela vai ficar muito enérgica depois de comer todo esse açúcar.”, ele pressionou as têmporas com os dedos indicadores e olhou para a namorada.
“Não se preocupe, a gente faz isso de novo.”, ela mordeu os lábios e o encarou, agora com a menina nos braços.
“Você ouviu o que eu disse? Sou eu quem aguenta essa menina correndo para lá e para cá quando come açúcar em excesso.”
“E eu estou dizendo que da próxima vez que isso acontecer eu estarei lá para gastar as energias dela junto com você.”, ela deu as costas e começou a caminhar, com a menina encolhida em seu colo.
“Isso quer dizer que você vai morar comigo?”, ele deu um passo de impulso e se pôs a correr atrás da namorada.
“Alexis, acho que seu pai perdeu a aula de entrelinhas. Para um escritor, isso é muito grave.”, a ruivinha riu e voltou a se aconchegar nos braços dela.
Rick sorriu ao lado delas.
Uma tragédia trouxe um novo amor para ele e recuperou o sorriso de sua filha. Aquela era a prova de que até nos piores dias, existe a possibilidade de alegria.
Notas finais
Deixem seus comentários!
Suas opiniões são bem-vindas.
Eu não mordo... Não muito forte! :3
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