85º Edição dos Jogos Vorazes
2 Colheita do Distrito 2
O dia era de felicidade para os jovens do 2, pois ocorreria a Colheita no seu Distrito. Para os tributos dos Distritos 1 e 2, era uma grande honra ir disputar os Jogos Vorazes, mas nem todos eles tinham isso em mente. Esses Distritos colocavam seus jovens numa academia especial justamente pra esse fim. Para que pudessem treinar, se preparar, e muitos deles tornam-se os melhores, e para o orgulho do seu Distrito, vencedores. Matheus e Liana treinaram e se prepararam a vida inteira, e nesse dia seriam voluntários pra ir para os Jogos. Eles se conheciam bastante, afinal cresceram e passaram a vida toda treinando juntos. Esse Distrito era responsável tanto pela alvenaria quanto pela produção de armas, sendo um dos Distritos mais ricos de toda a Panem.
Esse dia não poderia estar melhor, Liana se levantou da sua cama e foi tomar um banho, demorou no banheiro, afinal ela queria estar radiante quando for se oferecer como tributo. Fazia sol naquele dia, que deixou o dia um pouco quente. Saiu do banho, se enxugou, pôs o seu vestido rosa bebê que sua mãe comprara pra ela que usasse na hora da Colheita, e olhou seu próprio reflexo no espelho por um momento. Ela estava linda. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo, colocou um anel com formato de pena no dedo indicador, se dirigiu a mesa pra tomar seu café da manhã, saiu de casa e seguiu para o Edifício da Justiça.
Liana, 17 anos. Ela era uma garota muito linda de aparência, os cabelos negros lhe caíam no meio das costas, pele clara e bochechas bonitas, olhos negros e penetrantes, dando-lhes um aspecto misterioso e provocante, sorriso encantador e convidativo, mas ela era uma garota maldosa e muito fria, não sentia pena de ninguém. O que acabava totalmente com sua beleza física. Irônica na maioria das vezes. Sua mãe era sócia do pai de Matheus em uma fábrica de alvenaria do Distrito, por isso os dois cresceram juntos e criaram uma amizade muito firme. Ela passou boa parte da sua vida na academia do seu distrito e se tornou uma das melhores. Uma boa lutadora e extremamente habilidosa com várias armas, mas com a que mais se destacava era com facas. Ela as atirava com máxima eficácia e precisão, nunca errando de maneira nenhuma o seu alvo.
Matheus se levantou cedo para que pudesse dar uma última treinada com sua espada, sabia que teria tempo para treinar na Capital, mas não podia levar sua própria consigo. Depois de duas horas treinando, ele colocou sua espada em seu devido lugar, foi até o banheiro e tomou um banho demorado e revigorante, pois ele queria mostrar para os outros garotos do 2 que ele seria o vencedor da Edição daquele ano. Saiu do banheiro, se enxugou, vestiu suas calças jeans, sua camiseta regata azul marinho e sapatos pretos. Arrumou e penteou seu moicano e pôs no pescoço a lembrança do seu Distrito, um cordão com pingente de espada. Saiu do quarto se olhando no espelho de cima a baixo. Nem tomou café nem nada, apenas saiu da sua casa e foi pro Edifício da Justiça.
Matheus, 18 anos. Ele era um rapaz muito bonito. Alto, bem forte, cabelos cor de areia, olhos castanhos claros, bonito de aparência, tinha um sorriso encantador e um olhar que faria qualquer menina cair aos seus pés. Mas ele era mau, perverso, frio. Não tinha pena de nada e nem de ninguém. Não esboçava sentimentos e poderia matar sem remorso algum. Um verdadeiro profissional quando o assunto era empunhar uma espada, mas tinha um enorme conhecimento no manuseio de outras armas. Muito rápido em corridas e muito ágil. Possuindo também uma grande força bruta, sendo também, um ótimo lutador em combate corpo a corpo.
Chegando lá, os dois avistam-se e vão ao encontro um do outro. Cumprimentaram-se e ficaram calados depois de um tempo.
–Hoje é o dia, né? O dia em que nós dois vamos nos oferecer... — Fala Liana tentando quebrar o gelo.
–Animada? –pergunta ele
–Muito!
–Vamos para as nossas filas, tá chegando a hora. –diz ele seguindo pra fila dos garotos.
Pouco tempo depois, Steve Harper desce do seu aerodeslizador e anda até o microfone pra falar com os jovens. Com suas roupas exageradamente coloridas, batom preto, cabelos verde claro e tatuagens pelo rosto e claro, seu típico sotaque da Capital.
–Bom Jogos Vorazes, e que a sorte esteja sempre a seu favor! E sejam todos bem vindos, meninos e meninas a nossa 85º Edição! Daqui a pouco eu vou tirar o nome dos sortudos. Mas antes, eu trouxe pra vocês um vídeo que veio direto da Capital.
O vídeo dura por volta de dez minutos, e logo depois que acaba, Steve olha para os jovens e fala novamente:
–Bom, agora os nomes dos tributos serão tirados. E como sempre, as garotas vão na frente! Mas antes, eu tenho uma pergunta. Algum voluntário?
Liana e Matheus levantam suas mãos quase que de imediato e gritam em alto e bom som ao mesmo tempo.
–Eu quero! –diz ela.
–Eu vou! –diz ele.
–Ah perfeito! Nem precisei sortear os nomes de ninguém. Subam aqui meus jovens, se apresentem para o público.
Os dois andam até lá como se estivessem com pressa, chegando lá em menos de um minuto. Sobem e apertam a mão de Steve, que logo após disso, fala ao microfone.
–Como vocês se chamam?
–Liana Vasconcelos.
–Matheus Silva.
–Haha! Já temos os nossos tributos feminino e masculino do Distrito 2! Boa sorte nos Jogos a vocês dois!
Dois Pacificadores vão até eles para escoltá-los até os compartimentos, onde terão o direito de se despedir antes de partirem pra Capital. Liana não queria ver a sua mãe, não suportaria o fato de vê-la chorar por sua partida. Pediu para ser deixada em um compartimento onde não pudesse receber visitas. Já Matheus, entrou em um e ficou esperando por volta de dois minutos até que seu pai aparece.
–Você já vai, filho? -pergunta seu pai.
–Daqui a pouco. Um Pacificador vem me buscar quando for a hora.
–Eu temia por esse dia. O dia em que eu veria você se voluntariar pra ir Arena pra disputar pela sua vida. Não quero perder meu único filho.
–Eu vou ficar bem, papai. Sei me cuidar.
–Tem certeza de que você volta de lá, meu filho? -pergunta o pai um pouco aflito com a partida do filho.
–Tenho sim. Não se preocupe, eu vou ganhar essa edição. Afinal, eu sou um mestre nas espadas. Eu também sei me virar com outras armas. Não vou ser um alvo fácil.
–Se você diz. Mas você sabe que...
O pai é interrompido com a entrada do Pacificador dizendo aos dois que já era hora de partir. O pai dando um último abraço no filho com pesar e sussurra um "boa sorte" em seu ouvido. Matheus é levado pra fora em direção para o trem. Ele e o Pacificador andam por um bom tempinho e param quando chegam a uma porta. Outro Pacificador abre uma porta e Liana sai de dentro, eles dois andam sem dizer uma palavra o caminho inteiro. Ambos tem um mesmo pensamento, sair daquela arena vivo. Mas não sabem se terão esse privilégio.
Chegando no trem são cumprimentados por Kate Price, uma antiga vencedora e sua mentora para a Edição desse ano. Eles embarcam no trem, e seguem seu caminho rumo a Capital.
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