9 Vidas Por Você
3 Capítulo 2 - Provando a verdade
Notas iniciais
" O sereno da noite é ameno e absolutamente gostoso de se sentir. As árvores com seus galhos pingando gotas d'água sem parar, a terra está muito molhada e o lago do templo ganhou mais volume. O lago não estava calmo, pois ainda borbulhava a água por conta de um carro que se arrastou para o fundo. O céu está limpo e sem interferências sobrenaturais. O chão da entrada do templo está seco, a não ser o canto onde um menino completamente banhado está sentado e também o lugar está bem iluminado.
São quase uma hora depois do pânico, e da tragédia, mas Fredward não parecia conecto com o mundo real. Na sua frente está uma garota adolescente completamente linda. Os olhos dela eram sem dúvida exatamente iguais ao da sua amiga, apesar da diferença de idade muito grande dessa mulher loira e de sua amiga, Melanie.
A menina que Fredward é muito amigo tem nove anos e, portanto, é um ano mais velha do que o pequeno Fred. Essa garota adolescente tem traços parecidos com a de Melanie e deve ser por isso que o pequeno menino não teve medo dela nem por um segundo.
Os olhos dele brilhavam ao ver as nove caudas da garota que mantinha um sorriso branco e impecável. Ela estava extremamente feliz por finalmente ter Fred perto dela, apesar que ele só seria útil quando completasse vinte anos.
Momentos únicos se passaram até que o garoto ainda sob um feitiço natural da mulher, prometeu algo. Prometeu coisas com inocência. Prometeu tanto que como um selo de sua promessa ele tomou uma gota de sangue da Gumiho...
A inocência do menino era muita, pois ele não sabia que essa gota de sangue nunca sairia de seu organismo. Ela podia sentir tudo no coração do pequeno, enquanto ele estiver perto, e quando chegar a hora ela vai chamá-lo. E sem mesmo ele saber vai encontrá-la.
O pobre garoto só sentiu a dor real dos últimos acontecimentos quando a misteriosa mulher o deixou sozinho... Com bons motivos... "
Coréia, Seul,
Confusão. Uma única palavra para descrever todo o alvoroço no templo dedicado a lenda do Gumiho. A paisagem que sempre é perfeita, harmonioso e tranquila, obteve sua mudança durante as primeiras horas do novo dia que se segue sobre o artigo histórico da pintura mais autentica da lenda da Coréia. A beleza do lago que sustenta o grande templo é ofuscado por tantos carros e motos na frente do lugar. Pessoas estão por todo o lado e para a infelicidade do monge responsável pelo templo, não são pessoas turistas ou visitantes locais. Todo o tipo de autoridade está trabalhando no disparate que ocorrerá a três dia atrás.
Diante de tantos rostos coreanos, há somente um que se destaca. Ele não é famoso, mas as pessoas o observam com curiosidade. Não são suas roupas que são chamativas. Mas neste homem a beleza somente é algo que chama a atenção de todos, e principalmente das mulheres no local. Ele tem os olhos levemente puxados, que declara sua descendência oriental, com aproximadamente 1,87 m de altura, olhos amendoados e lábios carnudos. Qualquer pessoa com estas mesmas características poderia não ser tão belo quanto ele é. Sua pele tem uma tonalidade especial e mesmo assim comum, por ser tão clara. O que pode ter tornado ele tão belo e desejável a quem vê. As características desse homem o faz completamente irresistível até mesmo para outros homens. Sua beleza parece também ser um tipo de maldição, pois as pessoas nunca o olham com desprezo. Nunca.
O homem passa pela multidão impassível aos olhares de grande parte das pessoas, e com muita facilidade ele entra no templo. A imprensa não conseguiu ainda entrar no templo, pois há uma forte segurança para proteger a consequência de algum ato criminoso. Somente pessoas autorizadas entravam, e pelo o entendimento dos outros aquele homem além de lindo tem algum poder.
O monge teve seu rosto iluminado quando viu o homem misterioso e belo. Mesmo o homem reconhecendo o monge permaneceu com o rosto inexpressivo e somente ao chegar perto o cumprimentou com a cabeça.
– É um alívio ter você aqui para ver a pintura antiga... Eu sei que as pessoas do governo já o fizeram e não tiveram explicação lógica... Mas eu só confio no seu veredicto e foi por isso que o chamei... — O monge falou baixo e em coreado.
– Quando aconteceu? — O homem perguntou com curiosidade e falou a língua local com facilidade.
– Faz três dias. — O monge respondeu apreensivo. — Você disse que se algo acontecesse era para chamá-lo, e eu confio em você. Desculpe por fazê-lo sair de Seattle.
O homem sorriu com discrição.
– Não tem problema nenhum. Eu disse que estaria aqui caso alguma coisa acontecesse.
O monge deu espaço e mostrou a pintura no centro do lugar, sem a raposa. Para a surpresa do monge, a expressão do homem se suavizou e ele sorriu. Os dois guardas que estavam ao lado da figura deixaram o homem analisar e para a tristeza do monge, o desaparecimento do desenho da raposa, que representa o Gumiho, teve um desaparecimento inexplicável.
– Sinto muito.
– Tudo bem. — O monge falou. — Willian, como vai seu escritório veterinário? Ainda procura cachorros e animais diferentes para caçar?
Monge queria ter uma conversa branda, para valer a pena as quarenta e oito horas de viagem que ele teve que passar.
– PetShop vai muito bem. No momento eu tenho procurado uma raposa, mas ela será divertida de se caçar. Eu espero que seja melhor do que a última. — Willian sorriu largamente.
– Então trabalhe dure. — O monge falou motivando-o.
Willian respirou fundo e sentiu no ar o rastro que precisava para começar a caçar. O que ele sentiu foi o cheiro de um humano especifico, da qual ele marcou anos atrás, e esse humano que ele caçara para encontrar seu Gumiho.
–-
Seattle,
Groovy Smoothies é um lugar muito movimentado na Univerdidade de Seattle, e ainda mais para os estudantes de cinema, teatro e música. Este é um local de encontro da maioria, e ás vezes até um ponto fixo para alguns grupos de amigos. Em especial o grupo do Fredward, e ele tem o apelido de Garang por ser considerado o melhor noivo para qualquer garota. Garang é um nome em coreano, e ele foi apelidado assim por conta de seu amor atual, Akemi Tamura. O grupo de Fredward é constituído por ele, pelo Brad Prentice e por Carly Shay. Fora o grupo, Fredward é conhecido por ser amigos de todos mas ele mesmo não sabe que nem todos são seus amigos.
Na mesa do centro, em frente ao balcão que atende os pedidos, como o costume Carly e Brad conversam animadamente nesse final de tarde. Os assuntos que já passaram em suas conversas foram o novo ato de desobediência do melhor amigo, sobre Coral Benson e seus relacionamentos de fracassos, o novo período da faculdade de cinema de Brad e Fred, o período árduo que Carly terá, os sabores de vitaminas que se aventuraram a provar e agora eles riem animadamente discutindo a nova temporada de Game of Thrones.
Akemi abre a porta do estabelecimento com elegância, apesar de sua expressão fácil parecer tensa demais. Os finos e carnudos lábios destacados em um rosa escuro, chamavam muita atenção. Os olhos grandes e expressivos, delineados com tranço de gatinho, observaram o casal de amigos com tantos sorrisos. Ela quase sentiu enjoo ao ver tanta alegria neles. Reação muito esperada, uma vez que ela odeio a Carly e vê Brad como um pateta inútil. Akemi tem o dever de tolerá-los, entretanto não conseguia esconder todo o seu veneno em relação a eles. Sacrifícios que ela faz praticamente todos os dias por Fredward.
Ela andou graciosamente até a mesa deles, e se sentou sem pedir permissão alguma. Brad e Carly perceberam sua presença, mas decidiram ignorá-la para irritá-la. Depois de dois minutos, a jovem coreana sorriu pra si mesma e bateu com força sua bolsa na mesa. Assim ela obteve atenção instantânea não somente do casal de amigos.
– Percebemos você. O que quer saber? — Carly perguntou diretamente e a olhou com impaciência.
Akemi sorriu falsamente, mas seu sorriso pareceu sincero. Quase como se estivesse pedindo desculpas.
– Eu estou preocupada com o Fredward. Ele não me ligou, e também não atende as minhas ligações. Eu sei que ele já está em Seattle, pois a Coral Benson me ligou contando. Vocês não estariam o escondendo de mim, certo? — Ela concluiu com um olhar carinhoso, mas também falso... Ela é tão boa atriz que não deixa transparecer a verdade em seus olhos...
Brad Prentice sorriu largamente por ver a coreana preocupada e decidiu falar.
– Ele está no apartamento no prédio de Artes Marciais. — Brad falou rapidamente e o rosto dela se iluminou.
– Vocês falaram com ele? — Ela perguntou com urgência, e verdadeiramente ficou aliviada.
– Claro que falamos. — Carly afirmou com um bico. — Ele é nosso melhor amigo.
– Então me contem o que falaram de mim quando ele perguntou por mim. — Akemi exigiu com animação.
– É que... Bem... Ele... — Brad balbuciou palavras, pois sabia que se falasse negativamente a oriental iria explodir ali mesmo.
O rosto da oriental ficou com expressão séria muito rapidamente.
– Ele perguntou por mim, certo? — Ela buscou a resposta ao olhar para a Carly, pois a morena não hesitaria em falar.
– Não. Ele não perguntou por você... Ele só sabia falar em uma garota loira e estranha que conheceu na Coreia. — Carly foi reta e objetiva.
– Outra garota? — Akemi bufou incrédula e olhou para as roupas que estava vestida. Uma calça rosa candy, e uma blusa branca conservadora e elegante. Ela bufou novamente e tentou pensar se errou nas roupas nos dias em que eles estiveram juntos antes da viagem.
Será que o mini vestido vermelho na noite anterior a viagem dele foi pouco demais? Ela se perguntou com raiva. Apesar que ela tinha certeza de ter o deixado louco novamente. Quem seria essa garota loira que me apagou da mente dele tão rapidamente? Como não perguntou por mim? Ele até mesmo me deu um bracelete de diamantes antes da viagem... Ela pensou com pesar e sentiu que é hora de sair da zona de conforto. Ela brincaria mais pesado nele até ele conseguir o papel no filme Madoxx.
Sem dizer nada, ela se recompôs e passou a mão em seu longo cabelo perfeitamente liso. Ela se despediu e assim que se levantou, percebeu olhares de alguns garotos nela. Akemi adorava aquilo, pois em seu mundo ela queria ser desejada por todos os homens e ser quase uma deusa para eles. Ela concluiu que sua roupa não está tão conservadora, pois até olhares ambiciosos ela ganhou ao andar pelo campus universitário.
Akemi chegou em seu apartamento ainda com um sorriso gélido no rosto. Ela passou quase correndo pela sala e ao chegar no quarto foi diretamente para o closet. Enquanto Fred estava fora, ela se deu ao luxo de comprar novas roupas e sapatos para impressioná-lo.
O fato que ele estava de volta, e assim a atuação dela seria mais aperfeiçoada. Em um sofá em formato de boca, ela arrumou um vestido curto rosa candy, colocou o bracelete de diamantes ao lado do vestido, um sapato preto e alto no pé do sofá e por fim, uma bolsa preta média. Ela analisou a roupa e sorriu pra si, decidindo que usaria aquele conjunto amanhã na volta as aulas de sua presa.
–
O prédio de Ação e Artes Marciais é o único no campus com uma cobertura, na qual poucos tinham o conhecimento que existia. A cobertura no último andar tinha uma valorização muito grande, pois dava para ver boa parte do campus. Na área da cobertura tem grandes plantas, e é um lugar muito discreto. O reitor da Universidade de Seattle é o avó de Fredward, e o responsável pelo prédio é o ex-aluno, e diretor, Spencer Shay. Por sorte, Spencer está na cidade para os testes de seu próximo filme e sua irmã conseguiu as chaves da cobertura para Fred. Quando Spencer não tinha fama ou reconhecimento, ele se alojava no apartamento do prédio. Mas quando a fama bateu na sua porta, ele deixou o lugar sem pensar duas vezes.
O prédio é relativamente grande, com estúdios para praticar artes marciais, uma grande quadra de basquete, e a maior parte do prédio é uma quadra extensa para gravação de ação. É completamente equipada e com escadas que levam até a cobertura no quarto andar.
A cobertura não é tão grande da parte de dentro, pois a área é maior do que o próprio apartamento. Fredward está arrumando as coisas em um segundo andar do lugar, e ainda assim pode ver uma cama com sustentações de madeira rústica na sala. Um móvel que aparentemente é apenas um sofá qualquer, mas que tem uma cobertura de palha. Quase um esconderijo, e com um design fascinante.
As roupas de sua bolsa de viagem eram poucas e logo ele arquitetou ir no dia seguinte comprar vestuário. Jonah Benson não o aceitou em casa, pois ele fugiu no aeroporto e o desobedeceu. O velho homem estava extremamente cansado das atitudes do neto, e o maior desejo dele é que Fred cresça de verdade. Atitudes como gastar muito mais do que o necessário, fugir, comprar carros e motos sem necessidade, e bancar o generoso amigo para pessoas falsas eram comuns no cotidiano do adolescente.
Fred terminou de arrumar suas coisas, tomou um longo banho e tentou dormir. Somente tentou, pois o sono não o abençoou naquele início de noite. Ele não se sentia cansado como deveria estar, e parecia estar forte o suficiente para ficar acordado por três noites seguidas. Porém não foi isso que lhe tirou o sono. No ombro dele ainda tem uma marca de mordida, os dois pontos que teve que levar e a ausência de explicação lógica para o que aconteceu na Coréia.
Ele se lembrou que a promessa dos dias acabavam hoje, e se sentiu extremamente acomodado. Fred tentou afastar os pensamentos e por isso decidiu descer até a quadra de basquete. Ele jogou por horas, e usou praticamente todas as bolas disponíveis. A concentração dele chegou a ficar absurda, pois ele não percebeu que alguém o observava. Fred errou uma cesta, pois a bola voou alto e ele não ouviu som algum da bola voltar. Fredward não ligou as luzes, pois sabia que deve ser discreto enquanto mora na universidade. Ele tinha consciência disso. Mas, a luz da lua iluminava boa parte da quadra e ele conseguia ver a cesta. Por isso achou tudo bom.
Depois de um minuto e trinta segundos, uma silhueta saiu da escuridão da quadra. Ele quase teve um ataque cardíaco quando a viu, a mesma loira extremamente bela da floresta da Coréia. A garota estava com a bola nas mãos, seu vestido branco de seda estava manchado. Quase como se ela tivesse derramado um copo de ketchup nele, enquanto bebia do copo. O maxilar, as bochechas e os lábios estavam ainda com sangue fresco. Um vermelho forte com aspecto molhado, e as veias negros pulsando em seus braços a completavam perfeitamente.
Fred deu um passo pra trás, e pensou estar tendo um pesadelo. Ele não acreditou de verdade no que estava vendo. A moça andou suavemente e jogou a bola de basquete no cesto. Ela acertou a bola, e o único som do lugar foi o tingir do peso da bola no piso brilhante. Longos segundos se passaram e os olhos da loira quase queimavam em ódio por ele.
– Eu disse que iria vim... Você quer a prova e está na hora de ver minhas caudas... — Ela disse suavemente e sua voz tingiu um perigo quase animal.
Ele nada disse, pois ainda estava perplexo.
Ela andou até ficar a cinco metros de distância dele, olhou para o alto da parede do prédio onde há grande janelas de vidros e seu olhar se tornou quase amoroso ao fitar a lua. Seus olhos ainda estavam carinhosos quando ela o fitou. A garota estava em sua frente e detrás dela surgiu grandes rabos de raposa. As nove caudas tem uma luminosidade discreta e tende a ter uma cor prateada com tonalidades em azul.
Fredward ficou mais assustado e ao tentar correr, tropeçou nos próprios pés e caiu de cara no chão. Ele não teve tempo de se levantar e fugir, pois a Gumiho já estava deitado em cima dele ainda com as caudas a mostra. Ela viu o pânico em seus olhos e se perguntou o porque de tanto medo. Na primeira vez ele achou fascinante e agora tem medo de mim, pensou ela ao observá-lo.
– Eu te avisei, querido. Você vai morrer, pois eu vou tomar minha gota de volta. — Ela falou tão docemente que fez a respiração de Fredward parar por segundos.
Sem aviso ou sem tempo, a Gumiho juntou os lábios ainda com sangue nos dele. Depois de trinta segundos, ela afastou dois centímetros da boca dele e uma luz azul saiu da boca de Fred. Ela pegou a gota com a língua e sorriu com pesar. Não demorou nem um segundo para ele começar a tremer e sentir uma dor horrenda. Demorou dois minutos para ele começar a vomitar sangue e perder a consciência, ela ficou ao seu lado sussurrando palavras aleatórias.
Fredward desmaiou e ela sentiu no seu corpo que ele estava morrendo.
A loira pensou amargamente que se deixasse ele morrer ali teria consequência para o sonho dela. Pois, quando o coração dele parar também irá parar a única oportunidade dela se tornar humanada.
Por outro lado, ela queria vê-lo morto.
Ele merece por não acreditar em mim, pensou ela normalmente.
Ela tinha um segundo para decidir.
Um segundo.
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