O Distrito 5 seguia normalmente com suas atividades diárias na produção de energia, mesmo sendo o dia da Colheita. Todos os cidadãos estavam apreensivos por causa desse acontecimento anual, pois eles veriam mais dois jovens sendo mortos em um verdadeiro massacre. Nenhum dos jovens desse Distrito queria se fazer presente no sorteio, pois não confiavam em colocar seu nome na mão da sorte nesse dia. Ela poderia muito bem ajudá-los ou prejudicá-los. Esse Distrito é considerado importante pra Panem, pois é era responsável pela produção de energia que mantêm o país. Mas isso não quer dizer que seja um dos mais ricos.

Thaís queria esquecer um pouco que dia era aquele, pois ela o temia desde que completou 12 anos de idade. E hoje em dia, o teme ainda mais. Não conseguiu dormir naquela noite, o que a fez ficar morta de cansaço e com sono no dia seguinte. Fez esforço para não pegar no sono justamente no dia da Colheita. Ela olhou pela janela e viu outros jovens indo em direção ao Edifício da Justiça, ela veria mais duas pessoas morrerem em um massacre desnecessário. Levantou da cama, pegou sua shuriken de estimação e a ficou encarando por um tempo, depois foi jogar água no rosto pra aliviar o sono, e depois foi tomar um banho. Saiu do banheiro, se enxugou, vestiu seu vestido cor de vinho. Não sentia vontade de se arrumar, mas se vestiu mesmo assim. Amarrou os cabelos desleixadamente em uma trança ao lado da cabeça, pôs no pulso esquerdo uma pulseira com um símbolo de radioatividade como pingente, olhou-se no espelho distraidamente, foi tomar café e foi para o Edifício da Justiça. Furou a fila das garotas e esperou o sorteio começar.

Thaís, 17 anos. Uma menina bonita, mas de semblante cansado. Uma garota um pouco baixinha, mas não muito. Dona de lindos cabelos castanhos claros que iam um pouco depois do ombro, olhos castanho escuro e delicados, sorriso instigante e contagiante como de uma criança. Era uma das meninas mais bonitas do seu Distrito. Ela tinha um jeitinho meio sádico e irônico, mas era dócil e “inofensiva”. Sua personalidade era como a de qualquer menina do seu Distrito. Era uma garota muito inteligente, esperta, e boa observadora, muito boa atirando shurikens quase nunca vinha a errar. Era uma ótima corredora e conhecia alguns conceitos básicos de sobrevivência. Uma das poucas do Distrito 5 que sabiam manusear armas e a que estava mais preparadas para ir para os Jogos.

Ozias estava bastante tenso por causa da Colheita, afinal sempre teve medo de ver seu nome sendo escolhido pra disputar os Jogos Vorazes. Não tinha interesse nenhum em conhecer pessoalmente a Arena, muito menos estar dentro dela com mais outras vinte e três pessoas. Levantou da sua cama, abriu a gaveta da sua escrivaninha e tirou de dentro uma pequena pedrinha branca, seu pequeno mimo, ele acreditava que ela o livraria de participar dos Jogos. Pôs a pedra em cima da cama e foi tomar um banho, não quis demorar, então depois de cinco minutos saiu de dentro do banheiro. Se enxugou bem depressa, vestiu-se na mesma velocidade com um uma camisa branca, calça preta e tênis pretos. Prendeu no pulso uma pulseira com a sua pequena pedrinha como pingente, saiu de casa e foi para o Edifício da Justiça para esperar os sorteios.

Ozias, 17 anos. Um dos garotos mais disputados do Distrito 5 pela sua beleza. Alto, forte, bonito. Tinha cabelos castanhos com uma estranha mecha cinza na lateral da sua cabeça, dono de olhos castanho claros e profundos, sorriso bonito. Não tendo nenhum defeito em particular, exceto pelo ego que as vezes é enorme e por ser um pouquinho prepotente. Um garoto muito bom de corrida, o melhor de todo o Distrito 5. Muito inteligente e um verdadeiro mestre quando o assunto em particular é se esconder ou se camuflar, sendo imperceptível a olhos nus. Não sabe usar nenhuma arma em particular, mas na hora do desespero ele sabe como se virar.

Assim que todos os jovens se fizeram presente, Gray Hashtorne sai do aerodeslizador com cara de tédio, como se estivesse ali contra a sua vontade. Andou com mal gosto até o microfone e falou aos jovens:

–Bom dia e bom Jogos Vorazes. Antes de eu tirar os nomes dos azarados desse ano, assistam esse vídeo chato que vocês veem todo ano antes do sorteio e que eu trouxe da Capital.

Um vídeo começa a ser reproduzido do lado esquerdo de Gray, Thaís começa a cantarolar o Hino da Capital, pois sempre o achou muito bonito. O vídeo tem duração de dez minutos, depois que acaba, Gray volta para o microfone e fala de novo.

–Bem, já sabem o que acontece agora, não? Os nomes das azaradas.

Ele anda até uma caixa contendo os nomes das garotas, Thaís volta seus olhos pra ela e pra mão de Gray quando ela sai da caixa. Ele anda de volta até o microfone e fala de novo.

–E o nome do tributo feminino é Thaís Sales.

Thaís olha pra ele com cara de quem diz “Tá de sacanagem, né?”

–Palhaçada... Meu pior pesadelo se concretizou... –ela resmunga baixinho.

Enquanto Thaís andava até Gray, ele vai até a caixa com os nomes dos garotos e volta pro microfone.

–E o tributo masculino desse ano é Ozias Xavier.

Ozias sente a cara ficar branca e os lábios sem sangue, ele não acreditava que ele poderia ter sido escolhido. Andou a passos lentos até Gray que lhe ofereceu um lugar ao lado de Thaís, e logo em seguida ele fala novamente:

–Esses dois aqui são os azarados ou sortudos desse ano, boa sorte pros dois e até o ano que vem.

Logo em seguida, dois Pacificadores vem pra escoltar Ozias e Thaís até seus devidos compartimentos onde terão o direito de se despedir de quem quisessem. Ozias é posto em um compartimento com cheiro de mofo, ele espera lá dentro por volta de cinco minutos até que sua mãe entra.

–Oi filho... –diz a mãe tentando esconder a aflição.

–Oi mãe, tudo bem?

–Eu só queria te falar que...

–Eu sei o que você vai me falar, mãe. Que eu tenho que me esforçar pra ganhar, que eu tenho que acima de tudo conseguir bons patrocinadores. E não se preocupe. Não vai perder seu garotinho. Eu volto vivo pra você.

–Assim eu espero! Não quero ver você morto! –diz a mãe o abraçando aos prantos e soluços.

–Eu vou voltar, mãe. Não se preocupe.

Entra um Pacificador e diz a mãe dele que já era hora dele ir pra Capital, a mãe dá um último abraço no filho e sussurra em seu ouvido “eu te amo”. A mãe de Ozias é levada pra fora enquanto ele fica lá e espera a hora de ir embora para seu pior pesadelo.

Quando Thaís entra no seu compartimento, uns trinta segundos depois a sua mãe entra falando sem dando a ela a chance de falar algo.

–Minha filha, escuta. Tenho três minutos pra te falar o que você precisa saber. Primeiramente, você precisa urgentemente de patrocinadores, além de eles a ajudarem na arena podem mantê-la viva por mais tempo.

–Mas isso eu...

–Segundo, mostre a todos a sua habilidade com as shurikens.

–Disso eu...

–Terceiro, cuidado com os carreiristas, tente matá-los primeiro. E daí é só um passo pra você alcançar a vitória.

–Mas...

–Quarto, arranje aliados. Mas apenas aliados que sejam de sua confiança.

–Eu...

–E quinto... Eu te amo, filha! –diz a mãe a abraçando e chorando. –Volta pra mim, tá? Promete?

–Prometo mãe. Eu vou voltar.

–Tudo bem... Já me sinto mais tranquila. –diz a mãe enxugando as lágrimas.

Dois Pacificadores entram no compartimento, um para levar Thaís pro trem, e o outro pra levar a mãe dela até a saída. Thaís e seu Pacificador saem primeiro e andam em um corredor úmido e com cheiro de mofo até chegarem em uma porta, o Pacificador bate na porta usando um código Morse, e Ozias e mais um Pacificador saem de dentro. Eles andam em direção ao trem com destino a Capital, mas para Ozias, é um trem indo pra morte certa. Thaís mexe na sua pulseira tentando aliviar a tensão, e Ozias aperta com força a pequena pedra entre as mãos. Assim que chegam lá, são cumprimentados por Alexander Fischer, um dos vencedores mais antigos e mentor deles para aquela Edição. Os três se apresentam, entram no trem e partem rumo a Capital.

Notas finais
E ai? Gostaram?