9 mundos
1 One
Ano passado foi simplesmente o pior ano da minha existência escolar, ninguém sequer falou comigo, nem para me zoar, era como se eu fosse inexistente, como se minha vida fosse resumida a nada, eu tentei de tudo para ser notada, mas como vcs podem imaginar eu falhei, tentei me vestir "sexy", tentei ir a festas, tentei até me encaixar naqueles típicos grupinhos escolares, mas como já era de se esperar nada funcionou.
Uns meses antes da nova "jornada escolar" começar, meus pais meio que vieram com um papo de mudar de escola, eu pensei: beleza, vou estudar em outro bairro, quem sabe alguém me note ou tenha pena, mas o que eu realmente ouvi foi " Você está prestes a conhecer uma nova forma de vida".
(Fodeu, esses arrombados vão me jogar em um internato, pensei comigo mesma.)
— O que vocês querem dizer com "uma nova forma de vida"?. — Falei.
— Algo que você só vai descobrir se aceitar. — Meu pai falou.
— Não sei se minha vida social vai aguentar, mas pra onde eu vou? Falei.
— Escandinávia. — Falaram em uníssono.
— É sério pra onde eu vou? — Perguntei.
— Escandinávia. — Falaram novamente.
— Fala sério esse lugar nem existe. — Falei.
— Você quer ir ou não? — Minha mãe falou, com um tom de desapontamento.
— Se vcs querem tanto se livrar de mim eu vou. — Falei.
— Okay, arrume suas coisas, você viaja amanhã. — Disse meu pai.
Eu fiquei com cara de " É sério mesmo, ou vocês estão só zoando com a minha cara?".
Acredito que meus país vão me por em um internato qualquer na Inglaterra, mas como o nível de humor deles é muito alto, eles vieram com esse papinho de Escandinávia.
Arrumei o máximo que eu pude de roupas, espero que tenham meninos por lá, pq não basta ser antisocial, eu tenho que ser apaixonada pelo cara mais gato que nunca vai prestar atenção na perturbada social que aqui vos fala.
Óbvio que eu botei roupas de frio, pq normalmente os internatos ficam na região mais isolada, fria e sombria dos países.
Depois que arrumei minhas coisas, fui dormir, já que eu iria viajar de manhã cedo.
Antes que vocês me perguntem, como uma pessoa linda, rica e extremamente querida, pode ser antisocial? O fato é que nunca ninguém teve a capacidade de chamar minha atenção ou visse e versa, nunca fui de me aproximar de pessoas fúteis e alegóricas, por isso não tenho amigos, é óbvio que não sou uma isolada, conheço bastante gente mas ninguém que eu julgue confiável, sou difícil de ter confiança em alguém.
Acordei linda e plena, nada de muito surpreendente, minhas malas ja não estavam mais no quarto, me arrumei o mais rápido que pude e depois desci para tomar café, meus pais estavam me tratando como se nunca mais fossem me ver, gente eu vou estar a algumas horas daqui, nada que um avião não resolva.
— Promete que vai ligar sempre que puder? — Perguntou minha mãe.
— É claro mamãe, espero que tenha sinal de telefone lá. — Falei.
Depois de uma longa despedida de 10 minutos, entrei no carro e fui até o meu destino que eu achava ser o aeroporto.
Vocês devem estar se perguntando, "foi tão de boa ela aceitar ir para o internato", o que vocês não sabem meus caros é que eu passei a metade da minha vida em internatos pelo mundo, e acreditem eu já tentei fugir, mas desisti quando percebi que meus pais não davam a mínima.
Paramos no meio da uma rua deserta, onde tinham apenas adolescentes e um ônibus caindo aos pedaços.
— Pq você parou? — Perguntei.
— Pq é aqui que você vai ficar. — Falou meu motorista.
— Muito engraçado. — Falei.
Ele saiu do carro e abriu a porta, fiquei olhando para ele, esperando ele me dizer que era só uma brincadeira.
Logo que saí do carro todos me olharam, eles pareciam ter saído de um reformatório qualquer.
Peguei minhas malas e todos começaram a rir.
Além de ser excluída vou sofrer bulling também.
— Quer ajuda princesa? — Falou um garoto que estava sentado no chão.
Apenas revirei os olhos.
— Desculpa mocinha, mas não vai ser possível levar tudo isso. — Falou o que eu julgava ser o motorista.
— Descupe-me você, mas eu vou levar sim, você acha mesmo que eu vou para um internato na puta que pariu sem roupas de frio? — Falei fazendo todos rirem.
internato? Já entendi, parece que ninguém explicou à princesa para onde vamos. — Falou o menino que estava sentado no chão.
— A próxima vez que me chamar de princesa, vou enfiar uma coroa em um lugar que você não vai gostar muito. — Falei.
O garoto ergueu as mãos, como quem diz "Não está mais aqui quem falou".
— Você acha mesmo que não sou capaz de deixar minhas roupas que custaram 20× mais que esse ônibus para trás? — Perguntei.
— Eu aposto que não. — Falou uma menina que estava encostada em uma árvore, ela meio que parecia a Barbie das cavernas.
Peguei minhas malas botei de volta no carro, peguei a menor das malas e botei tudo que eu achava necessário. Mandei o motorista ir embora.
— Você tem certeza senhorita? — Falou ele.
— Tenho sim, pode ir. — Falei.
Peguei a mala e fiquei parada na frente do ônibus.
— O que estamos esperando? — Falou um garoto com óculos fundo de garrafa.
— James, parece que ele sempre quer ser o centro das atenções. — Falou uma garota ruiva.
Espero que não seja outro idiota. Pensei.
— Então, quem de vocês é novo por aqui?
Perguntou um garoto negro que estava, sentado na escada da entrada do ônibus.
O menino com óculos fundo de garrafa, uma garota de cabelos curtos e eu levantamos as mãos.
— Qual são seus nomes? Sou Jim — Perguntou a menina ruiva.
— Kyle. — Falou o garoto negro.
— Phill. Falou o menino dos óculos fundo de garrafa.
— Jess. — Falou a Barbie das cavernas.
— Cassy. — Falei.
— Mia. — Falou a garota dos cabelos curtos.
— Sebastian. — Falou o garoto do chão.
— James. — Falou um garoto loiro, alto de olhos verdes, surgindo de uma floresta do outro lado da rua.
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