Notas iniciais
Dedico esse capítulo ao casal mais lindo que eu conheço.

Colheita no Distrito 1

Não era um dia qualquer no Distrito 1, e todos os jovens sabiam o que ocorreria naquele dia, a Colheita. O dia em que a sorte iria decidir quem viveria e quem morreria. Alguns jovens estavam temerosos, alguns empolgados. Pois tanto para o Distrito 1 e para o Distrito 2, era uma honra ver seus tributos participando dos Jogos. Mas nem todos pensavam desta forma. Como sendo o distrito responsável pelo luxo, era um dos mais ricos de Panem, tinha uma academia especial onde todos os jovens treinam e se preparam para os Jogos.

Mayara acordou cedo, e sabia que dia era esse. Temia por aquilo, por seu nome ser sorteado na hora da Colheita. Ao contrário de todo os jovens, ela não queria estar nos Jogos. Para ela, não era sinônimo do honra arriscar a vida em uma arena com outros vinte e três tributos. Era o quarto ano dela, felizmente seu nome nunca fora escolhido. Chovera no dia, fazendo com que o ar ficasse úmido e frio. Mas ela não se importava. Ela só queria que aquela colheita passasse logo e seu nome e o de seu namorado saíssem ilesos. Levantou de sua cama e foi para o banheiro. Ela demorou no banheiro, afinal não tinha pressa nenhuma de ir para o sorteio dos nomes. Saiu do banheiro e se enxugou lentamente. Vestiu-se com um vestido azul, que fora comprado justamente pra esse dia, pôs nos cabelos uma presilha de cristais, que ela ganhara da mãe quando fez 8 anos. Terminou de se arrumar e foi para o Edifício da Justiça, se colocou no seu lugar na fila das garotas e esperou.

Mayara, 17 anos, uma garota dotada de beleza, dona de lindos cabelos negros e olhos castanhos meigos e misterioso, sorriso lindo e dócil. Sua personalidade às vezes assustava, pois os treinamentos que ela recebeu durante esses anos, a fez ficar impiedosa e cruel com seus inimigos. Uma verdadeira mestra manuseando gládios, extremamente rápida e versátil. Sendo também uma excelente lutadora em combate corpo a corpo. Sua vida nunca fora difícil. Seu pai é dono de uma loja de lustres de cristais que diariamente, os mesmos são mandados para a Capital. Para a família dela, dinheiro nunca foi problema, por morar num Distrito cuja função é responsável pelo luxo, sua vida sempre fora perfeita. Mas ela perdeu a mãe muito nova, por isso ela tem uma certa carência e um vazio que ninguém pôde preencher.

Arthur não estava nem um pouco preocupado com aquele dia. Ele nunca fora escolhido e nem tinha a intenção de ir ou se voluntariar por ninguém. Olhou pela janela e percebeu que chovia levemente, fazendo um pouco de frio. Depois levantou-se da sua cama preguiçosamente e foi para o banheiro, tomou um banho bem rápido, depois saiu do banheiro. Se arrumou devagar, colocou uma camisa de mangas compridas por causa do frio, uma calça preta e tênis azuis. Colocou no pescoço um cordão de prata, que ele usava somente em ocasiões especiais. Saiu de casa e andou vagarosamente chutando pedras no caminho para o Edifício da Justiça. Se dirigiu ao seu lugar na fila dos garotos e esperou.

Arthur, 18 anos. Um rapaz com aparência bela, alto, forte, cabelos loiros, bochechas rosadas, sorriso lindo e um semblante de contagiar qualquer pessoa, um verdadeiro príncipe. Mas o que acabava com sua beleza, era sua personalidade. Frio, maquiavélico, uma verdadeira pessoa que não tem pena de matar. O garoto é um grande expert em usar machados, possuía também, uma enorme força bruta, sendo assim, muito bom em combate corpo a corpo. Ele era filho de um fabricante de joias preciosas do Distrito. Por isso, nunca lhe faltou nada. O garoto era bem de vida.

Pouco tempo depois, Alma Hartley desceu do aerodeslizador e ficou frente a frente com todos os jovens do Distrito 1. Com suas roupas coloridas e berrantes, maquiagem extremamente exagerada, ela falou a todos com sua voz aguda e seu típico sotaque da Capital:

-Ora, olá meus queridos! Bom Jogos Vorazes, e que a sorte esteja sempre a seu favor. Daqui a pouco, eu tirarei os nomes dos sortudos que terão a honra e o prazer de disputar a 85º Edição dos Jogos Vorazes. Mas antes disso meus queridos, eu trouxe um vídeo pra vocês assistirem lá da Capital!

E um vídeo começa ser reproduzido em um telão atrás dela, Mayara procura Arthur no meio da multidão de meninos, e seus olhares se encontram. Ele fala pra ela somente mexendo os lábios “Fica calma, seu nome não vai ser sorteado”. Ela apenas assente com a cabeça e dirige seus olhos de volta pro telão. O vídeo tem duração de dez minutos, e depois que acaba, Alma fala novamente:

-Bom meus queridos, é um belo vídeo não acham? Mas vamos ao que interessa, os nomes. E como diz a tradição, as damas sempre primeiro!

Ela põe a mão em uma caixa de vidro cheia de nomes. Mayara começa ficar nervosa e tensa com aquilo, suas mãos suam por causa do medo, e ela tenta manter a calma, ela olha pra Arthur, que a deixa mais calma fazendo um gesto de mão. Mas tudo se acaba quando ela ouve as seguintes palavras:

-E o tributo feminino que vai ter a honra de ir pra 85º Edição dos Jogos Vorazes é... Mayara Amorim!

Mayara sente suas pernas ficando moles, ela não conseguia acreditar que a sorte a havia deixado. Seu nome fora escolhido, não conseguia esboçar qualquer reação, e tudo que saía de seu corpo eram lágrimas e repetidas vezes a palavra “não”. Seu namorado ficou na mesma situação, ele também se recusava a acreditar naquilo. Pacificadores foram até ela para escoltá-la para o lado de Alma. A mulher a cumprimentou e a indicou um lugar para que pudesse sentar.

-Agora, os...

-Isso não será necessário! Eu me ofereço como tributo! – fala Arthur em meio a multidão de garotos e abrindo espaço entre eles para que pudesse passar.

-Ora! Temos um voluntário! Suba aqui!

Ele vai andando a passos lentos até Alma.

-Qual o seu nome meu rapaz?

-Arthur... Silva...

Ela o indica um lugar ao lado de Mayara, quando se veem, os dois se abraçam bem forte e apertado. E ele sussurra no ouvido dela de forma doce e gentil “eu te amo!”. Alma volta ao microfone e fala novamente.

-E os tributos que terão a honra de participar da Edição dos Jogos esse ano é, Mayara Amorim e Arthur Silva! Até o ano que vem, meus queridos!

Depois disso, os dois foram escoltados pra dentro do Edifício da Justiça, mas ficando em compartimentos diferentes para que pudessem se despedir de seus familiares e amigos. Mayara é posta em um compartimento, e logo após a saída do Pacificador, seu pai entra chorando e lhe abraçando.

-Mayara! Eu não quero perder você! Por favor minha filha, tenta ganhar esses Jogos! -diz ele chorando e a abraçando.

-Eu vou tentar pai. Eu não quero morrer! – diz ela em meio aos prantos, e o abraço do pai a faz ficar ainda com mais tristeza.

-Você é excelente usando gládios! Eu já vi! E use a sua beleza, minha filha! Use isso ao seu favor.

-Tudo bem, pai...

-E acima de tudo, ganhe patrocinadores! Conquiste-os usando a sua beleza. Eles podem mantê-la viva por mais tempo.

-Eu vou ganhar pai! Por você! –fala ela antes de dar o último abraço antes do Pacificador entrar e tirar seu pai, a deixando completamente sozinha para esperar a hora de embarcar no trem.

No compartimento de Arthur, sua mãe entra revoltada por ele ter se voluntariado.

-Onde estava com a cabeça?! Se voluntariar?! Porquê?! – diz ela chorando e abraçando o filho.

-Foi por causa dela, mãe. Não podia deixa-la sozinha nesse momento. Eu quero proteger ela. Nem que isso custe a minha vida... – uma lágrima rola pela bochecha rosada dele.

-Olha, tenta ganhar patrocinadores! Mostre a ele sua força e habilidade com os machados! Eu sei que você consegue.

-Não se preocupe, mãe. Eu não vou falhar ou morrer!

-Volte pra casa, OK? –diz ela antes de dar o último abraço no filho.

Dois Pacificadores entram no compartimento, um pra levar a mãe dele pra fora, e o outro pra escoltá-lo até o trem. Eles andam por um corredor até chegar em uma porta, e de dentro sai Mayara, os dois se abraçam e se beijam de forma que nunca haviam se beijado antes, o beijo de dor e quem sabe, de despedida. Os Pacificadores os empurram em direção ao trem, e os dois vão de mãos dadas, ela chorando e ele apreensivo, em direção ao trem que tem como destino, a Capital. Ambos sabiam que apenas um, ou nenhum voltaria vivo de lá, mas eles queriam a mesma coisa, a necessidade de voltar pra casa.

No trem, são cumprimentados por Rocky Bradshaw, um antigo vencedor do distrito e mentor dos dois naquela Edição. Eles se apresentam, embarcam e vão rumo a Capital.

Notas finais
Espero que tenham gostado. ^^