Notas iniciais
Estou meio sem tempo pra escrever, mas estou fazendo o meu melhor pra terminar essa história pra vocês!

Colheita no Distrito 8

O dia aparentemente estava “comum”. O sol brilhava ao nascer, o vento soprava normalmente. Mas nada estava comum nesse dia. Nenhum dos cidadãos se dava o luxo de sorrir ou gargalhar, pois seu semblante estava carregado com preocupação, apreensão, e tristeza. Era época da Colheita. O dia em que a sorte mataria, ou tornaria vitorioso um jovem desse Distrito. Dentre todas as Edições, poucos foram aqueles que se deram bem e voltaram pra casa ostentando a sua vida e uma coroa de vitória. O Distrito 8 era responsável pela produção de tecidos, que constantemente alimentavam os estoques de roupas usadas pelos cidadãos da Capital. Exercia uma função essencial para o bem estar da população de Capital, mas isso não quer dizer que era um dos com mais prestígios. Era um dos Distritos mais pobres de Panem.

O sol já brilhava com um pouco de força quando Nathália acordou. Estava um pouco quente, e fez com que suas roupas ficassem coladas ao corpo devido ao suor. Tivera um pesadelo na noite passada, o que explica o porquê de ela ter acordado tão tarde. A lembrança sobre o que aconteceria naquele dia passou como uma bala em sua mente, a Colheita. Levantou-se o mais rápido que pôde, pois tinha plena consciência de que seria punida se chegasse atrasada no sorteio dos nomes. Ela afastou da cabeça essa possibilidade, e correu para o banheiro e tomou o banho mais rápido de sua vida, saiu do banheiro toda encharcada e molhando a casa. Pegou o primeiro vestido que viu no armário, que era um amarelo bebê. Vestiu-se bem depressa, enxugou os cabelos e depois os prendeu em coque feito às pressas, mas que no final, ficou bonito. Amarrou ao pulso uma fita branca com vários desenhos por todo o tecido, era simples mas muito bonito. Saiu de casa com muita pressa para Edifício da Justiça, para poder esperar o sorteio de nomes.

Nathália, 18 anos. Uma garota de beleza exemplar, cujos traços eram alvos de olhares cobiçados entre os garotos do seu Distrito. Seus cabelos loiros iam até o meio das costas, seus olhos cor de areia davam-lhe um aspecto sedutor, seus lábios continham um sorriso que encanta qualquer um. Era uma garota dócil, gentil para com os outros, valorizava suas virtudes acima de tudo. Às vezes, era mimada é prepotente, o que destruía sua personalidade ou beleza. Tinha um pequeno problema com bipolaridade, pois mudava de ideia muito facilmente e não tolerava ser questionada. Não tinha velocidade, agilidade ou domínio no manuseio de armas, mas ela era esperta e bastante inteligente, e muito medrosa. Não possuía qualquer tipo de conhecimento sobre técnica de sobrevivência ou armas, o que a tornava um alvo um pouco fácil.

Israel acordara cedo, pois o medo daquele dia o assolava desde que completara 12 anos de idade, o ano da sua primeira Colheita. Desde então, a sorte tem sido generosa para com ele, o livrando da morte várias vezes, mas ele tinha plena consciência de que se fosse escolhido, seria morto no Banho de Sangue na Cornucópia, e morrer era seu maior medo. Levantou de sua cama apreensivo, com um turbilhão de pensamentos em sua cabeça, de como seria a sua morte se fosse escolhido: Decapitado? Desmembrado? Torturado e depois morto? Mutilado? Esfaqueado? De fome? Eram tantas as possibilidades, e todas as assustavam da mesma forma. Andou até o banheiro, tentando sem sucesso dissipar esses pensamentos da sua mente. Tomou um banho quente, o que o fez relaxar de alguma forma, saiu do banheiro e enxugou-se devagar. E novamente, aquelas possíveis mortes invadiam a sua mente, o deixando atordoado. Vestiu-se com uma camiseta verde, calças pretas e tênis pretos, pegou seu anel com alguns detalhes em uma língua morta, que seus pais chamavam de japonês, debaixo da cama e o pôs no dedo anelar. Saiu do seu quarto sem pressa nenhuma, e andou para o Edifício da Justiça rezando para que a sorte estivesse do seu lado só por mais aquele ano.

Israel, 18 anos. Era um garoto alto, com cabelos pretos curtos e bochechas rosadas, sorriso aconchegante e com um olhar pueril e travesso. Era um dos garotos mais dotados de beleza do Distrito 8, o que fazia com que algumas garotas tivessem uma queda por ele, pois todas o viam como um príncipe. Era um garoto por assim dizer “inocente”, pois não se via qualquer tipo de malícia nesse garoto. Era bastante sorridente e alegre, praticamente nada poderia arrancar o sorriso do seu rosto. Tinha uma personalidade suave, com nenhuma imperfeição aparente. Era bastante gentil, altruísta, se importava com todos ao seu redor. Seu maior medo sempre foi ser escolhido pra disputar os Jogos Vorazes, pois sabia que seria morto assim que o timer chegasse a 0.

Quando todos os jovens se encontram reunidos em frente ao Edifício da Justiça, Maximus Maplewood sai do seu aerodeslizador e vai ao encontro dos jovens para mais uma cerimônia da Colheita. Seus trajes eram espalhafatosas e excêntricos, com cores berrantes e cegantes, assim como todas as vestimentas que os cidadãos da Capital usam no seu dia d a dia. Ele anda até o microfone, olha para todos os jovens com pena por um momento e finalmente fala:

–Olá, sejam todos bem vindos meus meninos e meninas! Como todos sabem, este ano se realizará a 85º Edição dos Jogos Vorazes, e é claro que vocês não poderiam ficar de fora dessa celebração. Daqui a pouco, eu vou tirar os nomes dos felizardos que terão a honra de ir pra Arena esse ano. Mas antes disso, eu trouxe um vídeo bem legal pra vocês assistirem.

Assim que Maximus termina de falar, um vídeo começa a ser reproduzido atrás dele, que tem como base a explicação dos Jogos Vorazes. Ele tem por volta de dez a quinze minutos de duração, assim que acaba, Maximus volta ao microfone sorridente e fala novamente:

–Ah eu nunca me canso de ver esse vídeo! E vocês, crianças?

Silencio absoluto entre os jovens, mas a sua resposta é o sinal dos três dedos levados a boca e depois erguidos. Maximus não parece gostar muito do gesto, pois torce a boca e olha feio pros jovens.

–Tá bom, agora vou tirar os nomes de vocês. Meninas vão sempre na frente, certo?

A tensão aumenta em meio as meninas, pois qualquer uma delas pode ser a “felizarda” desse ano. Maximus põe a mão dentro a caixa e tira um pedaço de papel, o silêncio é tão grande que é possível ouvir um agulha cair. Ele anda até o microfone analisando meticulosamente o papel que contém o nome de uma garota. Ele abre o papel e finalmente fala:

–OK, OK. Desculpe por fazê-las esperar, meninas. Bom, a garota desse ano se chama Nathália Goulart!

Ao ouvir seu nome, Nathália sente seu um calafrio percorrer por todo o seu corpo. Suas mãos suam, seu rosto empalidece, pois seu dia havia chegado. Ela anda lentamente com as pernas bambas até Maximus, que a espera com uma mão estendida e um sorriso no rosto. E le aponta a ela um lugar para sentar para que possa esperar o nome do rapaz.

–Agora é com vocês, garotos!

Ele anda até a caixa com o nome dos garotos. Todos eles os observam com os olhos arregalados, pois o medo de ir para a Arena é muito grande. Poucos minutos, sua mão sai de dentro com um pedaço de papel que ele também analisa com curiosidade.

–O nome do rapaz desse ano é... Israel Schmidt!

Israel sente seus músculos se fragilizarem e as lágrimas percorrerem por suas bochechas, pois seu pior medo havia se concretizado. Fora selecionado para ir para os Jogos Vorazes. Novamente o turbilhão das suas possíveis mortes invadem a sua cabeça, o deixando ainda mais desesperado. Ele anda lentamente até Maximus, enxugando os olhos o mais rápido que pode, mas o desespero é maior. Ele senta ao lado de Nathália, e Maximus volta até o microfone.

–Muito bem, terminamos por hoje. O garoto e a garota desse ano foram escolhidos! Bons Jogos Vorazes, e que a sorte esteja sempre a seu favor, meninos! Até o ano que vem!

Quando ele termina de falar, dois Pacificadores escoltam Nathália e Israel aos seus compartimentos onde terão a chance de se despedir e dar o último adeus. Os dois são postos em compartimentos diferentes, Israel é posto em um, e Nathália em outro. Israel entra no seu, e logo desaba em lágrimas, a sorte o havia abandonado. Ele estava largado à própria conta. A sorte definitivamente não estava ao favor dele naquele ano. Logo sente a mão quente do pai nos seus ombros, o ajudando a levantar e dando um abraço apertado nele. Israel fica ainda mais desesperado e triste com os braços do pai em volta dele.

–Eu vou morrer, pai! E não me venha me dizer que eu tenho que tentar lutar, pois vou ser morto pelo primeiro que vier na minha frente! –diz Israel em meio as lágrimas, soluços e ao desespero.

O pai apenas assente e abraça ainda mais forte o filho, sentindo as lágrimas percorrerem pelo seu rosto.

–Olha Israel, sempre tive medo desse dia chegar. Seu último ano, pensei que você não seria escolhido. Como isso pôde acontecer?! –pergunta o pai.

–Não sei pai, mas eu sei que vou morrer...Quanto mais rápido eu aceitar isso melhor. –diz Israel enxugando as lágrimas das bochechas rosadas.

–Eu só vim aqui para dar meu último adeus pra você, meu filho. Sei que vou perder você, mas eu queria dar meu último abraço e meu último beijo. –diz o pai o abraçando e logo depois o beijando na testa –Eu te amo, filho!

–Eu também pai...

Um Pacificador entra e gesticula pra Israel dizendo que estava na hora. Ele assente e deixa os braços do pai com pesar e sai do compartimento, e fica do lado de fora esperando a sua parceira terminar de se despedir dos seus familiares e amigos. Após muito tempo sozinha, a mãe de Nathália entra e abraça a filha chorando desesperadamente.

–Calma mãe... Relaxa... –diz Nathália tentando tranquilizar a mãe, mas ela mesma estava mil vezes pior que aquilo por dentro.

–Como posso me acalmar? Você vai pra morte certa e eu não posso fazer nada pra impedir! –diz a mãe ainda em desespero.

–Eu não vou dizer que vou tentar, porque eu tenho plena consciência de que vou morrer no Banho de Sangue.

–Então eu quero deixar com você o meu último adeus... –a mãe dela pega uma mecha solta de cabelo e a prende atrás da orelha de Nathália –e saiba que eu te amo muito filha!

As duas se abraçam forte, pois seria a última vez em que elas se veriam. A sorte naquele ano as havia abandonado, e Nathália teria que se virar se quisesse sobreviver. Um Pacificador entra no compartimento e gesticula pra Nathália dizendo que já era hora de ir, ela se solta dos braços da mãe, e aquilo faz com que ela sentisse uma pontada no seu peito. O Pacificador a escolta para perto de Israel e de outro Pacificador, e juntos eles seguem caminho a passos lentos e com o coração apertado para a plataforma de trem. Bruce Collins já está à espera dos dois, ele é um antigo vencedor e agora tornou-se mentor daquele Distrito. Os três se cumprimentam rapidamente, e sem demora embarcam no trem que tem como destino a Capital.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.