~ Por Nico ~

Nunca tinha tido uma prova tão grande de que subi a um nível inalcançável como tive naquela hora. Eu encontrei um dos grandes amigos de meu pai na ida para o colégio, um velho sábio, rico e um grande jogador de xadrez. Tinha até ganhado vários e vários prêmios em nível nacional. Acho que nunca na vida tinha perdido uma partida.

Eu fui convidado a jogar com ele, pois ele disse que soube da minha fama de "garoto que domina tudo" dos meus pais. Eu fui e olha que estava meio em cima da hora pra chegar na escola.

Ganhei tão fácil desse cara como ganharia de qualquer outro. Isso porque ele não levou a sério minha estratégia usando o rei. Sempre todos levam... E ainda cheguei na escola a tempo, de tão rápida que a partida foi.

De qualquer forma, me dei conta de que estou completamente só... Ninguém pode me suprir, me acompanhar, se igualar a mim ou mesmo não me entediar.

Eu tinha virado uma espécie de aberração. Estava tão melhorado em todos os assuntos que, nem jovem nem velho, podia me dar mais algum alvo de interesse. Estava vivendo por viver agora. Tudo era estressante, entediante e sem-graça. E pela primeira vez, eu me senti mal de verdade e a culpa no fim não era de mais ninguém além de mim.

Tive vontade de morrer, de nunca mais ter que me sentir tão no alto que ninguém mais me alcançava, mesmo quando estavam do meu lado. E tive pela primeira vez, vontade de nunca ter nascido para nunca ter tido a chance de experimentar algo assim.

Eu estaria errado em desejar isso depois de tudo?

Notas finais
Quarto Motivo: "Ninguém se iguala, você se torna solitário sem querer".