8 Metros
1 Chapter 1
Notas iniciais
A vida de uma garota completamente entediante. Meu nome? Sou várias ao mesmo tempo. Minha idade? Sou criança, adolescente, adulta, velha, eu sou uma pessoa que nem o tempo sabe quem sou. Meu sexo? Sem rumo, sem destino, sem emoção. Sou uma pessoa totalmente diferente todos os dias.
Sou de Middleburg, uma pequena cidade ao norte da Virginia, nos Estados Unidos da América. Estamos na primavera, mas ela está diferente, gelada e friento, normalmente ela é calorenta, com crianças brincando no parque próximo a rotatória, usamos saias ou shorts com blusa de manga curta ou camisa (top, cropped ou camisetas ) mas, nesta primavera estamos usando calça sinto, felpudas com casacos, blusas de manga comprida e tênis, sedentário — vamos deixar claro que é por causa do frio em?
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Acordo e estico minha mão até alcançar meu celular que estava na cômoda ao lado da cama desbloqueando-o e olhando o horário (6:38)
—nossa, por quê acordei tão cedo? — perguntei a mim mesma com voz baixa.
Tentei voltar a dormir, mas não consegui e fiquei pensando em como poderia fazer amigos, mas acabei desistindo e levantei da cama e fui até o meu banheiro, olhando-me pelo espelho
—pareço o bicho papão- me própria entiquei e tentei me ajeitar, penteando meu cabelo negros e liso.
Troquei minha blusa que ia até o joelho — pois tinha voltado de jantar com minha mãe, mas estava com muito sono então só ignorei e dormir — e escovei os dentes. Me dirigi até minha cômoda pegando meu celular e fiquei na janela, recebendo a brisa e tirei uma foto aproveitando que tinha uma ótima qualidade de luz e deitei na cama, editando ela e acabei pegando no sono.
Acordei com minha mãe me chamando:
—filha? Kay? Tô indo trabalhar tá bom? — me acorda em um tom carinhoso. Ela sempre me chama desse jeito. É a única que me chama de Kay ao invés de Kayla.
—oi mãe, bom dia- respondo-a e dando-lhe um beijo na bochecha
—tem cereal, leite e morango, e se quiser um óreo things e o almoço já tá pronto — me disse e eu prestei atenção cuidadosamente, pois não queria passar fome.
—são que horas?- indago me dirigindo ao banheiro.
—são dez e meia (10:32) , querida.
—beleza, vou me ajeitar e tomar café e ficar marinando na Netflix — disse ironicamente
—eita menina- disse com tom de risada
—mãe, mais tarde eu vou no shopping — avisando a ela, caso ela chegasse e não me visse e ficasse preocupada, porém eu iria ligar pra ela de qualquer maneira avisando-a
—certo, mas posso saber para quê? Se encontrar?- disse ela gargalhando em silêncio, mas visivelmente dava para se perceber
—mãe -grito irritada, mas estava rindo também. Levando na brincadeira- vou ver se tem algum filme que preste e comprar um livro novo -explico a ela
—fechou-nunca ouvi minha mãe falando daquela forma, meia descolada, mais coisa de adolescente, se bem que ela não é tão velha. Ela tem 36 anos e para uma filha de 16 é bem nova- quer que eu traga alguma coisa?- me indaga
—pizza- digo rapidamente e a mesma se surpreende
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—to indo meu amor- diz ela saindo do quarto
—te amo- solto um beijinho no ar- ti cuida
Minha mãe é enfermeira e está trabalhando muito ultimamente, até dia de domingo como hoje, raramente ela tem tempo pra mim ou pra conversar comigo ou perguntar como vai ser meu dia, o que eu estranhei a cena em que presenciei hoje pela manhã. Será que é a falta de meu pai?
Após isso, fiz minhas higienes e desci as escadas, mas lembrei que o meu celular estava na minha cômoda e voltei:
—Ô lerdeza- disse, pegando-o
Desci novamente, desbloqueando-o e fui olhar aquele aplicativo viral de postar fotos com legendas um tanto legais, bem besta não? Esta entediante e me lembrei do café (eram quase onze horas (11:00) e estava faminta, porém não estava afim de comer o almoço naquela hora) e então fui até a geladeira pegando o leite e o morango botando-os em cima do balcão e pegando o cereal no armário superior da esquerda.
Fiz meu cereal pondo o leite e os morangos que já estavam cortados fui comendo até o sofá me sentando e liguei na Netflix, já havia acabado minha série favorita JO e estava a procura de alguma outra interessante, mas todas que eu achava já tinha assistido. Enfim, já podemos saber que eu não faço nada da vida, então procurei um filme e botei em um que já vi muitas pessoas falarem, mas nunca tive a curiosidade de assistir e como eu estava sem fazer nada... Botei lá e fiquei assistindo, estava tão emocionado que nem percebi que meu cereal havia acabado, então lembrei do óreo que minha mãe havia me falado, porém estava com preguiça de me levantar, meu celular estava atrás de mim então eu peguei-o e apertei no botão de centro e vi o horário: 11:27.
Voltei para o sofá e fiquei deitada, mas acabei pegando no sono.
Um tempo depois acordo com alguém me ligando, olho o ID do identificador e vejo que é minha mãe.:
— Diga — falo na maior voz de sono.
— Tá fazendo o quê?
— Dormindo.
— Filha, são 12:50, já almoçou?
— Relaxa, mãe. — debocho.
— Tá bom então, tá tudo bem aí?
— Melhor impossível, te amo. — tento cortar.
— Beijo. — nos despedimos e vejo que acabou JO. — Poxa, depois vou ter que ver isso de novo. — reclamo.
Tiro da Netflix e ponho na TV normal, me levanto e vou preparar meu almoço.
Minha mãe deve estar preocupada por eu estar sozinha, mas ela tem que aprender que eu tenho 16 anos e não sou mais um bebê, porque com ela trabalhando, meu pai viajando e o meu irmão viajando. — penso.
Boto meu estrogonofe e pego o suco de uva, sento-me no balcão pegando meu celular, mas desisto e presto atenção na TV que está passando comercial. — Está passando da minha escola.
— "As inscrições estão abertas."
— Nem em casa me livro daquele inferno. Me canso de pedir aos meus pais para me tirarem daquele fim de mundo.
Lá todo mundo me ignora, não tomam a iniciativa de vim falar comigo ou fazer amizade. Sabe aquela "excluída"? Que tem em toda escola? Na minha eu sou ela. Tem umas meninas, a Isabelly e a Kendall. Elas passam por mim, me olham de cima a baixo, me chamam de gótica, esquisita (claro que não falam diretamente, mas entre elas e eu percebo que não são loucas de quererem de tomar um murro daqueles de deixar verde), ali é o inferno e aquelas duas o capeta e o capiroto.
Eu implorava para os meus pais para me tirarem de lá. Parece que ninguém entende pelo o que eu passo. Era meio solitário. Ficar sozinha durante os intervalos e não ter ninguém para um trabalho em grupo.
Me irritei, mas já acabei de comer. Desliguei a TV e vi se tinha algo fora de ordem. Subi e vi que precisava arrumar alguma coisa, olhei no horário (14:21) e estava entediado e liguei pra minha mãe.
Chamada ON.:
— Mãe.
— Kay.
— Posso ir ao shopping?
— Claro, me ligue quando voltar.
Desliguei e fui me arrumar.
Vesti um vestido curto vermelho, um casaco longo preto e um vans branca. Penteei o cabelo, escovei os dentes e pus uma make bem leve e sai de casa com uma bolsa pequena levando meu celular.
Chamei o táxi e chegando lá, fui em direção ao cinema, mas nenhum filme me interessava então fui numa livraria ver alguns livros e gostei de um livro: "Tudo e todas as coisas."
— Vou levar. — digo ao vendedor.
Quando estou saindo, vejo um iPhone (6) rosa, me apaixonei, mas decidi não levar. Fui na praça de alimentação e pedi um milkshake de morango com pedaços de vanilla, enquanto esperava pus meu fone tocando Stone Cold e quis ler logo o livro. O milkshake chegou, parei minha leitura, pensei que não ia caber na bolsa mas me enganei e fiquei mexendo no Instagram.
Na praça vi um menino de aparentemente 17 anos. Lindo até. Ele ficava me olhando e rindo,gostei, mas fiquei assustada e acabei meu milkshake. Guardei o celular e voltei pra casa de táxi. Já eram 18:03. Minha mãe estava na sala.
— Cheguei.
— Me ligava e eu ia te buscar.
— Não sabia que estava em casa e já tá na hora de mim dar um carro.
— Isso é com o seu pai.
— Vou pro meu quarto.
Coloco minha bolsa na cadeira. Tomo banho e escovo os dentes.
— Estou exausta.
Deito na cama, ligo o ar e tento dormir, mas o sorriso daquele menino não saía da minha cabeça, por incrível que pareça. O seu rosto estava pregando na minha mente, cada detalhe. Principalmente seu sorriso que parece ter me conquistado. Aquele sorriso mexia alguma coisa dentro de mim que eu não sabia distinguir.
Balancei a cabeça, tentando ignorar aquilo. Era só um garoto. Um garoto qualquer que estava me encarando e tendo um sorriso nos lábios. O que eu estava pensando? Que aquele garoto apareceria novamente? Se bem que me lembrando do seu rosto, ele me parecia bem familiar...
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