8 Metros
7 Chapter 7
Notas iniciais
Eu não podia acreditar no que acabara de acontecer comigo, será que isso mesmo é real? Não seria um sonho? Isto estava mesmo acontecendo? É mesmo o Joe que eu conheço ?
Muitas perguntas viam para minha cabeça ao mesmo tempo. De alguma forma acho que nunca pude achar que este momento fosse real, ou que acontecesse. E se estiver acontecendo? Eu estaria preparada?
— M-M-Mas J-Jo-o... — não saia uma palavra da minha boca, eu estava sem acreditar ainda no que estava acontecendo, eu gaguejava. Aquilo parecia cena de novela mexicana .
— Kayla, não fala nada. — ele chega mais próximo de mim e ficamos um em frente do outro e estava dando para sentir sua respiração ofegante. — você não faz ideia de quanto eu esperei por isso. — eu estava totalmente em estado de choque, não falava nada, apenas expressava pelo meu sorriso de orelha a orelha, demonstrava a minha felicidade ou minhas sobrancelhas, amostrava minha surpresa. — Você não fala não? — Ele sorri e como é lindo esse sorriso que transmitia uma segurança e conforto.
— Eu só estou tentando associar tudo em minha cabeça. Acho que meu cérebro é tão pequeno que nem isso cabe — Ele gargalha e eu dou um leve riso, sendo totalmente interrompida pelo meu nervosismo de não saber o que fazer a partir daquele momento. Eu nunca havia sentido tal sentimento algum dia na minha vida, exceto quando... Ah, esquece. Nunca sentir isso na minha vida sem graça
— Desculpe eu deveria ter avisado, mas é que eu não podia esperar mais para isso — ele me olha atentamente esperando uma breve reação minha.
— isso o quê? — Eu sinto seus braços fortes e musculosos, se encostando em mim e se voltando em meu corpo. Ele estava me dando um abraço e abaixava sua cabeça e deixando nossos rostos praticamente colados. Ele estava querendo me dar um beijo, mas como que se fazia aquilo, eu não tinha ideia. Será que vou estragar tudo? — É-é — eu tusso, interrompendo o momento e me afasto dele — acho que não estou preparada para isso. Não agora.
— Tudo bem, desculpa. Eu deveria ter ido com mais calma, mas eu não aguentaria mais esperar por isso que imaginei por tanto tempo. — ele dá uma meia volta, se voltando de costas para mim e anda em direção à porta do carro
— Aí meu Deus. Eu ainda não acredito nisso e nem que você está aqui, agora, comigo.
— Sim, eu estou aqui, agora e com você e temos muita coisa para conversar.
O sorriso era muito contagiante, pois sorri assim que ele sorriu para mim. Ainda não não me caiu a ficha de que Joe Walker, o mesmo que eu via toda hora e todos os dias pelo celular, que eu não perdia nenhuma mensagem, a pessoa com quem eu passava a madrugada inteira conversando sem se importar com as horas, estava em carne e osso na minha frente.
De repente, parecia que estávamos só nós dois no mundo. Eu definitivamente não estava preparada para aquele momento. Senti o meu rosto queimar ao perceber que eu estava muitos minutos só o encarando.
— Kayla? — Joe me chamava para o planeta Terra.
— Hã? — respondi meio atordoada.
— Estava indo para onde? — ele perguntou.
— Ah, ao shopping. — respondi, com um sorriso tímido no rosto.
— Eu posso...
— Me acompanhar? — supus. Joe assentiu.
— Se não for um incomodo...
— Não. Claro que não. — neguei. — Eu vou assistir um filme. Quer vir? Ainda dá tempo de comprar os ingressos.
— É uma boa. — ele aceitou. — Qualquer coisa para ficar junto de você.
Meu rosto esquentou de novo. Ele é mais lindo pessoalmente.
Ele colocou o seu carro na garagem e nos dois fomos comprar o seu ingresso. Assim que o filme começou, sabe aquelas cenas de filme romântico quando o garoto e a garota vão ao cinema e o garoto coloca seu braço atrás da garota? Então, foi essa mesma cena clichê que aconteceu.
Deitei minha cabeça nos ombros de Joe. Se alguém nos visse, pensaria que seríamos namorados.
Foi divertido o filme.
Assim que ele terminou, nós dois fomos até a praça de alimentação. Nos sentamos em uma mesa distante. Eu já havia planejado as perguntas que eu queria fazer a ele.
— Eu pensava que você só viria mais tarde. — falei depois que fizemos nosso pedido.
— Eu queria te fazer uma surpresa. — ele disse. — Quando eu estava falando com você, eu já ia embarcar no avião.
— E que surpresa! — exclamei, arrancando risos de nós dois.
Minhas mãos pousavam em cima da mesa, e logo ficaram sob as de Joe. Ele pegou minhas mãos, as segurando delicadamente.
— Eu estava esperando esse momento por muito tempo. — falou Joe, me olhando no fundo dos meus olhos. — Eu estava louco para te ver pessoalmente.
— Eu também. — concordei sem pensar duas vezes.
— Não tem ideia do quanto eu passei para chegar até aqui. — Joe disse. — Eu tive que pegar um avião, dois ônibus e alugar um carro para te ver.
— Nossa! Você sofreu! — eu ri.
— Espero que isso seja a prova do que quero passar para poder ver o seu rosto novamente.
Eu fiquei alguns segundos em silêncio e senti meus olhos se encherem de lágrimas, mas não queria que aquele momento se interrompesse.
— Eu tive que sentar ao lado de um cara que comia cereal só com as mãos. — eu ri novamente. — Mas valeu a pena.
— Acho que eu te devo uma!
Nós dois sorrimos. O sorriso dele era melhor visto de frente a frente. Era um sorriso que me contagiou. Um sorriso que me causava conforto.
— Aí! Até quando você vai ficar na cidade? — perguntei depois de tantos segundos nos olhando.
— Por um bom tempo! — Joe respondeu.
— Pode ser tempo o suficiente para eu te amostrar os lugares daqui. — falei. Joe franziu a testa em dúvida. — Me acompanha?
— Por que não? — ele respondeu. — Mais tempo para ficarmos juntos.
Eu ri timidamente.
Levo Joe até o parque que era próximo ao shopping.
Eu ia para lá quase toda semana. O primeiro ponto do parque que eu decidi levá-lo era o carrinho de cachorro-quente que eu considerava ser o melhor do país, e se duvidar o melhor do mundo. Joe sempre olhava para todos os lado com aquele mesmo sorriso. Uma hora, as costas das nossas mãos se tocaram. Logo depois sua mão pegou a minha. Eu não hesitei, mas não deixei de ficar envergonhada.
— Nossa! — exclamou ele de olhos arregalados, assim que mordeu um pedaço do seu cachorro-quente. — Agora sei porquê é o melhor do país.
Eu ri com a sua afirmação.
— Admita. É incrível. — falei com um tom de superioridade
— E é mesmo. — ele concordou.
Nos direcionamos até um banco de madeira branca pintada.
— As coisas vão bem na empresa?
— Um pouco. — ele respondeu com ar de desdém.
— É o seu pai? — supus. Na mesma hora, eu me arrependi de ter falado. Temi que ele tenha se ofendido. Mas ele não pareceu sofrer efeito.
— Sim. — respondeu. — A cada dia ele parece querer exigir mais de mim!
— Eu tenho absoluta certeza de que você trabalha duro. — garanti. Eu sentia que ele estava dando o melhor de si.
— Mas meu pai não vê isso. — ele discordou. — Ele acha que eu estou com preguiça de fazer as coisas. Que nada do que eu faço está bom. E isso me tira do sério.
— Ele só está sendo rígido com você. Como você disse, ele não vê isso em você.
— Eu sei. — ele suspirou.
— Eu também não me dou muito bem com o meu pai. — falei, encostando minhas costas no banco.
— É. Eu sei. Você me contou. — falou Joe se lembrando de nossas conversas por mensagens de texto.
— Mal dá para ver ele. Só vive viajando. Ele mal sabe da minha vida. — eu falava com um pouco de tristeza em minha voz. — Ele ainda me faz falta.
— Mais uma coisa em que temos uma coisa em comum. — Joe disse, tentando amenizar a situação. — Não nos damos bem com os nossos pais.
Eu sorri. Joe me entendia nesse quesito. Era bom falar com ele, porque ele me entendia. Eu sentia que podia desabafar com ele. E ele podia desabafar comigo.
E entendo como é difícil para ele ter o seu pai no seu pé o tempo todo. O pai de Joe exigia muito dele, pelo simples fato dele ser o seu sucessor. E, para isso, o seu sucessor tem que manter a empresa em pé. E pior ainda quando se é o irmão mais velho. Posso nunca ter visto Joe trabalhando, mas sei que ele é muito determinado em seus objetivos.
— Bem, já chega de falar de mim. — concluiu Joe querendo acabar com o clima triste. — Me fale sobre você!
— O que você quer que eu fale sobre mim?
— Qualquer coisa!
Pensei por alguns instantes.
— Eu acabei o ensino médio e vou para a faculdade.
— Hm! — ele dá outra mordida no seu cachorro quente e parece se deliciar profundamente — O que vai ser?
— Estou pensando em ser veterinária — eu dou uma pausa, para terminar de mastigar — Um sonho que todas as crianças um dia sonharam. Mas, bom. Eu sonhei e fui atrás.
— Olha lá, uma nova universitária chegou! — brincou Joe. Eu ri. — Vai sentir falta da escola?
— Nem um pouco! — respondi rapidamente. Joe me olhou surpreso.
— Por que? Não vai sentir falta dos seus amigos de lá?
— Eu não tenho amigos na escola. — expliquei. — Ninguém quer ser amigo ou amiga da rainha das trevas.
— Ah, sim. Eu me lembrei que as meninas de sua escola te zoam. — Joe se lembrou. — Eu ainda não entendi do porquê elas não gostarem de você.
— Eu também não. Mas fazer o quê? — perguntei. — É até melhor. Eu nem gosto delas.
— Bem, eu não concordo com elas. — discordou Joe. — Acho você uma pessoa incrível.
— Obrigado, Joe. — agradeci, soltando um ar de um leve desabafo. — Por ter vindo até aqui por mim.
— Qualquer coisa por você, Kayla. — Joe retribuiu o abraço. — Além do mais, uma hora ou outra nós teríamos que nos conhecer.
— Mas Joe, você deixou sua casa só para ficar comigo. — falei me sentindo culpada.
— Tudo para ficar com você por um tempo. — ele fala. — Eu quero te ver pessoalmente, Kayla.
— Que bom que você está aqui, Joe. — falei indo ao encontro de uma tentativa de um abraço mais forte. Me segurei para não chorar. Nunca imaginei ninguém fazendo uma coisa dessas por mim. Bom. O Adam, talvez. Mas eu não sinto a mesma coisa que sinto pelo Joe.
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— Obrigada por me acompanhar até em casa, Joe. — agradeci quando paramos em frente à minha casa.
Já se fazia um pouco de frio. As nuvens de chuva já se formavam no céu escuro da noite, pairando sobre nossas cabeças. Joe me levou até a minha casa no seu carro prata.
— Não tem de quê. — ele disse.
— Onde você vai passar a noite? — pergunto preocupada.
— Na empresa. — ele responde. — Foi bom passar o dia com você, Kayla.
— Com você também, Joe. — concordei. — Nos vemos amanhã?
— Claro. — ele concorda.
Ele entrou no seu carro, enquanto vejo o mesmo se afastando do meu campo de visão.
Entro em casa com um sorriso no rosto. Enquanto eu tomava banho, não tirava da cabeça a nossa conversa que tivemos. Joe fazia o meu coração acelerar. Fazia eu me esquecer dos problemas a minha volta. Faz parecer que só tem nós dois no mundo e que nada pode me fazer triste.
Mas eu ainda estava confusa com os meus sentimentos por ele. Eu gosto dele. Mas ao mesmo tempo, eu tenho medo de me entregar tão fácil assim. Tenho medo de acabar magoada no final. Mas Joe me provou que ele nunca iria fazer isso. Eu não sei mais o que fazer. Queria estar perto dele o tempo todo. Nunca me desgrudar dele. Ele me trás uma sensação de segurança.
Me joguei de braços abertos na minha cama. Esse foi um dia longo e muito bom. Assim que fecho os meus olhos, vejo a imagem de Joe sob os meus olhos. Aquele sorriso não iria sair de minha cabeça tão cedo, e muito menos Joe Walker. Ele ocupou um grande espaço no meu coração.
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