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3 Capítulo 2 - Rachel


Notas iniciais
Conhecendo um pouco da Rachel

Meu celular tocou e eu tentei me desvencilhar dos braços da Sofia sem acordá-la.

–Alô- falei em um tom de voz baixo. Era o meu tio Noah, provavelmente querendo que eu fosse até a fazenda dos Fabray.

–Tieta está parindo e, pelo que vejo, não conseguirá sem você- ele disse e, antes de ele terminar a frase, eu já estava á procura das minhas roupas.

–Estou indo- respondi enquanto vesti meu jeans. Vesti a camisa e peguei meu chapéu na mesa de cabeceira ao lado da cama, onde Sofia dormia profundamente.Também, depois da noite passada...

Eu e Sofia tínhamos uma relação nada convencional. Ela é dona do melhor bar da pequena cidade onde moro. Uma mulher decidida e que sabe o que quer, e ela quer o mesmo que eu: sexo sem amarras. Sofia foi casada e não estava disposta a se jogar em um novo relacionamento. E eu? Era uma mulher da estrada e não me apaixonava. Não porque não gostasse de relacionamentos. Acontece que não podia me prender a ninguém se quisesse participar do circuito nacional de rodeio. Eu ficaria muito tempo fora de casa e não acreditava que uma relação, fosse ela como fosse, pudesse sobreviver a distância. E o rodeio é minha paixão desde que me entendo por gente. Não deixaria essa oportunidade passar.

Tranquei a porta e passei a chave por baixo dela. Sofia saberia o que fazer quando acordasse. Ela sempre sabia.

Entrei em minha caminhonete e parti em direção a fazenda da qual meu tio é caseiro há muitos anos. Não ficava longe da cidade, eram poucos quilômetros, e minha caminhonete estava pronta para enfrentar a estrada.

Cheguei e vi que meu tio tinha razão: Tieta necessitava de uma cesariana de emergência, ou ela e o filhote não sobreviveriam.

Preparei-me para realizar o meu trabalho: verifiquei se todo o instrumento que usaria estava devidamente esterilizado e, após confirmar, coloquei as luvas e o retirei das embalagens. Contei com a ajuda de dois funcionários, além do meu tio, que chegou com o isopor em que estava a anestesia.

–Valeu, tio.

–Acho que o filhote é grande demais para Tieta.

Concordei com ele enquanto observava a anestesia descer pelo vidro e encher a seringa. Encaixei a agulha e procurei o local adequado para aplicá-la.

–Calma, garota. — Acariciei o animal quando ele tentou se mexer. Tieta ficou imóvel e terminei de anestesiá-la com segurança.

Uma hora e meia depois, meu trabalho estava concluído .O bezerro nasceu, e ambos, filhote e mãe, passavam bem. Deus me livre perder aquela vaca, ela valia mais do que eu ganhava em seis meses.

Quando caminhava em direção a caminhonete, pensei ter ouvido uma voz .O sol atrapalhava a minha visão, então não consegui enxergar nada. Deve ter sido impressão. Já estava com um pé na caminhonete, preparado para sair, quando escutei novamente.

–Seu surdo!

Desci da caminhonete, pois tive certeza que a voz vinha da estrada.

A cena que vi teria sido hilária, senão fosse surpreendente. Uma garota — que com certeza não era das redondezas- estava paradas com as mãos na cintura, olhando para mim.

Maldição, ela é linda.

Caminhei em sua direção. Ela podia estar perdida e precisando de ajuda. Mas, assim que cheguei mais perto, reconheci a garota. Havia fotos dela espalhadas pela casa-grande e eu sabia que era a filha do sr. Russel estava para chegar, mas pelo que Brit tinha me falado não seria naquele dia.

Quando me aproximei, ela me encarou, tão surpresa quanto eu, mas logo virou o rosto e fechou o nariz com os dedos.

–Argh! que nojo! Já inventaram uma coisa chamada banho, sabia? — disse com a voz engraçada, e eu contive a vontade de sorrir, pois tinha acabado de me chamar de fedida. Olhei a garota de cima a baixo. Realmente, ela era linda... mas com a boca fechada.odeio gente que se acha.

Enquanto ela caminhava em direção á casa, eu não aguentei e comecei a rir baixinho. Seu salto afundava na terra, fazendo com que ela andasse engraçado. Sua bunda requebrava de um lado para outro, e por várias vezes ela quase caiu.

Balancei a cabeça rindo e ela entrou como um foguete na casa, sem nem ao menos olhar para trás, nem para agradecer. Malcriada.Quer saber? Chega! Joguei as malas no chão, bati a porta e saí seguindo meu caminho.

Fui dirigindo até a casa do meu tio. Brit saiu do quarto assim que escutou o barulho das minhas botas tocando o chão. Minha prima era linda, seus cabelos loiros desciam até sua cintura, e seus olhos azuis inocentes. Ela e meu tio eram a única família que eu tinha. Perdi meus pais em um assalto, e minha tia abandonou a Brit quando ela nasceu e nunca mais deu notícias.

–Brit, cadê o tio?. — Ela deu de ombros.

–Não sei, achei que estava com você. — Ela se aproximou, mas logo parou e fez uma careta.

–Rach, você está fedendo. — Ela fez cara de nojo.

Sorri.

Pela segunda vez no dia, uma mulher reclamava do meu cheiro. Isso era comum. Por causa do meu trabalho eu vivia na companhia de porcos, vacas, ovelhas e até coelhos. Normal de vez em quando cheirar como eles.

–Até você, pequena?- Comecei a correr atrás dela. Brit odiava que eu fizesse cócegas na sua barriga, e eu adorava torturá-la.

–Sorte sua que estou de bom humor hoje. Te deixar em paz vai ser a minha segunda boa ação do dia- eu disse, me afastando.

–Ah é? E qual foi a primeira? Ajudou uma vaca atravessar a estrada?- Mesmo com a respiração falha pelo ataque de cócegas, Brit conseguia fazer piada.

–Não, ajudei com as malas da sua pupila.- Ela arregalou os olhos e pulou do sofá rapidamente.

–Merda! A garota não chegaria só amanhã?- perguntou enquanto entrava em seu quarto. Caminhei até a cozinha e peguei uma banana na fruteira.

–Acho que o pai resolveu despachá-la antes!- gritei para que Brit pudesse me ouvir do seu quarto, enquanto descascava a fruta.

–E como ela é? — Enquanto perguntava, sua cabeça apareceu na porta.

Comecei a me lembrar da garota mimada. Fechei os olhos e era como se a visse em minha frente novamente. Seus cabelos estavam molhados de suor, e alguns fios grudavam no rosto. Ela estava com as bochechas vermelhas pelo esforço e tinha uma boca que me fazia pensar coisas. Senti algo endurecendo dentro da calça. Não acredito que estou ficando excitada por aquela nojentinha.

–E então?. — Me assustei com a voz de Brit. Ela estava sentada embaixo do batente da porta, calçando as botas.

–E então o que?- perguntei, pois os pensamentos que estavam em minha cabeça tinham me feito esquecer a Brit.

–Como ela é, Rach?

–Ah! — eu disse, tentando ganhar tempo para uma resposta. -Ela é como um cristal.

Notas finais
desculpem os erros...