Notas iniciais
Chegamos à mais um final na minha vida. minha opinião sincera e honesta? Não leiam esse capítulo e criem um final feliz pra vocês.
A história precisava terminar assim :// por mais que me doa, que meu coração estava estraçalhado.
Trilha sonora do capitulo: Evanescence. Principalmente Lithium.

2020 POV EMMA.

Finalmente, ela apareceu ali. Eu só posso dizer que me senti viva novamente, me senti alguém. Meu coração disparou e eu não consegui me controlar, exatamente. Parei ao seu lado e acabei soltando um "Você teria 5 minutos pra mim?!" Sua expressão de surpresa foi a melhor que eu podia ter recebido, afinal, achei que fosse apanhar ou qualquer coisa, mas ela só respondeu "Claro! Vem comigo!" e fomos andando até um banco para sentarmos e colocar o papo em dia.

Eu tinha, sim, mil e uma coisas pra dizer, mas eu jamais conseguiria não é? Eu sou fraca demais pra isso. Idiota.

Conversamos sobre amenidades, seu aniversário seria em dois dias. Ela tinha brigado com a namorada, mas estava indo se acertar com ela e por isso tinha certa pressa pra ir embora.

Ela sorriu pra mim, daquele jeito. Eu não conseguia olhar pra ela, mas fui obrigada quando ela pediu para que eu o fizesse. Eu estava suando, estava morrendo por dentro, até pensar era dificil pra mim.

E daí a namorada dela ligou e ela pediu que eu fizesse silencio, por que ela ficaria puta se soubesse que eu estava ali.

Hahaha.Acho que estou lendo/vendo ficção demais, né? Boba eu... Acreditar que sei lá... Ela fosse ver magicamente que sente minha falta e que queria mesmo ficar comigo, que eu escreveria uma história, atravessaria umas cidades de trem e assim que ela me visse ficaria tudo bem.

Deveria, né? Eu sei que nascemos uma pra outra, que eu a amo e ela deve sentir algo por mim, por mais que não me queira mais. Cássia já dizia: "o pra sempre, sempre acaba".

Regina me abraçou antes de ir, um abraço simples enquanto eu a apertava em mim, como se pedisse, implorasse pra que ela não fosse... Mas era claro que ela iria. Ela iria para a verdadeira paixão da vida dela.

Segurei as lágrimas e me distanciei, enquanto Regina entrava no carro e partia dali. Meus olhos escorreram torrencialmente assim que saí de seu campo visual, meu interior estava como o tempo lá fora, era quase um dilúvio, a tempestade do fim dos tempos.

Doía, doía como se eu tivesse tido meu coração arrancado fora, mas era minha culpa, apenas minha culpa. Ela passou tão bem esses anos sem mim... Que culpa ela tem dos meus fracassos pessoais?

Caminhei em direção ao trem e entrei ali, sentando-me e caindo naquele choro bobo, sentido. Em meus ouvidos todas as músicas que tocavam apenas torciam e espremiam mais meu coração, fazendo com que ele fosse, pouco a pouco, parando de bombear o sangue para o restante de meu corpo, como se viver não tivesse mais valor algum. Sinceramente? Não tinha.

Eu não me importaria em fazer tudo de novo, e de novo. E de novo, se fosse preciso. Eu faria o que fosse preciso pra fazê-la feliz novamente. Se eu pudesse... Ah! Se eu pudesse.

Evitei voltar pra casa naquela noite, passei no centro da cidade, fui ao cinema e tudo o que eu via fazia doer mais e mais. Evitei beber ou eu sabia que tomaria atitudes precipitadas e foderia tudo de vez, não era o que eu queria.

Essa ultima semana tem sido péssima pra mim, procurei meu psiquiatra e ele aumentou minha medicação.

Irônico, não é? Tomar Lítio pra tentar melhorar a situação e lembrar de uma música perfeita pra situação que só piora tudo??

“Lítio... não quero me trancar por dentro
Lítio, não quero esquecer como é ficar sem
Lítio, quero permanecer apaixonada pela minha tristeza
Oh, mas, Deus, eu quero deixá-la”

Só... Não posso mais viver assim. Parece meio depressivo ou sei lá, mas o que vocês esperavam de uma suicida/depressiva/masoquista e infernalmente quebrada e infeliz?

“Não deixe isso me derrubar novamente,
Afogar meu desejo de voar.
Aqui nas sombras eu me conheço
Não posso me libertar até que eu te deixe ir… ME DEIXE IR”

A vida tinha mais sentido quando eu podia acreditar que fugiríamos juntas pra Holanda um dia, e por sorte, eu ainda tinha algumas caixas de Rivotril guardadas, junto com alguns antidepressivos eu provavelmente conseguiria o que queria, dar um rumo na vida. Um rumo pro tártaro, um rumo pro Inferno, era só disso o que eu precisava. Me olhei no espelho, as olheiras fundas, o cabelo sem vida, a pele pálida.

“Querida, eu te perdoo depois de tudo
Qualquer coisa é melhor do que ficar sozinha
E no final eu acho que eu tinha que cair
Sempre me encontro entre as cinzas.”

Eu já era uma morta viva, agora cansada da inutil e vazia existência. Lavei o rosto e tranquei a porta do quarto, deixando que a música ecoasse pelas caixas de som no volume máximo enquanto eu destacava todos os malditos comprimidos. Eu tomaria todos, não queria dar outra chance pra essa bosta que ousam chamar de vida.

“Não posso me controlar,
Me pergunto o que está errado comigo? “

Haviam mais comprimidos em minha mão do que eu poderia contar. A garrafa de vodka já aberta ao lado da cama era o convite necessário para terminar a desgraça, para a auto destruição ser finalmente concluída. E ela terminaria. Deitei na cama e enchi a boca com o líquido transparente e ardido, sentia a língua e a garganta queimarem, mas não me importava mais, não mais, depois acabei engolindo metade dos comprimidos com a bebida e precisei de mais 2 goles pra descer tudo. Acabei sorrindo meio débil e fechei os olhos, vendo flashes de todos os nossos momento juntas, de como Emma Swan fora feliz com Regina Mills.

“Lítio, nã quero me trancar por dentro,
Lítio, não quero me esquecer como é ficar sem
Lítio, continuo amando você”

Abri novamente os olhos e deixei algumas lágrimas escorrerem em um choro silencioso até que minhas pálpebras começaram a pesar na medida em que a dor ia diminuindo. O mundo ficava mais e mais preto e branco a cada minuto. Não demorou para que o branco me abandonasse também e só restasse o negro ao meu redor, engolindo-me como uma draga.

“Oh... Deixarei isso pra trás...”

Podia sentir as batidas de meu coração cederem, diminuírem a cada segundo enquanto minha consciência escorria pelo ralo, até que nada mais batesse, nada mais restasse.

Eu não mais existisse...

Notas finais
:/// Sinto muito. I'd never mean to hurt you.