70 Cartas Do Texas

1 Finalmente Texas! - 25 de novembro


Notas iniciais
Esta foi a primeira carta que escrevi contando como foi meu primeiro dia no Texas. Assim que puder, escrevo mais. Saudades de você.

Minha viajem foi um caos. Era a primeira vez que eu estava dentro de um avião e aquilo era realmente assustador, principalmente quando eu resolvia olhar pela janela e ver as nuvens, e de vez em quando ver as coisas la em baixo. Eu me sentia mau de ver as pessoas ao meu lado tão confortáveis e tão acostumadas e eu parecendo um gato assustado em cima da árvore. Mas quando eu pensava que Texas estava quase chegando, eu me sentia bem. Você deve estar rindo pensando na cena, mas confesso que foi tudo muito assustador.

Mil coisas se passavam pela minha cabeça e eu não sabia com qual me preocupar mais. Eu queria apenas chegar viva no Texas e encontrar Aura, no aeroporto. Ainda não entendo porque eles não me deixam usar o celular no modo avião, se é pra isso mesmo que tem a função. Graças a Deus eu tinha meu Ipod e coloquei Flash Delirium do MGMT (você provavelmente não deve conhecer) e relaxei um pouco, mas minhas horas de sono de beleza acabaram quando um garotinho que estava sentado atrás de mim, resolveu começar a me cutucar.

Fingir que não senti nada e continuar com a paz dentro do avião foi meu plano, mas o garoto não estava de acordo e ele resolveu me bater com outras coisas. Foi quando eu tirei o fone do ouvido e virei para trás. Estava ele e mais um casal que se beijava então pedi para que ele parasse com a gracinha e o casal — que eu deduzi como os pais do garoto — não deu a mínima atenção e ele continuou a me bater e a puxar meus cabelos.

Depois de um minuto sofrendo "agressões" do garoto, chamei a aeromoça e pedi para que ela tomasse alguma atitude. Quando ela foi falar com os pais da criança, reparei que eles reclamaram um pouco então dei de ombros e voltei a ouvir minha música. Acho que se fosse o seu caso, não seria tão paciente como eu fui.

Eu não fazia ideia de quanto tempo eu estava dentro do avião, só sei que pouco tempo se passou durante as horas que eu estava acordada e percebi que o vôo era muito mais tranquilo quando eu estava dormindo. Dei vários cochilos e depois da janta acabei dormindo de vez e fui acordada com a aeromoça dizendo que havíamos chegado no Texas. A comida no avião era horrível, pelo menos aqui na classe econômica as coisas não eram tão bem feitas, mas como eu estava com muita fome, aquilo desceu bem.

Cheguei em Dallas no domingo de manhã. Prefiro não comentar como as coisas foram depois que eu desci do avião. Tudo já estava resolvido e depois de passar por uma série de etapas, consegui ser liberada e e pegar minhas malas. Passei por coisas que você jamais imaginaria e como eu sei que você é tão impaciente quanto eu, se irritaria logo. Eu já estava nervosa e estava realmente pensando porque eu havia decidido vir para os Estados Unidos, mas fiquei contente quando vi Aura parada com um celular e uma chave na mão, batendo o pé impacientemente e olhando o relógio diversas vezes. Me aproximei e assim que ela me viu fez uma cara de finalmente e veio correndo me abraçar.

– Quanto tempo, Alicia! Você não mudou muito desde a quinta série. – Ela disse me abraçando forte. – Não pensei que fosse demorar tanto tempo pra vir aqui me ver.

– Culpa sua, você tinha que ter ficado no Brasil com a gente. – Soltei-a e sorri mudando de assunto. – É realmente uma chatice vir para os Estados Unidos, meu deus!

Ela sorriu e parecia bem contente de me ver. Ela me perguntou como havia sido a viagem e como estavam as coisas no Brasil. Falei que minha mãe havia vendido o carro dela para pagar a minha viajem e que com muito esforço eu consegui vir. Fomos de carro até a casa dela e demorou um tempão, ainda mais que em alguns trechos tinha trânsito, mas nada comparado a São Paulo.

Depois de meia hora andando de carro, chegamos a casa dela. Fiquei impressionada com o tamanho da casa e agora eu entendia porque ela estava tão afim que a mãe dela casassem com o tal James. Ele era muito rico e parecia que ela havia ganhado uma casa no seu aniversário de dezoito anos.

A casa era enorme, e os tijolos ficavam a mostra. Aparentava ter dois andares e tinha muitas janelas. Na frente, tinha um jardim enorme, cheio de árvores. Do lado direito, um portão grande era a entrada para o carro.

Eu já me sentia diferente pelo simples fato de ter observado as ruas, as casas, e principalmente as pessoas. Tudo parecia um filme, e é assim que eu me sinto mesmo depois de algumas horas nessa cidade.

Quando chegamos, entramos pelos fundos. Cada minuto dentro da casa me surpreendia mais pelo tamanho e beleza da casa. No fundo, tinha uma piscina, não era gigante, mas cabia umas 20 pessoas dentro dela, mais e mais jardins e árvores, e tinha umas mesinhas na área. O mais engraçado de tudo, é que aquela casa – assim como muitas outras – não eram cercadas ou tinham portões.

Entramos, e Aura me apresentou toda a casa. Demorei um pouco para não me perder dentro daquela coisa enorme. No andar de baixo haviam duas salas, uma delas tinha um piano onde mais tarde, Aura me ensinou algumas notas, uma cozinha que era quase do tamanho da minha casa toda, e uma coisa que parecia um escritório, mas que na verdade ela usava de estúdio para os quadros dela. No andar de cima, tinha três quartos gigantes, dois banheiros e uma “biblioteca” que eu quase fiquei louca quando vi. Aura me contou que aqueles livros foram presente do avô dela, e que ela nem ligava muito pra eles, o que me deixou muito nervosa já que você sabe que eu amo livros.

Depois que ela me fez escolher um dos quartos (acabei escolhendo o mais perto da biblioteca), descemos e fizemos a janta. Conversamos sobre muitas coisas, e fiquei mais interessada quando ela disse que o avô dela era escritor e morreu falando que Nárnia existia de verdade. Achei bobagem também mas logo mudamos o assunto.

– E então, já sabe qual faculdade vai escolher? – Ela perguntou e eu fui em direção a sala.

– Bom, eu quero fazer moda, mas ainda não sei em qual faculdade.

– A University of Dallas é muito boa. Acho que você pode encontrar um curso que te agrade, e não é longe daqui.

Conversamos até umas dez horas e eu logo fiquei com sono, até porque o fuso horário fez uma confusão enorme na minha mente. Eu estava decidida a no dia seguinte ir até a universidade e ver o que eles podiam fazer por mim, mas eu só queria fazer um bom curso e arrumar um emprego logo, até para poder pagar tudo para a Aura depois.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.