7 meses de cores
1 Lilás
Notas iniciais
To na vibe!
7 meses de cores
Lilás
Eu não sei bem como começar um relato, principalmente de tudo que aconteceu. Como tudo foi desandando e ... Como eu cheguei até aqui hoje.
Bem, melhor começar do início.
***
Eu sempre fui recluso, não conversava com muitas pessoas, até ia para uma escola só de meninos antes de entrar para a multiverso.
Estava no ponto de ônibus com várias outras pessoas, quando alguém me esfaqueou, não sei, senti uma dor imensa nas costas, senti algo me perfurando. Gritei, mas minha voz não saía, me virei logo para ver o que era, e lá ele estava. Ou ela, talvez.
A verdade é que era uma figura humanoide, 1,75 de altura, a mesma que a minha, mas estava com sobretudo preto e um capuz que encobria todo seu corpo, e seu rosto era totalmente tampado por uma máscara lisa, com um grande sorriso no lugar onde era para ser a boca, e uma gota Lilás de baba.
— Eu juro que só vai doer agora – Ele, ou ela, disse.
— Quem... o que está acontecendo? – Eu estava assustado, aquilo passava longe de ser comum ou esperado.
Ele se aproximou de mim, eu recuei encostando meu cotovelo em alguém no ponto, foi como se eu tivesse encostado em um peso morto. Olhei ao meu redor, estava um pouco confuso, talvez até tonto, mas jurava que eles estavam paralisados. Pisquei os olhos, olhei de novo, todos parados, como peso morto ainda de pé.
O mundo todo ao meu redor havia simplesmente parado.
— Não exatamente – Ele disse – Tudo que parou foi apenas o que eu quis que parasse, e funciona só pra pessoas também.
— Está – Eu o olhei atônito, não sabia o que pensar, nada parecia fazer sentido – Que merda tá acontecendo aqui?
— Nós só vamos brincar – Me respondeu, enquanto me circulava, os carros ao meu redor ainda passavam, bem como ele havia dito, somente as pessoas haviam parado.
— Quem é você? – Perguntei, tentando organizar meus pensamentos.
— Apenas alguém que quer brincar – Ele me tocou, e eu senti algo passando em minhas veias. Como se eu pudesse sentir cada milímetro de sangue passeando pelo meu corpo.
Eu dei um pulo de surpresa, e ele—ou ela—riu
— Agora você tem o mesmo poder que eu, e uma parte da minha consciência também habitará junto à sua, use sabiamente – Ele disse, tirando a máscara, mas desaparecendo antes de revelar o rosto – A propósito, meu nome é Lilás.
Me senti como se estivesse me faltando ar, minhas veias estavam geladas, e fui atacado por uma ânsia de vomito terrível. Então bateram nas minhas costas, e foi como se todos os sintomas nunca tivessem existido.
O tempo para o pessoal do ponto havia voltado?
— Você tá legal? – Uma garota muito bonita olhava para mim, eu deveria ter realmente ficado mal, porque ela parecia bem preocupada.
— Sim, obrigado – Eu disse, me recompondo, um pouco atordoado pela beleza dela, espreguiço e bocejo, tento organizar meus pensamentos.
— como ela é linda, não é? – Uma voz ecoou pela minha cabeça, eu exclamei, surpreso.
Vejo a garota me olhar com olhos curiosos.
— A, qual é? Achou que tudo isso tinha sido um sonho?
— Eu não esperava por isso realmente – Pensei.
Eu não podia acreditar que isso estava realmente acontecendo, eu estava realmente me comunicando com um espirito esquisito por telepatia.
— Não é telepatia, idiota – Ele disse – Eu disse que minha consciência habitaria o mesmo lugar que a sua.
— Obrigado pela explicação realmente foi bem esclarecedora – Penso, de modo sarcástico.
Eu deveria estar olhando ao meu redor de maneira engraçada, pois vejo a garota olhar para mim e sorrir.
— Essa daí já é sua – ele diz.
— Não enche.
— Qual seu nome? – Era a voz dela realmente, não acredito que ela estava realmente falando comigo.
E enquanto isso, o Lilás continuava passeando pelo meu cérebro, conseguia sentir cada lugar que ele ia, cada porta que ele abria, ele estava vasculhando minha cabeça.
— Eu sou David, prazer
— Prazer, Sofia – Ela me parecia animada – Você também vai estudar na Multiverso?
Entendi o ânimo agora, multiverso, muitos achavam grande coisa. Okay, era grande coisa. A melhor instituição de ensino médio do pais talvez, grandes dormitórios para as republicas de estudante, clubes e mais clubes com conteúdo diversificados, fora as aulas bem centradas em várias matérias. Estar lá fazia o horário integral ser insuficiente, era o que os outros diziam.
Eu nunca achei grande coisa, mesmo tendo conseguido a sorte de estudar em tal instituição. Meu pai ficaria irado se soubesse que eu penso assim.
O ano estava prestes a começar, hoje era o primeiro dia de aula e ele fez questão de que eu participasse ativamente, e já fizesse amizades diferentes. Vou seguir seus conselhos, pai.
— A.... Eu estudo sim – Respondo, cautelosamente – Desculpa estou lerdo de sono – Sorrio.... Será que ela percebeu que eu estou rindo forçado?
—Tá bem convincente, não se preocupe – Ah é, agora esqueci que ele vigia tudo que eu penso.
Isso está realmente acontecendo? Me pergunto se não vou acordar na minha cama e ter que refazer todo processo matinal até aqui novamente. Nada está fazendo sentido.
— Pode ficar pior se você estalar os dedos – Ele diz, e eu faço, involuntariamente.
E então tudo para, de novo.
Tudo ao meu redor está cinza, como se eu tivesse perdido a capacidade de discernir cores.
Mas as pessoas estão brilhando, um tom estranho de Lilás.
Mas que porra...
— Legal, não é? – Ele diz – Eu adoro fazer isso quando to com tedio.
— É realmente é bem – Olho mais uma vez em volta – bem interessante – A garota estava parada, Sofia, está bem ali, bem ali na minha frente.
Passo as mãos pelos seus olhos, toco sua bochecha.
— Pensei que se alguém parasse no tempo – Toco novamente – Essa pessoa ficaria como uma pedra.
— Mas fazer assim não teria graça, teria? – Imagino que essa seja uma boa explicação, na concepção dele.
— Você me deve respostas.
— Você vai ter tempo suficiente pra isso, melhor você estalar de novo os dedos que seu ônibus tá chegando.
E ele realmente estava, e então algo engraçado veio a minha cabeça. Toda essa história acontecera em apenas alguns minutos. Provavelmente era um sonho.
— Garanto que não é.
— É, tudo bem, senhor Lilás.
Ele estala os dedos e tudo volta. O ônibus para no ponto, ele sobe e Sofia sobe logo atrás.
Vai ser um longo dia.
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