90 Dias Com Ela
3 Dia 2
Notas iniciais
Pi.
Pi.
Pi.
Ele franziu o cenho.
Por que esse barulho não para?
Pi.
Pi.
Pi.
Sua cabeça estava explodindo.
Estava com frio, com sede e parecia que a qualquer momento ia vomitar.
O que estava acontecendo?
Com um baque, as lembranças vieram.
Lembrou-se da apresentação, da dor nos pulmões e no peito, e em como parecia não ter ar mais no mundo.
Tinha simplesmente apagado. Não havia terminado a música!
Abriu os olhos mas logo se arrependeu.
A luz, branca e forte, queimava os seus olhos.
Gemeu mais forte.
Sua cabeça ia explodir.
Sentiu uma mão macia e quente em seu braço.
Sentiu-se calmo.
–Esta tudo bem... Vou diminuir as luzes. –uma voz melodiosa e doce disse.
A mão se afastou e instantaneamente Edward se sentiu vazio.
Ouviu alguns ruídos leves pelo quarto e em seguida a mão voltou.
–Monsieur Masen, consegue me ouvir? – ela disse — Pode abrir os olhos? Eu diminuí as luzes. O senhor precisa se esforçar um pouquinho, ok?
Ele abriu os olhos. Piscou várias vezes até se acostumar com a claridade que, apesar de ter diminuído, ainda ela considerável.
A primeira coisa que percebeu, foi que estava em um hospital.
A segunda era que tinha um anjo em sua frente.
Ele sorriu.
–Bonjour... –ela abriu um sorriso feliz — Que bom que esta sorrindo. Como se sente? Está com sede?
Ele assentiu.
As palavras pareciam que tinham deixado de existir. Ele estava fascinado.
Observou ela terminar de trocar o soro e logo colocar água em um copo.
Enquanto ela erguia gentilmente Edward para tomar água, ele pode perceber ainda mais como ela era bonita... E cheirosa. Ela tinha as feições de um anjo. Branca, as maças do rosto levemente coradas, cabelos castanhos, olhos cor chocolate... Deus! Ele estava admirado. Ela cheirava a morangos, ora!
Ele bebeu a água avidamente e ela riu.
–Bem, estava com sede mesmo, han? –ela brincou.
Se encostando novamente na cama, Edward se chutou mentalmente por ser tão estúpido. Estava parecendo uma criança.
–Bien, Monsieur, consegue falar?
–Sim... –sentia um certo incômodo na garganta, mas nada que o impedisse de tentar provar para aquele anjo de que ele não era um idiota.
–Você sabe o que aconteceu? Sabe onde está?
–Sim. Estou no hospital, em Paris. Passei mal durante uma apresentação.
–Sim, Mons- -
–Edward. Me chame de Edward. –ele pediu.
Ela sorriu mas uma vez.
Edward...
–Edward. Edward. – ela repetiu como se saboreasse o nome. — Então, Edward, como se sente?
–Minha cabeça dói. Minhas costelas doem. Acho que meu corpo todo dói. –resmungou.
–É normal... Você está inconsciente já faz alguns dias.
–Alguns dias?
–Sim, cinco, na verdade.
Ele franziu o cenho.
Algo estava errado.
O médico havia dito que os períodos de inconsciência iam se estabilizar, a não ser que...
A não ser que o tratamento não estivesse mais fazendo efeito.
–O médico logo virá conversar com você. Sua irmã foi tomar café. Ela não saiu daqui durante todo esse tempo, pauvres. –ela disse.
Edward pode ver que ela sorria, muito, mas que em nenhum momento o sorriso chegava aos seus olhos.
Percebeu também que ela evitava olhá-lo nos olhos.
–Eu... Eu estou muito ruim? –ele perguntou.
Algo na expressão dela mudou e ele viu dor.
–Hm, eu não posso falar sobre isso. Não sou médica, sou apenas uma enfermeira. –ela disparou. –Tenho que ir. Espero que melhore logo, Monsieur Edward.
E, sem nem ao menos dizer seu nome, ela saiu pela porta.
Pouco tempo depois, Edward cochilou. E não viu quando, algum tempo depois, sua irmã Alice chegou no quarto, o rosto cansado e abalado, porém com os olhos cheios de esperança.
–Dizem que o amor cura tudo, Edward. Bem... Talvez seja essa a sua chance. –ela sussurrou.
Alice sabia que, em algum canto daquele hospital, havia uma enfermeira chamada Isabella Swan, que chorava escondida com medo de perder seu amor.
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