90 Dias Com Ela
5 Dia 33
Notas iniciais
Algumas semanas haviam se passado e Edward já estava quase subindo pelas paredes.
Bella, Alice e Edward haviam partido para Londres alguns dias depois da ultima conversa com o médico e, desde então, Edward e Bella dividiam o mesmo espaço.
Era uma cobertura, próxima a Belgrave Square. E apesar de toda a estrutura externa ser onipotente e impessoal, a cobertura de Edward era aconchegante e charmosa.
E Bella ficava grata com isso. Assim, não sentiria tanta falta da França.
Porém, estava sendo difícil dividir um espaço com Edward.
Ele tinha seus próprios costumes e manias, e estava irredutível quanto a certos assuntos.
–Não, Edward!- ela gritava – Você precisa comer de manhã! Faz parte da indicação do médico! Não pode pular refeições! –insistiu.
Edward a olhou.
Ela ficava tão linda quando estava brava. Mais ainda sim, era muito irritante!
–Bella! Eu não estou com fome! –Edward retrucou.
Ela franziu o cenho.
–Era para eu ser uma enfermeira! Eu não estudei para ser babá, pour l’amour de dieu! Edward, coma, immédiatement! –ela brigou.
Era assim em todas as refeições.
Bella fazia a comida indicada pela nutricionista (que muitas vezes dava trabalho, principalmente por não conhecer muito a culinária inglesa) e Edward se recusava a comer.
Às vezes ela achava que ele fazia de propósito.
Ele ergueu uma sobrancelha.
–Não.
Bella se aproximou de Edward, um passo de cada vez, lentamente.
Sem perceber, ele deu alguns passos para trás.
Ela levantou o dedo e apontou para o rosto dele.
–Vous êtes gâte, arrogant, égocentrique et... et.. c’est stupide! –ela gritou, descontrolada.
–Eu não sei o que você disse, mas acho que você me ofendeu. –disse pensativo.
Bella levantou os braços, exasperada.
–Nós moramos juntos faz um mês. Um mês Edward, que você me faz passar por isso, mon dieu. Por favor. Facilite. Pense em Alice, Esme, Carlisle... Pense em Emmet! –Ela implorou.
Edward suspirou e, vencido, sentou na cadeira e começou a comer.
Disfarçadamente, Bella sorriu.
Ele estava mais magro, ela podia ver. E não tinha mais tanta força no corpo.
As crises estavam mais frequentes e ele estava cada vez mais cansado.
Porém, de alguma forma, Bella conseguia ver mais vida nele.
E parte dela queria acreditar que a razão disso era ela.
Após ambos terem comido, o dia correu normalmente.
Bella e Edward se davam muito bem e eram muito parecidos em vários aspectos.
Ambos gostavam de música clássica e adoravam assistir filmes. A maior parte do tempo, passavam conversando e, inconscientemente, Edward ia se apaixonando mais e mais.
Depois de terem jantado, Bella estava em seu quarto lendo um livro quando ouviu algo sendo quebrado na sala.
Sem pensar, correu e encontrou Edward em pé, sorrindo para ela com cara de arteiro.
–Te peguei! –disse.
–Ah, Edward, me poupe! Cresça! –Bella disse já se virando para voltar ao seu quarto.
–Não, espere. Eu estava brincando. Desculpe-me. –Edward pediu, indo até ela e a segurando pelo braço.
–Eu... Eu não estava conseguindo dormir.
Com um olhar compreensivo, Bella o puxou até o sofá e sentou-se, o olhando.
–Quer conversar?
–Eu só... Acho que finalmente estou percebendo o que está acontecendo.
Ela assentiu, incentivando-o a continuar.
–Quando eu descobri que tinha câncer no pulmão, imaginei que com um tratamento adequado, eu ficaria bem e poderia seguir com a minha vida normalmente. Mas então, o primeiro tratamento não surtiu efeito. Eu não liguei, sabia que seria difícil, mas então, veio o segundo e depois de algumas semanas, meu corpo também não o aceitava mais. Eu perdi completamente as esperanças. Quando vi o médico e o meu pai conversando, eu sabia sobre o que eles falavam. Eles também sabiam que minhas chances eram mínimas. Então, mesmo indo contra todos, eu decidi terminar a minha turnê e morrer fazendo aquilo que eu amava.
Bella segurou a mão de Edward.
E neste momento, algumas lágrimas caíram dos olhos do pianista.
–Bella... Eu não quero morrer. Tudo mudou. Eu te conheci. – ele a olhou nos olhos – Você é tão bonita, tão delicada, tão meiga. Você me faz esquecer que eu estou doente e, quando conversamos, parece que eu te conheço a tanto tempo! Eu... Eu acho que estou apaixonado por você, Bella! –Edward disse.
O coração de Bella parou, só para alguns segundos depois, voltar a bater freneticamente no peito.
Deus! Edward estava apaixonado por ela!
Eles haviam passado tantos momentos juntos e ela, tão apaixonada por ele, não imagina que ele pudesse sentir o mesmo por ela.
Bella não sabia o que dizer.
Então, fez o que nenhuma garota no lugar dela faria.
Bella começou a chorar.
–Bella? Bella! O que foi? Desculpe-me! Eu não quis te ofender!
E a cada palavra de Edward, ela chorava mais e mais.
–Bella! – ele a abraçou, aninhando-a em seus braços.
Ela estava com medo.
O amava a tanto tempo e agora que ele dizia que era recíproco, ela não sabia o que fazer.
Depois de alguns minutos, ela se acalmou e afastando-se, o olhou.
–Eu preciso te dizer uma coisa. –ela sussurrou.
–Pode dizer.
Ela respirou fundo.
–Edward, eu te amo. Eu te amo faz muito tempo. Você não deve se lembrar, mas uma vez, enquanto fazia uma turnê nos Estados Unidos, você ajudou um homem a se livrar de dois bandidos. No meio da briga, esse homem levou um tiro. Você o levou para o hospital e bancou toda a conta hospitalar dele. Ele se recuperou e você só voltou para as apresentações após deixa-lo em segurança em casa.
–Sim, eu me lembro disso. Eu lembro que a mulher dele havia morrido e a filha estava estudando na França, então eu decidi ficar ao lado dele.
–Bem, sim. Eu sou a filha dele, Edward. Meu pai é Charlie Swan, o homem que você salvou. E desde então, eu jurei que de alguma forma eu iria retribuir o que você havia feito por ele. Foi então que, em umas das minhas visitas ao meu pai, eu encontrei Alice. Ela havia ido até a casa dele para leva-lo até sua apresentação. Ele iria vê-lo tocar pela primeira vez. Eu fui junto. Quando eu o vi tocar... Quando vi a paixão com que tocava... Eu me apaixonei. Foi então que meu pai convidou Alice para passar uns dias conosco em Forks, cidade natal dele. Ela me disse tudo sobre você. Inclusive que você havia acabado de descobrir que estava doente. – ela parou.
Edward segurou a mão fina e delicada de Bella e sorriu.
–Bem... Eu percebi que tinha recebido a minha chance de te retribuir. Eu procurei o seu médico e fiz de tudo para que ele me contratasse para ser sua assistente. E, bem, eu consegui. Por isso eu estava na sua apresentação e sempre no hospital. E com o passar do tempo, eu fui me apaixonando mais e mais. Uma vez, você até trocou algumas palavras comigo, disse que pior do que estar doente era comer a comida do hospital. Eu fui para casa e cozinhei para você e mandei que entregassem.
–Foi você?! –ele perguntou. –A comida estava muito gostosa, alias.
–Sim. –disse. Ela não conseguia olha-lo nos olhos. –Sua irmã, já sabendo do meu amor, deu um empurrãozinho me contratando para ficar aqui. Ela sabia o quanto eu o amava e o quanto eu não suportaria vê-lo desistir.
Ela terminou de falar e por um momento fez-se silencio na sala. Quando ela estava prestes a voltar para o seu quarto, embraçada, Edward a abraçou.
–Obrigado. –ele disse.
Confusa, ela disse:
–Por quê?
–Você não me deu o trabalho de te conquistar. Podemos pular para a parte do “casal feliz”. – Edward respondeu, empolgado.
Com uma gargalhada, Bella o abraçou forte e sorriu.
Ele a amava! E ela o amava! Estava tão feliz!
Edward a afastou um pouco de seu abraço, apenas o suficiente para olha-la nos olhos.
–Posso beija-la?
E, com todo o seu amor, ela assentiu.
Os lábios se tocaram gentis, calmos... Com amor.
Naquele momento, só existia Edward e Bella no mundo.
Um mundo onde Edward não morreria e nenhum problema podia os afetar.
Um mundo onde a eternidade bastaria.
Mas então, Edward se afastou, tossindo.
E a realidade os atingiu como um soco.
Edward estava morrendo.
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