9 Vidas Por Você

7 Capítulo 6 - Você prometeu...


Notas iniciais
Olá minha gente bunitáááh! hihi Vocês estão bem?! Bom, eu estou ótima. Esse capítulo de hoje é especial, pois começa a desenrolar algumas situações... Boa leitura ♥

"Coréia do Sul,

O sol acabou de nascer, e o templo parecia radiante. O cheiro de fraqueza paranormal estava no ar, e a brisa está gelada demais, até mesmo Fredward que vestia um casado generosamente forrado pode sentir frio quando a brisa bateu em seus cabelos rebeldes. Essas férias não está se saindo como as outras, pois para a alegria do garoto, sua namorada veio junto. Ela e os pais dela, na verdade. Fredward se sentia feliz, mas nesse momento estava preocupado.

Jonah, Coral, Pamela e Miles, certamente ainda estavam dormindo um pouco longe do templo. Na verdade, eles estavam somente a seiscentos metros longe dali. Fred não estava indo para o templo por algo que queria, somente andava apressado pois acordou assustado com um pesadelo. O sonho obscuro dele se resumia da seguinte maneira: Melanie estava sendo morta por ela mesma. Não, ele não sonhou com Melanie se matando. Mas, em seus sonhos um par de olhos com órbitas azuis iguais a de Melanie e mais velha do que ela, estava matando a sua Melanie. Fora um sonho confuso, quando ele acordou e procurou ela foi um fracasso.

Melanie não estava mais no quarto, e o primeiro lugar que pensou em ir foi no templo. Ele não sabia o porquê, mas tinha absoluta certeza que ela estava lá e que se não chegasse a tempo poderia não encontrá-la mais viva. É exatamente por isso que ele correu seiscentos metros. Ele correu para resgatar a sua Melanie.

Ele chegou devagar e no lago pode ver exatamente o que deixou-o confuso no sonho. Ele podia ver Melanie, ainda de camisola, com o rosto pálido por conta do sol. Os cabelos dela estavam domados por uma trança frouxa, mas ainda assim fios dourados de seus cabelos caiam suavemente ao lado de seu rosto. Melanie parecia encantada, seus olhos azuis estavam brilhando tanto e em seus lábios havia um sorriso totalmente surpreso. Ela estava dentro do lago, não tão fundo e não tão raso. Percebia-se isso por conta do nível da água em seu corpo. A água, provavelmente muito gelada, estava batendo no alto das coxas grossas dela.

Fred paralisou por longos três minutos e quarenta segundos, por conta da pessoa na frente de Melanie. A garota aparentava ter seus dezessete anos, ou até um pouco mais, porém seu rosto é tão angelical. Mas, seu rosto angelical tem os mesmos traços do rosto de Melanie. Ele percebeu isso de imediato, pois perdera o último semestre analisando cada detalhe do rosto dela durante as aulas. O que o incomodou foi o fato da mulher estranha ser mais perfeita do que a Melanie. A pele dela, apesar da tonalidade ser igual de sua namorada, parecia mais uniforme, mais firme e mais macia. Ele pensou como seria abraçar aquela mulher estranha, e como seria bom se a aparência de sua pele fosse confirmada.

Ele reagiu, somente quando os olhos da mulher mais velha o observou e os lábios rosados dela abriram um sorriso. Ele pode ver que no mesmo momento, sua Melanie o olhou. Havia uma coisa que Fred sempre gostava, independente da situação, a forma como o rosto de Melanie se iluminava ao vê-lo. Os olhos dela eram os mais perfeitos que ele já viu na vida. Somente assim ele foi capaz de perceber que sua Melanie era pra ele mais perfeita do que a mulher mais velha.

- Você já tem doze anos e ainda vem todo ano para a Coréia... Tantos hábitos você tem... — Sam falou suavemente, e espantada ao ver Fred novamente.

- Como você sabe minha idade? — Fred perguntou com curiosidade. Melanie teria contado a ela?

- Fred, ela parece comigo, certo? É como se ela fosse eu no futuro. — Melanie perguntou com avidez e Fred assentiu.

- Quem é ela? — Ele perguntou a Melanie.

- Ela disse que é amiga sua, que viu a sua mãe grávida, e que depois te conheceu com oito anos. Parece difícil, certo? Ela parece tão jovem... Parece tanto comigo... — Melanie respondeu reflexiva, e estendeu a mão para Fred.

No mesmo instante, ele entrou no lago e apertou a mão dela sorrindo.

- Eu não gosto disso. Me mata por dentro. — Sam falou observando os dois de mãos dadas.

- Não gosta de romantismo? — A jovem garota riu, e continuou a falar. — Ele é meu namorado, acabei de te contar.

- Namorado Puckett, como todos me chamam no colégio. — Ele falou encarando a mulher mais velha e se virou para Melanie. — Vamos, logo todos vão acordar e pensar que fugimos para procriar.

Melanie riu docemente.

- Procriar... — Ela disse rindo novamente. — Como se fossemos estúpidos ou animais...

- Você sabe como são os adultos. — Fred falou.

Eles deram um passo pesado, e foram parados pela voz da mulher.

- Fred, você prometeu. — Sam falou com ênfase.

Ele virou o rosto e fez a expressão mais incrédula que conseguiu.

- Eu não prometo nada a estranhos. — Ele falou educadamente.

- Você não se lembra de mim... Mas... Você prometeu, e mesmo que não queira vai cumprir...- Sam concluiu.

- O que quer? — Fred perguntou. — Quem é você? Fala sério... Que garota estranha...

- Eu te disse uma vez. Meu nome é Samantha, e eu sou... — Ela foi interrompida com a voz de Melanie.

- Ele não vai acreditar que você é uma Gumiho. — Ela falou rindo um pouco. — Nem mesmo eu acreditei, mesmo assim você é fantástica. Eu te caracterizaria como uma fada ou algo assim. Você nem tem traços asiáticos...

- Vocês conversaram? — Fred perguntou para a namorada.

- Claro. Essa foi a terceira vez. — Melanie falou. — Eu a vi no quarto. Brincamos de morrer. Brincamos de gêmeas. Brincamos de matar... Mas eu pensei que foi um sonho, sabe?! Então ela tentou me sufocar ontem a noite com um travesseiro, algo assim, estava sonhando novamente, e quando acordei estava sem ar. Vim aqui porque senti que a encontraria...

- Melanie, vamos. — Foi tudo que Fredward disse, pois teve certeza do perigo. Eles correram na água, mas não adiantou muito. Tentaram correr e acabaram andando. Foi quando estavam na margem, Sam falou algo que fez o garoto parar.

- Você prometeu que não me impediria de matá-la. — Sam falou alto. — Eu tenho que matá-la, porque ela é minha fraqueza... Você disse que não queria que eu perdesse minhas forças... Fredward, você prometeu, pois eu te falei que se a escolhesse quando esse dia chegasse eu iria começar a morrer...

Samantha estava com lágrimas nos olhos, porém as lágrimas desceram como sangue. Começou a escorrer lentamente, o céu estava claro e permaneceu claro. Um pouco de sangue apareceu no nariz dela, e ela sorriu sorrateiramente. Sam estava ligada a Melanie, então Sam pensou que demoraria mais alguns anos para isso acontecer. Porém, ela começou a sentir dores constantes no começo do ano. Seus ouvidos, e nariz sangravam constantemente. Ela soube assim que Melanie, a maldita, ganhou o coração, e os beijos de Fred. Isso ativou sua fraqueza. Sua fraqueza mais volátil.

- Fred, ela a fada está louca... — Melanie sussurrou assustada.

- Eu não suporto mais! — Sam disse com tom alto de voz. — Feche os olhos Fredward...

Os olhos da Gumiho tornaram-se de um tom azul muito forte. O azul estava longe do azul normal de seus olhos, pois eram quase pretos. Isso foi a última coisa que Fredward viu, pois ele fechou os olhos, saiu do lago, se sentou na terra úmida pela noite e entrou em um sono profundo. As palavras da Gumiho foram como comando. Em um momento, ele abriu os olhos, conversou brevemente com alguém, e novamente como um comando, se deitou e dormiu profundamente.

Quando paramédicos o acordaram, ele tinha machucados superficiais na pele e seu rosto estava molhado com respingos de sangue. Mas ele abriu os olhos, chorando. Ele nem mesmo olhou para os lados, pois sabia que havia três corpos na margem do lago."

Seattle,

Noite anterior

Sam saiu do banheiro com a mesma blusa que vestia pela manhã, e sem remorso algum. Ela sabia que o dia foi muito promissor, e que Fredward parecia mais diferente. Ele contou para ela coisas que nunca tinha contado a ninguém, em pleno pôr do sol, e ele a envolveu com o braço quando o dia estava terminando. Ele estava a tratando como humana. Fred fez muita carne barata, comprou duas grades de refrigerante e ainda disse que jantariam juntos, observando a noite.

Ele não a viu na cozinha, pois estava incomodado demais por ainda estar suado. Portanto, foi com pressa para o banheiro. O barulho do chuveiro deixou Sam pensativa, e ela pode concluir que nunca praticou o coito debaixo do chuveiro. Nas águas do lago do templo, foi possível, diversas vezes. Mas, a loira ficou curiosa para saber qual seria a diferença.

O barulho irritante de um carro começou um segundo depois. Ela soube que esse barulho é chamado de buzina, pois um de seus amantes contou a ela. Sam não se importou com o tipo de roupa que estava, e desceu as escadas, passou pelo estádio vazio e escuro, para atravessar a porta do prédio de ação.

O carro de luxo estava parado, sua cor é vermelha e parecia realmente caro, mas Sam já viu esse carro outra vez. A coreana saiu dele com classe, as pernas longas e delineadas estavam a mostra, seu sorriso impecável e seu vestuário nada vulgar. Ela estava com um vestido preto soltinho com o comprimento na metade da coxa, os cabelos soltos e sedosos, mas ela não parecia feliz ao ver Sam.

Os olhos escuros da coreana passaram sobre a rival, e se pudesse, teria a queimado só com o olhar. O sorriso falso foi substituído por um sorriso cômico mas sincero.

- Onde está Fredward? — Akemi perguntou educadamente, mas um pouco ácida.

- Está tomando banho... — Sam falou com simplicidade, e pensou rapidamente no que seria certo a fazer. Então disse: — Quer que eu o chame?

- Não, não precisa. Parece que vai estragar o clima entre vocês... — A morena comentou, e não usou da discrição ao observar novamente a blusa que ela estava vestindo.

- Nós não... — Sam começou a falar quando percebeu o que ela estava insinuando.

- Tire essa blusa. — Akemi falou com naturalidade.

- O que?

- Tire essa blusa e me dê amanhã. Vou cuidar para queimá-la... Não pensei que meus presentes para Fred iriam servir para vestir qualquer vadia. — A oriental disse com um sorriso simplório. — Todas as blusas de Fred eu já vesti, então cuidado, meu veneno ainda pode estar nelas...

Sam entendeu somente uma coisa e sorriu sem graça.

- Você também é vadia?

- Como? — Akemi perguntou com raiva escondida.

- Você também é vadia, né?! Você vestiu todas as blusas dele. Então vestiu as blusas que deu de presente pra ele, ou seja, a blusa que estou já serviu para uma vadia como você. — Sam falou pensativa.

Akemi não respondeu de imediato, demorou cerca de vinte e seis segundos para ela ter uma reação.

- Vadia. — Ela riu. — Claro, se vadia agora for caracterizado por uma mulher que somente fez sexo com dois homens diferentes.

Sam não teve tempo para nada, pois a garota entrou no carro com ódio queimando nas suas veias.

- Diga ao Fredward ir para o inferno, e esquecer a droga do meu número. Devolver a chave do meu apartamento. — Foi a última coisa diga pela Akemi, pois ela saiu em alta velocidade dali.

--

O dia estava claro, e apesar de passar das nove, o sol não estava tão quente. O clima realmente estava agradável, e Sam desejou que hoje não caísse chuva alguma. Ela gostava do sol, pois a deixava com mais cor. Os sapatinhos brancos, quase como de boneca, estavam em seus pés. Esse era o único par de sapatos que ela tinha. O laço cor marfim, está posicionado no seu cabelo e o vestido em seu corpo completava o look menininha. O vestido é um pouco rodado com o comprimento acima do joelho, na cor azul marinho e com renda no busto. Sem mangas. Gola canoa suave. Um vestido dessas referências, normalmente, Sam não usaria. Apesar que sempre vestiu o que seus amantes lhe deram.

- Como estou? — Sam perguntou com um sorriso meigo, esperando que Fred estivesse como ontem, bom, educado e amável.

- Está bom assim. — Ele respondeu com um sorriso pequeno e rápido.

- Ainda está com raiva por causa da Akemi? — Ela perguntou séria. Decepcionada.

- Não estou com raiva dela. — Ele disse.

- Então a raiva é de mim... — Ela concluiu com pesar.

- Não é raiva... Chateado. Agora estou em uma situação pior com ela. — Fred falou sinceramente, mas em sua mente estava concluindo o modo que deixaria Sam. O modo que usaria a fraqueza dela contra ela mesma.

- Não é como se fosse mentira... — Sam sussurrou.

- Como não se fosse mentira? Nós não fizemos...

- Mas faremos. — Ela falou rindo um pouco.

- Convencida. — Fred resmungou. — Como se eu fosse cair na sua...

Sam se aproximou dele, ainda sorrindo, e se sentou na mesa da cozinha.

- Estava sentada aqui, quando você fez sexo comigo nos seus pensamentos. — Ela disse com uma certeza inquestionável. — Não importa com que roupa eu esteja, você vai me olhar em momentos e vai me querer.

- Como eu disse: Convencida. — Ele reforçou isso e Sam riu.

- Pelo que eu saiba, estou sendo amigável e não estou tentando te levar pra cama. Sua beleza não vai me influenciar... — Ele afirmou inseguro.

Sam sorriu largamente. Ela estava adorando esse assunto.

- Minha avó disse que sou uma maldição para os homens. Quando tornei-me jovem, bonita e robusta, ela quis me casar. Fred, havia até mesmo homens casados que me cortejava. Eu poderia escolher qualquer um, para ter o título de casada, mas, nenhum deles era a pessoa que eu precisava. — Ela contou ainda divertida. — Porém, foi com os homens de toda a vila que entendi o que eles queriam. Até no mais casto e santo, não conseguiu resistir a mim. Então como você vai viver mais tempo comigo sem querer provar-me?

Essas informações foram confusas. Mas quando ele a olhava com nitidez e com mente sagaz, podia perceber o efeito que ela fazia. A verdade que ela disse a verdade. Fredward é homem suficiente para entender que conviver com ela seria uma perdição.

Longos minutos se passaram.

- Quanto tempo para que eu fique curado? — Ele perguntou por curiosidade de se desviando do assunto. Então, Sam se levantou e passou suas mãos por dentro da blusa cinza dele. Fred sentiu sua pele quente por baixo das mãos dela, ela parou as mãos em seu peitoral e sorriu. Estava satisfeita com a informação.

- Duas semanas. — Ela disse firmemente. Fred tirou as mãos dela de seu peitoral, e ela riu.

- Hoje o dia está bom para uma chuva... — Fred comentou distraído, enquanto pegava seu par de tênis de marca.

- Eu posso fazer cair chuva... — Ela falou baixo.

- Pode? Como? — Fred perguntou curioso.

- Chorando. — Ela falou em um tom sonhador. — Quando eu choro, o lugar também chora comigo...

- Então, chore. Eu quero ver. — Ele falou otimista e animado.

- Eu não choro por qualquer coisa, Fredward. — Ela falou com um pequeno sorriso. — Mas, se você ver cair do céu uma chuva com o sol quente, saiba que sou eu. A chuva da raposa, sempre é contrária ao clima normal e sempre vira uma tempestade.

--

O iate estava decorado com classe, e a comida tinha um cheiro magnífico. Elvidora Grill, era o restaurante favorito de Fredward Benson, pois sempre inovava, a comida é de primeira e não tem frescuras nenhuma. Sempre serviam churrascos com novidades, e molhos que diferenciava no sabor final. Hoje a inovação do Elvidora Grill rendeu ao Fred mais que o normal, pois iriam andar por volta de quarenta minutos no mar. Através de uma das extremidades de Alki Beach.

Logo que entraram no iate, Fred fez questão de colocar Sam em uma mesa e pediu carne bovina. Ele sabia que iria entretê-la o suficiente. Ele esperou cerca de cinco minutos na mesa, e quando saiu, observou que Sam nem mesmo havia percebido tal fato. Então ele correu para sair do iate, pois restavam cerca de um minuto para começarem a se mover.

Fred pegou um táxi, e se dirigiu para o apartamento da Akemi. O homem deixou ele passar facilmente no prédio luxuoso, pois Fred não foi tirado da lista de permissão permanente. Ele abriu o apartamento como sempre, pois tinha a cópia da chave. O relacionamento de Fred e Akemi era bem íntimo. Quase como o casal inseparável, tanto é que o apelido de Fredward é Garang para todos. Afinal, ele sempre seria considerado um "bom noivo" para ela. Apesar dela nunca afirmar com total certeza que era somente dele.

Ele olhou na sala, e andou devagar para não assustar a coreana. A sala estava vazia, então ele passou logo para o quarto que conhecia como a própria mão. Ele abriu a porta com detalhes vintage talhadas a mão, e no quarto espaçoso, pode ver a silhueta da sua namorada. Fred se assustou no primeiro segundo, e depois ficou preocupado. Akemi estava com um vestido preto soltinho amarrotado. Ela estava deitada, mas quando o viu ali simplesmente se sentou.

A aparência dela não estava boa, pois era visível que ela passou a noite chorando. Ela não sorriu. Não quis limpar o rímel que certamente deveria ter manchado suas bochechas, e nem mesmo falou nada. Somente se manteve ali. Fred viu nos braços desnudos dela, um machucado recente e sentiu-se arrepiado. Ele sabia do passado de Akemi, e como ela sofreu sozinha. Uma das formas como ela superava a dor era de cortando com uma lapiseira, pois o grafite em um mesmo movimento na superfície da pele queimava lentamente. Assim, ele compreendeu que ela sofreu ao vê-lo teoricamente com outra.

- Você não deveria estar aqui. — A voz de Akemi saiu em um fio. Ela detestou tê-lo ali, pois detestava que as pessoas soubessem que ela também era fraca.

- Onde eu deveria estar, então? — Fred perguntou ainda preocupado. A linha do corte no braço dela parecia ruim.

- Comendo aquela vadia, e jogando ácido no meu coração. — Akemi disse com peso na voz.

Fred sorriu, pois soube que ela ainda estava agindo como sempre foi.

- Eu não fiquei com ela assim. — Ele afirmou sentando do lado de Akemi.

- Claro que não. — Ela disse com sarcasmo.

Fred tocou o queixo dela e o levantou. Assim, ela olhou nos olhos dele.

- Você ainda é a única. — Ele afirmou com suavidade, e lágrimas desceram dos olhos dela.

- Chuta aquela garota da sua vida. — Ela ordenou com voz trêmula.

- Eu não posso ainda. — Ele falou com calma, e ela o empurrou.

- Mi... — Ele falou arrastado e com carinho, mas a resposta foi bem mais que a esperada.

Akemi limpou as lágrimas, e o olhou com desprezo. Sem sorriso. Somente uma expressão de pedra suave.

- Você a escolheu...

- Eu amo você. — Ele falou com firmeza, e Akemi foi tomada com uma expressão de surpresa. Ela foi pega inesperadamente com essa frase, mas foi difícil não deixar escapar um sorriso. Por isso, ela virou a cabeça. Assim impediu que ele visse o largo sorriso em seus lábios.

Fredward a cutucou, e ela virou o rosto para olhá-lo. Ela estava focada em não sorrir, então o barulho de chuva começou. Estava começando uma tempestade, e Fred tentou não pensar em Sam. Ele deitou na cama, e puxou Akemi pra si. Ela pousou a cabeça em seu braço e foi abraçada por ele, mas falou para si que não o amava. Talvez, uma tentativa de se convencer disso.

- Eu tenho que ficar com ela por um tempo.

- Quanto? — Ela perguntou suavemente.

- Por pouco tempo. — Fredward respondeu inseguro, mas não deixou transparecer.

- No final desse tempo... Ainda seria a única? — Ela perguntou com a respiração no pescoço dele.

- Claro. — Ele sussurrou.

Akemi ainda estava triste, pois pensava que perderia Fredward logo dias antes do grande teste final para o filme. Mas, a real tristeza foi só de pensar que perdeu Fredward. A real tristeza ela escondia, com sete chaves e evitava até em admitir pra si que é capaz de amá-lo. Mesmo assim, ela tinha uma certeza no fundo do coração que já perdeu Fredward... Por isso, Akemi chorou nos braços dele.

Ela tinha o sentimento que aquela poderia ser a última vez que o teria em sua cama.

Fred ouvia o choro de Sam, por conta da chuva. Mas, as lágrimas que mais o atingiu foi de Akemi, pois de alguma forma a blusa molhada atingia seu coração.

--

Batidas fortes começaram na porta do banheiro do iate.

- Fred? — Sam perguntou em uma última esperança, e com força que tinha.

- Somos da segurança. Uma senhora fez uma reclamação pela senhorita ter assustado o filho dela. Por favor, saia e não tente negar. Todos a viram entrar aqui. Pedimos que peça desculpas a mãe e a criança... — Um homem falou quase gritando. — A criança não para de chorar... Por favor...

Sam tentou rir, pois aquilo não era exatamente o seu maior problema no momento. Ao invés de rir, ela vomitou sangue. Assim soube que seu organismo estava mudando.

O barulho de trás da porta parou, mas o barulho de passos no banheiro começou. Ela estava suja de sangue, e com orelhas de raposa. O rosto como de um monstro, porém ela não tinha como fugir dali. Um chute foi dado na porta do box, e um homem extremamente bonito observou-a. Ele estava intrigado.

- Você está bem, Sam? — Ele perguntou preocupado, mas sua voz parecia monótoma.

Sam não entendia como ele sabia o nome dela, mas não se importou com esse fato. Ela somente balançou a cabeça em negativo. O homem robusto pegou uma pequena garrafa de vidro no sobretudo preto, e ajudou Sam a beber o líquido rosado. No mesmo instante a dor dilacerante começou a amenizar.

- Entregar uma gota de raposa a um humano nunca é sábio. — Ele disse com seriedade e ajudou-a a levantar. — Eu me chamo William, caso queira saber.

Ela assentiu, e foi levada até a pia. William passou água no rosto dela, e limpou todo o sangue em sua pele. Ele tirou o sobretudo e um casaco com capuz que vestia por baixo. Então, a vestiu com com as duas peças de roupa. As mãos dele se ergueram e ele cobriu o rosto dela com o capuz.

- Sabia que seria idiota o suficiente para entrar no banheiro masculino... — Ele comentou como se fossem íntimos. Sam não disse nada, ainda se sentia fraca e atordoada. Nem mesmo tinha percebido que havia parado de chorar.

Eles abriram a porta, e quando saíram da área coberta do iate, ela pode perceber que já estavam no porto. Eles caminharam lentamente para fora do iate, mas Sam estava nos braços de William. Praticamente andavam abraçados, em terra firme, ela respirou melhor. Seus pulmões estavam se normalizando, e o homem conferiu o rosto dela.

Ele concluiu que ela tem a mesma aparência que Beija-Flor, mas seus olhos não eram exatamente como os dela. Portanto, William não pensou em matá-la de imediato. Decidiu naquele instante que iria esperar para ver no que iria acontecer. Eles se sentaram no banco de uma praça bem próxima do porto, pois dali dava para ver o porto e o iate parado.

- Você está melhor? — Ele perguntou com um pequeno sorriso.

- Estou, sim. — Disse Sam com alívio. — Você sabe o que sou? Como? Porque? Quem é você?

- Eu me chamo de William, e é claro que sei o que você é. — Ele confirmou e tirou do bolso do jeans, uma carteira e de dentro da carteira tirou um cartão. O homem extremamente lindo colocou o cartão na mão dela.

Sam leu: " Vira-Lata PetShop ". Havia número de telefone, e um endereço.

- Quando descansar, me visite. — Ele falou casualmente e se levantou.

- Tome cuidado com seu humano e com você mesmo. Somente assim poderá ter a oportunidade de se tornar humana também... — William falou baixo e pegou uma chave em sua mão. Chave de um carro.

- Como você sabe disso? — Sam perguntou ainda surpresa.

- Você precisa se perguntar: Como posso me tornar humana usando esse homem? — William falou olhando diretamente para ela. — Você não terá a resposta, pois nunca soube. Então deixa eu me apresentar novamente... Sou William, a resposta para essa pergunta.

Notas finais
Gostaram?! Sam comandou o Fred, mas porquê? Vocês lembram disso? William e Sam finalmente se conheceram... Esse final é demais, certo?! Entenderam porque ele é a resposta? Ele é caçador. Mas também a fonte para transformá-la em humana usando Freward. Pamela e Miles são os pais da Melanie Puckett, caso não tenha ficado coisado. Nossa, e a cena da Akemi com a Sam? E a cena da Akemi com o Freddie? Não sei vocês, mas eu gostei APSOOASPK' Obrigada por estar lendo, e caso queira me responder essas perguntas, ficarei contente. Caso não queira, continue acompanhando a história. Também ficarei contente com isso. Provavelmente, o próximo post será na sexta. Caso não seja, então só terça. xoxo da Jaqs s3