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2 Cinema Noturno?
Harley foi para escola e voltou correndo para casa, pois não queria se atrasar para se encontrar com João. Colocou uma roupa relativamente normal, ajeitou seu cabelo, que apesar de não ser muito grande, dava um pouco de trabalho. Marcou de encontrar com ele às 15:30 em frente ao cinema, ela chegou às 15:10. Harley tinha a incrível mania de chegar adiantada nos lugares. Então sentou-se no banquinho e começou a mexer no celular. Logo depois de cinco minutos João mandou mensagem: "Onde você tá?"
"No banquinho, em frente ao cinema, e você?"
"Harley, desculpa, não vou poder ir"
"Como assim? Não acredito nisso, sério..."
"Eu vou ter que resolver umas coisas, não vai dar tempo de chegar ai"
"E você não podia avisar antes? Só me fez de palhaça mesmo"
"Desculpa"
Harley visualizou e não respondeu. Levantou do banco e respirou fundo antes de caminhar de volta para o ponto de ônibus. Ela estava com raiva, mas a única coisa que precisava se concentrar era esquecer daquele tal "João Ricardo" e continuar nem ai. Quando chegou em casa foi direto para o quarto, tentou fazer outras coisas, mas não conseguia parar de pensar no que havia acontecido.
Às 19:00, João enviou uma mensagem para Harley — "Me desculpa por hoje, de novo, eu deveria ter desmarcado o que eu tinha para fazer hoje e dar prioridade a você. Por favor, deixa eu me redimir e fazer com que sábado você se divirta muito."
Harley olhou a mensagem na barra de notificação, não abriu, João não enviou nenhuma outra mensagem durante a semana. Harley ainda se sentia incomodada com a situação, mas não comentou com ninguém, apenas tentou esquecer. No sábado, como planejado, ela foi para a balada com seus amigos. Nesse momento, junto com seus amigos, ela havia se esquecido totalmente de João e todas as outras merdas da vida. Harley sempre andava com uma, ou duas amigas, quando se deslocava do grupo, mas todas as amigas estavam ocupadas dançando ou beijando, as vezes os dois ao mesmo tempo, o que gerava uma imagem estranha.
Harley foi até o bar, mesmo não sendo fã de bebida acoolica, pediu uma caipirinha e depois de um ou dois goles, ela sentiu uma mão em seu ombro, era o João. Mas ao mesmo tempo não era, porque aquele garoto estava tão lindo, ela não conseguiu expressar seu olhar de raiva instantaneamente, ele franziu a testa e pediu desculpa, não dava para escutar, ela fez leitura, já estava olhando para os labios de João. Mas ela não cedeu, fez sinal para que ele se sentasse ao lado dela, ele só conseguia a observar, ela abria a boca para falar alguma coisa, desistia e bebia um gole da caipirinha. Ela pediu outra caipirinha, o que já fazia efeito, ela estava se sentindo tonta, mas não estava bebada, ela acabou a caipirinha, olhou para João, que ainda não tinha tirado os olhos dela, não se atrevia a falar, só estava sentando esperando ela falar alguma coisa. Ela olhou para ele, olhou para o copo, se levantou e ficou um tempo parada porque estava tudo girando.
—Acho que eu vou ficar sentada aqui mesmo, só mais um pouco. — Disse Harley se sentando, então finalmente se virou para João e disse: Então, João Ricardo, -ele se aproximou, pois quase não conseguia escutar- a primeira pergunta de hoje: como você conseguiu me encontrar?
—A gente tem uma amiga incomum no Facebook, ela postou uma foto com você e ela falou para onde estava indo. — Ele tirou o celular do bolso e mostrou a foto para Harley.
—Ok, então...-Ele se aproximou mais, para que ela pudesse falar mais perto de seu ouvido- você quer que eu te desculpe pelo bolo que você me deu no dia do cinema?
—Por que você acha que eu vim até aqui? — Ele falou, sua boca encostou de leve na orelha de Harley, ela revirou os olhos e colocou a mão na cara quando percebeu que havia ficado arrepiada.
—Olha, -ela se afastou um pouco para que pudesse olhar nos olhos de João- você já conseguiu o que queria, veio na balada pela primeira vez na vida. -Quando ele começou a falar, ela falou por cima- não queria admitir, mas você é bonito, tipo maravilhoso e aqui também tem muitas meninas bonitas que você pode enganar quando quiser.
—Eu não olhei para nenhuma, — João não falava alto, mas ele estava tão perto de Harley que ela conseguia escutar, como se não houvesse nenhum barulho ali, parecia que seu corpo estava formigando e ao mesmo tempo anestesiado. Ela fechou os olhos e disse:
—Você tem mais uma chance de me levar no cinema. — Ele sorriu e quando finalmente achou que podia beija-la, ela disse: Agora!
Ela se levantou, cambaleou um pouco, mas depois seguiu em direção a saída. Chegou primeiro que João, então abriu a bolsa e pegou o batom para retocar.
—Como assim você quer ir no cinema agora? -Ele olhou no relógio de pulso- São 02:00 da manhã, não tem nenhum cinema aberto.
—Engraçado, — ela olhou o seu relógio- aqui diz assim: agora é exatamente a hora de assistir um filme de terror no cinema, a não ser que você queira desistir e ir embora e deletar o contato de Harley do seu celular.
Ela acabou de falar e fez uma cara de, "só li o que tava escrito aqui, a decisão é sua.
—Tá, eu quero te levar no cinema agora, mas não tem nenhum aberto, você compreendeu essa parte? — Ele dizia gesticulando.
—Para de fazer isso, tô me sentindo burra. — Ela disse e começou andar- EU conheço um cinema que fica aberto de noite, e fica ali na outra rua.
—Como existe um cinema que fica aberto de noite e eu não sabia? — Ele dizia andando tão rápido quanto Harley.
—Contando com isso e o fato de você não ter me conhecido antes, você deve ser uma pessoa bem infeliz — Ela disse sorrindo para ele.
—Era.
—Ah, a gente se conhece há menos de uma semana, esse foi o tempo máximo que alguém levou para se apaixonar por mim. Eu entendo como eu mudei sua vida e tudo mais, então não precisa ficar falando algo que já sei, chegamos. — João estava prestes a rebater, mas olhou para entrada do cinema e logo foi entrando.
—Como você descobriu esse lugar? — Ele dizia andando por um corredor onde havia os filmes em cartaz e as salas.
—A gente tem que entrar como um casal. — Disse ela estendendo a mão para que João a pegasse.
—Por que a gente tem que entrar como casal? — Perguntou ele segurando a mão de Harley, que suspirou.
—Você quer ou não assistir o filme? — Perguntou ela, sentiu que apertava um pouco a mão de João, então o puxou para a bilheteria.
—Isso aqui tá deserto, tem certeza que é seguro? — Ele dizia enquanto tentava andar ao lado de Harley.
—Você só reclama e blá, blá, blá. — Ela disse revirando os olhos, então ele sorriu para ela e se manteve quieto até encontrar o bilheteiro.
—Olá Arthur, eu quero dois ingressos para qualquer filme de terror que esteja em cartaz. — Harley falava com uma certa intimidade, o que fez João se sentir um pouco desconfortável.
—Pronto, — Ele sorriu e piscou para Harley. Ele era jovem, alto, deveria ser um ou dois anos mais velho que Harley- Bom filme, mas você sabe que...
—Hoje não Arthur, hoje não. — Ela saiu sorrindo e foi em direção a sala do cinema, ainda segurando a mão de João.
Entraram na sala e estava muito escuro, não parecia um cinema normal, era mais compacta a sala, para o filme ser rodado, era preciso apertar um botão na parede do lado oposto que estavam.
—Eu vou apertar o botão e você escolhe um lugar. — Disse ela andando em direção ao botão.
—Beleza, onde você prefere? — Disse ele subindo alguns degraus.
—Qualquer lugar tá bom. — Disse ela apertando o botão, e imediatamente a tela ligou e as poucas luzes que estavam acesas, se apagaram. Harley viu que João sentou na última fileira e então sentou-se na fileira do meio.
—Por que você sentou ai? — Perguntou ele confuso
—Eu prefiro aqui. — Ela disse, sorrindo silenciosamente. Então João foi é a fileira do meio e sentou-se ao lado de Harley.
—Você faz muito isso? -Ele perguntou olhando para a tela, que passava alguns trailers de outros filmes.
—Mudar de lugar? Às vezes sim, às vezes não.
—Não...-Ele respirou fundo e depois disse- você trouxe muitos caras aqui antes?
Harley não respondeu.
—Ok, então uma última pergunta, tudo bem? — perguntou João.
—Tudo. -Respondeu ela com os olhos fixados na tela.
—Como você conhecia o cara da bilheteria? — Ele perguntou mais baixo que o esperado.
—Antigo compartilhador de beijos e carícias. — Ela disse, ainda fixada na tela.
João não disse mais nada.
Depois que o filme começou, Harley estava, mas não queria estar, nervosa. João ainda não tinha dito nada, ela não falaria primeiro que ele. Depois de várias cenas de susto, ela não conseguiu segurar o susto em uma e sem perceber colocou a mão no rosto, sua respiração estava mais forte. João estava do seu lado e parecia que estava vendo algum desenho infantil, de tão calmo.
—Você tem que relaxar. — Ele disse tirando as mãos dela do rosto.
—Difícil, tem um monte de coisa horrorosa nesse filme. — Disse ela, as mãos preparadas para serem levadas ao rosto a qualquer momento.
Mais dois sustos e ela já nem estava com os olhos abertos, havia dado a mão para João, porque havia começado a tremer.
—Você ainda tá tremendo, você quer ir embora?
—João, é a terceira vez que você pergunta em menos de dois minutos, minha resposta continua sendo não. -Ela dizia quase que pausadamente e ainda de olhos fechados.
—Então abre os olhos.
Ela abriu.
—Já acabou a parte do susto? — Ela perguntou olhando para ele, que tinha começado a rir. -Por que você tá rindo?
—Você é engraçada no escuro também. -Ele colocou a mão sob a bochecha de Harley e depois nos cabelos.
—Agora você me desculpa pelo o que eu fiz naquele dia? — Perguntou ele
—Ainda não. -Disse ela sorrindo
—Agora você vai me fazer te levar aonde?
—Para um lugar muito bom, eu espero...- Então Harley inclinou seu corpo contra o de João para que pudesse beija-lo. Ela escutou algum barulho estranho no filme e levou um pequeno susto, o que fez João rir, mas ele logo fez com que ela parasse de prestar atenção de novo no filme, e nele, só dele estivesse concentrada. Depois de um tempo de pegação, todas as luzes apagaram, o filme havia acabado, estavam no escuro total.
—Agora você está desculpado. — Sussurrou Harley no ouvido de João
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